quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

07.06.24

 



Sabia que o céu compacto de nuvens não iria proporcionar momentos diferentes para registar com a minha pequena Olympus.

Sabia, mas acabei de jantar, vesti o corta vento, peguei na máquina, deixei a Sacha em casa e fui até à beira mar indiferente à nortada fria e forte que durante a tarde se fez presente. Ao passar junto ao bar de praia clientes saiam combinando em voz alta algo que não entendi e aceleraram nos seus carros com um deles a acelerar como se estivesse em rali de terra batida. Olhei o horizonte de um céu cinzento compacto não fossem dois riscos quase dourados ou alaranjados dizendo que o Sol ainda não estava na linha do horizonte. Olhei o mar calmo com as suas pequenas ondas a acariciar a areia molhada da baixa mar. Só, ali estava eu naquele areal de tantas memórias escutando, absorvendo os sons e odores da Natureza, evitando entrar nas memórias mais tristes da minha caminhada. No fim do areal, a norte, lá está com as suas novas instalações o porto de pesca da cidade que me viu crescer; ao olhá-lo senti a gaveta dos neurónios abrir-se pelo que de imediato voltei costas não deixando a imagem voltar para a minha memória viva embora não deixasse de pensar no arrependimento. Vi três gaivotas voando sobre a minha cabeça no céu que ia ficando mais cinzento à medida que a hora do ocaso se aproximava, subi até ao Largo da Igreja caminhando nostálgico indiferente à nortada que sempre acalma um pouco com o chegar da noite. Esperei pela hora do ocaso mas as nuvens compactas não me deixaram saudar o deus Sol, regressei a casa acompanhado pela nostalgia misturada com a sensação que já não vou pertencendo aqui, a minha praia está diferente ou sou eu que vou caminhando abraçando uma outra forma da natureza; aqui, agora, só recordações e lembranças que se misturam com nostalgias felizes e outras. Já não sou daqui é o meu sentir, fui e vou-me perdendo com o caudal do rio tempo que corre constante invariavelmente.

À hora habitual acordei, olhei o relógio no pulso ainda não eram as seis. Levantei-me, vi que tinha dormido quatro horas de sono profundo. Na sala a Sacha aguardava-me pensando que íamos para a rua, voltou para a sua cama quando me viu sentado a olhar as primeiras páginas dos jornais para depois começar a escrever no aparelho de comunicação.

Eram sete e meia quando saímos em direção à praia. No areal pensei em caminharmos para sul. Pela passadeira subimos até ao Largo da Igreja e fomos pelo caminho na beira da arriba até ao Corre Água olhando sem pressa a beleza quase selvagem deste curto trajeto. Já desliguei do que os serviços municipais e as autoridades marítimas não fazem nem deixarão de fazer, já não acredito na capacidade dessa gente, desses órgãos de poder administrativo. Desde 1962 ano em que aqui cheguei que conheci a existência de muitos planos e mais ideias para o aproveitamento económico e turístico desta região, até investimentos megalómanos foram publicitados para na prática este pedaço de costa continuar esquecido, abandonado à sorte das intempéries da natureza pela sua fraca constituição argilosa de milhares ou milhões de anos.

O meu ser tresmalhado já não vai sentindo raízes neste canto onde cresci e vivi. Tudo muda e também eu vou mudando sem me integrar em nenhum dos vários grupos que constituem o rebanho da grande maioria.

No regresso andando no Largo da Igreja sou saudado por um rapaz do meu tempo, a que logo se juntou um outro amigo que vive agora entre o cá e o Canadá para onde emigrou quando jovem em busca de uma vida melhor; num instante ali no Largo junto à arriba nos juntamos três Carlos, momento que vai rareando por Carlos não ser um nome que agrade às novas gerações. Depois de me despedir, desci até às rochas que não são milagrosas como muitos acreditam por errada informação. Como estava na baixa-mar andei pulando por rochas da minha juventude vendo hoje muitas algas verdes nas mesmas, limos ou algas inexistentes nesses anos da década de sessenta; sinais do tempo, das consequências de um modelo de desenvolvimento económico e social submetido à ganância e à usura no desrespeito pela Natureza. Acredito que estas águas do Atlântico Penicheiro ainda são do melhor que podemos encontrar em termos de poluição, acredito pelo que vejo nelas e através delas, não porque me dizem que a praia tem bandeira azul ou mesmo de ouro, já que não dou credibilidade às ONG's ou organizações ditas ambientalistas, tipo quercus, zero ou outras de igual cariz. Ainda no verão passado, quando desrespeitando as minhas maleitas me aventurei a entrar na água para dar umas braçadas filo sempre de olhos abertos, o que não fiz em outras praias de nomeada e badaladas. Nessa tarde em que a temperatura da água convidava ao banho senti no corpo que aquelas curtas braçadas tinham sido um aviso de despedida dos banhos de mar. A pouco e pouco temos de saber encarar a realidade, é que os erros e exageros de juventude são muitas vezes cobrados com altos juros fazendo jus a expressão popular cantada pelo António Variações, quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga.

06.06.24

 

O dia em que nos servem uma meia verdade para esconderem a verdade.

Neste dia já os soviéticos estavam às portas de Berlim, quando se deu o desembarque em Dunquerque na Normandia.

Os americanos desembarcaram depois de serem convencidos pelos ingleses que o maior inimigo não eram os nazis-alemães mas sim o avanço dos soviéticos e a propagação do comunismo.

A guerra estava ganha mesmo sem o tal desembarque. O exército nazi-alemão capitulou perante os russos soviéticos, depois seguiu-se a destruição escusada de cidades alemãs pelas bombas dos aliados - ocidentais como encenação para uma vitória que já estava antes assegurada.

Ainda hoje, depois do desmoronamento da União Soviética e da extinção do Pacto de Varsóvia há quem ainda veja os russos como comunistas perigosos que nos querem invadir para comerem as nossas crianças ao pequeno almoço.

A verdade sempre foi perigosa para as ambições desmedidas dos falcões ocidentais.

Hoje até o Bandeirista-ucraniano lá estará para escreverem mais uma mentira sobre a II GG.



01.06.24

 

De amanhã a oito dias os que nos parametrizam o modo de vida iludindo-nos chamam-nos para votarmos em mais um ato que dizem representar a liberdade. Liberdade que esses senhores que nos parametrizam a vida não nos deram mas que logo se aproveitaram das disrupções sociais que originaram a sua conquista.

O voto não é a arma do povo, tão pouco apenas um direito conquistado, antes um dever de cidadania que cada de nós tem para com a sociedade, daí o considerar um dever moral dizermos pelo voto qual a escolha que nos interessa perante as alternativas políticas que o sistema nos apresenta.

Na anterior eleição do mês de Março em que o inquilino de Belém sufragou pelo voto o golpe de estado palaciano que promoveu em concluiu com a PGR, votei consciente do que o ato representava pelo que o cumprimento do dever cívico foi útil e necessário. A minha escolha não saiu vitoriosa mas eu não perdi porque o meu voto teve consequências.

Agora no próximo fim de semana temos de novo o dever cívico de votarmos numa escolha para uma instituição europeia que para além da sua legalidade duvidosa, nada irá acrescentar à vida dos cidadãos. O Parlamento Europeu resulta de acordos entre Estados não tendo a suporta-lo uma “Constituição Europeia” que lhe conferisse não só a sua legalidade enquanto órgão de soberania, como qual o seu efetivo papel no futuro dos povos europeus, limitando-se os seus elementos a um papel secundário na definição das políticas económicas, sociais e de segurança; o poder é exercido por uma comissão nomeada com a bênção dos interesses americanos, a qual não está sujeita a sufrágio direto europeu, necessitando apenas e por vezes do voto unânime dos primeiros-ministros que compõem o tratado da união.

Consciente do pouco e fraco interesse que o dito parlamento tem, para a vida dos que se preocupam pelo bem social de todos, irei cumprir o meu dever votando pela Paz na Europa de Lisboa aos Urais como me ensinaram em todos os Estabelecimentos de Ensino Publico que frequentei desde a Escola Primária até à Universidade Técnica.