terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Futebol


O negócio do futebol é uma bolha que quando der o berro, não vai haver dinheiro limpo para salvar a banca das imparidades.
Até lá discutimos, quase sempre como fanáticos, mais os erros dos árbitros no campo, e na célebre salinha no Jamor, do que o futebol propriamente dito.
Foram precisas duas jornadas para que em dois jogos com as equipas maiores do nosso futebol o triste espectáculo chamasse para cima da mesa, a discussão do templo útil de jogo jogado em Portugal. Penso eu de que, se no futebol português o relógio contasse o tempo útil, quer o jogo do Bessa, quer do Bonfim, seriam precisas umas boas horas de jogo para se chegar aos 90 minutos.
Esta situação vem de longe e pretende-se com a própria organização do futebol quer do altamente profissional quer do futebol amador-profissional. Culpados existem, mais do que os jogadores serão os treinadores, e estruturas clubísticas que sem meios para a disputa leal e aberta dos seus jogadores, fomentam e cultivam a falta, e a sua simulação, para desse modo interromperem o maior poder técnico-táctico e individual do adversário. Depois lá estão os comentadores oficiais, e oficiosos, encartados ou não, dos chamados grandes, para falarem de tudo menos do futebol.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A velhice é um posto


Preparava-me para jantar quando ouço um dirigente sindical justificar na sua opinião a justeza da greve em curso. Queixava-se o dito sindicalista que há colegas de profissão que há dez anos estão no mesmo escalão.
Quer dizer, na função pública continuam a existir vícios e pensamentos que há muito deveriam estar enterrados. Vícios e pensamentos corporativos que dirigentes sindicais assumem como um dos motivos para uma greve de luta.
Lembro-me do meu pai, que quando jovem queria ser agricultor, mas vicissitudes da vida o trouxeram como praça para a extinta Guarda Fiscal, sujeitando às regras para-militares da organização enquadrada no Ministério das Finanças. Para poder evoluir, nas horas vagas do serviço estudava para todos os anos se submeter a exame por forma a subir na escala hierárquica. Na lista oficial final desses exames nunca figurava em lugar de promoção. Foi sempre a exame com o saber dos seus estudos, sem notas por debaixo da mesa. Depois do 25 de Abril, o irmão Chico, meu tio, colocado no Comando Geral, teve acesso às listas dos ditos concursos e na lista após-exames meu pai nunca figurava abaixo do quinto classificado, mas oficialmente havia outras notas bem mais interessantes. Tempo «das públicas virtudes brancos costumes».
Outra situação passou-se comigo. No serviço militar fui colocado em Chaves no então BC10 para dar instrução como Aspirante. Por razões que desconheço fui colocado como adjunto do Oficial de Operações. Para poder cumprir os preceitos de promoção a Alferes fui um dia fazer uns dias de campo numa das serras que circulam a cidade. O Comandante da Base um dia chamou-me e deu-me a ordem de por alguns soldados a ajudarem o cozinheiro a descascar as batatas. Dirigi-me com os galões nos ombros a uns soldados que se encontravam deitados a. apanharem sol, que o tempo ainda era freso. Um desses soldados olhou-me sem se levantar e perguntou-me se eu sabia quantos meses tinham de tropa ou quantos dias lhes faltavam para a “peluda” (termo que designava a disponibilidade, o fim do serviço militar), apontando de seguida para um outro grupo dizendo-me que os outros eram “maçaricos” e bons para fazerem o trabalho, continuando todos deitados indiferentes. O capitão que comandava a base observava a cena, chamou-me e disse-me “ O Aspirante Andrade não sabe que no serviço militar a velhice é um posto? Ponha os outros na cozinha a ajudar”. Isto passou-se em 1972, depois disso existiu o 25 de Abril em 1974, mas em 2018 ainda há nas estruturas de funcionários públicos e dirigentes sindicais que acham que “a velhice é um posto”.
Grevistas quase todos a reclamarem por revisões de carreira, isto é, mais dinheiro de forma automática porque a velhice continua um posto! mas, nenhum a reivindicar melhores mais justas e difíceis avaliações a fim de dignificar a função que desempenham. Porque?
Depois, dizem os políticos, e dizemos todos nós que merecemos e queremos melhor e mais eficiente Estado, mas será que com pensamentos destes vamos algum dia ter melhores serviços do Estado à comunidade?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Cansado, farto, desiludido


Não sou contra a lei da greve. Não sou contra a lei do aborto. Não sou contra a lei do casamento homossexual. Procuro, às vezes com sacrifício, não me tornar fanático nestas e em outras questões. Nunca fiz greve, nunca provoquei um aborto, nunca fui a um casamento de homossexuais.

Eram seis da manhã quando me levantei para me preparar e antes de sair para a rua, colocar a minha amiga a andar na passadeira de modo a que ela possa queimar alguma da sua energia, fazendo depois um passeio mais calmo. Enquanto ela caminhava, a televisão ia dando as notícias que passavam da greve dos guardas prisionais, à greve dos funcionários judiciais, davam um salto à greve dos técnicos diagnóstico terapêuticos, seguindo depois para o tempo de antena do quase eterno líder dos professores afectos à fenprof a ameaçar novas formas de luta, e voltada a página, o anúncio da greve na CP para amanhã, continuando com a greve dos enfermeiros e as ameaças dos estivadores… sem esquecermos a dos juízes (classe que não depende sendo independente do Governo)
Isto é, parece que neste Natal ou neste fim de ano a moda é o «fazer greve». Nestas greves algumas poderão ter as suas razões de lógica, mas outras são puro oportunismo político dos lideres sindicais e de quem esta por detrás dos mesmos. Nem todos os sindicatos seguem a lógica doutrinária afecta ao pensamento da esquerda enquanto luta de classes, havendo sindicatos afectos a outros pensamentos políticos. Os sindicatos sempre foram, também, uma arma de arremesso político. Não há nem almoços grátis nem anjinhos, nestas andanças sindicais.
Não sendo eu fanático a defender o Governo, fico a pensar no porque em algumas delas o mesmo Governo não pede ou decreta a «requisição civil». Que interesses se juntam na saúde para a Ministra não recorrer à mão forte da requisição civil? Estará ela e o seu Governo preocupados com os milhões que investidores privados e ocultos, investiram e investem na saúde privada? Não compete ao Ministério da Saúde a defesa intransigente do Serviço Nacional de Saúde Publico?
Porque não o decretar serviços mínimos em todas as outras situações?
Tenho duvidas e não são boas.
E nesta época grevista fico pasmado com a defesa dos direitos dos presos efectuadas em todos os canais televisivos. Não entendo. Não me lixem com os direitos humanos dos presos. Os presos devem e tem de ser tratados com a civilidade que eles não tiveram enquanto cidadãos livres. Mas daí ao reivindicarem direitos e condições, com os canais televisivos a darem-lhes tempo de antena, não é o meu futebol e causa-me uma certa revolta.
Para quando os sindicatos envolvidos neste folclore, se apresentam a ameaçar fazer greve pela defesa de um melhor Serviço Nacional de Saúde, de melhores condições, de melhores equipamentos nos hospitais e em alguns centros de saúde; os professores a exigirem melhor ensino, com curriculum que vise o futuro cada vez mais tecnológico, exigindo a sua participação na elaboração das matérias dadas, com menos peso nas mochilas e mais saber dos próprios professores; as outras classes profissionais envolvidas a fazerem greve por melhores condições de trabalho, mais profissionais nos serviços etc…. Isso não ouço, só ouço é pedir revisão do plano de carreiras e mais euros para o final do mês.
Tudo isto cansa, revolta e abre o campo político ao regresso do D. Sebastião para repor a ordem já que a Democracia parece estar em causa nestas manhãs de nevoeiro.



quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Para todos os dias








Para todos os dias deve haver um pensamento de boas energias, com amor, logo, sem descrenças nem invejas. Somos todos iguais e ao mesmo tempo todos diferentes, com ou sem religião nascemos todos para ser felizes… Manda pois as tristezas, os maus olhados, as invejas embora, para que possam ser recicladas. Abre teu peito, solta o teu pensamento à vida, canta, dança e chora de felicidade, porque tu te amas, estás viva, de saúde e queres ser feliz!

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Dias sem rumo

Criei os mitos

desenhei as almas
reflecti os ídolos
então acordei apenas só.
todos os que me rodeavam
continuavam dormindo este sono obscuro sem fim.

Vou...












Vou para férias!
Cansado das noites virtuais
Cansado dos amores virtuais
Cansado das esperanças virtuais
Cansado dos momentos íntimos virtuais
Cansado do prazer virtual
Cansado das imagens virtuais
Cansado da correspondência virtual
Cansado da esperança virtual
Vou para férias!

Quando volto?
Não sei se volto!

Filho enteado do vento
Vou à procura da minha meia irmã “a chuva”
Vou
Livre e independente!

Solidário
Amigo
Amante

Homem pensante
Homem sonhador
Aberto ao mundo
Soldado da Paz!
Soldado da Amizade!


Quem me irá julgar


Dei as mãos aos braços e com estes me abracei a mim e ao mundo.
Chorei mais pelas mágoas do que pelas feridas,
Com o sofrimento na mochila aprendi a sentir o Sol nas noites de lua nova,
Ouço o grito do silêncio das aves voando nas encostas da Estrela,
No mar me embalo na rebentação das ondas na dança com as ninfas...
Depois,
Que haverá para lá do depois?
Como vai a vida julgar-me se ela vai comigo de mão dada?

Tropa










Novembro passou e de tão atento andava comigo mesmo, que este ano nem dei pelo dia 29, nem sei qual foi o dia da semana em que o mesmo ocorreu. Hoje ao ler a lembrança do regresso de um camarada da terceira companhia, também eu tive uma luz e, me lembrei do dia 29. Quarenta e quatro anos já passaram desde o dia em que ao final da tarde chegámos ao aeroporto Figo Maduro em Lisboa.
Aí e nesse dia, começou o fim da tropa. A farda guardei-a na mala que dias mais tarde fui levantar ao cais de Alcantara. Mala onde a tinta preta estava escrito «Alferes Andrade 2ª C. Caç. 5010» só este ano me desfiz dela. A filha mais nova levou o que restava do camuflado ainda em bom estado, possivelmente para brincar com ele no Carnaval de Torres Vedras. Mas, a tropa e a guerra essas duas que são uma só, vivem comigo como uma sombra oculta e presente. Não que sofra de qualquer trauma, mas não há nem borracha, nem tinta que consiga apagar o que foram esses 39 meses de vida ao serviço de uma falácia. A minha Pátria era uma outra ideia, voava com o pensamento silencioso dando as mãos ao sonho da liberdade não amordaçada.

Dezembro, também é um mês de datas e factos marcantes nesta minha viagem de vida. Nasceu-me a filha mais nova, depois no dia em que fazia anos passei finalmente à disponibilidade e acabou a tropa. O melhor desse tempo de muitas interrogações foi a amizade e o respeito que ficou do pessoal do Batalhão, mas em especial dos elementos da 2ª Companhia. Fomos jovens, regressámos menos jovens ( O “Vila real” e o “Pimenta”já falecido, quando voltaram ainda nem barba tinham), com as nossas diferenças de opinião, somos um corpo de amigos não fanáticos.



segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Eles estão aí


Eles aí estão, sem grandes ideias de governo, com chavões e ideias claras contra aquilo que muitos consideram como avanços civilizacionais.
Políticos engravatados, bem comportados com os poderosos da finança, da industria e do comercio, mais interessados em promover familiares e amigos, foram desgastando a discussão por uma sociedade mais decente, mais solidaria, quase tudo sob o chavão das políticas de integração europeia. Outros políticos engravatados e submissos ao liberalismo económico, ofereceram ao capital privado e estrangeiro, bens públicos de elevado interesse nacional, seguindo políticas sociais contra os trabalhadores e reformados. Políticas que no todo, havendo uma excepção, não foram revertidas por políticos engravatados, que em aliança quase contra natura, segundo os comentadores e analistas situados ao centro, apenas distribuíram pelo país uns antipiréticos e ansiolíticos nada mais, vendendo novos chavões como o do deficit zero ou de superavit nas contas publicas, como se estes chavões tenham tornado a sociedade mais decente e solidária.
Mas como poderá haver solidariedade para com os imigrantes, quando as oportunidades de trabalho ou até de emprego escasseiam para os nacionais que os procuram? As taxas de desemprego que nos vendem a custo zero, são falaciosas e quase nunca traduzem a verdadeira situação da sociedade.
Mas como poderá haver solidariedade entre todos, se os diversos políticos desta frágil União Europeia, para criarem a sua imagem de caridosos, foram instituindo e criando sem dar por isso uma sociedade frágil subsídio dependente. Em nome de teorias sob o funcionamento dos mercados, pagaram bem e bons subsídios a alguns para que deixássemos de produzir aqui e ali. Num país onde a formação cultural e profissional não era nem é famosa, de baixos salários e desigualdades crescentes, leva-nos a situações caricatas, fruto das leis injustas que muitas vezes se fizeram sem visão de futuro.
Não sou contra a instituição do RSI. Mas como poderá haver solidariedade entre cidadãos que trabalharam toda a vida e hoje sobrevivem com reformas ou pensões iguais ou até inferiores a outras famílias que vivem e sobrevivem do RSI, sem nunca mostrarem interesse em procurar trabalhar. Há muito que acho que quem recebe o RSI deveria ter que prestar trabalho comunitário, na sua freguesia onde teria que ir levantar o mesmo. Por exemplo, limpar as ruas e zonas verdes… limpar os baldios existentes à volta da comunidade, etc. etc..

Mas não. Os papagaios da comunicação a mando dos senhores que controlam os cordelinhos da vida, vendem-nos a ideia que é ao centro é que se ganha quer a vida, quer as eleições políticas e entretém-nos com big brothers e talk shows. E tudo isto debaixo das barbas de ministros que vaidosos da sua posição, nada fazem, antes procuram passar entre os pingos da chuva, ao mesmo tempo que acrescentam mais uma página A4 ao seu curriculum vão criando e nomeando amigos para entidades reguladoras que a única coisa que fazem deve ser o controle das mordomias que lhes oferecem os governantes amigos.
Não queremos ver, o que se vai passando neste mundo globalizado da nossa Europa, depois ficamos alarmados com os resultados das eleições que se vão realizando nos diversos estados, nas diversas regiões. É melhor discutir as curvas, as pernas ou os seios de uma modelo ou apresentadora de TV, discutirmos a porcaria do IVA das touradas, do direito dos animais se sentarem à mesa nos restaurantes… quando o essencial, seria olhar os porquês dos partidos tradicionais estarem moribundos, alguns em coma profunda… com os radicais agora à direita a ocuparem o espaço político dos parlamentos regionais e nacionais.
Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão, velho ditado, mas país onde não há trabalho a xenofobia e o racismo crescem como os cogumelos venenosos.
Uns atrás dos outros os políticos ao centro vão caindo ou sentindo a areia a fugir-lhes debaixo do pés. Será que a culpa é só deles? 
E eu, tu, nós, vós, eles, não temos culpa quando nos acomodamos aos desmandos, que dia a dia vão acontecendo à nossa frente, sejam de juízes, de enfermeiros até de professores, estivadores, funcionários numa qualquer repartição publica, etc., limitando-nos comodamente a culpar os políticos da ocasião... Olhamos apenas a árvore não querendo ver o que se passa na floresta. Eles não dormem, estão aí andando no meio de nós quais lobos esfomeados com pele de cordeiro.


sábado, 1 de dezembro de 2018

1 de Dezembro


Ao ver hoje o Presidente da República a fazer publicidade à acção de recolha de alimentos para o Banco Alimentar, sempre com aquela conversa da solidariedade para com os desprotegidos da sorte, fez-me lembrar as senhoras, que por acaso ou não, eram próximas de sua família, nos tempos em que a juventude era obrigada a participar numa guerra em África, inglória para todos. Falo das senhoras do Movimento Nacional Feminino, nas suas intervenções junto dos soldados e transmitidas depois como exemplos de solidariedade das senhoras da alta sociedade para com os bravos soldados, que desprotegidos da sorte davam a vida pela Pátria. Já os seus meninos ou ficavam livres do serviço militar, ou quando o cumpriam mesmo no dito Ultramar, tinham quase sempre uma boa especialidade, um militar de alta patente como padrinho para que o menino não tivesse que comer e beber junto dos tais desprotegidos da sorte, que depois das fotos para a propaganda, eram brutos e incultos.
O Sr. Presidente dá mostras do desgaste que os anos de mandato presidencial sempre provocam. Pois já esta semana numa das suas emissões opinativas, veio com a história de que os órgãos de comunicação social deveriam merecer uma atenção por parte do Estado. Isto é, o Sr. Presidente não esquecendo que o próprio é numa parte importante, um produto televisivo, está a pedir para os seus amigos, uns benefícios fiscais, ou uns subsídios fora do alcance dos fiscais de Bruxelas. Não lhe fica nada bem essas insinuações para benefício dos amigos. Como se a lei do mercado para eles não fosse a mesma que para o pequeno empresário agrícola ou industrial. Em vez de pedir, poderia fomentar a discussão do porquê da crise que os órgãos de comunicação televisiva e escrita estão a atravessar, com tantas dificuldades económicas e financeiras.
Eu gosto de ler Sr. Presidente mas já não me lembro de quando comprei o último jornal. Mas não substitui o jornal pelas ditas redes na net. Simplesmente não me atraem. Estarei a ser inculto por deixar de comprar jornais?
Para acabar, o Sr. Presidente continua a dar uma imagem de solidário com os mais pobres, desde que envolva quase sempre organizações religiosas, mas não têm uma palavra solidária para com os antigos combatentes que vagueiam pelas cidades sem eira nem beira, aqueles de quem as senhoras suas conhecidas se serviam para propagandear um Portugal do Minho até Timor que na verdade nunca passou de mais um mito criado por políticos com a bênção da igreja católica apostólica romana.
Viva o 1º de Dezembro! Viva o povo anónimo português!!