sábado, 29 de janeiro de 2022

22.01.22

Em 1969 entrou na política em oposição à ditadura. Tinha ainda 18 anos. Esteve mais na CEUD que na CDE. Em 1972 em Mafra esteve à porta do PC mas não entrou. Na guerra o Major segundo comandante do batalhão safou-o das garras da PIDE. Regressado da mesma, esteve à porta da UDP mas não entrou. No mundo do trabalho nunca foi sindicalizado por divergências. Mais tarde esteve à porta do PS mas não entrou. Gosta de se sentir político livre, sem partido. Não tem sentido de disciplina partidária. Não gosta de Ordens profissionais. Olha-as como entidades corporativas. Está inscrito numa à qual teve de aderir por imposição legal. Vê essa Ordem como um apêndice corporativo das Finanças do Estado rebatizada pelos neoliberais como Autoridade Tributária. Saiu de outra ordem profissional quando a mesma se formou a partir de uma associação. Caminha consciente na outra margem da vida na travessia do deserto. Longe de tudo mas perto da vida. Não é anarquista, longe disso. Define-se politicamente como uma ovelha ranhosa e tresmalhada. Em tempos de juventude o líder do seu respeito foi o grande Ho Chi Minh. Teve outros, entre eles Jesus antes de lhe adicionarem Cristo. Hoje admira o exemplo dado pelo grande uruguaio Pepe Mujica. Não professa nenhuma das religiões. Gosta de afirmar que a sua religião é o Bem Social. Foi praticante católico saindo pelo seu pé caminhando sem olhar para trás. Esteve à beira dos sem abrigo mas não deu o passo em frente. Resistiu às dificuldades. Desistir não está no seu dicionário. Teimoso continua na busca sonhando com a utopia. 

 

Direitos

Quando era jovem aprendeu com professores de Direito Civil, Direito Comercial e Direito Fiscal no velho Cortiço à Rua das Chagas que nas matérias acima dadas e estudadas, havia sempre duas interpretações, "a letra da lei" e o "espírito da lei" ou seja do legislador, abrindo-se assim um vasto leque de hipóteses na sua leitura e interpretação.

Há muito que não percebe, não entende para que serve um tal dia de reflexão, nesta coisa importante das eleições. Sempre se questionou se haverá alguém minimamente capaz de decidir por si própria, que nesse dia, sempre ao sábado, mude o sentido do seu voto domingueiro?

Agora com este tempo de guerra contra um vírus acentua-se o voto antecipado a quem assim deseje, isto é a prova de que o tal dia de reflexão é uma inutilidade política.

Ouve na rádio que o número de infectados é grande no país, implicando que o número de confinados seja na altura de exercer o dever cívico de votar muito grande.

Pensa com a sua sombra "os barões sem brasões" enganaram-se nas previsões quer de eleições antecipadas, quer na ajuda ao amigo partidário.

Pensa nisso quando ouve, na rádio, o Primeiro Ministro argumentar que o horário das eleições está na Lei e que só a Assembleia da República pode alterar a dita lei e esta como se sabe está em off. O argumento ouvido na rádio teria como base a letra ou o espírito da lei, ou agora nestes novos tempos de muitos saberes haverá mais interpretações sobre as mesmas? A sua sombra encolheu os ombros como sinal de não saber responder à dúvida.

Fecha o rádio. Antes de se deitar fala ainda com a sua sombra, porque não se utiliza o tal dia inútil de reflexão e se decide excecionalmente porque estamos nesta "guerra pandémica" alargar o dever cívico de votarmos ao fim de semana, reservando a tarde de domingo para os cidadãos confinados em casa pelo vírus que continua à solta por aí? A sua sombra ri-se ao ouvi-lo referir-se à "guerra pandémica" dizendo-lhe que é um lírico utópico, eles os "barões sem brasões" só conhecem as guerras das intrigas palacianas e nessas são mestres, quanto às outras guerras deixam a desejar pois são "barões sem brasões", homens de comendas palacianas e outros negócios.

Fechou a luz e virou-se para o outro lado, na certeza que se tudo correr normalmente dia 30 lá estará logo de manhã a exercer o dever cívico de votar.

 

22.01.19

Olha os livros em cima da mesa. Sempre leva livros quando vai para qualquer local, seja mais longe ou mais perto.

Olha-os com o sentimento de lhes pedir desculpa. Trouxe-nos, pô-los em cima da mesa mas ainda não lhes acariciou as páginas com os olhos, lendo-os. E, os dias estão a chegar ao fim. O regresso à cidade grande esta para breve.

 

Sonhar

 

Sonhar não paga imposto de circulação, nem está sujeito à incidência do IVA. Sonhar é pois um movimento, uma ação de Liberdade que tanto pode ser individual com coletiva.

As coisas que nos prometem

 

As coisas que nos prometem anotadas num caderninho dariam uma biblioteca.

Mas a vida não é feita de promessas.

Lá diz o ditado: - "fia-te na Virgem e não corras, logo vês o trambolhão que apanhas".

Depois, promessas leva-as o vento, que no tempo de agora sopra adverso à solidariedade, à fraternidade entre os cidadãos.

Andam todos entretidos

 

Andam todos entretidos. Todos prometem o paraíso sem custos. Os caminhos para alcançarmos o paraíso varia com as opções que os conselheiros do marketing político indicam aos líderes. A chuva não caça votos, segreda-lhe a sua sombra.

O País, este triste jardim à beira mar, aguarda pela chegada da chuva que tarda. Eles, tão entretidos em cantar ao vento as suas promessas eleitorais, nem dão conta do problema que irá condicionar o futuro.

O ambiente é visto como um novo negócio e nada mais. Quando falam do ambiente não o sentem, falam porque parece bem falar nas alterações climáticas, na transição energética (negócios chorudos), as quais podem dar vantagens em estudos de opinião, quantas vezes encomendados para o efeito.

Os papagaios avençados das televisões mal caem uns pingos falam logo em mau tempo. Metem-lhe nojo.

A chuva está a fazer tanta falta que já viu gado a comer palha por falta de pastagem, por falta da chuva. Mas este e outros problemas não serão analisados na campanha.

Propõe-se fazer a leitura dos programas de cada um dos partidos que prometem o paraíso. Lá terá que ler todos. Será que vai ter paciência para levar a cabo tão árdua tarefa?

22.01.18

 

São sete e ainda o escuro da madrugada permanece. Ligou a televisão num canal público. Ouviu excertos, frases acusatórias. Desligou que aquela não é a sua praia.

Trabalhou sempre no sector privado da economia, pelo que nunca sentiu a segurança do emprego (trabalho) fixo que existia no funcionalismo do Estado.

Participou na realização de muitos orçamentos anuais e quinquenais, assim como no reajustamento dos objetivos ao longo dos controles trimestrais.

Um ano na empresa farmacêutica onde trabalhava como diretor administrativo e financeiro face aos excelentes resultados do exercício reforçou por sua iniciativa uma das contas de "Provisões" existentes com um montante considerável para baixar o lucro líquido ao nível da previsão orçamentada. Os auditores não gostaram ameaçando colocar uma nota de ressalva no relatório de aprovação das contas. Apertaram-lhe os calos, mas a vida lá continuou, com a empresa a cumprir anualmente as suas previsões orçamentadas.

Dois meses depois da auditoria às contas, aparece-lhe o diretor de produção todo aflito. Uma máquina tinha dado o berro e a nova custava muito mais do que tinham previsto no plano de investimento, pelo que não tinha verba para a máquina e a produção corria o risco de trabalhar abaixo dos 50%. Disse-lhe para falar com o Diretor Geral porque havia uma solução. Foi chamado ao gabinete do DG para explicar que solução tinham para avançar com a compra da máquina, respondeu-lhe se ele se lembrava do aperto de calos que lhe tinham dado por causa de uma tal “provisão”, pois essa mesma conta tinha verba para a compra da máquina. No final foram almoçar os três.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

22.01.17

Habituou-se a levantar-se cedo. Raros são os dias em que dorme oito horas seguidas. Cinco ou seis horas seguidas são suficientes. Agora até usa um relógio no pulso que o informa do número de horas dormidas em sono profundo e em sono leve. A tecnologia ao serviço da informação. Depois, bem depois do almoço, seja verão ou inverno sabe-lhe bem uma pequena sesta. Sua mãe dizia que o filho tinha sono de gato. Quantas vezes no trabalho depois de almoço se sentava na casa de banho para uma sesta rápida fora de olhares indiscretos. É assim que acorda às cinco da manhã sem vontade de voltar a dormir. Neste mês de Janeiro, neste interior profundo e há muito abandonado à sua sorte, depois de se lavar decide sentar-se na cama para ler ou escrever. Na casa de banho já olhou as capas dos jornais, já olhou a rede dita social onde ainda permanece. Agora, sentado e agasalhado na cama que herdou dos seus avós e sempre o acompanhou, ouve o silêncio e pensa na vida, desembrulha memórias há muito guardadas, para voltar a embrulhá-las e arquivá-las de novo na gaveta de onde as retirou. De nada lhe serve pensar no que fez, no que deveria ter feito, no que teria sido se tivesse feito escolhas diferentes. O passado é passado, uma escola onde não se pode voltar atrás, onde as repetições estão ausentes por impossibilidade que não se discute, aceita-se e nada mais se pode do que trazê-la à memória ativa, para recordar o que fez; lembrar o que não deveria ter feito é perda de tempo e às vezes puro masoquismo. Na vida só há um sentido, seguir em frente até que a água seca no nosso corpo que o espírito já se foi para uma dimensão desconhecida dos nossos sentidos.

Gosta de ouvir as falas do silêncio. Assim como um dia na sua juventude o velho banheiro lhes ensinou a olhar o mar escutando o estado de espírito do deus Neptuno, também o silêncio tem suas falas que dependem muito do estado de espírito de Éolo, o deus do vento.

A sua amiga Sacha já quis ir lá para fora ver como acaba a luz noturna e começa a diurna. Tudo nesta manhã de segunda-feira é silêncio, calmo e sereno a aconselhar reflexão, embora já saiba quais as tarefas que terá de fazer neste dia no seu pequeno quintal. Irá podar as videiras. É a primeira vez que irá executar este trabalho. Depois preparar a terra para umas batatas. Manias que mantém porque sempre disse ao seu pai que não iria abandonar quer a casa quer o chão onde algumas oliveiras resistem à pobreza do terreno. De tal modo leva esse desígnio que daquele chão de oliveiras já leva um outro que foi do seu tio avô João Capelo e presta-se para ficar com um outro chão de oliveiras de seu primo e padrinho. E entre as ondas do silêncio pensa no que o seu pai diria se ainda por cá andasse. Ele que o conhecia melhor que ninguém ficaria admirado mas orgulhoso de certo. A vida é um mar de muitas ilusões e de muitas surpresas daí o podermos dizer que entre o bom e o menos bom tudo somado, a vida é bela. 

 

21.01.15a

 


As árvores autóctones já eram. Se quiser cortar uma azinheira que me está a dar cabo de um muro é complicado por ser espécie protegida, mas as inúmeras azinheiras e sobreiras puderam ser arrancadas, dizimadas pelos investidores estrangeiros da monocultura do amendoal. Para eles não há entraves burocráticos, é tudo facilidades, calças em baixo porque é tudo a Bem da Nação. Para o Zé cidadão português a coisa complica-se com as burocracias e dificuldades porque há leis e pareceres a cumprir dificultando a própria vida, como que incentivando à pratica da ilegalidade.


22.01.15

 


Tenho dias que penso estar a ficar louco com o que ouço ou vejo. Depois, ouço o riso da minha sombra. Procuro um espelho para me olhar, para certificar-me se ainda sou eu. Então eu e a minha sombra sorrimos num só sorriso. A loucura ainda não entrou no meu mundo mas anda a rondar, concluo.

Aos sábados gosto de ir ao talho comprar umas morcelas de assar e umas alheiras que são muito diferentes das que se vendem nos supermercados. Como o talho está no mercado municipal aproveito e passo pelos resistentes vendedores de frutas, hortaliças, queijos e outros, antes de ir ao talho.

Hoje ao entrar dei com o cartaz da figura e logo ouvi o riso da minha sombra. Depois vi aqueles aquecedores no corredor. Perguntei aos vendedores se tinham produtos bio à venda. Riram-se e informaram-me que não havia nenhum produto bio no mercado, assim como os aquecedores nunca os ligaram, pelo menos aos sábados.

No caminho de regresso parei na estrada para certificar-me de que a monocultura do amendoal usa tanto produto amigo do ambiente (outra mentira) que nem as ervas que crescem nos campos e à beira da estrada lá entram, não tem ambiente para poderem sobreviver aos químicos usados, já lá não há biodiversidade que lhes permita sobreviver. O mar de amendoal utiliza químicos tão amigos do ambiente que o Rio Aravil já não tem peixes, a biodiversidade aquática do mesmo já era no passado recente.

Vende o Município o slogan de "Bio Região". Vende e gasta recursos na promoção dessa ideia peregrina que depois vai-se ver e é só publicidade à boa maneira dos liberais mais liberais.

Por respeito aos meus amigos socialistas, contenho-me nos comentários. Ainda não estou louco de todo mas a revolta contra o estado em que se encontra o Município é grande, proporcional há extensão do mesmo.