Às
seis da manhã do dia 25.08 estou levantado. Faço uma
viagem virtual pelos jornais. Nos generalistas nada me prendeu a
atenção, a cruzada deles continua; nos desportivos pior, muita
imaginação pouca credibilidade no que publicam. Em resumo nuns e
noutros, muitos palpites, alguns maldosos, de conhecidas origens.
Há
quatro anos conhecia bem um Lar. Lar que é uma IPSS, instalações
construídas pela Autarquia e cuja gestão foi entregue à uma
comissão local eleita regularmente. Um Lar de idosos e velhos que
integrou na sua acção social os utentes do Centro de Dia existente
na terra há vários anos. Centro de Dia gerido na sua existência
até então por um triunvirato de três amigos voluntários
graciosamente, com instalações próprias condignas e acção
meritória com mais de 25 anos. Falo por conhecimento já que o meu
pai foi um dos integrantes do triunvirato do Centro de Dia, sabendo
da luta que travaram para poderem acrescentar ao Centro as funções
de um Lar.
Lar
que acabou por ser construído pela Autarquia de raiz num outro
local. As duas instalações e funções partilham os mesmos órgãos
de gestão.
O
Lar existe numa terra raiana do interior profundo deste país que já
foi jardim e hoje caminha sem azimute, de nome Zebreira, a Autarquia
é Idanha a Nova.
Meu
pai, viúvo vivendo na sua casa, dono das suas ideias, sem informar
os filhos (somos dois) mal o Lar começou a funcionar foi dos seus
primeiros beneficiários. Digo beneficiários e não utentes.
Tirando
um caso ou outro de velhos resmungões que sempre falam mal de tudo,
ou uma outra situação que possa ter ocorrido de algum funcionário
que não cumpriu com zelo as suas funções, não conheci casos de
descuido e maus tratos aos beneficiários daquele lar. Depois de meu
pai ter terminado a sua viagem terrena deixei de lá entrar
regularmente.
Um
Lar que já cresceu por necessidade da procura e que continua a ter
mais interessados em poderem lá entrar do que vagas. Os
beneficiários e ou suas famílias pagam em função do seu
rendimento segundo a tabela estipulada pela Segurança Social
(informação do meu pai).
Não
digo que seja uma maravilha, mas ali alguns dos beneficiários
encontraram condições de higiene, alimentação e cuidados que de
outro modo não tinham nem talvez tenham conhecido.
Claro
que nem tudo são facilidades e maravilhas. As dificuldades de
contratarem pessoal de enfermagem que preste os serviços necessários
aos beneficiários é grande e maior do que o contratarem médico
pois na altura o Lar era visitado por dois médicos de especialidades
distintas.
A
Zebreira está a cerca de 42 quilómetros de Castelo Branco junto à
fronteira com a Extremadura espanhola. A cidade aglutina na sua urbe
os profissionais mais qualificados em quase todas as áreas, seja no
litoral ou no interior. Foi e é este o modelo de desenvolvimento
económico dito social das sociedades desde meados do século XX.
Lembro-me
de ir visitar os meus avós e residirem na Zebreira dois médicos com
consultório e actividade. Mudaram-se os tempos e o tal
desenvolvimento capitalista concentra tudo nas cidades onde a vida se
tornou impessoal, vaidosa, egoísta e individualista… passando os
mais velhos a ser um empecilho, um encargo improdutivo e como tal
descartáveis.
Os
gestores do Lar, a sua jovem directora geral (assistente social), com
os serviços da Autarquia de Idanha a Nova e ARS de Castelo Branco,
todos os funcionários e colaboradores que nele trabalham têm usado
com sabedoria e profissionalismo os meios disponíveis para que o
malvado do vírus não tenha lá entrada…
Não
sou de bater palmas ou de dar parabéns, até porque todos têm
cumprido com zelo as acções e medidas que a profissão e o
humanismo para com os beneficiários do Lar lhes impunha, mas gosto
de dizer BEM HAJAM, porque com o vosso trabalho e dedicação quer o
Lar quer o nome da Zebreira não faz parte das notícias, umas
desgraçadas outras caluniosa que se ouvem e leem sobre os Lares
neste tempo de pandemia viral e também já económica.
Bem
hajam, pelo trabalho e cuidado com que ao longo da vossa existência
tem tratado todos os vossos beneficiários, repito beneficiários e
não utentes.