quarta-feira, 24 de novembro de 2021

21.09.22


 

Dirigi-me ao hospital para a consulta de controle semestral. Ao confirmar a presença na máquina do piso das consultas a mesma apresentou-me um recibo com valor de 7€ a pagar. Imprimi o recibo indicando pagar mais tarde.

Dirigi-me depois ao balcão onde uma menina me pediu o nome e a data de nascimento para consultar o meu cadastro e disse-me que além da isenção por incapacidade tinha também isenção por ser Antigo Combatente.

Fiquei ali a saber que no caso da saúde a informação entre os Ministérios da Defesa e da Saúde ocorreu e funciona. Irei brevemente testar se a mesma situação se verifica com os museus e ou exposições públicas, já que o anunciado transporte público gratuito está em vias de resolução para que funcione no mês de Novembro.

Levou anos e décadas, mas vale mais tarde que nunca, algum reconhecimento para com os Antigos Combatentes vivos das guerras ultramarinas ou coloniais. Os Antigos Combatentes fizeram parte da tomada de consciencialização pelos Militares do Quadro Permanente de que a guerra em que todos, os Antigos Combatentes e eles Militares do Quadro Permanente, participavam teria de ter outra solução que não aquele combate de treze anos.

Muitos dos políticos profissionais em exercício no tempo de agora não só desconhecem, como ignoram e desprezam o papel que os Antigos Combatentes enquanto jovens militares que participaram obrigados nas frentes de batalha durante treze anos tiveram no desenrolar da história que originou o glorioso 25 de Abril de 1974 e desse modo lhes permite hoje viverem politicamente com mordomias muitas delas só sustentáveis pelo endividamento publico do país.

21.09.21 "DDT-em-low-profile"

 

Vejo dois avençados de renome no meio social e televisivo a engraxar o sr. Conde de Bilderberg que com ar daquilo que nunca foi os ouve inchado de vaidade. O sr. ou dr. Conde um dia em que o falso DDT disto tudo se recusou a financiar o seu grupo de comunicação logo lhe tratou da saúde com aquele seu ar majestoso daquilo que nunca foi ordenando aos seus avençados que começassem publicar no seu jornal de referência notícias e factos incómodos para o «grande banqueiro do sistema» o falso DDT, ao mesmo tempo que outros dos seus avençados enaltecidos com a figura de «grande banqueiro do sistemas» se curvavam e lambiam as vaidades do vigário DDT que também ele se julgava o DDT disto tudo.

Como eles não saíam do televisor, eu saí do sofá e da sala. Aquela gente mete-me nojo, vendem-se de qualquer jeito para bajular o sr. ou dr. Conde de Bilderberg, homem que na sombra tem sido o DDT-em-low-profile das nossas vidas, das nossas miudezas sempre com aquele ar daquilo que nunca foi.

21.09.18 "Bem Hajam"

 

Bem hajam todos aqueles que saindo da sua zona de conforto arregaçaram as mangas e se puseram ao caminho sem outras armas que não sejam a vontade de ser útil à comunidade a que pertencem, pois tantas são as adversidades existentes e levantadas por aqueles que há muito detêm o poder e nada tem feito nos últimos oito anos para a valorização social e económica da União de Freguesia Zebreira e Segura.

Bem hajam pois os valentes filhos da terra que querem que as suas gentes também tenham voz no futuro. Que os seus conterrâneos não sejam apenas números para censos e pouco mais.

A luta é muito desigual em meios financeiros e publicitários perante um adversário que usufrui de uma máquina partidária que não olha a meios para se manter no poder, e, onde só lhes falta prometer "a salvação das almas".

21.09.17 " O Que É Um Bom Impostos"

 

A cada dia que passa mais longe me sinto do que à minha volta acontece na política, tantas são as promessas, a maioria senão mesmo a totalidade já prometidas em anteriores campanhas e que mais uma vez apenas servem para iludir os crentes que neles acreditam mesmo sabendo que aquela obra, aquele hospital ou centro de saúde, aquela praia fluvial, aquela maternidade, aquele seguro privado de saúde ou aquele aeroporto internacional, servem apenas e tão só para os iludirem na caça ao voto para o dia das eleições, embora muitos desses crentes ainda possam alimentar a esperança ténue que talvez por obra e graça dos santinhos as promessas de novo prometidas se concretizem por acção da tal graça divina dos seus santinhos.

Somos um povo de esperanças e fé sendo que dia a dia tenho menos fé e menos esperanças no que me prometem os políticos costumeiros quer dos partidos tradicionais quer ainda mais dos novos partidos renascidos das catacumbas dos velhos tiranos de há quase quarenta e oito anos.

Por isso espero que os Movimentos de Cidadãos que de forma Independente se candidatam em número crescente às Autarquias, sejam pela sua intervenção cívica uma pedrada séria que pelo menos sirva para agitar as águas do charco pantanoso em que a política se transformou, muito pelos interesses económicos que germinam como cogumelos venenosos no seio dos grandes partidos políticos nacionais. Que a aparição e implementação Autárquica destes Movimentos possam abrir os olhos e os neurónios não só aos cidadãos mais crentes do actual estado mas principalmente aos diferentes líderes dos partidos tradicionais para que possam olhar, ainda a tempo, para os erros contínuos que vem cometendo ano após ano, eleições após eleições.

O país não vive nem de promessas, nem de rácios, ainda menos de previsões e como um dia disse o saudoso presidente Jorge Sampaio "há mais vida para lá do Orçamento" ou seja, os cidadãos precisam de viver e acreditar no Estado de que são a razão de ser do próprio. Precisam de viver para lá dos rácios, das previsões, das promessas precisam de acreditar na boa aplicação dos dinheiros que chegam de Bruxelas é que «Chapéus há muitos».

Para tal precisamos de um Estado Democrático forte que trabalhe para os cidadãos e não para a manutenção do poder de tantos em tantos anos. Um Estado Democrático forte com todos os cidadãos e não apenas com os mais fracos. Um Estado Democrático que possa ser um motivo de orgulho para todos os portugueses como está acontecendo com o processo de vacinação contra o vírus. Um Estado Democrático que trabalhe cumprindo a Constituição, que seja exemplo nos processos transparentes e que acabe de uma vez com as negociatas nebulosas, opacas ou mesmo negras a que temos assistido passivamente com prejuízo para o próprio Estado Democrático. Um estado Democrático que a exemplo de outros países da Europa e da própria União Europeia os cidadãos portugueses não se queixem da carga fiscal que pagam, que vejam a mesma ser aplicada em benefício de todos os cidadãos e não só para cobrir as vigarices de banqueiros e ditos empresários. Um Estado Democrático que se reveja em alguns dos países da nossa União Europeia com cargas fiscais brutais mas que depois usufruem delas igualmente, como o excelente programa da RTP2 “O que é um Bom Imposto”

https://www.rtp.pt/play/p9230/o-que-e-um-bom-imposto


terça-feira, 23 de novembro de 2021

21.09.16









Sou um defensor das coisas e das causas publicas. Defendo a escola publica para todos os cidadãos. Defendo o Serviço Nacional de Saúde para todos os cidadãos. Defendo outras coisas que infelizmente vários Governos cederam a privados ao preço da “uva mijona”. Desde os meus tempos de serviço militar que não gosto de seguros e só tenho os que a lei me obriga. Nas empresas onde trabalhei tive à minha responsabilidade também a carteira de seguros, sendo visto pelos profissionais das companhias de seguros como um especialista difícil de convencer e ultrapassar o limite estritamente necessário à actividade da empresa.

Desde que os senhores do Município de Idanha-a-Nova lançaram um cartão denominado “Cartão Raiano Saúde 0-114” que suporta um seguro de saúde privado subscrito pelo Município, que combati aquilo que considerava não ser verdade o que afirmavam, pois um seguro de saúde privado não é complementar do SNS mas uma alternativa que os cidadãos livremente podem escolher.

Algumas vezes me julguei solitário a combater moinhos de vento em defesa da verdade e do nosso SNS publico. Não desisti porque a verdade e a razão estavam do lado da minha consciência.

Agora, ao fim de quase três meses, salvo erro, vejo e li um comunicado do Município e da ULSCB Unidade Local de Saúde de Castelo Branco em que assinaram um protocolo para que o pessoal médico adstrito à ULSCB que se apresenta na Unidade de Saúde Móvel do Município a percorrer as várias povoações possa ter acesso aos dados informáticos e prescrever receitas e pedidos de exame, estes sem necessidade da autorização do médico de família do Centro de Saúde para poderem ser comparticipados pelo SNS.

Não vou criticar a forma como o mesmo foi feito, já que é um comunicado político, em que uma entidade a ULSCB não se compromete com o seguro privado, mas ajuda a salvar a cara ao Município em plena campanha eleitoral.

Há lutas que mesmo que pareçam estar condenadas ao fracasso valem a pena pois assim com o protocolo assinado no dia 9 deste mês já todos os cidadãos poderão beneficiar dos serviços médicos da Unidade Móvel do Município de Idanha-a-Nova tenha ou não tenha subscrito a adesão ao seguro privado que o tal “Cartão Raiano de Saúde 0-114” suporta, ou será que os médicos afetos à seguradora que prestam serviços na Unidade Móvel de Saúde só atendem os subscritores do cartão?

21.09.15

 

Mais uma vez o Rio Tejo e as suas crises de caudal são origem de tristes notícias. Agora com a expansão exponencial de algas verdes na barragem de Belver.

Não esquecendo a poluição industrial das suas águas, à qual se junta o problema que se agrava ano após ano da poluição química sem controlo superior dos agro-tóxicos (pesticidas) utilizados nas novas culturas intensivas ao longo do Rio e de alguns dos seus afluentes que crescem do dia para a noite e que face aos baixos caudais em épocas de estio mais prolongado contribuem de que maneira para a actual crise na qualidade da água.

Culpar os vizinhos espanhóis pelo caudal não resolve nada e só realça a natureza submissa do sr. Ministro. Os espanhóis têm a faca e o queijo na mesa deles. Quando eles começaram a fazer transvases do Rio Tajo para o Rio Segura a fim de com essa água alimentar as culturas intensivas e super intensivas na zona de Múrcia que pode o Governo português de então fazer? Nada! para além de uns comunicados a reclamar.

Quando se negociou com Espanha o caudal que eles teriam de dar do Tajo ao Tejo negociamos de calças em baixo e os nossos representantes já sabiam que junto à fronteira do concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco eles tinham em Alcantara uma grande albufeira como reservatório que alimenta o arrefecimento das Central Nuclear de Almaraz que continua sem solução à vista mesmo com todos os problemas que se vão conhecendo.

Claro que para os nossos representantes com as calças em baixo Almaraz fica muito longe já que eles viviam no litoral com bom ar condicionado e quem vier atrás que feche a porta que Bruxelas esperava por eles.

Apontar o dedo e desculpar-se com os vizinhos espanhóis é falta de visão e conhecimento lógico, já que o problema com o caudal que Espanha dá do seu Tajo ao nosso Tejo continua com o queijo e a faca na mesa deles que tem não só graves problemas de pluviosidade ao longo da bacia do Rio Tajo, como tem de manter o enorme reservatório em Alcântara para segurança de Almaraz, sendo que esta segurança é também necessária às populações portuguesas da raia na área transfronteiriça.

O sr. Ministro do Ambiente, as sras. Ministras quer da Coesão Territorial e da Agricultura, quer as suas vastas equipas de Secretários de Estado e Assessores sabem, não podem ignorar, que o problema do caudal de água na bacia nacional do Rio Tejo está muita mais nas nossas vossas mãos do que nas reuniões de trabalho com os vizinhos espanhóis. Não digam aos tristes avençados televisivos que já nomearam uma equipa de técnicos para analisar e discutir com os nossos vizinhos.

Tenham coragem. Actualizem os estudos já realizados, deixem-se de novos estudos que o país não sobrevive só com estudos e as águas assim como as suas margens não têm qualquer filiação partidária. Vamos chegar ao fim do verão e o tal estudo que o sr. Ministro anunciou não vai conhecer a luz do dia. É preciso acção e realização sabendo-se de antemão que irão haver vozes discordantes de “pseudo ambientalistas” de ar condicionado que tudo farão para atrasar o que há muito deveria estar concluído, a tão necessária barragem do Alvito no Rio Ocreza, afluente nacional da margem direita do Rio Tejo que nasce na Serra da Gardunha e cujos estudos já realizados prevê uma albufeira reservatório idêntica à de Castelo de Bode, salvaguardando quer o futuro caudal do Rio Tejo como alimentando de regadio vasta zona que incluiu terras do Alto Alentejo.

Deixem-se de desculpas sem lógica, ponham as vossas equipas de Secretários de Estado e de assessores avençados a trabalhar no campo da realização da Barragem do Alvito no Rio Ocreza. Está nas nossas mãos a solução e dinheiro não falta já que o sr. Primeiro Ministro não se cansa de o enunciar e pedir projectos com sustentabilidade nacional.


21.09.14

 

As ARU’s (Área de Reabilitação Urbana) foram aprovadas pelo Município em 20 de Junho de 2016 segundo informação recolhida no sitio oficial do Município de Idanha-a-Nova.
Depois, por imposição legal, publicaram no mesmo sitio que os vários PERU’s (Plano de Execução Reabilitação Urbana) foram aprovados e postos a consulta publica, segundo publicação na Gazeta do Interior, em 28 de Abril deste ano 2021. Procurei na Zebreira ver algum Edital sobre o assunto mas não encontrei aquando das minhas visitas, mas pode ter sido colocado, só que eu não vi. Os PERU’s publicitados no sitio do Município não nos explicam porque é que determinadas povoações têm planos elaborados com algum cuidado e as restantes povoações são planos com poucas variações e elaborados tipo «carregar pela boca» já que repetem até os erros ortográficos que os ARU’s já continham. Escusado será dizer que os PERU’s elaborados de forma mais cuidada pertencem às povoações que ao longo dos últimos anos merecem toda a atenção dos órgãos municipais, Termas de Monfortinho, Penha Garcia, Monsanto, Idanha-a-Velha e Idanha-a-Nova, para as restantes povoações planos quase iguais os tais de «carregar pela boca» ou «meia bola e força».

Agora em plena pré-campanha os ARU’s dão lugar aos ORU’s (Operação de Reabilitação Urbana), ou seja os Planos de Execução deram origem às Operações? Ao fim de cinco anos sem que nada tivesse sido efectuado as ARU’s deram origem por imposição legal aos PERU’s e passados uns meses os PERU’s mudam de designação ou são apenas e só transformações por força da campanha eleitoral à porta? Duvidas que aguardo até os ORU’s serem também eles publicados no sitio oficial do Município.
E, esquecendo como é que as verbas indicadas nos PERU’s foram cientificamente e sociológicamente calculadas, todos os benefícios, os apoios financeiros e fiscais são positivos e bem vindos para que alguns particulares possam proceder à recuperação urbana do património que usufruem ou pretendem usufruir. No que respeita à fiscalidade nada a dizer quando se trata de impostos que são receitas municipais, quando o imposto é nacional aguardo para ver como se irá proceder, pois penso que o anuncio dos benefícios fiscais irá ter uma regulamentação especifica. Quanto aos apoios financeiros que o Município anuncia era bom clarificar se são apenas os enunciados nas verbas publicas indicadas nos PERU’s ou se há alguma outra via de apoio, pois não percebo como é que no PERU Plano Execução de Reabilitação Urbana da Zebreira que prevê um valor total a dez anos de 3.170.000,0€ com uma participação publica do Município a dez anos de 520.000,0€ se irá proceder à Reabilitação Urbana. Alguma coisa está mal ou a tão anunciada “Idanha Solidária” é só para alguns ou para algumas vozes e não para todos.

(foto obtida na net)


21.09.11

 

11 de Setembro de 1973, uma data que os que controlam a comunicação social fazem por esquecer. Eles, os que nos querem moldar o pensamento, sabem o que representa esta data e por isso esquecem-na e inundam-nos com o outro 11 de Setembro de 2001 repetindo à exaustão as imagem aterradoras de um crime organizado por ultra-fanáticos islâmicos.

Dois momentos históricos. Em 1973 o ultra fanatismo político e religioso no Chile, em 2001 apenas puro e ultra fanatismo religioso. Dois 11 de Setembro tão diferentes mas tão aterradores na história recente da humanidade.

Em 1973 as forças fascistas de Pinoche apoiadas pelos sacrossantos amigos americanos por ultra fanatismo político e religioso mataram, assassinaram a sangue frio o democrata Salvador Allende e muitos outros chilenos pondo fim ao regime democrático existente no Chile.

Em 2001 por puro fanatismo religioso ultra fanáticos islâmicos assassinaram milhares de pessoas americanas e outras, apenas e só porque segundo aquela gente fanática “Alá é grande”, desencadeando com esse acto de pura covardia a oportunidade de a industria da guerra americana desencadear outras guerras bem longe de casa a fim de os seus investidores e seus intermediários ganharem rios de dinheiro com o negócio das guerras.

O mesmo o dia em anos diferentes. O primeiro esquecido e silenciado pelos donos da comunicação social que nos querem moldar o pensamento e assim nos transformarem num rebanho sonhador de consumistas em busca de uma ilusória felicidade. O segundo publicitado à exaustão para nos meterem o medo na cabeça e nos moldarem o pensamento e assim nos transformarem num rebanho sonhador de consumistas em busca de uma ilusória felicidade.


(fotos obtidas na net)


21.09.10 Presidente Sampaio

 

Na outra margem por onde caminho olho com atenção o que se passa na cidade grande de muitas histórias, historietas e óperas bufas.

Gostei dele como Presidente. Um Homem sério e humanista. Lutador antifascista, defensor na barra dos tribunais dos que ousavam sonhar com um outro modo de vida onde a Liberdade não fosse apenas a liberdade de se viver pobremente e temente ao senhor doutor. Depois de Abril, cidadão livre de ideias abertas e conciliadoras chegou um dia a Presidente.

Primeiro para a Câmara de Lisboa mostrou aos seus "inimigos" internos de Partido que acordos e alianças com os partidos mais à esquerda era possível sem que daí resultasse grande mal antes pelo contrário.

Depois para Presidente da República conseguiu vencer o homem novo-velho professor de finanças públicas que era o ex-libris dos saudosistas de um outro professor de finanças públicas de má memória para os amantes da Liberdade em Democracia. Ganhou quando os poderosos tinham apostado todas as fichas no novo-velho professor de finanças públicas até porque este novo-velho professor o tinha derrotado com cabazada em eleições para a Assembleia da República.

Mas o mundo dá muitas voltas e voltas e mais voltas tudo na vida muda num segundo. Exerceu o cargo como um Senhor, um Homem de H grande que era e sempre foi. Faleceu no hospital público do nosso SNS onde se encontrava internado e onde sempre foi acompanhado.

Depois dele não mais o meu voto ajudou um vencedor.

Ao olhar os ecrãs televisivos, ao ver tantos hipócritas falarem do Homem Bom, sinto-me bem por seguir o meu caminho na outra margem da vida na travessia do deserto.


21.09.10

 

Era o teu dia de nascimento, o 10 de Setembro, não o dia em que um funcionário do Estado decidiu registar-te como se tivesses nascido naquele outro dia que passou a constar nos teus documentos de identificação oficiais. O poder discricionário do Estado vem de longe talvez mais antigo que o próprio Estado. É como a erva daninha que resiste a tudo para continuar a impor-se no tempo de agora.

Este ano as voltas da vida trocaram-me as voltas e assim neste dia dos teus imaginários 98 anos não iremos os dois comer o nosso "bacalhau à brás" às Termas de Monfortinho. Iremos em outro dia. As lembranças de te ouvir falar sobre o arraial do teu tio Sebastião de Salvaterra do Extremo e daí partires para a enumeração dos primos direitos quer dos Moreira de Salvaterra do Extremo quer dos Andrade de Segura. Dos trinta e muitos que eram só um ou outro ficaram, a quase totalidade partiu em busca de uma vida melhor em outras paragens. Dos que partiram só vocês, tu e a mãe, regressaram. Quando atingiste o dia de te aposentares saíste directo do Posto de Santos para apanhares o comboio em Santa Apolónia com destino à Zebreira. Ah, as lembranças continuam… pai.

Se cá estivesses ainda muita coisa teríamos de falar os dois, muitas coisas inclusive dos teus amigos(?) políticos concelhios que tão diferente são hoje daquilo em que tu acreditavas piamente. O poder e o dinheiro dão a volta à cabeça a muita gente que chega à política sem a formação ideológica do que representa ser socialista ou social-democrata e como os fins justificam os meios servem-se de tudo sem olhar a meios para se garantirem no poder e desse modo criarem uma corte de vassalagem.

Eu sei que te custaria ouvir aquilo que te falo. Tu até foste numa das tuas últimas intervenções/acções votar na concelhia pelo actual Presidente e de novo candidato. Eu sei e não esqueço, pai. Mas como tu já cá não estás digo-te que em oito anos de mandato fora os de vereador, tirando as festas da migas e dos saltos de cavalo, se em Segura não mexeu uma palha na Zebreira não mexeu um dedo. Para eles o Município termina na linha imaginária que estabeleceram de Monfortinho, Penha Garcia, Monsanto, Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova e Ladoeiro. Os que estão abaixo dessa linha por eles decidida são forasteiros, cidadãos de segunda, apenas contam quando se aproximam eleições e aí as promessas e os projectos não lhes faltam.

Lembras-te pai de irmos tomar banho no rio Erges junto à ponte em Segura, de falarmos das condições paisagísticas que o Rio Erges apresenta para se poder fazer um parque com praia fluvial, recuperando a azenha? Pois é pai, aqueles que julgavas serem teus amigos, mais uma vez apresentam um projecto elaborado em Lisboa por adjudicação directa (como se o Município não possua nos seus quadros arquitetos capazes de elaborarem um projecto mais apropriado até). Os de Lisboa ou foram a Segura tirar umas fotos ou consultando o Google apresentam ideias para criarem a ilusão ao pessoal de que já estão a trabalhar com unhas e dentes na realização do mesmo. Projecto elaborado a correr que simplesmente ignora a existência da antiga azenha junto ao rio. Muitas outras conversas iríamos ter pai mas fico-me por aqui já que não te quero desiludir mais do que quando partiste desta viagem terrena.

Há 98 anos nasceu, do ventre de sua mãe, um homem bom; mas mais do que ser um homem bom foi um homem íntegro e honesto com a sua própria condição. Um exemplo de bom pai e melhor avô. Um homem que o passar do tempo não apaga as lembranças que ele semeou e deixou.