quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Interesse público


Interesse público existe de verdade ou não passa de mais uma ficção, que nos servem para nos entretermos como se fosse um jogo de sueca ou de king, podendo ser também de canastra para alguns mais eruditos.
Se vasculham, invadem correspondência, actividades empresariais e outras mais escuras à margem da presunção da legalidade estabelecida e aceite, da vida privada do vizinho com o qual não há relações amistosas, e as publicam em jornais e redes sociais, falando delas as televisões e as rádios, achamos bem porque está em causa a defesa do tal interesse público.
Contudo, quando invadem, vasculham e publicam acções e actos mais escuros que possam presumir ilegalidades face às normas aceites e normais da vida de um amigo de coração, de paixão, a indignidade, a revolta sobe à cabeça com a publicidade dada em redes sociais, nos jornais, nas rádios e televisões, pelo crime que alguém possa ter cometido ao invadir “coisas” da vida privada do amigo de peito ou de paixão. Agora já não conta o interesse público, pois é crime invadir a vida privada, e quase em uníssono com outros amigos do amigo, gritamos que tudo o que publicaram é mentira, depois que é crime, depois pedimos que a Justiça tenha mão de ferro contra o ou os invasores da vida privada do amigo.
Dois pesos, duas medidas, duas formas de olharmos factos semelhantes, criamos a nossa realidade segundo as emoções que sentimos.
Já não basta que a própria justiça, emanação do poder da classe dominante, possa,mesmo assim, ser imparcial, na análise e possível julgamento dos factos apontados e publicitados, há pois que serrar fileiras sempre em torno dos amigos presumíveis  ou não como prevaricadores da ordem normal e aceite das coisas normais em sociedade.

Eleições para a Europa


Aproximam-se as eleições para o Parlamento Europeu. Sou um europeísta moderado, defendendo a união dos países em torno de um projecto comum que salvaguarde as diferenças e independência em pontos chave das soberanias dos seus membros.
Não é esse o caminho dos últimos tempos, com mais desunião do que de consensos unionistas.
Com a posição da União Europeia face ao que se passa na Venezuela, fico a pensar para que servirá o voto nas próximas eleições para o Parlamento das Mordomias Bruxelianas?
Nas últimas eleições votei em branco e nestas próximas parece-me que na altura de exercer o direito e o dever cívico de votar, vou esquecer a esferográfica, dobrar o boletim de voto e colocá-lo na respectiva urna.
Uma coisa é estar, apoiar, concordar com o team de Maduro na Venezuela, o que não é o meu caso, outra coisa é baixar as calças às vontades dos «Yankes do Tio Sam». Para mim que sou um pobre sonhador deveriam os europeus ter políticas bem distintas dos outros blocos económicos. Infelizmente para os distintos deputados e ministros europeus não há diferenças entre os interesses europeus e os dos «Yankes do tio Sam» na questão venezuelana. Dizem defender a democracia, apoiando alguém que apareceu do nada e se fez a si próprio «presidente», sem precisar de ir a votos para tal. Os políticos europeus a atraiçoarem a Democracia mais uma vez, na minha maneira de ver a realidade.
Assim, votar em partidos políticos, que escolhem deputados entre os amigos mais fieis ao chefe, para depois baixarem as calças aos desmandos dos «Yankes do Tio Sam», não é o meu caminho.
Como europeísta moderado, sem alternativas, irei simplesmente dobrar o boletim de voto e coloca-lo na urna sem outra opção.

Sonhar é preciso


Sonhar é preciso. Mais do que nunca o sonho foi tão urgente realizar. Perdemos o tempo a sonhar fantasias enquanto os outros tratam-nos do futuro. Dão-nos de mamar programas da treta pela manhã e pela tarde, para à noite nos encherem a casa com o futebol de bancada ou, com os mesmos comentadores políticos e políticos profissionais a esgrimirem sempre a ladainha do “pai nosso que estais na terra”.

A gatita Ísis olha o rato no ecran para o apanhar. Quando lho escondo fica a olhar para mim com ar de reprovação. Ela também sonhará? Como serão os seus sonhos?
Eu não gosto de sonhar quando estou a dormir, gosto mais de sonhar acordado. O relógio bateu a meia noite avisando que esta na hora de ir deitar. Será que vou sonhar?

Momentos felizes









Na vida há momentos onde a tão desejada felicidade nos faz companhia. Momentos onde não são precisas coisas muito complexas, para esses momentos poderem ser vividos, saboreados e guardados. Um pouco de sorte, é o tempero necessário. A luz do dia que renasce é a musica suave na manhã fria que os olhos ouvem, o cérebro saboreia e a máquina fotográfica, com a tal sorte, guarda.
O cenário ocorre nas margens da pequena barragem na Herdado do Soudo, baldio pertencente à Zebreira na raia de Idanha a Nova.

Tristeza


Numa manhã ouvi uma reportagem na Antena1 sobre Monchique seis meses depois. Hoje ouvi na TSF uma outra reportagem sobre o mesmo tema “Monchique seis meses depois”. Ouvi jornalistas, ouvi Ministros e Presidente de Câmara. Todos falam bem. Todos têm ideias e boas intenções, mas exceptuando os jornalistas, não sei o que andaram a fazer os políticos nestes meses quanto à Serra de Monchique.
Resumindo. Há seis meses a serra de Monchique ardeu. Nada se sabe sobre as investigações que Ministério Publico e Judiciária sobre origens do fogo e se há indiciados como culpados. Sabemos agora o que na altura aprendemos, a Serra de Monchique virou horror ambiental, os seus habitantes perderam tudo, bens, animais e paisagem. Hoje, os seus habitantes acidentados andam perdidos entre papeis, burocracias, promessas e litígios entre serviços públicos do Estado, sejam de Ministérios ou da Câmara Municipal.
Uma tristeza. Uma vergonha, quer seja o trabalho político dos Ministros e do Presidente da Câmara, quer sejam os técnicos funcionários públicos, todos demonstrando pouco humanismo e profissionalismo na ajuda aos cidadãos que viram os seus bens, os seus animais consumidos por um fogo que não foi enviado pelos céus.

O sr. ministro


O senhor ministro voltou a falar. Ouvi excertos e das coisas que ouvi não gostei novamente. O senhor até pode ser uma sumidade ambiental mas, as suas declarações, desde Almaraz, passando pelo Médio Tejo são pouco ou nada convincentes. Perante factos em que não mereceu nota positiva, resolveu mexer com o futuro no mercado dos carros.
Saiba senhor ministro que gostaria de ter um carro, melhor uma carrinha híbrida ou mesmo eléctrica para ajudar o ambiente, mais do que, pelos avanços tecnológicos. Mas, não sei se o senhor ministro sabe quanto custa uma carrinha híbrida ou eléctrica comparativamente ao modelo a gasóleo. Se sabe faça as contas entrando em consideração com o rendimento disponível das famílias portuguesas, assim como com o rácio de endividamento das mesmas. Lembre-se que o senhor é ministro num país onde os salários e ordenados são dos mais baixos da União Europeia.
Está nas suas mãos e dos seus colegas fazerem políticas que possam proporcionar um maior rendimento disponível às famílias trabalhadoras de forma sustentável, pois serem ministros que se limitam a gerir decisões tomadas em Bruxelas, quais gestores de uma multinacional, pode estar a ter os dias contados face às divergências políticas que crescem no seio de países importantes da U. E..
O senhor ministro falou, outros entendidos falam dos benefícios ambientais, mas será que os custos ambientais com a produção são iguais ou comparáveis? É que a extração do lítio para as baterias não é nada amiga do ambiente… Quando é que nos irão falar toda a verdade sobre este e outros problemas ambientais, livres de pressões empresariais?
O senhor ministro até saberá que a energia mais barata é a obtida nas centrais nucleares, mas no seu calculo de custo não entram os prejuízos ambientais para a saúde do ambiente e de todos nós.
Mande fazer um inquérito sobre se preferimos um carro híbrido, eléctrico ou de combustão e verá que a opção é fácil? Pior são as condições financeiras para podermos alcançar o que é melhor para o ambiente.

Será que o senhor ministro também se quer candidatar ao prémio de viajar para Bruxelas?

Noite de futebol


Noite de futebol
Noite de espectáculo
Noite de paixões
Paixões que geram ódios e zangas
Noite de erros humanos
Erros exacerbados pela paixão cega dos amantes

Ah o árbitro, essa figura
Que inclinou o relvado
Que não quis ver a falta
Que apitou o fora de jogo inexistente
Que condicionou o jogo

O jogo
Gritos de alegria
Explosões de clímax
Goloooo
Alegria de uns
Tristeza de outros

Comentadores de clubes
Oficiais e oficiosos
Uns e outros mestres
Na análise e ilusão de factos
Na mentira institucional catedráticos
Investigadores de excelência na alienação
Paixões coloridas, ciúmes exacerbados ao rubro

Mas...
Que fazer quando se gosta de futebol?

Espargos selvagens


 Apanhados no campo de origem selvagem, sem outros nutrientes que não sejam o da própria natureza.

Cortadinhos a preceito. Salteados no azeite sem rótulo, porque é de produtor vizinho de olival extensivo e extraído a frio. Apenas juntei dois ovos de capoeira, mexidos. Acompanhei com um copo de vinho tinto Cova da Beira da adega cooperativa do Fundão. A noite fria ficou mais amena, sem sonhos nem sobressaltos.
Coisas na outra margem da vida, longe das complicações que a vida nas cidades vai gerando; longe dos problemas que a fusão de políticos e gestores de alta finança nos têm herdado em pagamento. Longe de quase tudo menos da vida, sem televisão, apenas a rádio e a internet móvel me transportam para a outra margem do mundo, onde não sei se quero viver nele. Até depois ou, até mais adiante


Disse coisas


O senhor Ministro falou e ao falar disse coisas. Não esperava eu, que o senhor Ministro justificasse a ausência da chuva, mas quando dizemos que temos de produzir mais, vir garantir água aos urbanos e racionamento aos que apostaram no regadio para produzirem mais, faz-me confusão, talvez fosse melhor ter ficado calado. Quem deve ter gostado das suas palavras deve ter sido a equipa do Ministro mais poderoso. Aumento do preço da água origina um precioso aumento das receitas.
O senhor Ministro gosta de dizer coisas. Já o seu colega agrícola opta pela ausência, quando não têm oportunidade de anunciar mais uma linha de crédito bancário, para hipotecar ainda mais a vida do pequeno e médio agricultor, mantém-se calado.
Quando a chuva ano a ano vai diminuindo a sua precipitação, quando os campos que herdamos dos nossos antepassados são pobres, o senhor Ministro diz que a seca por agora é menor que por esta altura no ano passado, pudera com o que choveu no mês de Outubro e princípio de Novembro face ao anterior, é lógico que assim possa ser, recordando que as chuvas de Março até Maio-Junho encheram as barragens para o senhor poder garantir aos urbanos que não irá faltar a bendita água na torneira.
Saiba o senhor Ministro que numa zona de pouca precipitação na época das chuvas e de muito pouca humidade nos solos nos meses de verão, numa região de olival extensivo, que os ministérios do seu colega da agricultura eu seu aprovaram um projecto agrícola para a instalação de uns hectares de olival intensivo.
É certo que o senhor Ministro assim como o seu colega agrícola, não têm de saber destes pormenores. Para isso têm colaboradores, técnicos e auxiliares, chefes de secção, chefes de serviço, chefes de departamento, chefes regionais, directores de serviço, directores de departamento, directores regionais e outros nomes pomposos como os de consultores externos, para os servirem. Mas, essa estrutura normalmente pesada pode servir os senhores Ministros que vão passando pelos ministérios, enquanto eles continuam por lá a ganharem o seu, a reivindicarem aumentos, regularização de carreiras, e a pensarem mais na reforma do que no trabalho e no futuro ambiental e agrícola. Por isso não servem os interesses do país ao aprovarem investimentos deste género, que como os senhores Ministros devem ter conhecimento, este cultivo acarreta problemas ambientais futuros, não só com a água necessária à sua produção, como à utilização dos agro-tóxicos no combate às pragas, o que não acontece no olival extensivo.
Nada tenho de animosidade contra o autor da ideia e projecto que lhe aprovaram, até nem o conheço bem, embora já tenha estado com ele em uma ou outra ocasião. Ele procura melhorar a sua situação, pensando ser este o melhor para o futuro imediato dele.
Sou contra o olival intensivo por norma e, contra as estruturas do funcionalismo publico que fechados em gabinetes introduzem números num programa de computador e sai um resultado. Depois, queixamos-nos da carga fiscal que suportamos, mas não queixamos das estruturas pesadas, inoperacionais, desmotivadas que existem a pensar apenas na transferência mensal para a conta bancária.
Precisamos de outras políticas e é para isso que os senhores Ministros ocupam o lugar. Fazer políticas, motivar a maquina do funcionalismo, po-la a trabalhar em função das políticas, e mais não digo que a noite vai fria a exemplo das políticas e trabalhos que vão exercendo os vossos ministérios.

O silencio e a calma



Aqui reina o silencio, que se mistura com a calma numa união feliz. Apenas interrompidos pelo barulho de um ou outro carro que passa na estrada ali ao lado, no regresso de mais um dia de trabalho.
Silêncio onde a respiração ofegante da Sacha se ouve feliz com a liberdade de poder correr livre de amarras. Na barragem ali mesmo ao lado, os peixes saltam fora de água contentes por mais um dia de vida sem caírem no anzol de algum pescador.
Assim, nesta outra margem da vida, vou fazendo caminho, aprendendo mais com os chamados de iletrados, do que com muitos ditos sabichões.
Nesta outra margem por onde caminho, neste silencio dialogante, ouço rumores do que se passa lá pela capital do reino, mas fixo-me mais na realidade que aqui se vive. Da chuva que não chega, ou que tarda em chegar. Da qualidade do azeite desta colheita face à qualidade do ano passado, da muita azeitona que nestes dois anos houve, sendo que não estando bichosa como no ano anterior, a qualidade não é tão boa. Do problema do escoamento do azeite do ano anterior.
Falam-me da violência que a partir de um bairro social nos arredores da capital vai acontecendo por lá. Como não tenho televisão vejo apenas o que ouço.
A vida não é nem pode ser aquilo que as televisões nos vendem, é muito mais do que isso, muito mais que os problemas criados à volta da cor da pele, das intrigas partidárias, das discussões de lavar roupa com detergentes populistas de quinze em quinze dias no Parlamento. Como alguém um dia disse «não foi para isto que eu nasci».
Eles, os ocultos invisíveis que mandam nas nossas vidas sem darmos contam, vão controlando tudo. Servem-nos os produtos normalizados como eles querem, a pouco e pouco mataram o comércio local e vão matando o pequeno agricultor, o pequeno empresário das pescas, o pequeno industrial. Tudo isso na barba de políticos impotentes e submissos.
Olhando e não querendo aceitar enquanto tiver forças e for capaz de criar a minha própria realidade, irei andando na outra margem. Até quando não sei, que o futuro foi, é e será sempre incerto, mas avizinham-se tempos de tempestades diferentes.