Cartão
Raiano Saúde 0-114. Um cartão anual de seguro de saúde privado da
Lusitânia Companhia de Seguros SA. para os recenseados inscritos no
Município de Idanha a Nova, gratuito para os aderentes segundo nos
dizem.
Como
«quando a esmola é grande, o pobre desconfia» digo que na minha
modesta opinião este não é o caminho, não é sequer a melhor
forma quer para os munícipes recenseados no concelho quer para os
não recenseados de se defender e aprofundar os benefícios que o
Serviço Nacional de Saúde tem de ter para todos os cidadãos.
O
caminho agora seguido pelo Município é não só um caminho
pantanoso como também perigoso, uma afronta ao SNS Serviço Nacional
de Saúde tão ao gosto dos que defendem a sua privatização ou de
muitas das suas valências, valores com os quais não me identifico
como defensor que sou do nosso SNS público para todos.
Este
cartão raiano de saúde nem sequer é uma «PPP–Participação
Publico Privada Regional», mas tão só um seguro de saúde privado
pago com dinheiros públicos do Município.
Se
fosse apenas o cartão de um seguro de saúde para todos os
funcionários do Município não estaria aqui a manifestar a minha
discordância com a publicidade, venenosa na minha opinião, dada à
emissão de tal cartão.
Um
cartão raiano de saúde privado que depois de seis anos de
maturação, de estudos se revolve em praticamente dois meses(?), o
tempo decorrido entre o lançamento do concurso público, a sua
adjudicação e apresentação aos munícipes, no tempo certo das
próximas eleições autárquicas.
Na
sua elaboração segundo informação facultada pelo Município
participaram outras duas entidades privadas, a Casa de São Mateus de
Viseu e a Mediadora de Seguros SABSEG, não constando nenhum Serviço
ou Direcção do Ministério da Saúde ou a Unidade Local de Saúde
de Castelo Branco como entidade publica que gere a saúde no
distrito.
A
Casa de Saúde de S. Mateus, pelas informações colhidas no seu
sitio na internete tem diversas Clínicas quase todas situadas na
cidade de Viseu e uma na cidade da Guarda a “Cliniform Saúde”.
Que mais valias terá trazido ao estudo maturado para a ideia ou para
a elaboração do concurso publico internacional ou mesmo da agora
emissão do “Cartão Raiano Saúde 0-114”? Será que estará
disposta a investir num novo centro de saúde ou clínica privada na
Idanha para apoiar os utentes do Município que aderem ao “Cartão
Raiano Saúde 0-114”?
Procurei
ver o que informa o sitio na internete da Mediadora de Seguros SABSEG
a qual se apresenta como “Especialista em gestão de seguros da
Entidades Publicas – Municípios e outras Entidades Publicas” Mas
ao descrever as valências da sua especialização em seguros com os
Municípios não tem nenhuma referência há especialização em
Seguros de Saúde para os Municípios. Factos são factos, mas
estamos sempre a aprender.
O
cartão raiano de saúde privado facilitará o acesso a cuidados
médicos, de enfermagem e de exames complementares, tendo o Município
transformado o “Espaço Sénior” em “Casa de Saúde da Idanha,
onde se prevê que esteja em permanência um médico e duas
enfermeiras. Os cuidados médicos ali prescritos de exames
complementares (RX, Tac, Ecografia ou Ressonância) terão de ter a
posterior aprovação do médico de família ou responsável médico
do Centro de Saúde ou do Posto Médico, a não ser que o
beneficiário do cartão raiano de saúde esteja na disposição de
custear do seu bolso o custo dos possíveis exames complementares.
Não esqueçam que se tivermos de ir à urgência hospitalar à
Idanha ou à Castelo Branco e se o médico da urgência hospitalar
nos prescrever alguns exames complementares, RX, ecografia por
exemplo, os referidos exames só são comparticipados pelo SNS depois
do médico de família do Posto Médico concordar e autorizar. O
seguro privado que está por detrás do Cartão Raiano Saúde 0-114
não dará acesso directo à comparticipação do custo dos referidos
exames prescritos de pelos médicos do SNS. Ainda quando estive há
duas semanas na Zebreira o meu amigo Zé Pereira teve de ir à
urgência ao Hospital de Castelo Branco onde a médica lhe prescreveu
pelo menos uma ecografia e quando passado três dias lhe perguntei se
já tinha marcado o exame me respondeu que tinha que aguardar pela
Médica de família ou do Posto de Saúde para lhe confirmar e
autorizar o referido exame.
Li
com atenção o que se diz sobre os benefícios que o Cartão Raiano
de Saúde 0-114 trás aos munícipes recenseados que o peçam.
Consultei a página na Internet da Lusitânia para ver qual a
modalidade que eles têm publicitada para cobrir todos os benefícios
anunciados. Claro que não tem nenhum plano de matriz base para os
benefícios anunciados e o acordo com estabelecido entre o Município
e a Seguradora Lusitânia não está publicado para o público.
A
população residente na área do concelho e como tal o mercado
potencial para a Lusitânia Companhia de Seguros era em 2010 de 9.883
tendo decrescido segundo estudos de 2018 indicarem 8.259 cidadãos em
Idanha a Nova.
O
valor que consta como base para um ano de validade do seguro que gere
o “Cartão Raiano Saúde 0-114” no concurso público
internacional publicado no Diário da República 2ª série nº46 de
8 de Março deste ano de 2021 é de 517.032,0€ ou seja o valor
mínimo a pagar pelo Município. Só no final dos 365 dias é que se
farão as contas certas.
Na
minha vida profissional como director administrativo e financeiro
estudei e negocie contratos de saúde com companhias de seguro em
representação de duas empresas internacionais. Já lá vão uns
anos pelo que poderei estar desactualizado mas os seguros de saúde
colectivos nunca são baratos embora o mesmo que dá suporte ao
“Cartão Raiano de Saúde 0-114” só englobe como gratuitos os
serviços de saúde primários, a chamada clínica geral incluindo
também serviços médicos e de enfermagem ao domicílio já não
totalmente gratuitos. Quando o cidadão idanhense usuário do “Cartão
Raiano de Saúde 0-114” necessitar de uma consulta de qualquer
especialidade, por exemplo cardiologia ou urologia terá, se quiser,
recorrer à Rede Médica Nacional da AdvanceCare que com certeza lhe
irá dizer que por um preço de excepção tendo em consideração o
seguro da Lusitânia através do “Cartão Raiano de Saúde 0-114”
lhe fará um novo seguro de saúde privada que lhe dará mais um
cartão de beneficiário desta vez pagante directo e não indirecto
como no caso do “Cartão Raiano de Saúde 0-114”.
Reconheço
que nunca gostei de seguros, tendo apenas os que a lei me obriga e
nada mais. Desde os tempos da tropa em Viana do Castelo que fiquei
com urticária aos seguros. Aguardávamos embarque para a guerra em
Angola e não faltavam angariadores de seguro a quererem vender
seguros de vida aos militares. Seguros de vida que se venciam se o
mesmo morresse na guerra. Nunca os deixei entrar no Forte de Santiago
da Barra quando estava de serviço.
Na
minha vida profissional aprendi a ler as letras pequeninas das
apólices e assim consegui diminuindo quer o número de apólices
quer os valores pagos aumentar o valor dos bens seguros. Quando na
BIMBO os Americanos mudaram de Corretor de Seguros e os espanhóis
chegaram com o Director Geral da nova empresa de corretagem
portuguesa para analisarem a carteira de seguros, o senhor olhou para
mim, sorriu e virando-se para os espanhóis disse-lhe que se era eu o
director responsável pelos seguros poderiam estar descansados que
era conhecido na praça por não lhes facilitar a vida, disse eu para
os meus botões «vendendo gato por lebre».
Repito
o que digo lá atrás nesta muito longa exposição:
Se
fosse apenas o cartão de um seguro de saúde para todos os
funcionários do Município não estaria aqui a manifestar a minha
discordância com a publicidade, venenosa na minha opinião, dada à
emissão de tal cartão.
Em
política não pode nem deve valer tudo!