E o dia mudou o ano, só isso nada mais que
isso.
Tudo
o que nos mostram de festas e celebrações não passam de criadas
ilusões transferidas e empurradas com a barriga para a frente, para
o futuro que a cada dia está ficando mais incerto do que sempre foi.
Neste
2022 que agora se inicia o ser humano continuará a ser o que tem
sido ao longo da sua existência, pouco ou nada irá mudar na sua
atuação, mantendo-se vivos e atuantes os designados sete pecados –
gula, ganância(avareza), luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade.
O sistema criado pelo designado capitalismo civilizado continuará
com os seu objetivos de gula e de ganância crescente a agravar as
condições de vida de milhões de seres humanos. Os políticos de
todas as tendências ideológicas irão continuar a fazer promessas
que sabem não irão cumprir. Todos irão prometer criar novas
oportunidades, novos postos de trabalho para depois na prática
facilitarem não só os despedimentos coletivos como legislarem
favorecendo sempre os desígnios do capital. Todos irão prometer
lutar contra a pobreza para na prática se curvarem baixando as
calças aos poderosos sem rosto nem alma que controlam o mundo
financeiro. Mesmo o Papa Francisco irá continuar solitário a
pregar ao mundo mensagens humanistas, que a exemplo da sua própria
Igreja os outros poderosos farão “ouvidos moucos” às suas
mensagens humanistas de amor ao próximo.
Por
tudo isto 2022 não irá ainda ser um ano onde a felicidade seja a
eterna companhia de todos os cidadãos. Só por respeito aos que se
iludem desejando um «Feliz Novo Ano» respondo com um «Bom ano
2022».
Há
uma semana celebrou-se a presumível data do nascimento de Jesus para
ao longo da história os homens criarem não só a religião cristã
como outras histórias à volta da sua personagem. Religião que visa
à submissão dos crentes pelo medo do pecado e pela fé da salvação
eterna, conseguindo com a sua difusão e imposição criar tal poder
à volta da imagem de Jesus Cristo e não apenas de Jesus, que
durante séculos lhes deu o domínio sobre os habitantes da Terra.
Depois, talvez mais pela inveja que fomentavam entre si, foram-se
zangando, separando, divorciando, criando com essas zangas e
divórcios o universo das muitas igrejas cristãs que hoje existem
em acérrima luta pela sobrevivência e ou manutenção do poder e
mordomias que usufruem no seio das sociedades.
Ontem
celebrou-se a passagem de ano que nada parece ter de religioso mas
que no fundo da sua essência, no porquê da sua existência, está
representada em êxtase coletivo a celebração da religião
consumista, atualizada pelo sistema atual do capitalismo civilizado,
sem que a mesma necessite da identificação de uma personalidade
para a sua realização e propagação por todos os cantos da Terra.
Na
verdade, o nosso ano muda quando celebramos o dia abençoado do nosso
nascimento e não de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro.
Pela
vida difícil mas honesta que vivemos nas aldeias onde crescemos,
esta celebração da passagem de ano pouco significado teve na
existência da nossa família a quatro e às vezes a três quando o
meu pai estava de serviço. Contando e levando com setenta e uma
mudanças de calendário nesta minha viagem pela vida, foram muito
mais as vezes que no momento do êxtase coletivo, no momento da
mudança do calendário gregoriano já eu me encontrava a viajar nos
braços de Morfeu, num descansar do corpo e de cérebro onde por
vezes os sonhos abrem gavetas que viram pesadelos.
São
sete da manhã levando já hora e meia de acordado e, como a minha
amiga vive mais em função do horário solar do que de calendários
para humanos se organizarem, lá vamos mais ou menos à mesma hora
dar a nossa volta habitual, dando assim início às rotinas habituais
deste dia 1 de Janeiro. Rotinas que são também elas parte da nova
vida de todos os dias do ano com poucas variações.
Que
título irei dar aos escritos que irei escrever em 2022 que agora já
começou? é o que vou procurar encontrar durante o passeio deste
primeiro dia do ano de vinte vinte e dois de século vinte e um em
plena mutação pandémica «sars-cov-2» que um dia viajou de avião
desde a China com passaporte «covid-19» para nos atormentar a vida.