terça-feira, 9 de janeiro de 2018

130917
O tempo parece passar constante no seu caminhar, sem sobressaltos, mantendo todas as suas características de tempo infinito e indefinido.
O tempo tem medidas criadas há muitos muitos anos atrás, ainda o Planeta Terra era plano e fixo no Universo com o Sol a andar à sua volta, quando um cérebro ou vários trabalhando em conjunto, acharam por bem dividi-lo em dias, horas, minutos e segundos. Depois os dias criaram semanas, meses e anos.
Com tempo a correr no seu tempo, a Humanidade foi evoluindo, criando sempre novas esperanças. Ao longo do tempo, com ou sem tempo, fomos assistindo, estudando, lendo, tomando conhecimento dos avanços e retrocessos civilizacionais, das novas teorias cientificas e das duvidas teológicas sobre muitas delas.
Gosto do tempo, de o viver, de o sentir passar por mim. Que coisa seria eu sem o tempo que já passei nesta viagem de tempo incerto? Não tenho pressa, gosto de viver o tempo passando por mim no seu caminhar.
Eu sei que o tempo parece diferente, consoante o lugar onde nos encontramos mas ele é sempre medido por uma constante de tempo definida.
Mas às vezes penso, e se o tempo não tivesse tempo?
Quando dois relógios registam a mesma hora, e um segue num avião à volta do mundo registando menos tempo que o outro em terra… então, qual a medida certa do tempo?
Ah se eu soubesse
Ah se eu pudesse dizer-te tudo o que eu sinto por ti, por nós,
se ao menos eu fosse capaz
de traduzir em actos tudo aquilo que processo na mente,
o mundo seria um universo de luz e felicidade
Ah se eu soubesse... Ah se eu pudesse

Às vezes penso que não estou aqui, vivo numa outra terra lá longe onde na juventude não conheci amigos para lá de um ou dois primos que lá viviam e que agora não vivem lá.
Ando cansado desta vida de reformado na cidade. Recuso-me a andar pelos bancos de jardim, a estar nos cafés, conhecer outras pessoas que dizem mal da vida e da política; recuso-me a conhecer pessoas que só conheçam os seus direitos e não se lembrem dos deveres e obrigações. Por isso, às vezes estou aqui mas estou lá, mais lá do que aqui, já que o pensamento é de uma dimensão muito superior ao corpo físico que o alberga.
Para me manter vivo tenho que voltar ao meu trabalho na área do ambiente e em especial no tratamento da água. É para isso que vou lutar, para me libertar das amarras que me prendem e fazem de mim apenas e só mais um na cidade. 
As oposições, os obstáculos são muitos e de todas as formas, somos por natureza cépticos, adversos aos desenvolvimentos científicos que sejam alternativos às opiniões dominantes, mesmo quando demonstramos a eficácia das alternativas. Hoje em dia o conceito «moda» saiu das passerelles e instalou-se nas mentes de muitos dos decisores.
Se as alterações climatéricas são porventura um dos maiores problemas que a humanidade enfrenta já neste início de século, então a água é um bem social fundamental para a sobrevivência sustentável do planeta Terra.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

A vida na comunicação social quando ligo o radio ou a TV, quase tudo roda à volta do futebol, à volta das eternas tragédias do passado verão, das possíveis intrigas na coligação parlamentar e agora também o lavar dos cestos no PPD/PSD ou só PSD. Lá de fora repetem-se as imagens do frio e da neve que fustigam os “américas” dos EUA e Canadá, temperadas com as historias e trapalhadas do “louco” que diz governar os EUA. Deixe-mo-lo em sossego porque isso já é dar-lhe muita importância.
Com tanta neve até parece que por cá a chuva que tem caído mais a norte acabou com a seca no interior centro e todo o sul do país. Agora o tema da seca e as suas causas, já não produz dividendos políticos, nem audiências.
A juntar ao eternizar tendencioso dos incêndios metralham-nos com imagens fortes de hospitais, que a serem verdadeiras são revoltantes, servindo para inteligentemente os opositores do SNS Serviço Nacional de Saúde Publico atacarem o Governo, como se este fosse o único culpado da situação caótica das imagens. Em contraditório o Governo faz passar imagens de hospitais visitados onde tudo esta em ordem. Voltando às tristes imagens de caos na enfermaria do Hospital de Faro, pergunto-me, o que seria daqueles cidadãos se não tivéssemos um Serviço de Saúde Publico quase gratuito? Como seriam tratados pelas companhias de seguros num Estado liberal onde predomina a ideia de um Portugal com menos Estado? Estariam onde? Claro que todos os cidadãos são iguais perante a lei e merecem ser tratados com dignidade e igualdade pelos serviços públicos, porém as imagens dizem-nos o contrario.
Quanto ao futebol limito-me a ouvir procurando manter-me fora-de-jogo. Muito dinheiro em jogo, muitos interesses fora das quatro linhas sem inocentes nem anjinhos, onde o Rei há muito vai nu.
Tudo serve para criar casos políticos que possam afectar a credibilidade do político governante e com isso atingir o acordo parlamentar que suporta o Governo. Claro que não fica bem a um cidadão que é ministro pedir uma borla para assistir a um jogo futebol, quando um dos seus secretário foi obrigado a pedir a demissão por ter aceite o convite (borla) para ir assistir a um jogo da Selecção em Paris. O facto não afecta a capacidade técnica do Ministro mas enfraqueceu a sua imagem política.
A eleição do futuro presidente ou dirigente máximo do PSD, ocupa a nossa atenção e em especial os seus militantes. Para quem esta por fora e não corre, o debate televisivo não trouxe nada de novo, confirmando a velha máxima política que “os meus inimigos são os do meu partido, os outros são meus adversários”; de registo ainda o azedume que uma das partes em confronto tem ao 25 de Abril. Os militantes lá saberão escolher o líder que querem, estou fora dessa batalha.

Chegaste de forma inesperada. Primeiro um telefonema numa quarta feira a oferecerem-te e depois no dia de Reis quando te fomos buscar, olha-mos-nos e embora fosses a mais pequena dos três irmãos que dos dez restavam escolhi-te. Agora às seis da manha de domingo fazes-me levantar porque o teu chorar poderia incomodar a vizinhança. Afinal não é fácil ser separada dos nove irmãos e embora não tenhas ficado ao relento, ficares toda a noite sozinha, tu que ainda só tens umas seis semanas de vida, assim sozinha, fechada numa divisão do canil que os animais de duas patas parecem usar. Estás à descoberta de um novo mundo diferente daquele em que vivias e brincavas com os teus manos.
Até onde e como vamos partilhar esta convivência que nos dia de Reis teve inicio?
Bateram as sete no relógio, tenho de ir preparar a refeição do agora também teu amigo o Lorde gato de rua, que quando puderes sair para passear vais conhecer, porque eu vos vou apresentar para serem amigos e se respeitarem sem agressões ou marcas de território

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

230717
Manhã de domingo, o acordar à hora habitual, o olhar a janela na esperança de ver se o sol já acordou também, como a audição esta fraquejando não ouço o vento, mas ele esta à minha espera. Abro a porta da rua e o vento logo me abraça com medo que volte atrás. Esta fresco, mais do que devia, mas caminhamos os dois pelas ruas desertas de gentes que ainda dormem o ultimo sono da noite. Vamos em direcção ao mar. À medida que nos aproximamos da praia, torna-se um pouco mais forte e fresco, já não me abraça, corre praia fora por entre as dunas e os grãos de areia.
Subo a duna e enquanto vou subindo procurando não pisar nenhuma das suas plantas, penso nas vezes que a subi, também o meu amigo gostava de la ficar sentado procurando descobrir algum coelho por entre a vegetação que rodeia a pequena mata de zimbros que resiste ao avanço dos bárbaros e vândalos que invadem a praia nesta época do ano e exigem mais e mais das autoridades. No alto da duna olho o mar e espalho o meu olhar ao longo do Cabo Carvoeiro, passo pela Berlenga e perco-me no infinito azul do horizonte, onde a linha imaginária que divide o céu do mar, me impede de ir mais além.
Por vezes quando desço a duna e caminho à beira mar encontro por lá Neptuno e suas ninfas brincando. Ultimamente anda zangado, pouco fala, resmungando muito contra a forma como estamos destruindo aquilo que levou milhões de anos a ser criado. Nós, só nos preocupamos com o chamado bem estar material e ignoramos os atentados que estamos cometendo constantemente contra a mãe Natureza. Antes de se retirar com a sua corte de ninfas mar adentro, manda-me olhar a areia e ver com olhos de ver, as garrafas de plástico, os copo de iogurte, as beatas dos cigarros com filtro, os pensos higiénicos que bárbaros descuidados ou assassinos lhe entregam para ele tratar sabendo que isso não é possível. Depois quando ele e os outros deuses se revoltam e dão um murro na Natureza criando cheias e inundações, fazendo a terra tremer com edifícios e pontes a desmoronarem-se, as florestas a arderem pela seca que lhes retira a humidade necessária à sua manutenção, aí lembramos-nos dos cuidados que não tivemos, aí discutirmos os erros e as omissões cometidas contra a Natureza, aí muitos prometem emendar o caminho que o chamado bem estar causa e provoca no nosso planeta.
Mas a memória nestes assuntos é muito curta.
E se a memória é curta o poder é terrível, viciante mas fraco, e logo cai perante os pedidos de novas urbanizações em zonas de alta sensibilidade ambiental , mas que garantem aos cofres públicos novas receitas; cai perante a instalação de fabricas industriais onde o custo ambiental é ignorado mas que trás novas oportunidades de tralhado e emprego para as suas gentes tão necessitadas de um rendimento que lhes permita viver a ilusão da felicidade que agentes fieis criam e difundem para que não pensem muito nas causas e porquês da sua própria existência.
No alto da duna vejo a areia que o mar paulatinamente tem levado para outras paragens ou guardado para si como forma de protesto mudo pelo mal que vamos fazendo à sua mãe Natureza.
No alto da duna olho o horizonte e tenho saudade do futuro pensando nos meus netos. Será que eles vão poder viver isto tudo como eu vivi… 
210717
Acordo e olho a janela para me aperceber se o céu está encoberto, espero que o relógio adiantado de o sinal das sete. Desço as escadas para olear as articulações. Na rua à minha espera lá esta ele sentado na sua pose a olhar a porta. Apanho o comedouro que deixei à noite, volto a subir as escadas, preparo nova ração e desço de elevador. Ele, impávido, dono da rua aguarda que lhe servia a refeição no sítio habitual e sigo a minha marcha matinal. As manhãs andam frescas. Mais frescas do que as notícias que as televisões me dão ao pequeno almoço, como que a desanimarem quem se levantou animado.
Este ano o mês de Julho vai incerto. Hoje nas terras penicheiras do oeste a nortada fez jus à sua fama com Neptuno a mostrar-se zangado quer em terra quer no mar. Olho o telemóvel e me transporto para as noites quentes e secas da Zebreira em Idanha a Nova como que para me aquecer um pouco.
170717
Votar PSD ou CDS é votar no regresso ao passado
Votar no PS é votar no incerto amanhã
Votar no BE é votar nas mordomias do funcionalismo publico
Votar no PCP é votar na luz ao fundo do túnel
Votar no PAN é andar de cavalo para burro
Lá atrás ou cá à frente, a minha Liberdade acaba onde começa a Liberdade do outro. Isto é valido tanto para mim como para o outro. Ora se eu tenho que respeitar os dizeres do outro, esta implícito, que o outro também tem de me respeitar a mim, ou onde é que ficamos?
Todos calados, ou todos a discutirmos quem tem razão?
O que é a Liberdade de Expressão?
Se o outro opina em posição contraria à minha, não terei eu direito ao contraponto?
Isto é, se o outro me pode classificar de herege por exemplo, não poderei dizer que esse outro esta desactualizado no tempo?
Em que é que ficamos, podemos ou não podemos argumentar com as nossas convicções?
Com tantas duvidas, vou mas é olhar as estrelas, pode ser que alguma me caia na cabeça e me esclareça de vez…
Andei quase dois anos e meio à espera de uma consulta de reumatologia no hospital. Naquele tempo foram muitas as dificuldades de vida que passei, mas o pior eram as dores nas falanges dos dedos da mão direita, apenas conseguia escrever no teclado do computador com um daqueles lápis que têm uma borracha na outra extremidade.
Queixei-me à Ordem dos Médicos, à Ordem dos Enfermeiros, à Direcção Geral de Saúde, ao Serviço Nacional de Saúde? Claro que não! Aguentei com muitas dores. Se o hospital não me chamava é porque infelizmente não tinha os meios humanos nessa área que deveria ter face à quantidade de cidadãos que sofrem com os problemas reumatológicos. Todos nós cidadãos temos direito à assistência médica, contudo nem sempre os serviços públicos respondem e cumprem o estipulado na lei.
Depois, andei meia dúzia de anos ou mais a tomar bombas para a osteoporose e mais cápsulas para as articulações, umas e outras no inverno não me tiravam as dores, com as deformações a passarem também para a mão esquerda. Porém, um dia recebi um e-mail com o link para um vídeo no youtube e os benefícios do cloreto de magnésio. Vi várias vezes e pensei, perdido por cem perdido por mil, vou experimentar, mais dores não deveria passar a ter. Comprei o produto (para meu espanto ainda se vende nas farmácias) e de acordo com o vídeo preparei as duas colheres de sopa num litro de água, bebendo uma chávena de café pela manhã e outra à noite. A bebida não é nada agradável, mas a gente se habitua e com a diminuição das dores a coisa bebe-se bem. Resultado, dei o meu lugar na consulta hospitalar a outro cidadão, diminui drasticamente a factura na farmácia e não tenho tido dores nem deformação das falanges. Já não tomo todos os dias, uma semana de dois em dois meses no verão e um semana por mês no inverno. A osteopata alertou-me para possíveis efeitos secundários do cloreto de magnésio na formação da chamada “pedra no rim” mas eu disse-lhe que bebia água vitalizada pelo anel Wellan2000 e que desde 2005 não tive mais nenhuma crise.
Hoje ao final da tarde deste segundo dia do ano irei saber se o bicarbonato de sódio que tomo todas as manhãs, uma colher de chá num copo de água, me está a ajudar ou se a decisão já tomada desde a consulta dos resultados da biopsia é para avançar já.
Acredito nos avanços da ciência, no aprofundar das descobertas que a nível biológico, tecnológico, farmacêutico e medicinal vão acontecendo, mas acredito também que o saber não se resume apenas às paredes dos centros de investigação das empresas, já que hoje são as empresas que financiam a grande maioria desses centros de investigação nas universidades e como tal o “lucro” é sempre um efeito secundário associado e oculto. Acredito no poder da consciência sobre nós próprios, nas novas teorias dos novos saberes do mundo quântico. Não sou um utente assíduo do consultório quer do centro de saúde, quer do dr. Google. Para mim é mais importante a empatia, a interligação que se cria entre nós e o médico, sabendo eu que o médico como ser humano esta sujeito a errar, embora tenha sido formado para não errar, mas…
Não é fácil viver e coabitar com o mal dentro de nós. A princípio anda-se bem, não se pensa que fomos atingidos correndo a vida normalmente. Contudo com o aproximar da data de novo exame ao psa, as dúvidas chegam e com elas ou por elas alimentada a ansiedade vai ocupando cada vez mais espaço na nossa memória «ram» dos neurónios. Não é fácil mas também não é impossível.
Agora sim, conheço a solidão de estar só, eu e a minha vontade de vence-lo, mesmo acreditando na capacidade da consciência é um viver só a três, o eu da consciência, a sombra da auto-critica e o mal, não sabendo nós (o eu e a sombra) como está a evoluir a força do malfadado mal. Mais um ciclo vicioso que nos tira forças lentamente, que nos faz sonhar com o medo de amanhã não conseguirmos acabar com o que começámos, é um aprender a viver de novo.
De tudo isto, desta luta nasce a frase “Saudades só do futuro”. Tudo o que de bom deixou marcas na vida que vivi até agora, são registos que alimentam a força da consciência para continuar a viver o milagre da vida com alegria. O caminho se faz caminhando aprendendo-se a caminhar de novo…

Era já noite quando o jovem médico no hospital publico me recebeu sorrindo, as notícias eram boas pois os valores do psa regrediram e lá ficamos algum tempo a falar, ele das suas experiências e saberes, eu das minhas duvidas, que ele sorrindo sempre, procurou esclarecer e combinamos encontrar-nos em Abril para tomarmos as decisões mais aconselháveis.
Como acredito naquele jovem médico e professor cá vou continuar a minha luta solitária. Ele duvida que seja possível anular o mal sem intervenção cirúrgica, eu não me oponho à intervenção pois foi a minha primeira opção, mas a minha consciência alimenta a vontade e a esperança de poder anular o mal. Em Abril logo se verá.



segunda-feira, 1 de janeiro de 2018



Continuo esta minha viagem pela outra margem com uma frase que li na noite do ano que passou enquanto esperava que as televisões transmitissem os fogos de artifício das cidades deste Portugal.
Li eu então, « Um triste facto da natureza humana é que quando as pessoas formam uma opinião sobre uma coisa tendem a não a modificar – mesmo quando confrontadas com factos no sentido contrário», quem o diz é um senhor de nome Elon Musk que é só o criador da Tesla e da Space X.
Anotei no meu caderninho, e depois dos fogos de artificio aterrei dormindo calmamente.
Hoje às sete lá estava ele à minha espera, indiferente ao facto de nós humanos festejarmos hoje o dia de Ano Novo, indiferente às mensagens que várias personalidades ao longo do dia irão fazer circular. A Natureza não reconhece estas festividades.
Depois de lhe servir um pequeno almoço a condizer com o dia, segui viagem por esta cidade quase deserta de pessoas e veículos, que a noite deve ter sido longa. Até a estação de serviço dos combustíveis se encontrava encerrada. O tempo estava fresquinho, mas ao andar o corpo logo se adaptou.
O rei Sol já estaria no horizonte da lezíria, contudo o nevoeiro cerrado sobre o Rio Tejo tapava-o como se ele ainda estivesse a acordar por estar cansado com tanta festa desde Auckland lá na longínqua Nova Zelândia até à cosmopolita Nova Iorque.

Um novo ano onde tudo vai continuar igual ou semelhante. Está em nós o podermos fazer melhor.