Mais
uma vez o Rio Tejo e as suas crises de caudal são origem de tristes
notícias. Agora com a expansão exponencial de algas verdes na
barragem de Belver.
Não
esquecendo a poluição industrial das suas águas, à qual se junta
o problema que se agrava ano após ano da poluição química sem
controlo superior dos agro-tóxicos (pesticidas) utilizados nas novas
culturas intensivas ao longo do Rio e de alguns dos seus afluentes
que crescem do dia para a noite e que face aos baixos caudais em
épocas de estio mais prolongado contribuem de que maneira para a
actual crise na qualidade da água.
Culpar
os vizinhos espanhóis pelo caudal não resolve nada e só realça a
natureza submissa do sr. Ministro. Os espanhóis têm a faca e o
queijo na mesa deles. Quando eles começaram a fazer transvases do
Rio Tajo para o Rio Segura a fim de com essa água alimentar as
culturas intensivas e super intensivas na zona de Múrcia que pode o
Governo português de então fazer? Nada! para além de uns
comunicados a reclamar.
Quando
se negociou com Espanha o caudal que eles teriam de dar do Tajo ao
Tejo negociamos de calças em baixo e os nossos representantes já
sabiam que junto à fronteira do concelho de Idanha-a-Nova, distrito
de Castelo Branco eles tinham em Alcantara uma grande albufeira como
reservatório que alimenta o arrefecimento das Central Nuclear de
Almaraz que continua sem solução à vista mesmo com todos os
problemas que se vão conhecendo.
Claro
que para os nossos representantes com as calças em baixo Almaraz
fica muito longe já que eles viviam no litoral com bom ar
condicionado e quem vier atrás que feche a porta que Bruxelas
esperava por eles.
Apontar
o dedo e desculpar-se com os vizinhos espanhóis é falta de visão e
conhecimento lógico, já que o problema com o caudal que Espanha dá
do seu Tajo ao nosso Tejo continua com o queijo e a faca na mesa
deles que tem não só graves problemas de pluviosidade ao longo da
bacia do Rio Tajo, como tem de manter o enorme reservatório em
Alcântara para segurança de Almaraz, sendo que esta segurança é
também necessária às populações portuguesas da raia na área
transfronteiriça.
O
sr. Ministro do Ambiente, as sras. Ministras quer da Coesão
Territorial e da Agricultura, quer as suas vastas equipas de
Secretários de Estado e Assessores sabem, não podem ignorar, que o
problema do caudal de água na bacia nacional do Rio Tejo está muita
mais nas nossas vossas mãos do que nas reuniões de trabalho com os
vizinhos espanhóis. Não digam aos tristes avençados televisivos
que já nomearam uma equipa de técnicos para analisar e discutir com
os nossos vizinhos.
Tenham
coragem. Actualizem os estudos já realizados, deixem-se de novos
estudos que o país não sobrevive só com estudos e as águas assim
como as suas margens não têm qualquer filiação partidária. Vamos
chegar ao fim do verão e o tal estudo que o sr. Ministro anunciou
não vai conhecer a luz do dia. É preciso acção e realização
sabendo-se de antemão que irão haver vozes discordantes de “pseudo
ambientalistas” de ar condicionado que tudo farão para atrasar o
que há muito deveria estar concluído, a tão necessária barragem
do Alvito no Rio Ocreza, afluente nacional da margem direita do Rio
Tejo que nasce na Serra da Gardunha e cujos estudos já realizados
prevê uma albufeira reservatório idêntica à de Castelo de Bode,
salvaguardando quer o futuro caudal do Rio Tejo como alimentando de
regadio vasta zona que incluiu terras do Alto Alentejo.
Deixem-se
de desculpas sem lógica, ponham as vossas equipas de Secretários de
Estado e de assessores avençados a trabalhar no campo da realização
da Barragem do Alvito no Rio Ocreza. Está nas nossas mãos a solução
e dinheiro não falta já que o sr. Primeiro Ministro não se cansa
de o enunciar e pedir projectos com sustentabilidade nacional.