domingo, 4 de junho de 2023

21.05.23

Como não há duas sem três, ontem à tarde fui assistir em Idanha a Nova ao espetáculo designado "Cordinhas da Beira Baixa", e que espetáculo, embora as condições acústicas da tenda onde se realizou não sejam as melhores. Mas, a alegria, a felicidade com que os intérpretes executaram todas as músicas foi um espetáculo a merecer a atenção de como com pouco mas muita vontade, criatividade e amor ao que se faz, se pode do quase nada fazer muito.

O obreiro de tudo, segundo percebi, o Maestro Alexandre Pontes é um transmontano de Moncorvo que por razões da sua vida se fixou em Castelo Branco ensinando como professor de música a sua arte, o seu amor e criatividade. Com as oportunidades que as Universidades Seniores foram dando nas várias povoações em que se organizaram, criou o Maestro Alexandre Pontes aqui e ali grupos de cavaquinho que logo se distinguiram, pela empatia que sabe criar levando as gentes amadoras seniores a interessarem-se por aprender e melhor dia a dia semana a semana, demonstrando toda a sua qualidade. Entre os grupos amadores de várias povoações dispersas, juntou-os para este espetáculo ao qual acrescentou as vozes da Raquel Maria e do Rodrigo Lourenço.

O Maestro Alexandre Pontes é um homem dos "n" instrumentos já que sete são poucos, juntando a essa arte a capacidade de fazer arranjos extraordinários com as "Cordinhas da Beira Baixa" desde o Chapéu Preto, às Saudades da Beira, passando pela Maria Faia, pelo Vejam Bem e outras que agora me falham na voz de Raquel Maria, sem esquecer a Sra. do Almurtão, para na minha modesta opinião acabar com "Cantar de Imigração" cantada a dois, com a Raquel e o Rodrigo, mas onde a letra da canção diz Galiza podemos ouvir Idanha a Nova. Um final com chave de ouro.

Durante o espetáculo sentado cá atrás, lembrei-me de ti mãe, do teu sorriso quando ouvias na rádio estas músicas que logo cantarolavas. Estavas ali comigo sem que ninguém soubesse. Outras estiveram também comigo mas só tu sorrias ao ouvir aquelas canções populares da tua província a Beira Baixa.

No regresso a casa pela estrada municipal entre extensões a perder de vista de amendoal intensivo e super intensivo, lembrei um amigo que com os seus companheiros bem gostaria de fazer parte daquele grupo de "Cordinhas da Beira Baixa", ele que tanto gosta da sua terra, dos seus antigos costumes, da sua Beira Baixa. 


 

20.05.23

Nesta terra sem-esquecida dos que têm o poder de fazer progredir o país que lá longe num litoral com o mar a comer-lhes as areias se perdem em discussões que nem peixeiras na ribeira, ontem pelas 21H na igreja matriz da Zebreira aconteceu cultura ao vivo e graciosa por uma pequena orquestra de jovens raianos. Esteve muito bem o jovem Martim Sousa Tavares, maestro da OSF - Orquestra Sem Fronteiras, ao explicar a todos os presentes o entendimento dos vários andamentos da obra que o compositor alemão Wagner compôs para oferecer à sua mulher no dia do aniversário, antes do momento solene de nos darem a ouvir a obra por completo.

À tarde em Segura, à noite na Zebreira, e hoje em Monfortinho e depois em Salvaterra do Extremo, a jovem orquestra dos músicos sem fronteiras com o seu maestro e fundador faz acontecer cultura, nestas terras onde a música clássica é coisa rara.

Bem haja quem se lembrou que nestas terras semi esquecidas do poder central possa acontecer cultura, demonstrando que os jovens também têm futuro no interior, assim existam políticos com coragem para mudar a agulha da vida e fazer do interior um centro de desenvolvimento sustentável no respeito pelo ambiente e pelas resistentes populações que nele teimam em viver resistindo.

Que a Junta de Freguesia da União de Zebreira e Segura continue atenta e aproveite as oportunidades existentes para como no dia de ontem fazer acontecer cultura para as suas gentes no seu território.

Bem hajam todos os presentes incluindo de forma especial os jovens músicos como seu maestro, sem esquecer a própria Junta de Freguesia.




 

 

19.05.23


Assisti na noite de ontem dia 18 na capela da Misericórdia do Rosmaninhal à apresentação de mais um Cruzeiro dos Avieiros do Tejo. Organizado pela Confraria Ibérica do Tejo o cruzeiro deste ano a exemplo dos anteriores é um cruzeiro religioso e cultural que une as populações ribeirinhas das duas margens do Rio Tejo, que na vizinha Espanha onde nasce se designa Tajo, e, segundo a professora Adelaide Salvado o nome do rio que já foi caudaloso remonta ao tempo dos Sumérios e está ligado à ideia mítica de um deus desse povo.

Rosmaninhal, é a povoação raiana fronteiriça onde o Rio Tejo entra em Portugal, daí o Cruzeiro dos Avieiros do Tejo iniciar o seu percurso religioso e cultural rio abaixo a partir do Rosmaninhal até à foz em Oeiras, numa bateira típica dos pescadores do rio que nela conduzem a imagem da Nossa Senhora dos Avieiros.

A imagem da Nossa Senhora dos Avieiros reside numa capela da Praia da Vieira em Leiria, de onde um dia terão saído os avieiros para se fixarem nas margens do Rio Tejo. A imagem veio para o Rosmaninhal para amanhã no Tejo/Tajo iniciar o seu percurso aos fins de semana dando-se início à função que os organizadores atribuem ao cruzeiro que sendo religioso é também cultural, unindo e aproximando as gentes da beira-rio. Prevendo-se a chegada à marina de Oeiras no dia 18 de Junho.

Durante a apresentação abordaram os oradores vários temas históricos e culturais ligados à longa história que a população do Rosmaninhal tem neste território raiano e a sua ligação ao maior rio da Península Ibérica, que já foi um rio caudaloso para hoje apresentar os problemas que todos os que se interessam pela vida e pela natureza conhecem com preocupação crescente, porque o rio que já foi caudaloso está hoje doente apresentando um caudal anémico, por ação da natureza mas também e muito pelo sistema de vida que as sociedades ibéricas tomaram no seu desenvolvimento económico e social.

Desconheço se foram convidados mas não vi nenhum representante do Parque Natural do Tejo Internacional, a cuja área pertence o Rosmaninhal, assim não compareceu nenhum representante do Município que tanta publicidade faz nas redes sociais e em órgãos de comunicação afetos à religiosidade das suas gentes, nem sequer um elemento da Junta de Freguesia estava presente. Coisas da política municipal e da mesquinhes dos seus políticos dirigentes.


17.05.23

 

Pela primeira vez vejo andar no quintal um melro e uma popa. Não me lembro de alguma vez ter visto estas aves procurando alimento na terra do quintal.

O ano vai mau para tudo. A falta de chuva a todos e tudo afeta, exceto, os “papagaios-televisivos” que ao segundo pingo de chuva falam logo em mau tempo, quando a chuva caindo de forma compassada é uma alegria para todos aqueles que sentem a Natureza na sua forma mais pura.

Eu gosto de chuva. A chuva a bater nos vidros ou no telhado é uma música única original sem pauta nem metrónomo.

Todos os dias vejo as previsões do tempo na esperança que possa estar prevista a sua chegada, adiando sempre a esperança. Enquanto isso vou vivendo e olhando como a Natureza produz coisas que fixo num clik de telemóvel com a minha amiga sempre irrequieta a querer cheirar tudo

17.05.23

Pela quarta vez lê as folhas escritas que lhe enviou. Depois, deixa-as em ordem no sofá como as imprimiu. Olha-as antes de se deitar ainda pensou em arrumá-las em outro local, mas deixou-as ficar, talvez volte a lê-las de novo, ou não.

Arrumou a tonelada de lenha de azinho que comprou há dois anos. Quando acabou era hora de preparar o almoço. O cansaço pedia qualquer coisa fresca, tirou umas cascas finas a um limão, colocou-as num copo grande que comprou, onde despejou um pouco de gin, adicionando-lhe uns cubos de gelo e água tónica. Enquanto almoçava o bacalhau com grão que lhe tinha sobrado de outra refeição ligou o aparelho de televisão. Os vizinhos espanhóis continuavam a noticiar os diálogos que viu de manhã entre a oposição e o governo, principalmente entre os populares, os falangistas e os socialistas, com a porta-voz do partido basco a intervir também. Problemas que lhe fizeram vir à memória o grande livro Pátria de Fernando Aramburu que leu no final do verão passado. Como tinha visto o debate enquanto tomava o pequeno almoço passou de imediato para a RTP3 que noticiava a visita dos inspetores da Autoridade Fiscal aos três clubes designados grandes, Sporting, Benfica e Porto, não se admirou mas estranhou pois não tem sido hábito da AT passar para os órgãos de comunicação as visitas que faz na sua atividade de fiscalização seja a clubes de futebol seja a grandes empresas, mas ao aparecer no ecrã o comunicado logo viu o porquê, “DCIAP”. Aquilo metia os costumeiros justiceiros que gostam de dar matéria aos amigos da comunicação, como se uma visita de inspeção fosse alguma condenação judicial. Quando viu o advogado que se prestava a comentar o caso de imediato carregou no botão off e desligou. Um advogado que pertence a uma sociedade que é das mais importantes especialistas à fuga de impostos e à transferência para off shores de dinheiros, a comentar a visita dos inspetores da AT num canal da televisão publica referente ao que parece a um processo que corre no ministério público e que já tem barbas mais brancas que as suas, não é para a sua paciência.

Já ontem lhe aconteceu situação idêntica ao ligar o aparelho de televisão, onde uma senhora que dizem ser ministra da agricultura sobre o problema de seca que o país atravessa, lá debitava o terço de rever subsídios aos agricultores, incluindo o do gasóleo, assim como pedir, sempre de mão estendida, aos burocratas liberais sem alma em Bruxelas, desligando de imediato pois fica com os nervos à solta com o que a senhora que dizem ser ministra da agricultura, debita quando fala.

Pouco ou nada sabe de agricultura. Sabe que a célebre PAC defende sobremaneira os interesses das grandes empresas agrícolas de França, Alemanha e Norte de Itália. Sabe que sem água não há vida, não há agricultura, não há aves, não há animais nem florestas, não existira biodiversidade tudo irá secar, morrer como hoje não conhecemos.

Os campos precisam de água para produzirem os bens alimentares que comemos, mais do que encher barragens para fornecer às cidades. Sabe que não pertence a nenhuma organização política ou corporativa agrícola, mas sabe de certeza que subsídio ao gasóleo não cria palha para os pequenos e médios agricultores darem de comer ao gado bovino, caprino (cabras e ovelhas). A senhora a exemplo de anteriores políticos que se intitulam ministros da agricultura, só sabem prometer pedir a Bruxelas autorização para subsídios, muitos deles complexos e burocráticos.

Os agricultores que têm gado, sabem que a senhora não pode fazer chover para as ervas renascerem e o gado as comer, mas sabem que o feno não cresceu, e a palha é um bem raríssimo não existindo no mercado português e espanhol. Precisa-se urgentemente que se encontre quem possa fornecer o mercado de palha a preços não especulativos.

Será que esta necessidade é sentida pelos políticos da agricultura? 

 

Cheguei há três dias. As televisões raramente as ligo. Uma delas ainda nem a liguei à corrente elétrica. A da cozinha ligo-a ao pequeno almoço e ao jantar alguns minutos. Nesse pouco tempo prestei atenção à TV E na sua reportagem sobre o mau ano que os vizinhos anteveem para o olival e consequente produção de azeite para o próximo ano. Tudo pela ausência da chuva que teimou em não cair a preceito moderado na sua época.

Por cá não sei o que dizem os responsáveis, sejam políticos ou representantes de associações corporativas, preocupados que andam os políticos em só agora saberem da seca que já leva anos a falta de chuva agravando a situação ano após ano.

Aqui, o sistema TDT chega-me, até porque com a idade vou ficando mais conservador e teimoso, pelo que não sinto necessidade de ter muitos canais informativos de pensamento único, onde o que varia é a forma como os “servos-papagaios” articulam as palavras. Não sou grande cliente de canais privados. Como sou obrigado a pagar uma taxa para a RTP, essa empresa chega-me ou chegar-me-ia se os seus dirigentes políticos e gestores me merecessem respeito; como os gestores são de qualidade duvidosa alinham pelo mesmo nível da fraca qualidade dos canais privados, por isso não nutro por tais individualidades qualquer respeito, não lhes dando mais tempo de antena do que o estritamente necessário para ouvir notícias e algum outro raro programa. Alguma rádio é suficiente para ir vivendo.

Pela Internet vou sabendo do que vai acontecendo no país assim como no mundo designado por ocidental com o futebol, a guerra lá pela Ucrânia, a luta de baixa política entre governantes e opositores internos, depois aconteceu a coroação de um novo rei, mas como sou republicano essas cenas monárquicas pouco me dizem, respeito-os e sigo o meu caminho.

Agora neste dias foram as peregrinações, religiosa a maior, mas a do futebol é mais duradoura. Já fui religioso, hoje tento compreender o fanatismo da fé qualquer que seja o credo religioso, relembrando a frase de um antigo padre católico "Deus na sua transcendência a todos quer bem", e sigo o meu caminho.

Quanto ao futebol, o capitalismo que sempre busca novas formas de negócio viu no mundo do futebol uma máquina poderosa de "lavar dinheiro sujo" fazendo dos artistas da bola novos escravos, onde alguns são escravos-ricos, outros escravos-milionários e a grande maioria dos artistas da bola simples escravos-iludidos no sonho da vida fácil que o dinheiro que corre nessa mal designada industria lhes pode proporcionar. Depois há os oficiais e oficiosos cartilheiros a acompanharem “papagaios” na difusão do boato, da dúvida que potência o fanatismo-clubite transformando-o numa nova doença social, que divide e cria inimizades entre amigos e mesmo entre familiares, mostrando como a sociedade que ajudámos a criar se encontra anémica e doente, nas mãos de gente sem rosto nem alma.

Sou um ramo de uma árvore que um dia o amor entre cristão-velho e cristã-nova gerou, graças ao Marques de Pombal que acabou com mais essa ignóbil lei criada pelo fanatismo religioso apostólico romano, a Inquisição. Educado no modelo tradicional do Estado Novo, não tenho medo nem vergonha de dizer que não gosto dos princípios muçulmanos, respeito-os em sentido lato mas não gosto. Como tal nunca simpatizei com Ergodan. Não sei se ganhará à primeira, à segunda ou não. Chamou-me a atenção a publicidade ocidental ao líder da oposição a Ergodan. Perguntei à minha sombra o porque, que a sorrir me disse, ser agora Ergodan pessoa não grata no seio da NATO pela posições e medidas que tem tomado no conflito que a NATO tem com a Rússia na Ucrânia. Talvez seja isso. Talvez as notícias que chegam fora do pensamento único vigente, noticias que retratam uma aproximação entre a Turquia e a Síria, assim como o Irão com a Arábia Saudita, tenham feito soar o alarme no seio dos estrategas geopolíticos que mandam e querem decidir sobre o futuro agressivo da NATO na Ásia Menor.

Na guerra em curso mantenho que ainda estava longe a madrugada de 22 de Fevereiro 2022, já a Verdade tinha desertado para bem longe dalí. Hoje a ilusória democracia ocidental censurou vídeos que estavam na net que retratavam não só o que se passou no golpe de estado de 2014 em Kiev, como os desenvolvimentos seguintes de apoio às milícias nazis patrocinadas e ou consentidas pelos que a mando dos americanos estam no poder na Ucrânia. Ao publicar umas fotos dessas milícias nazis logo o algoritmo censor do Facebook me silenciou por vinte nove dias. Não gosto de milícias privadas, sejam elas Azov, Setor Direita ou Wagner, todas integram mercenários nazis amantes da pureza da raça. Sou contra esses pequenos exércitos privados, os quais representam para a minha opinião um retrocesso civilizacional, fazendo lembrar tempos da Idade Média em que nobres e bispos tinham exércitos mais poderosos que o próprio rei. Mesmo sendo eu um quase nada, sou um defensor do Serviço Militar Obrigatório, adaptado à realidade do tempo em que se vive. Um país para ser Livre e Independente não deve, não pode estar sujeito a caprichos de milícias privadas.

Aqui onde a fronteira está a um salto, a televisão "tdt" mantém o seu estado normal, a hibernar. Não fosse este pequeno aparelho e nem sabia como ia o mundo noticioso do pensamento único ocidental.

Há sempre coisas a fazer embora este velho corpo já não apresente disposição para grandes trabalhos físicos que quando executados logo aparecem umas dores a dizerem-lhe que passou o limite do sinal vermelho.

Ontem ao limpar as videiras e as ervas que as rodeiam lá vi a muda de pele de uma cobra. O que ela andou a fazer por aqui, nem imagino, a não ser que tivesse vindo ao ninho que os pardais fizeram na caleira junto à parede, não sei, nem imagino.

Vou dar o passeio matinal um pouco mais cedo. Vou olhar as oliveiras na Balasca, embora não sejam os meus olhos especialistas em ver já o pequenino fruto das mesmas, mas a "chora" nos ramos a secar não é bom prenúncio. A chuva fez muita falta para tudo.

Fui e vi que tenho lá trabalho a fazer, pois as oliveiras estão com muitos “ladrões” (rebentos na base, junto à terra). Não contava com este petisco, mas lá terei de os ir cortar.

Depois de acabar as coisas aqui no quintal, vou para lá ou deixo a limpeza para a próxima vinda já que na Horta da Corona há trabalho idêntico para fazer.

Outro alguém diria que, como aquilo não é só meu os outros que limpem também os tais ladrões, mas dos vários herdeiros só eu é que venho cá e tenho tratado delas, pelo que enquanto o corpo deixar e puder irei cuidar do chão. Tenho sempre presente que para o meu pai a oliveira era uma árvore sagrada. Qualquer daquelas oliveiras é muito mais velha que eu, resistindo aos muitos anos de seca, de calor tórrido, de frio gelado e até de quase abandono antes de me virem entregar os chões do meu tio João Capelo.

Depois do pequeno almoço, torrada com manteiga e alho esmagado, fui até à praça em Idanha-a-Nova, pagar ao João o que ontem lhe fiquei a dever das coisas que lhe comprei, passando depois pelo talho para comprar umas morcelas, umas costeletas de porco e como tinham lá fígado de vaca comprei umas três iscas, para grelhar a acompanhar com a morcela.

No regresso passei na fonte dos Tourinhos para encher uns garrafões de água para beber. A Junta de Freguesia em vez de mandar analisar a água, mandou colocar lá um aviso de "água não controlada" isentando-se desse modo a qualquer futura responsabilidade já que o medo está sempre presente no mundo noticioso deste nosso pobre país, havendo quem ache que o lavar da responsabilidade como um dia conta a história que um tal romano fez pela antiga Judeia, seja o melhor para as populações que os elegeram para cuidar dos seus interesses públicos, onde as fontes pelo papel que desempenharam no passado são um bem publico e nunca um problema.



 

12.05.23

Vim para o meu canto mais depressa do que nas viagens anteriores costumava andar. Vinha com alguma esperança. Chego a casa e levo um murro na esperança. Em vez do que esperava um outro aviso como que a dizer que o enviado foi devolvido. Porque? Não sei! Caí sentindo uma escuridão à minha volta, como que a querer tomar conta de mim, mas não vou ficar deprimido, a vida segue e com ela a força da vontade de a ir vivendo serenamente em busca da paz interior.

Há muito que vivo só. Mesmo acompanhado vivo só, ninguém quer saber dos meus sonhos de uma sociedade mais decente. Mais só ou menos só, só irei continuar, os meus sonhos, os meus desejos, são apenas e só meus, pelo que, só ou acompanhado não deixarei de desejar o bem a quem quero bem.

A vida é uma matriz de muitas batalhas, tendo agora a paga do que fiz e não deveria ter feito quando jovem; não me posso queixar. Cada um é responsável pelas suas atitudes, assumindo as consequências sejam elas imediatas ou demorem a chegar. Não vivo fugindo delas.

De qualquer modo hoje senti-a a casa mais vazia ou fui eu que fiquei mais vazio? Não sei! A vida continua à minha espera, fazendo eu por merece-la.

Os sonhos vão continuar a viver comigo. 

 

sábado, 3 de junho de 2023

11.05.23

Já li o artigo do DN sobre a guerra e os russos.

Os historiadores olham sempre os factos de acordo com a forma como veem o mundo.

Putin, goste-se ou não é o líder de um grande país em extensão, em riquezas naturais, em história mas pequeno em população, se comparado com outros países de dimensão menor.

Não é Putin flor que se cheire, muito menos que se convide para uma festa de amigos. Também não é Putin um comunista, como os da velha guarda soviética, antes um amante do capitalismo selvagem. O seu maior inimigo e maior partido de oposição interna são os comunistas.

Não creio que mesmo com todo o arsenal nuclear que dizem ter, possa desencadear uma guerra nuclear.

Eu leio gente que defendem Putin, leio e ouço gente que lhe chamam o pior que há.

Historicamente a Ucrânia como país independente, foi um pequeno pequenino país por poucos anos. A Galícia província que é quase ¼ da atual dimensão sempre foi reclamada pela Polónia. Cá em baixo junto ao mar negro o território da Moldávia (outra criação dos soviéticos após a vitória na II Guerra) é reclamada por Romenos e Húngaros. Antes a Moldávia não existia. Muita da configuração atual da Ucrânia é obra dos soviéticos que nas suas estratégias lhe foram acrescentando regiões como o Donbass, a Crimeia e terras da Transnístria incluindo Odessa.

Grande parte da população na Ucrânia era bilingue falavam as duas línguas ucraniano e russo, sendo que na região do Donbass a grande maioria só fala russo.

Antes da guerra começar havia no YouTube vídeos que retratavam a situação antes de 2014, durante e depois. Hoje a censura ocidental não os deixa ver. Havia um feito por um jornalista francês de nome Campos Moreira para o Canal Plus que não deixava dúvidas da natureza do novo regime ucraniano, nem do apoio que as milícias nazis ucranianas recebiam.

Sou pela paz! Para mim quer Putin, quer Zelinsky são iguais, não prestam. Depois, há outros fatores geoestratégicos que me ultrapassam, sabendo eu por ter aprendido à minha custa que muito antes do primeiro tiro ser disparado já a VERDADE tinha DESERTADO daquele conflito.

Leio e ouço, mas não acredito no que dizem, tendo sempre as minhas reservas ao que leio e ouço sobre o conflito que os Estados Unidos-NATO tem com a Rússia nas terras da Ucrânia.

O que vi até agora foi o avanço dos russos e quero crer que os russos, não só Putin, querem os territórios que os bolcheviques deram à Ucrânia, e quero acreditar que ficarão por aí, mesmo que a Ucrânia faça posteriormente parte da NATO.

A Finlândia que historicamente andou sempre em guerra com os russos, estabelecendo em meados do século XX um acordo de não agressão mutuo que ambos os países cumpriram, agora decidiram os governantes finlandeses entrarem para a NATO e para tal construíram um muro de fronteira. Os russos em resposta de imediato colocaram na fronteira com a Finlândia ogivas nucleares de última geração que em menos de 5' destroem a capital Helsínquia.

Sou pela Paz. A guerra só trás desgraças. 

Sempre fui um não alinhado com os antigos blocos militares e atualmente com os interesses imperialistas, sejam eles americanos, russos ou chineses. Repito, Não gosto dos imperialistas, sejam russos, americanos ou chineses, a ordem é arbitrária

 

10.05.23

 

Acordei e senti a revolta a querer instalar-se. Lutei e mandei-a embora, pois nada adianto em revoltar-me contra o estado em que vivemos. Este país não é para velhos há muito, talvez mesmo há uns quarenta anos que vejo isso. Mas não é isso que me facilita a chegada da revolta, o pior mesmo é ver que o país está dia a dia a não ser também para os mais novos.

Os militares deram-nos a Liberdade e a Democracia, entregando depois o poder à sociedade civil através da “Nova Ordem Democrática”, onde pontificavam políticos-estrangeirados e antigos barões do regime anterior, todos, uns e outros, vestidos de bons fatos democratas, reclamando-se todos eles defensores da social-democracia em moldes à portuguesa um pouco diferentes.

Nova gente constituinte de uma nova «nobreza» de chancela democrática governando em alternância, metendo na gaveta dos fundos, em arquivo esquecido, os princípios programáticos dos seus programas ideológicos quando receberam o poder por parte dos militares, decidindo o destino do país. Com discursos de boas falas mais ao centro-esquerda ou mais ao centro-direita, ambos em alternância governativa, com paleio moderno e modernista incutindo a necessidade de termos que ser pragmáticos, foram entregando o nosso destino aos liberais bruxelianos sem alma, aos credores especuladores financeiros, sejam o BCE, o FMI ou os fundos sem fundo que especulam nos mercados, passando nós a vivermos internamente um vida ilusória, sustentada por uma dívida pública que não para de aumentar, sempre de mão estendida perante os liberais bruxelianos.

Está o país entregue a uma nova classe de nobres insolventes sem princípios éticos e morais.

E quando assim acordo, vou à estante procurar poemas de quando era jovem e cujos livros os conseguia arranjar em livrarias amigas que os tinham fora da vista da bufaria reinante, livros proibidos, como tal não aconselháveis às boas famílias amantes do salazarismo e tementes à religião.