segunda-feira, 12 de abril de 2021

21.04.08

 

Hoje foi um dia estranho. Tinha pensado ir até ao meu canto lá no interior profundo e raiano das terras de Idanha a Nova. Não fui. Irei amanhã mesmo que possa chover com trovoada, segundo dizem os serviços meteorológicos. Gosto de chuva.

Pela primeira vez com tudo pronto para seguir depois de almoço a minha sombra segredou-me para ir amanhã de manhã, que ando cansado. Em vez de ir, dormi a sesta.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

21.04.07

 

Vivo um tempo que não gosto. Sinto-me preso por correntes invisíveis. Teias invisíveis prendem-me os movimentos, deixam-me sem ideias. Queria fazer coisas e não as faço porque não as devo fazer, dizem-me. E eu me sentindo preso em Liberdade, resisto.

Nunca fui de sair de casa para me sentar numa esplanada. Só quando estudava andei por cafés e esplanadas. Uma vez por outra, mais na Consolação gosto de ir tomar o pequeno almoço fora, de resto o pequeno almoço é em casa à minha maneira. Até mesmo o comer fora me desabituei. Fazer o próprio comer em casa é relaxante dando-me a oportunidade de experimentar inovações, que nem todas saem bem é certo mas aprende-se a não repetir o erro.

Está a chegar o tempo do pequeno almoço dos tempo da guerra quando a minha mãe me mandava pelo correio do SPM um queijo à cabreira e o recebia lá longe nas quase terras do fim do mundo e o degustava com pão e cerveja logo pela manhã quando estava dentro do arame farpado, ficando a faltar o cigarro Português Suave sem filtro que hoje já levo mais de vinte anos sem fumar tabaco. Nunca fumei outra coisa que não fosse tabaco. Assisti a uma sessão de liamba e chegou-me ter sido, o chamado "fumador passivo". Já me esquecia, também cheguei a pagar cinco escudos angolares por um cigarro de barbas de milho. Mas agora uma vez por outra quando o tempo o permite volto ao pão com queijo com uma cervejinha "super bock" fresca logo ao pequeno almoço.

Acordei cansado, mais do que nos dias anteriores. Falta-me vontade para ir para os trilhos da beira rio andar os quilómetros que fazia antes de terem decretado este tempo de vida suspensa. Mais uma vez os políticos querem tratar dos problemas desconhecidos causados por um não menos desconhecido vírus com antipiréticos numa população cuja alimentação não tem potenciado as defesas da própria imunidade. Há que resistir vivendo sem arriscar contactos pessoais fora do agregado familiar.

Diz-me o relógio destas novas tecnologias que esta noite até dormi mais tempo que nas noites anteriores. Às normais cinco horas e meia das noites anteriores, esta noite dormi mais uma hora. Contudo o tempo de sono profundo foi muito menor que nas outras noites. Fico a pensar como é que um simples relógio no pulso durante a noite distingue o sono profundo do sono leve, mas por mais que pense não chego lá, por isso limito-me a registar a informação destes novos domínios da tecnologia, num tempo em que vivo resistindo sentindo o cansaço tomar conta de mim.


terça-feira, 6 de abril de 2021

21.04.06

O cansaço aperta. Um cansaço de estar preso em Liberdade. Cansaço de nada ter para fazer. Resistir ao cansaço desgasta-nos.

Se antes tinha momentos de medo de estar a ficar louco. Agora neste tempo de cansaço a loucura já está à porta aguardando que lhe abra a janela.

Até onde iremos chegar nesta vida que um simples e minúsculo vírus pôs quase tudo em causa. Quase tudo na forma que vínhamos vivendo parou, ficou suspensa, sem se saber como irá ser o «voltarmos ao normal».

Da corrida de vida louca no antes, passamos à corrida louca em busca da pílula química que nos salve de nos cruzarmos com o mal que não vemos, não cheiramos mas que esta aí para nos atormentar e por o sistema em que vivíamos em causa, aceitando todos nós de forma mais ou menos passiva sermos cobaias da industria química farmacêutica na busca da formula química certa que nos imunize ao vírus e às diferentes formas que o mesmo vai tomando ao sentir-se perseguido e encurralado.

Poucos são os que pensando põe em causa o “modus vivendi” que tínhamos construído até à sua chegada. O Liberalismo nas suas muitas faces e coroas só nos vende medidas para podermos voltar ao normal, incapazes de analisarmos as causas que permitiram o aparecimento e propagação do pequeno bichinho no sistema complexo de vida dos humanosseguimos ordeiramente as ordens dos políticos fracos face ao poder económico das teorias fortemente liberais que nos governam.

O cansaço aperta, desgasta, irrita, enfraquece-nos… uma cansaço que parece não ter fim... 



segunda-feira, 5 de abril de 2021

21.04.05

 

Não era de muitas falas. Muitas foram as vezes que se sentava na cadeira para lhe cortarem o cabelo em que as poucas palavras por ele pronunciadas se resumiam ao indicar o número do pente para o corte e a um outro sim ou não, para no final perguntar, quanto devia pelo custo do corte.

Naquela manhã, contudo, mostrou-se um pouco mais falador com a jovem empregada que lhe cortava o cabelo. Admirada ficou a jovem quando ele lhe disse convicto de que não gostaria de ser mais novo agora. Bem tentou explicar-lhe as suas razões para o não desejar ser jovem neste tempo, mas via na cara dela o pensamento de que não só não acreditava nele como o achava anormal. Não durou muito a conversa porque o corte estava no fim. Pagou e saiu sorrindo à jovem. No caminho para casa pensava no que estes jovens de agora saberão do que foi a vida dos pais e avós para não ir mais longe, do que foi viver com pouco numa vida de amarras visíveis e invisíveis, do que foi ver o homem chegar à lua, a Felicidade de poder viver a Liberdade depois de tantos anos amordaçados, sem esquecer a Felicidade de regressarem vivos de uma guerra, ela mesmo um crime humanitário. Há tantas lembranças boas na sua vida de setenta anos para que voltar a ser jovem num tempo de tantas incertezas negras em que parece que aos jovens nada há para conquistar para o bem estar da própria sociedade a não ser os muitos divertimentos alienantes de ressacas diversas. Por muito que os jovens hoje vivam nada se compara aos gloriosos anos sessenta e setenta do século passado sem esquecer todos os outros anos da sua vida de septuagenário. Sorrindo meteu a chave na porta do prédio abriu-a com a ponta do pé e subiu. Ao entrar em casa desinfetou as mãos com o álcool-gel que têm à entrada, tirou a mascara e lavou as mãos com o detergente da louça a fim de poder coçar o nariz.




21.04.04

 

Ouvir falar a sra. Joana Vidal sobre combate à corrupção agradará a muitos e fará urticária a muitos outros. Encontro-me nestes últimos. Como pode a senhora falar de que «a estratégia à corrupção é pouco ambiciosa» quando durante o seu mandato mandou ou aceitou arquivar processos como os casos dos submarinos e da Tecnoforma?

É por estas e por outras que acredito que o melhor que nos pode acontecer é nunca ficarmos à mercê dos pareceres de tantos ilustres personagens que vivem da Justiça e dos casos de justiça, fazendo com que esta mesma seja uma das páginas negras da nossa Democracia. Acabo de ler no jornal Publico de hoje « a técnica de apoio à vítima Catarina Neves viu qualquer hipótese de justiça ruir ao ouvir o juiz exclamar: “Parece tolinho!”… o rapaz de 22 anos, agredido pela mãe e pelo padrasto, parece-lhe paradigmático. Do processo constava informação psicológica, com as suas dificuldades cognitivas» É de fugir de gente como esta que se julgam intocáveis e talvez sagrados, sei lá. Também a Justiça precisa de uma outra Justiça porque ainda há muitos « juízes inquisidores» que vivem muito lá atrás no tempo e já passaram 200 anos.

Quem não gostaria que as medidas e ferramentas de combate à corrupção fossem aprovadas de forma clara, transparente e simples?

Depois, os políticos queixam-se do desinteresse em eleições e outros lamentam o desabrochar dos antigos ideais salazarentos.

Quem não fica revoltado com o enriquecimento supersónico de alguns políticos, amigos de políticos e empresários que vivem à sombra das saias do Estado?




sábado, 3 de abril de 2021

21.04.03

 

Hoje, melhor desde ontem que me apetecia perguntar aos responsáveis da Câmara Municipal de Idanha a Nova, qual a razão porque só promovem culturalmente e turisticamente Monsanto, Penha Garcia e Idanha a Velha, deixando e esquecendo outras aldeias, outras freguesias ao esquecimento?

Se Idanha a Velha foi um polo importante na antiguidade clássica, se por lá passaram e viveram vários povos (os Túrdulos 500 anos A.C., Lusitanos, Romanos, Mouros e Visigodos até chegarem os Templários) também Salvaterra do Extremo, Segura e talvez mesmo o Rosmaninhal (o cavalo era um símbolo Celta de grande importância que aparece na festa de São João Batista em Monforte da Beira, em território de Espanha e no Rosmaninhal) já existiam aquando da formação do Reino que hoje é Portugal.

Hoje em dia não confesso nenhum credo religioso, mas gosto de saber e respeito todas as manifestações culturais de índole religioso. Porque nunca vi, nunca li até ontem, nada que os Serviços da Câmara de Idanha a Nova tivesse publicado, publicitado e promovido sobre a história tão rica como é a celebração da Páscoa em Segura com base na Santa Casa da Misericórdia de Segura? (mesmo esta segundo me informou um Irmão Provedor da mesma, a Igreja da Misericórdia, onde meus pais casaram, teve a última restauração realizada pelos vizinhos espanhóis).

Que “qui pro qu ós” impedem os Serviços Culturais da Câmara de Idanha a Nova de olhar com olhos de gente para a riqueza histórica dos seus povos, das suas gentes fronteiriças?

Será que o centralismo lisboeta também contagia à acção da Autarquia de Idanha a Nova?

Minha avó paterna era de Salvaterra do Extremo, meu avô paterno era de Segura, os meus avós maternos eram da Zebreira. Os meus pais nasceram em Segura e Zebreira, vivendo e criando os seus filhos longe da terra junto ao mar, mas no dia em que meu pai se aposentou apanharam o comboio e a camioneta da carreira para viveram felizes na Zebreira até terem terminado a sua viagem terrena. 




quinta-feira, 1 de abril de 2021

21.04.01

 

O BE-Bloco de Esquerda, é um partido tão à esquerda que na ânsia de estar sempre na crista da onda não olhando a meios, saltou o separador central e viaja agora pela direita.

21.03.28

 

Ontem eram 6H30 mas hoje já são 7H30 pelo que estava na hora de sairmos para a nossa volta matinal.

Ontem saímos às 7H00 pelo que hoje seriam 6H00 mas aos 7,5km de ontem pelos trilhos da beira rio, hoje a volta foi mais pequena porque é dia de escovar o pelo da Sacha. E, porque a nossa união é um aprender constante a conviver um com o outro, nada melhor para se deixar escovar que uma sessão a correr buscando duas bolas. Uma volta mais pequena mas não menos intensa que a volta de ontem.

Com a mudança do horário humano muito menos passeantes matinais encontramos. Não somos muitos normalmente, mas hoje muito menos, sendo que à nossa hora a EN10 era um deserto silencioso.

Mais um dia de domingo, o último do mês de Março confinados e possivelmente metralhados com notícias agoirentas pelos costumeiros televisivos, sendo que hoje tem um tema novo que ocorreu no jogo de ontem. Pelo que já vi na rede ao lado, não irão faltar especialistas especializados a comentarem negativamente o acto de revolta perante mais uma injustiça, pois há muitos anos que alguns dos críticos do acto de revolta irrefletido celebram vitórias com erros idênticos, semelhantes ou parecidos enterrando a cabeça na areia do nosso litoral.

21.03.30

 

Um líder partidário na televisão fala da vacinação como se as vacinas fossem produzidas no Caldas. Para eles vacinação é como fazer depósitos na banca em nome de um tal JLCR(Jacinto Leite Capelo Rego).

No outro canal, o do sr. Conde, fala o mesmo líder partidário da necessidade de injectar dinheiro nas famílias. O “mano” que manda umas coisas no canal do sr. Conde é uma víbora, e, este líder uma triste figura sem noção do ridículo.

Um abutre fala depois dos prejuízos da gestão danosa que mandatado vai executando no banco. O qual de novo já nada tem a não ser continuar a mamar no bolso do Zé Contribuinte. Aqui, só à estalada nos que a um 4 de Agosto fizeram a merda que fizeram ao BES e, aos que sem coragem assinaram uma venda mais que ruinosa, sem tomates políticos para a nacionalização a termo da instituição financeira.

Fala o PM sobre a Páscoa. Uma fala repetitiva. Nada acrescenta ao que disse ontem e antes mesmo... de antes de ontem

E quando não fala nenhuma dos “bostas” da saúde chega a vez de darem voz ao misericordioso mamoso das misericórdias para culpar o Estado

Dizem-me que pais, alunos e professores estão esgotados e ainda faltam três meses de aulas. Só podem estar a brincar com o ceguinho. Depois, os que publicitam estas coisas são os mesmos que antes quando as escolas estavam a funcionar e os contágios na sociedade em alta clamavam alto e bom som pelo encerramento das mesmas. O Estado fechou as ditas escolas e logo começaram a campanha pela abertura das ditas escolas advogando uma série infindável de prejuízos para as criança e respectivo saber adquirido. As ditas escolas vão abrir e já começam representantes dos mesmos a virem até ao adro a clamarem que estão esgotados

Que vida esta… porra! Este país não é para velhos!

segunda-feira, 29 de março de 2021

21.03.29

 

Era esperado. Puseram-se a jeito. Era apenas uma questão de tempo. Só os ingénuos por um lado e os espertos carreiristas que a tudo dizem sim ao líder podiam acreditar que nesta legislatura presidencial tudo iriam ser rosas, abraços e beijinhos. Agora aí tem a primeira prova da convivência entre Belém e S. Bento para este mandato presidencial. Este é apenas o primeiro cálice envenenado, outros lhes serão servidos pelo certo. O homem nunca enganou os precavidos.

Podem agora vir a terreiro reclamar, justificar, invocar a possível inconstitucionalidade da medida aprovada pela A. R. e promulgada pelo poder Presidencial, mas o mal feito lá atrás aquando da campanha para a eleição presidencial mostra como em política nada se resolve sem ideologia, e, esta não são tretas do passado, continuando a ser aquilo que distingue os políticos e as políticas. Direita e Esquerda continuam a existir assim como a luta de classes não se sublimou com a criação da designada "classe média" ou do "centralismo político". Designações, criações estas, uma e outra, de matriz híbrida como interessa ao agora designado «capitalismo civilizado». Como híbridas que são por natureza, não criam novas soluções, novas alternativas, antes gostam de passar o tempo a embaralhar as cartas para que tudo continue como dantes, tropas em Abrantes, enquanto o Zé pensar que o voto é a arma do Povo e o melhor é não fazer ondas, levar a “vidinha” sem grandes sobressaltos, que a vida do vizinho pouco lhe interessa.