sábado, 11 de setembro de 2021

21.06.19

 

Chove em Junho. Mau prenúncio. As águas de Junho não são boas para os campos. Os deuses descontentes, castigam-nos. Os "Sapiens" que mandam nas nossas vidas, exigem aos seus gananciosos mandatários a obtenção sempre crescente de mais lucros. Os políticos, submissos aos que na sombra em clubes privados nos controlam e condicionam a vida, falam-nos com palavras redondas e entretém-nos com promessas de uma vida melhor sempre num futuro próximo. Há muitos anos, talvez mais anos que de vida tem o Brandy Constantino, que andamos neste fadário de nos prometerem o céu pedindo-nos e obrigando-nos sempre a mais sacrifícios para que o tal céu prometido seja possível de alcançar embora seja desconhecido.

Os deuses do universo irritados com tal fadário mandam pedrinhas e pedras de gelo caírem dos céus na procura de nos acordarem deste sonambulismo pedrado que em busca da tal felicidade prometida nos faz caminhar com o carro vassoura do inferno sempre um pouco mais perto de nós. Uma felicidade prometida que só poderá ser alcançada quando pararmos de correr esta vida de precipícios e aprendermos a olhar para o nosso próprio ser o nosso próprio eu.

Não busquemos nos outros aquilo que já temos em nós próprios de forma adormecida. Mudemos de vida, mudemos de atitude perante a Natureza que os sinais que os deuses nos dão estão à nossa frente. É só querer ver, é só querer ouvir, é só querer desligar do que os vampiros peçonhentos televisivos mandatários e avençados nos impingem a toda a hora, pagando nós para que nos entrem em casa sem baterem à porta.


21.06.17

 

Por saber que a minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro não costumo responder a comentários que os outros emitem sobre a visão do meu pensamento que por aqui (facebook) vou expondo livremente. Contudo, hoje vou responder. Faço-o porque não conheço quem necessita de se esconder por trás de um nome colectivo "Aldeia de João Pires", povoação que embora não pertença ao Município de Idanha-a-Nova me merece todo o respeito. Alguém que se assume em nome de uma povoação raiana sem que mostre ter procuração de todos os 195 habitantes da mesma (segundo os censos de 2011) não é de estranhar neste mundo da internete - redes sociais onde muitos escondem a natureza da sua verdadeira face.

O autor anónimo nos seus considerandos tenta inverter as minhas palavras mandando as culpas da péssima assistência que o SNS presta aos munícipes de Idanha-a-Nova para as estruturas do Ministério da Saúde que gere o SNS. É o habitual de todos os que defendem os seguros de doença privados, de todos os inimigos do nosso SNS, de todos os que querem a privatização do mesmo. Eu, não pertenço a esse exército. Sou defensor do SNS público e universal.

Respeito o voto dos cidadãos, seja ele qual for, mas não aceito que em vez de se lutar dialogando na procura de soluções que beneficiem todos os munícipes, dentro do próprio SNS, se façam acordos com os próprios inimigos do SNS para dar aos cidadãos uma ilusão, vendendo gato por lebre na caça ao voto popular.

O que o Partido Socialista no Município de Idanha-a-Nova faz com o "Cartão Raiano Saúde 0-114" é um ataque vergonhoso ao Serviço Nacional de Saúde, quando o próprio Partido a nível nacional é Governo, afirmando-se e investindo como defensor do Serviço Nacional de Saúde. Será que a Secção do Partido em Idanha-a-Nova tem autonomia ideológica em relação ao Largo do Rato em Lisboa?

Não está em causa as escolhas que os munícipes votantes possam fazer e que sempre mereceram o respeito de todos e irão continuar a merecer. O que está em causa é a verdade sobre o que representa o "Cartão Raiano Saúde 0-114" que até ao momento não passa de um seguro de doença básico privado suportado por dinheiros públicos sem ser a tal complementaridade que os promotores vendem aos munícipes.

É a verdade e só está que está em causa.

O voto pertence aos eleitores votantes, uns mais conscientes e outros mais crentes no que os senhores do poder lhes dizem.


21.06.16


 

São flores biológicas, são frutos naturais, filhos da mãe Natureza. Se não as/os quiseres por ser eu a mandá-los dá-as/os a quem goste. Não as/os deixes estragar pois as flores das figueiras a que chamamos figos que agora envio não conhecem o esquecimento, a dor, a mágoa, a culpa, a indiferença, a raiva ou até mesmo o ódio que existe no mundo dos humanos. São flores, são frutos do amor que a mãe Natureza nos oferece sem ressentimentos do mal que lhe fazemos.

segunda-feira, 14 de junho de 2021

21.06.11

 


1. Não gosto do sr. Medina desde os tempos em que foi Secretário de Estado da Indústria e nada fez para revitalizar os Estaleiros de Viana do Castelo, antes num deixa andar como que deixou a empresa a jeito para a posterior venda que o ministro ( de letra pequena) sr. Aguiar Branco fez ao amigo do partido

2. Como não vivo nem voto na minha Lisboa não faço comentários críticos ou elogios à sua actuação à frente do Município

3. A senhora russa que agora aparece em todos os telejornais das nossas televisões faz-me lembrar um outra senhora brasileira aquando dos tristes acontecimentos de Pedrogão Grande. Esta senhora russa atira-me areia aos olhos sempre que a vejo repetir a mesma conversa. Isto porque basta pensar um pouco para se ver que se ela representa como oposicionista um perigo ao autocrático presidente russo há muito que estará referenciada pelos serviços secretos russos cujos agentes vivem entre nós e que como presumimos não brincam em serviço pelo que terão todos todos os dados sobre os russos, ucranianos e outros manifestantes mais oposicionistas ao regime político russo que vivem e estão entre nós.

4. Se a Câmara cometeu ou não uma ilegalidade não percebi pois a transferência de dados estará segundo me parece prevista na lei por um anterior governo que ao acabar com os Governos Civis transferiu essa função para os Municípios. Mas mesmo que não haja suporte legal, talvez o Município possa ter ultrapassado o limite dessa competência, não sei.

5. O que eu vejo, o que eu sei é que face à campanha de ausência de ideias para o Município de Lisboa por parte do candidato opositor das oposições o tal sr. Moedas que ainda não mostrou ter cotação cambial para se opor ao actual presidente do Município de Lisboa, saíram todos os arautos da desgraça, todos os avençados do “capital-glutão” inimigo das regras da nossa Democracia a terreiro fazendo de um presumível erro de alguém dentro do Município de Lisboa um caso de despromoção do actual presidente do Município para promoverem e levarem num andor o sr. Moedas que ainda não mostrou ter cotação cambial credível sendo apenas e só o novo D. Sebastião dos integralistas nacionais adeptos da política selvagem da Goldman Sachs onde o sr. Moedas foi um bom discípulo segundo notícias vinculadas na comunicação social que lhe é afecta.

21.06.14

 



https://www.diariodigitalcastelobranco.pt/noticia/56900/casa-de-saude-de-idanha-a-nova-oferece-servicos-gratuitos-aos-municipes

A Casa de Saúde é uma boa notícia para os cidadãos do Município.

Se um cidadão recenseado no Município que não quis aderir ao “Cartão Raiano de Saúde 0-114” for à Casa de Saúde por se sentir doente, usufrui dos mesmos serviços gratuitos? ou os mesmos serviços gratuitos são só para os munícipes aderentes do “Cartão Raiano de Saúde 0-114”?

Se for para todos com ou sem “Cartão Raiano de Saúde 0-114” é na verdade uma boa notícia.

Mas se for só para quem quis aderir ao “Cartão Raiano de Saúde 0-114” então a montanha pariu um rato, ou seja, as instalações de um bem municipal publico estarão ao serviço de uma entidade privada a Lusitânia Companhia de Seguros SA.

Continuo sem perceber se os exames prescritos ( TAC, RX, Ecografia…) na Casa de Saúde ou mesmo na Unidade Móvel de Saúde são válidos para o SNS Serviço Nacional de Saúde publico ou se têm de posteriormente aguardar pelo Médico do Posto Médico ou Centro de Saúde para poderem ser comparticipados na rede do SNS.

Pequenos grandes pormenores que podem ser a ilusão e marcar toda a diferença entre um seguro de doença privado da Lusitânia e uma extensão do verdadeiro Serviço Nacional de Saúde já que não li em lado algum nem ouvi na apresentação quer do cartão quer nas quatro horas da candidatura do sr. Presidente do Município a novo mandato, qualquer alusão a um protocolo de acordo assinado com a ULS Unidade Local de Saúde responsável do nosso SNS no Município.

Dizer que o “Cartão Raiano de Saúde 0-114” suportado por uma companhia de seguros, no caso a Lusitânia, é uma extensão de complementaridade do SNS Serviço Nacional de Saúde para os munícipes, não é verdade se os exames prescritos na Casa de Saúde de Idanha não forem directamente comparticipados na rede do Serviço Nacional de Saúde.

O Município de Idanha-a-Nova levou segundo os seus responsáveis seis anos a amadurecer a ideia deste “Cartão Raiano de Saúde 0-114”em vez de lutar dialogando com as entidades que gerem o Serviço Nacional de Saúde na procura de uma solução que promovesse a visita médica e de enfermagem, semanal ou bissemanal, aos seus munícipes que vivem nas povoações em função do número de munícipes que habitem nelas.

Não tendo conhecimento pela comunicação social nem essa luta dialogante foi referenciada pelos órgãos do Município presume-se que preferiram promover um seguro privado sob a forma de “Cartão Raiano de Saúde 0-114” voltando as costas à historia que o próprio Partido Socialista teve na criação e manutenção universal (para todos) do Serviço Nacional de Saúde, que é sem sombra de dúvida a maior riqueza que o 25 de Abril trouxe ao povo português.

Quantas das famílias naturais do Município que saíram em busca de melhores condições de viva não regressam às suas povoações onde têm as suas raízes porque a Assistência na Saúde do Serviço Nacional de Saúde no Município é péssima?

Que impacto teria na economia local o regresso famílias idanhenses que atraídos pelas boas condições de funcionamento dos Postos Médicos e do Hospital Municipal decidissem deixar a vida sedentária de reformados ou aposentados que levam na cidade grande e seus arredores voltando para as suas povoações a fim de aí viverem a sua terceira fase da vida? Presumivelmente seria um impcto bastante positivo sendo ao mesmo tempo uma janela aberta para os mais novos seus descendentes olharem de outro modo para a vida no interior raiano de Município e quem sabe se face às dificuldades de vida existentes nas cidades não equacionassem eles o regresso desde que sejam criadas condições de trabalho ou de empreendedorismo para o seu regresso.

Num Município com cerca de nove mil habitantes recenseados, onde ainda não há muito tempo um estudo dizia que em cada dez munícipes um tinha mais de oitenta e cinco anos, onde a percentagem de idosos lhe conferem um baixo grau de iliteracia. Um Município onde a rede de telecomunicações móveis é deficiente (veja-se o caso da MEO no lugar da Nave na Zebreira). Um Município onde o rendimento anual dos seus agregados familiares ligados ao mundo rural lhes deverá conferir o beneficio da isenção do pagamento de taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde, que vantagens efectivas lhes dará o “Cartão Raiano de Saúde 0-114” promovendo um seguro de saúde básico privado da Lusitânia? Porque quando precisarem de uma consulta de cardiologia ou de urologia para não falar em estomatologia ou em oncologia vão ter de recorrer aos Hospitais do SNS ou então terão de pagar do seu bolso um novo seguro para poderem ser consultados na rede da seguradora AdvanceCare e no final quando as coisas graves de saúde se complicam terem de recorrer aos Hospitais Públicos do SNS porque os seguros querem como objectivo primeiro e único o lucro e se as despesas com o doente ultrapassam o limite ajustado no seguro deixam-nos à porta das urgências no hospitais públicos, como a história dos seguros de saúde privados nos tem mostrado com inúmeros casos.

Tenho divulgado e aplaudido muitas das atividades do Município ao longo dos últimos anos dando-o como exemplo junto de amigos do litoral, não posso contudo concordar em nada com esta forma de fazer política com o “Cartão Raiano de Saúde 0-114” que não passa de simples caça ao voto para as próximas eleições autárquicas, promovendo interesses privados que querem e defendem a privatização do nosso maior bem colectivo, o SNS.

Andar seis anos a amadurecer uma ideia para depois nos vender gato por lebre, Não sr. Presidente!!!

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Cinquentenário

 


Não entendo, não percebo toda esta coisa triste que se fala sobre as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril. Ainda estamos em 2021 ou será que perdi o conto aos anos?

Depois olho para as duas personalidades escolhidas e não vejo nelas personalidades do 25 de Abril. O sr. Ramalho Eanes é um dos homens fortes do 25 mas de Novembro de 1975. Já o tal sr. Adão e Silva não passa de um graxista de palavras redondas, um lambe-botas dos políticos com peso no PS , que vai virando consoante o homem forte e pouco ou nada têm a ver com a gloriosa data de Abril de 1974.

Que o sr. Ramalho Eanes seja escolhido pelo sr. Presidente da Republica está de acordo com o pensamento político deste. Ambos são do 25 de Novembro de 1975 e não do 25 de Abril de 1974.

Já o Governo contrapõe à escolha do sr. Presidente com um “jornalista submisso” aos interesses do partido; uma personalidade a fazer lembrar a escolha oposta do sr. Presidente da Republica quando escolheu o jornalista João Miguel Tavares para o 10 de Junho de há dois anos. Tristezas em dose dupla.

Não haverá no país um intelectual com mérito para tal cargo ou será que os contactados não aceitaram pelo despesismo que iriam custar ao país?

Depois é difícil perceber o que é que nos querem vender com tanta antecedência para organizar um acontecimento que se resume a um só dia continuando o contrato do sr. Adão e Silva até 2016? Será que ele e os seus secretários vão precisar de tanto tempo para limpar e lavar o chão e as paredes sujas com tal acontecimento?

Tudo isto me leva ao José Mário Branco no seu FMI com o «entretém-te filho entretém-te...»

Não misturo política com futebol mas depois admiramo-nos com os votos crescentes dos saudosistas do velho ditador de tão má memória para o país.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

21.06.09

 



No final do dia, depois do tempo de trabalho dela, falámos. As coisas do costume nestes dias de aniversário entre um pai e uma filha. Falámos não só essas coisas como várias outras e entre essas outras coisas faladas a meio da conversa repeti-lhe o que já disse a outros e outras jovens, no caso, eu não gostaria de ter 44 anos agora. Nem 44 e ainda menos 20 ou 30 anos, preferindo ter os meus 70 anos. Muitos poderão não compreender, outros acharão que sou um parvo. Não me importo não quero ser mais novo do que sou.

Nasci no final de 1950, quando reinava no meu país o conceito salazarista de "Deus Pátria e Família" que não deixava o país respirar vivendo-se numa santa miséria abençoada por um clero tão retrógrado como o velho ditador. Joguei à bola na rua com bolas feitas de trapos em meias de vidro que as senhoras já não usavam nem tinham já arranjo. Na rua calcetada em pedras de basalto as sarjetas serviam de balizas aos jogos de hóquei sem patins e quando era golo tirávamos com as mãos a bola da sarjeta. Na rua aprendi a defender-me dos mais velhos ou dos outros com manias de valentões, sem ir para casa a chorar queixando-me do que me fizeram ou disseram na rua ou mesmo na escola. Aprendi também a fugir à policia quando esta aparecia por lá. Vi aparecer a televisão a preto e branco no clube lá da rua, onde ia aos domingos a tarde assistir pagando com uma moeda de 50 centavos o direito de ver aquela coisa extraordinária. Na escola primária pública aprendi a desenhar as letras e os números assim como o que se podia fazer com eles ou seja a descoberta de um mundo com vida sempre em evolução; decorei a tabuada de somar de multiplicar e com ela aprendi também a subtrair e a dividir fazendo contas de cabeça sem usar os dedos como auxiliares. Aprendi a história dos nosso reais. Sabia o nome das serras, dos rios e seus afluentes assim como das estações das muitas linhas férreas. Nada disso me traumatizou ou impediu de crescer. Aos quase oito anos conheci o mar de verdade na bonita praia do Baleal, quando nos mudamos com a bagagem às costas para Ferrel que nesse tempo dos anos cinquenta distava cerca de um quilómetro do Baleal. Entre a escola primária e as férias aprendi tantas coisas que ficaram guardadas nas minhas células quânticas do cérebro. Coisas que no mundo de hoje são para muitos horrorosas mas que fizeram parte do crescimento da minha geração. Jogávamos à bola descalços porque a maioria dos rapazes não usavam sapatos por dificuldades financeiras de seus pais, mas éramos todos iguais; quando a professora primária faltava também íamos para o pinhal subir aos ninhos dos pássaros para roubarmos e comermos os ovinhos antes de ficarem chocos. Roubávamos penas às galinhas para armar ratoeiras aos pássaros quando os desgraçados andavam loucos para fazerem o ninho. Bebíamos a agua dos ribeiros quando tínhamos sede. Nas férias grandes a pé ou tentando enganar o revisor da carreira lá íamos, os dois irmãos, para a praia, onde aprendemos a nadar sem ninguém nos ensinar, aprendizagem naif. O conselho dos pais que só depois da digestão feita (duas a três horas) facilmente era esquecida e substituída por “se molhei o pé e nada sucedeu então a digestão está feita e vamos ao banho”. A saltar das rochas para o mar «virei o bucho» segundo a curandeira de Ferrel que me tratou depois de a medicina não conseguir resolver o problema de saúde, que naquele tempo quando íamos ao médico ele nos mandavam deitar a língua de fora para olhar a garganta e olhava-nos também a íris dos olhos. Apanhei a vacina contra o poliomielite na escola secundária já em Peniche onde entrei depois de ter feito o exame da quarta classe e a admissão à Escola Industrial e Comercial de Peniche, sem ser preciso perguntar aos pais se os filhos podiam tomar a vacina. Entrei na escola a pedalar de bicicleta ainda com nove anos fazendo o caminho entre Ferrel e Peniche muitas vezes sozinho, pior mesmo era quando saía da escola às dezoito horas já noite e chovendo tinha que fazer os oito quilómetros até casa. Sózinho a descer o Viso num sábado em que ia para a Mocidade Portuguesa tentei sem mãos no guiador passar por cima de uma pedra solta e espalhei-me andando vários meses a tirar sangue pisado do joelho e vários anos a coxear quando fazia o que me estava proibido como o jogar à bola. Na tal Mocidade Portuguesa fomos, os manos, por dois anos ao acampamento nacional da organização nos campos de Aljubarrota onde para além das atividades lúdicas se prestavam provas para os graus que a organização tinha e lá nos punham a correr à volta dos microfones da Emissora Nacional de braço estendido gritando «nós somos os melhores».

De volta à cidade que me viu nascer para continuar a estudar a vida pacata da aldeia ficou para trás e o mundo abria-se com novos horizontes, novas descobertas, novos sonhos para o mundo e para a vida dos portuguesas que continuava acorrentada à vida de miséria para a grande maioria das famílias portuguesas. A revolta ganhava raízes dentro do peito. A farsa das eleições convocadas pelo então sucessor de Salazar, Marcelo Caetano, em 1969 são o salto para a política. Aos 20 anos entrei na EPI em Mafra. Aos 21 parti para a guerra comandando um grupo de jovens tão jovens quanto eu. Parti consciente de que não estava no lado mais justo da guerra se é que existe essa coisa de lado justo numa guerra. O importante era ir e voltarmos todos sãos e salvos. Conheci o medo não só de morrer mas pior ainda o medo de algum daqueles jovens que confiavam em mim poderem morrer. Sentimentos que me fizeram crescer não só como homem mas como um homem a cada dia mais revoltado com a situação que se vivia. O arame farpado foi uma escola para a vida. O 25 de Abril uma alegria, uma quase certeza de que iríamos voltar todos para as nossas vidas. Voltámos mas já não éramos os mesmos que um dia partimos, a guerra surda e muda voltou com muitos de nós, principalmente daqueles que um dia sentiram os «pintelhos do cú a bater palmas». Vivi o sonho da utopia que estava logo ali ao virar da esquina. Assisti à vitória do invernoso 25 de Novembro. Da vivência do sonho da utopia conheci e conheço muitos dos que se adaptaram e de ultra revolucionários se converteram em "pessoas de bem" ou situacionista sem memória, liberais ao centro sem limites. Trabalhei sempre em empresas privadas. Quando não me pagavam o que achava ser justo procurava outro trabalho, saltando de empresa em empresa até que um dia conheci o desemprego e se na semana anterior duas empresas de caça cabeças me convidavam para ir a entrevistas com bilhete de avião pago, no dia seguinte ao acordo para deixar a empresa já ninguém me conhecia. Vivi bem sem conhecer dificuldades quando trabalhava. Depois conheci a travessia do deserto cometendo erros atrás de erros. Passei mal. Tornei-me um solitário. Hoje vivo sem pressa não gostando e não querendo ser mais novo do que sou porque tudo o que vivi fez de mim o que sou, um desalinhado, uma ovelha ranhosa mais do que tresmalhada que gosta de ser assim mesmo. Desalinhado, não tenho nem vou ter qualquer filiação partidária.

Não sou comunista tão pouco bloquista, não sou socialista, não sou popular tão pouco democrata-cristão, não sou social-democrata moderno, muito menos liberal e ainda muito menos saudosista do fascismo à moda de Salazar-Caetano. Sou republicano, sem religião porque nas minhas conversas com o Deus e os deuses do além não sinto necessidade de intermediários duvidosos. Sou muito mais à esquerda que ao centro. Não gosto do centro. O centro é híbrido, como tal as suas sementes nunca reproduziram bons frutos e factos são factos. Ao centro não nos deixam evoluir para uma sociedade mais decente apenas nos empatam para nos comerem os miolos e nos chuparem a carne até ao tutano. 

Por tudo isto não viveria hoje sendo jovem todas as alegrias e conquistas que vivi porque o tempo de vida de Abril não tem comparação possível com estes tempos de agora. Sou como sou sentindo-me bem com a minha idade.



21.06.08

 



44 anos não são quarenta e quatro dias nem tão pouco quarenta e quatro meses. 44 anos são muitas luas em que o tempo da vida por mim passou, deixando as marcas que o mesmo sempre deixa na vida da gente. Marcas, umas boas outras nem tanto; umas que são saudades boas e outras que se arquivaram bem lá no fundo da memória.

Há já quarenta e quatro anos. Um dia que marca a vida de um homem, de uma mulher e de um casal. Um dia em que vi concretizar-se o sonho que anos antes num dezanove de Maio então em terras angolanas na bonita cidade de Luanda quando regressava de férias tinha decidido numa conversas com os deuses dar como nome a uma filha minha, Catarina.

De pouco valeram as sugestões dadas por familiares que naquele tempo era o pai que se deslocava à conservatória para registar o novo ser humano nascido na grande Maternidade Alfredo da Costa. Se o novo ser humano fosse rapaz era a mãe que decidia o nome, se fosse menina era eu que escolhia e assim ficou Catarina até hoje e mais o tempo que a vida lhe der.

Foram anos, foram tempos em que a vida no mundo parecia mudar mais depressa que a própria cadência dos ponteiros que assinalam a passagem do mesmo por nós. Um tempo em que a partir daquele dia a vida mudou porque tinha acabado de nascer um ser que não

foi ouvido no acto de amor que o gerou, cabendo a nós pais toda a responsabilidade de o fazer crescer em segurança para que um dia pudesse voar por si própria para desse modo poder construir a sua própria vida.

8 de Junho, um dia cheio de memórias bonitas que justificam só por si esta minha caminhada. Outros houve felizmente e assim vou caminhando levando agora a vida com calma porque a idade da pressa ficou lá atrás no tempo que vai passando.

domingo, 6 de junho de 2021

21.06.06

O homem falou. Ao falar disse coisas. Coisas que para os seus seguidores são como as palavras das religiões para os crentes. Falou e fala o homem como líder da região que julga ser sua. Julga-se o homem dono absoluto daquilo que não lhe pertence. O homem falou e espumou acusando e aconselhando governantes a demitirem-se. O homem cria suspense, casos, culpas alheias, sempre os insucessos são por culpa da «moirama» centralizadora. O homem fala até de regionalização e a multidão de seguidores ajoelha como que beijando os pés a tal santo sagrado em pregação da palavra divina.

Ouço-o, dou-lhe atenção mas ele não sabe quem eu sou. O homem fala e falou mas sabe que muitos como eu acreditam mais nas gravações da fruta em casas de alterne e noutras, do que nas palavras por ele entoadas a preceito para a multidão de crentes que o seguem.

O homem falou e fala porque na infeliz Justiça que temos há sempre para os (falsos) poderosos uma mão piedosa pronta a escrever um acórdão que os iliba de todas e quaisquer acusações, mesmo quando elas são reais e ouvidas por crentes e não crentes. Há sempre uma virgula mal colocada no processo que os salva perante os seus crentes.

Ouço-o, dou-lhe atenção para ver como anda a falta de vergonha na outra margem da vida onde não vivo, onde me recuso a viver caminhando e andando na margem oposta a todos esses (falsos) poderosos e seus amigos de interesses que pouco ou nada já me dizem.


terça-feira, 1 de junho de 2021

21.05.28

 


Cartão Raiano Saúde 0-114. Um cartão anual de seguro de saúde privado da Lusitânia Companhia de Seguros SA. para os recenseados inscritos no Município de Idanha a Nova, gratuito para os aderentes segundo nos dizem.

Como «quando a esmola é grande, o pobre desconfia» digo que na minha modesta opinião este não é o caminho, não é sequer a melhor forma quer para os munícipes recenseados no concelho quer para os não recenseados de se defender e aprofundar os benefícios que o Serviço Nacional de Saúde tem de ter para todos os cidadãos.

O caminho agora seguido pelo Município é não só um caminho pantanoso como também perigoso, uma afronta ao SNS Serviço Nacional de Saúde tão ao gosto dos que defendem a sua privatização ou de muitas das suas valências, valores com os quais não me identifico como defensor que sou do nosso SNS público para todos.

Este cartão raiano de saúde nem sequer é uma «PPP–Participação Publico Privada Regional», mas tão só um seguro de saúde privado pago com dinheiros públicos do Município.

Se fosse apenas o cartão de um seguro de saúde para todos os funcionários do Município não estaria aqui a manifestar a minha discordância com a publicidade, venenosa na minha opinião, dada à emissão de tal cartão.

Um cartão raiano de saúde privado que depois de seis anos de maturação, de estudos se revolve em praticamente dois meses(?), o tempo decorrido entre o lançamento do concurso público, a sua adjudicação e apresentação aos munícipes, no tempo certo das próximas eleições autárquicas.

Na sua elaboração segundo informação facultada pelo Município participaram outras duas entidades privadas, a Casa de São Mateus de Viseu e a Mediadora de Seguros SABSEG, não constando nenhum Serviço ou Direcção do Ministério da Saúde ou a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco como entidade publica que gere a saúde no distrito.

A Casa de Saúde de S. Mateus, pelas informações colhidas no seu sitio na internete tem diversas Clínicas quase todas situadas na cidade de Viseu e uma na cidade da Guarda a “Cliniform Saúde”. Que mais valias terá trazido ao estudo maturado para a ideia ou para a elaboração do concurso publico internacional ou mesmo da agora emissão do “Cartão Raiano Saúde 0-114”? Será que estará disposta a investir num novo centro de saúde ou clínica privada na Idanha para apoiar os utentes do Município que aderem ao “Cartão Raiano Saúde 0-114”?

Procurei ver o que informa o sitio na internete da Mediadora de Seguros SABSEG a qual se apresenta como “Especialista em gestão de seguros da Entidades Publicas – Municípios e outras Entidades Publicas” Mas ao descrever as valências da sua especialização em seguros com os Municípios não tem nenhuma referência há especialização em Seguros de Saúde para os Municípios. Factos são factos, mas estamos sempre a aprender.

O cartão raiano de saúde privado facilitará o acesso a cuidados médicos, de enfermagem e de exames complementares, tendo o Município transformado o “Espaço Sénior” em “Casa de Saúde da Idanha, onde se prevê que esteja em permanência um médico e duas enfermeiras. Os cuidados médicos ali prescritos de exames complementares (RX, Tac, Ecografia ou Ressonância) terão de ter a posterior aprovação do médico de família ou responsável médico do Centro de Saúde ou do Posto Médico, a não ser que o beneficiário do cartão raiano de saúde esteja na disposição de custear do seu bolso o custo dos possíveis exames complementares. Não esqueçam que se tivermos de ir à urgência hospitalar à Idanha ou à Castelo Branco e se o médico da urgência hospitalar nos prescrever alguns exames complementares, RX, ecografia por exemplo, os referidos exames só são comparticipados pelo SNS depois do médico de família do Posto Médico concordar e autorizar. O seguro privado que está por detrás do Cartão Raiano Saúde 0-114 não dará acesso directo à comparticipação do custo dos referidos exames prescritos de pelos médicos do SNS. Ainda quando estive há duas semanas na Zebreira o meu amigo Zé Pereira teve de ir à urgência ao Hospital de Castelo Branco onde a médica lhe prescreveu pelo menos uma ecografia e quando passado três dias lhe perguntei se já tinha marcado o exame me respondeu que tinha que aguardar pela Médica de família ou do Posto de Saúde para lhe confirmar e autorizar o referido exame.

Li com atenção o que se diz sobre os benefícios que o Cartão Raiano de Saúde 0-114 trás aos munícipes recenseados que o peçam. Consultei a página na Internet da Lusitânia para ver qual a modalidade que eles têm publicitada para cobrir todos os benefícios anunciados. Claro que não tem nenhum plano de matriz base para os benefícios anunciados e o acordo com estabelecido entre o Município e a Seguradora Lusitânia não está publicado para o público.

A população residente na área do concelho e como tal o mercado potencial para a Lusitânia Companhia de Seguros era em 2010 de 9.883 tendo decrescido segundo estudos de 2018 indicarem 8.259 cidadãos em Idanha a Nova.

O valor que consta como base para um ano de validade do seguro que gere o “Cartão Raiano Saúde 0-114” no concurso público internacional publicado no Diário da República 2ª série nº46 de 8 de Março deste ano de 2021 é de 517.032,0€ ou seja o valor mínimo a pagar pelo Município. Só no final dos 365 dias é que se farão as contas certas.

Na minha vida profissional como director administrativo e financeiro estudei e negocie contratos de saúde com companhias de seguro em representação de duas empresas internacionais. Já lá vão uns anos pelo que poderei estar desactualizado mas os seguros de saúde colectivos nunca são baratos embora o mesmo que dá suporte ao “Cartão Raiano de Saúde 0-114” só englobe como gratuitos os serviços de saúde primários, a chamada clínica geral incluindo também serviços médicos e de enfermagem ao domicílio já não totalmente gratuitos. Quando o cidadão idanhense usuário do “Cartão Raiano de Saúde 0-114” necessitar de uma consulta de qualquer especialidade, por exemplo cardiologia ou urologia terá, se quiser, recorrer à Rede Médica Nacional da AdvanceCare que com certeza lhe irá dizer que por um preço de excepção tendo em consideração o seguro da Lusitânia através do “Cartão Raiano de Saúde 0-114” lhe fará um novo seguro de saúde privada que lhe dará mais um cartão de beneficiário desta vez pagante directo e não indirecto como no caso do “Cartão Raiano de Saúde 0-114”.

Reconheço que nunca gostei de seguros, tendo apenas os que a lei me obriga e nada mais. Desde os tempos da tropa em Viana do Castelo que fiquei com urticária aos seguros. Aguardávamos embarque para a guerra em Angola e não faltavam angariadores de seguro a quererem vender seguros de vida aos militares. Seguros de vida que se venciam se o mesmo morresse na guerra. Nunca os deixei entrar no Forte de Santiago da Barra quando estava de serviço.

Na minha vida profissional aprendi a ler as letras pequeninas das apólices e assim consegui diminuindo quer o número de apólices quer os valores pagos aumentar o valor dos bens seguros. Quando na BIMBO os Americanos mudaram de Corretor de Seguros e os espanhóis chegaram com o Director Geral da nova empresa de corretagem portuguesa para analisarem a carteira de seguros, o senhor olhou para mim, sorriu e virando-se para os espanhóis disse-lhe que se era eu o director responsável pelos seguros poderiam estar descansados que era conhecido na praça por não lhes facilitar a vida, disse eu para os meus botões «vendendo gato por lebre».

Repito o que digo lá atrás nesta muito longa exposição:

Se fosse apenas o cartão de um seguro de saúde para todos os funcionários do Município não estaria aqui a manifestar a minha discordância com a publicidade, venenosa na minha opinião, dada à emissão de tal cartão.

Em política não pode nem deve valer tudo!