quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

22.01.14


Depois de uma noite bem dormida, levantei-me, tomei banho, olhei a temperatura que o telemóvel indicava para aquela hora e vi que já eram sete horas mas lá fora ainda o escuro da madrugada permanecia. Liguei a televisão num canal público. Ouço excertos, frases acusatórias. Desliguei. Bastou-me ver os comentários que os adeptos colocaram nas redes sociais enquanto o jogo corria e no final depois de terminado o combate. Vi que segundo uns ganhou o António Costa, segundo outros foi o Rui Rio que ganhou. Conclui, eu que não ouvi o debate-combate (nada tenho de pessoal contra os senhores), que devem ter ganho os dois, continuando eu com a minha dúvida: - Será que o país ganhou?

O que é que estes combates de frases pré-fabricadas, ditos pré – eleitorais, trouxeram de novo?

Nem o país nem a política enquanto arte das ideias, beneficiaram ou estarei enganado?

Basta ouvir pequenos excertos desses combates para se concluir que o jogo sério das ideias foi maltratado pelos intervenientes em confronto.

Mas, dia 30 temos o dever cívico de cidadania para expressarmos em voto o nosso sentir face às alternativas que se nos apresentam. 



22.01.13


 Votar não é só um direito. É antes de tudo um dever de educação cívica.

Irei votar mesmo sem ter dado um minuto de atenção aos políticos que aceitaram participar nos debates televisivos. Dez ou doze minutos não dá tempo de debater coisas sérias e importantes para o futuro, cada dia mais incerto. Mais uma vez os novos donos disto tudo impuseram a sua vontade aos políticos. Aos seus protegidos convinha esse intervalo de tempo para a arruaça, para as falsas promessas. Aos outros não restou outra alternativa senão participarem no confronto não de ideias mas de golpes, mentiras e promessas chamadas de populistas.

No dia 30 não iremos escolher diretamente um Primeiro Ministro, desenganem-se. No dia 30 iremos escolher os deputados dos partidos políticos para a Assembleia da República e nada mais diretamente.

No nosso sistema regido pela Constituição votamos diretamente para a eleição do Presidente da República, para a Assembleia da República e para os Órgãos das Autarquias. Nunca votamos diretamente num Primeiro Ministro.

A indigitação do Primeiro Ministro ao Presidente da República cabe à maioria parlamentar que exista na Assembleia da República e nunca diretamente pelo voto direto do cidadão. Foi assim que o político António Costa chegou a Primeiro Ministro, isto é, liderando o seu partido às eleições de presumível ganhador o PS perdeu as eleições, caiu no ringue do combate político e não sofreu KO porque outros partidos considerados por alguns de esquerda extremista e outros de esquerda caviar, num golpe de teatro mas constitucional face ao preceituado na Constituição, não só lhe deram a mão como confiaram que seria o PS melhor solução do que a neoliberal Aliança que tinha obtido mais votos sem maioria na eleição então ocorrida.

Mais uma vez, dia 30, todos os cenários são possíveis. Não nos faltam exemplos na nossa Europa de Governos de alianças e acordos partidários em que por vezes o Chefe do Governo não pertence ao partido político mais votado, antes resultante de acordos parlamentares.

O que estará em causa é a defesa do nosso pobre Estado Social e pouco mais. Que irá fazer o novo Governo com o SNS, com Educação Pública, com a CGD, com a TAP, com a CP, com a EFACEC, com a Exploração do Lítio etc etc.

Não nos faltam exemplos das aldrabices, das mentiras que nos impingiram com as privatizações da EDP, da REN, da GALP que privatizada nos asfixiam o nosso orçamento familiar; a privatização da PORTUGAL TELECOM que deixou de investir na investigação para em mercado de oligopólio com as outras duas empresas nos fornecerem as comunicações mais caras da Europa; o mesmo com a privatização dos CTT cuja privatização em nada contribuiu para melhorar a vida dos cidadãos. E muitos outros exemplos temos infelizmente da aplicação das teorias liberais e neoliberais que nos têm governado.

A Política é uma coisa séria que não se resume a discussão de tasca televisionada, nem pode ser analisada e discutida como se os partidos fossem clubes de futebol ou mesmo desportivos.

Nesta eleição do dia 30 podemos com o nosso voto em urna condicionar a escolha e indigitação que os deputados eleitos para a Assembleia da República irão fazer.

VOTAR é pois um dever, uma obrigação cívica de Liberdade.

22.01.12


Vim de longe mas não sei para onde irei. Andei por caminhos, veredas, estradas e ilusões para poder chegar aqui. Vejo tanta mentira andar à solta que me fecho no meu casulo solitário. A vida é e foi um mar de ilusões onde a verdade sempre andou escondida. Hoje continuam a vender-nos ilusões para que não pensemos nos porquês.

O Sol nasce dos lados da Extremadura cada dia um pouco mais ao lado. Também eu caminho um pouco mais ao lado. Para onde irei não sei. Mas sei que vou caminhando sem pressa porque o tempo é uma constante independente da pressa.


domingo, 9 de janeiro de 2022

22.01.09

Vírus. Sars-cov-2, Covid-19, Delta, Omicron e mais umas novas mutações nos são repetidamente anunciadas hora a hora, com o número de novos contágios quantificados, os números de internados hospitalares e em unidades de cuidados intensivos, assim como de falecidos sempre num tom de voz alarmista para impressionar e meter medo aos fieis que hora a hora os escutam sentados nos sofás. Todos estes números são esmiuçados a preceito por contratados avençados encartados, gente de muita opinião opinativa quase sempre condizente com os interesses do capital que lhes paga, seguindo-se depois as análises e críticas negativas dos costumeiros especialistas da área da saúde alguns alérgicos e outros inimigos do SNS público. Nos intervalos do hora a hora viral ou temos futebol com mais especialistas clubistas encartados sob a capa transparente, mas falsa, de independência clubística ou análises políticas de outros especialistas encartados e a preceito contratados pelos donos do capital envolvido nos tristes e maus órgãos de comunicação existentes cá no triste país que um dia sonhou ser um jardim à beira-mar criado pela mãe Natureza mas que há muito sofre de doença gananciosa destruidora de utopias e sonhos diferenciadores.

Este país não foi nem é para velhos já há muito que se sabe mas está ficando ruim para os mais novos que sonham com um outro futuro mais decente para viverem.

No meu pessimismo vejo jogos de futebol porque gosto da emoção que as peripécias do mesmo criam assim como da arte que alguns artistas desenham no relvado. Já não vejo nem ouço debates políticos e menos os debates eleitorais, assim como as análises político-eleitorais dos tais costumeiros, lá atrás referenciados, logo eu que gosto de uma boa conversa sobre política, recusando-me ouvir “politicos-vendedores-de-promessas” balizados pelos chavões do marketing político atual, insípido e inodoro qual banha da cobra vendida em supermercados de classe média alta, para o pobre crente acreditar que o senhor doutor vai fazer o que promete. Não vou por aí.

Não andando nesse carrossel da vida atual, chegam-me aos ouvidos frases e chavões de promessas populistas, de mentiras descaradas e outras que nunca irão ser implementadas pela atual classe política dominante ao centro uma vez que eles próprios já são produtos híbridos criados nas estufas partidárias implementadas após um longínquo vinte e cinco invernoso.


22.01.08

Sinto teus passos. Olho em redor buscando-te. Apenas vislumbro tua silhueta desfocada. Teus passos se afastam. Fica comigo a tua ausência. Ninguém sabe, ninguém nota. Nem tu saberás por certo. Ouço teus passos distantes. Já não há silhueta. Apenas a avenida dos nossos encontros permanece. 

 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

22.01.06

 


22.01.05 Antigos Combatentes

A pouco e pouco fui-me desligando dos grupos que no facebook se formam à volta dos antigos combatentes e outros que se designam de ex-combatentes. Desde sempre que considero que “antigos combatentes” é a designação correta, porque quem um dia foi combatente não mais pode dizer que não o foi.

Nunca concordei com a política que os diversos governos constitucionais tiveram para todos aqueles que um dia foram obrigados a combater na Índia, Angola, Guiné e Moçambique. Não que estivesse à espera de compensações monetárias, pois dinheiro nenhum paga o tempo de vida que me roubaram. A minha revolta sempre se prendeu com a falta de apoio por parte do Estado a todos os que pelas vicissitudes da guerra sofrem de stress pós-traumático de guerra e, depois de tantos anos da maldita guerra ter terminado ainda são aos milhares. A esta revolta foi-se juntando a outra, pela falta de apoio aos antigos combatentes sem abrigo que vagueiam pelas cidades e vilas, com tantas instalações militares do Estado desaproveitadas, semi-abandonadas. Gente humilde que merecia mais atenção.

Há uns anos um governo de coligação do centro-direira instituiu uma compensação monetária anual para todos os que tenham cumprido o serviço militar nesses territórios em guerra. Na minha companhia todos cumprimos o mesmo tempo de comissão nas mesmas zonas operacionais e alguns recebem os 150,0€ e outros menos do que esse valor. Dizíamos quando nos encontrávamos nos nossos almoços e falávamos destas diferenças que «eram contas à tropa». Agora, este Governo de esquerda-ao-centro lá vai cumprindo com o objetivo que enunciou aquando da sua formação, concedendo aos antigos combatentes ainda vivos algumas benesses em termos de taxas moderadoras e transportes públicos para agora nos dar este pequeno mas significativo pin de reconhecimento.

Quantos dos ainda antigos combatentes vivos das guerras da Índia, de Angola, da Guiné e de Moçambique não doariam a esmola dos 150 euros atualizados este ano, para um Fundo de Assistência aos Combatentes que viveram aquelas guerras e sofrem ainda hoje de stress pós-traumático de guerra, quer para os outros deficientes daquelas guerras? Fundo de Assistência cuja finalidade fosse a prestação da assistência médica devida aos antigos combatentes que ao longo do tempo têm sido simplesmente ignorados pelos Governos Constitucionais.

Quantos não doaríamos esse valor, que nos creditam na pensão de reforma ou de aposentação em Outubro, para um Fundo de Assistência aos Antigos Combatentes gerido de forma independente pela ADFA por exemplo, sem interferência alguma da Liga dos Combatentes, se o nosso Estado fosse uma pessoa de bem que tivesse a confiança dos antigos combatentes que decidissem contribuir para esse Fundo? Podendo o valor doado ser compensado na declaração anual de rendimentos.

E não havendo mais nada a declarar, aos costumes disse nada, ficando-me por aqui...


22.01.05


 Se nos descuidarmos a vida atropela-nos.

Foi a frase que ontem ouvi e gravei na memória. Frase dita por uma jovem numa cadeira de rodas que se recusa a ser deficiente porque apenas se sente diferente. Não anda como a maioria pois não tem pernas, mas esse facto apenas a faz diferente e não deficiente. Uma jovem com uma capacidade muito acima da média que lhe proporcionou ao longo da sua vida estar sempre à frente de muitos ditos normais. Completou o décimo segundo ano na vertente de história para depois ingressar no ISCTE em psicologia, sempre como melhor aluna. Ao apresentar-se na sua cadeira de rodas a concurso num banco foi discriminada pelos examinadores que subestimando-a a puseram a fazer inicialmente a prova de matemática quando todos os outros candidatos faziam prova de português, pensando eles que dessa forma a afastavam de imediato. Enganaram-se rotundamente. A jovem que apenas é diferente ficou em primeiro lugar entre os mais de mil candidatos que se submeteram às provas, sendo admitida. Foi mais tarde dispensada num dos despedimentos em massa que a instituição bancária efetuou. Não ouvi da sua boca qualquer palavra de despeito ou revolta pelo facto.

É a segunda vez que nos encontramos à mesa a bebermos um café numa grande superfície onde vem com o seu pai, meu amigo. Nas duas tardes em que passamos a falar não só das oliveiras, do azeite, dos problemas da agricultura do distante pobre e esquecido interior raiano, assim como dos problemas do país e da vida, nunca lhe ouvi uma palavra de desânimo, uma frase de pensamento menos positivo sobre as dificuldades que a vida lhe coloca pela frente pelo facto de ela ser diferente fisicamente pois que mentalmente o seu pensamento está sempre à frente do nosso. Para acabar estas palavras recordo o ela me dizer que nós para fazermos ou realizarmos uma tarefa apenas pensamos numa forma simples para a realizarmos enquanto que ela para a realização dessa mesma tarefa pensa logo em duas, três ou quatro alternativas para a sua realização.

Despedimo-nos. Eles foram às compras no supermercado e eu voltei a pé para casa pensando nos porquês desta existência, nas injustiças deste sistema, procurando abafar a revolta que crescia dentro do peito.

Sei que não vou ouvir nenhum dos debates televisivos entre os políticos candidatos à Assembleia da República. Raros serão os momentos em que falarão a verdade que gostaria de os ouvir debater.

Irei votar consciente do valor do meu voto, mas não dou tempo de antena a estes curtos episódios de discussão em doze minutos que o poder dos OCS dá aos partidos políticos. Basta-me olhar para os moderadores para de imediato desligar.

Não foi para isto que aos dezoito anos entrei na política participando nos comícios mais da Comissão Eleitoral de Unidade Democrática do que da Comissão Democrática Eleitoral. Não foi para isto que nesse tempo pela calada da noite distribuímos pelas caixas de correio nos Olivais os boletins de voto daquelas forças políticas que se opunham ao regime de ditadura asfixiante da Acção Nacional Popular ex União Nacional. Irei exercer o meu voto consciente, é esse o meu desejo e a minha vontade.

Depois, irei continuar a andar na outra margem da vida na travessia do deserto, mais consciente que nunca que não há Democracia sem a existência livre de partidos políticos. Os mais novos não conheceram felizmente os tempos negros e miseráveis da ditadura salazarista. Muitos das gerações mais velhas podem-se recordar desses tempos de quarenta e oito anos, mas, o atraso económico e social do nosso país tem as suas raízes muito mais profundas. Quarenta e oito anos do regime de Salazar-Caetano é uma gota comparado com os anos que durou no país a ditadura fanática da Inquisição (de 23 de Maio de 1563 a 31 de Março de 1821) com os «irmãos» do Santo Ofício em exercício e para os quais só existia a presunção de culpabilidades sempre que alguém era denunciado, fosse o acusado judeu sefardita, cristão-novo ou outro ser humano desde que tivessem a ousadia de pensar e olhar a vida de modo diferente dos preceitos instituídos pela organização religiosa que dominava quer o clero quer grande parte da nobreza desses tempos. O Marques de Pombal decretou o fim da Inquisição mas a bufaria, o mal dizer ou mais recentemente o prender primeiro acusando antes de interrogar, tem raízes históricas muito profundas as quais ainda perduram no ADN de muitos.

Irei votar mas vou continuar qual ovelha ranhosa tresmalhada a ler e a estudar a história que nunca nos contaram nem o poder atual tem coragem de enfrentar, preferindo apresentar-se em Bruxelas como um dia a nobreza monárquica o fez perante Castela, apenas os tempos e as condições objetivas e subjetivas são diferentes das de então.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

22.01.01


 

E o dia mudou o ano, só isso nada mais que isso.

Tudo o que nos mostram de festas e celebrações não passam de criadas ilusões transferidas e empurradas com a barriga para a frente, para o futuro que a cada dia está ficando mais incerto do que sempre foi.

Neste 2022 que agora se inicia o ser humano continuará a ser o que tem sido ao longo da sua existência, pouco ou nada irá mudar na sua atuação, mantendo-se vivos e atuantes os designados sete pecados – gula, ganância(avareza), luxúria, ira, inveja, preguiça e vaidade. O sistema criado pelo designado capitalismo civilizado continuará com os seu objetivos de gula e de ganância crescente a agravar as condições de vida de milhões de seres humanos. Os políticos de todas as tendências ideológicas irão continuar a fazer promessas que sabem não irão cumprir. Todos irão prometer criar novas oportunidades, novos postos de trabalho para depois na prática facilitarem não só os despedimentos coletivos como legislarem favorecendo sempre os desígnios do capital. Todos irão prometer lutar contra a pobreza para na prática se curvarem baixando as calças aos poderosos sem rosto nem alma que controlam o mundo financeiro. Mesmo o Papa Francisco irá continuar solitário a pregar ao mundo mensagens humanistas, que a exemplo da sua própria Igreja os outros poderosos farão “ouvidos moucos” às suas mensagens humanistas de amor ao próximo.

Por tudo isto 2022 não irá ainda ser um ano onde a felicidade seja a eterna companhia de todos os cidadãos. Só por respeito aos que se iludem desejando um «Feliz Novo Ano» respondo com um «Bom ano 2022».

Há uma semana celebrou-se a presumível data do nascimento de Jesus para ao longo da história os homens criarem não só a religião cristã como outras histórias à volta da sua personagem. Religião que visa à submissão dos crentes pelo medo do pecado e pela fé da salvação eterna, conseguindo com a sua difusão e imposição criar tal poder à volta da imagem de Jesus Cristo e não apenas de Jesus, que durante séculos lhes deu o domínio sobre os habitantes da Terra. Depois, talvez mais pela inveja que fomentavam entre si, foram-se zangando, separando, divorciando, criando com essas zangas e divórcios o universo das muitas igrejas cristãs que hoje existem em acérrima luta pela sobrevivência e ou manutenção do poder e mordomias que usufruem no seio das sociedades.

Ontem celebrou-se a passagem de ano que nada parece ter de religioso mas que no fundo da sua essência, no porquê da sua existência, está representada em êxtase coletivo a celebração da religião consumista, atualizada pelo sistema atual do capitalismo civilizado, sem que a mesma necessite da identificação de uma personalidade para a sua realização e propagação por todos os cantos da Terra.

Na verdade, o nosso ano muda quando celebramos o dia abençoado do nosso nascimento e não de 31 de Dezembro para 1 de Janeiro.

Pela vida difícil mas honesta que vivemos nas aldeias onde crescemos, esta celebração da passagem de ano pouco significado teve na existência da nossa família a quatro e às vezes a três quando o meu pai estava de serviço. Contando e levando com setenta e uma mudanças de calendário nesta minha viagem pela vida, foram muito mais as vezes que no momento do êxtase coletivo, no momento da mudança do calendário gregoriano já eu me encontrava a viajar nos braços de Morfeu, num descansar do corpo e de cérebro onde por vezes os sonhos abrem gavetas que viram pesadelos.

São sete da manhã levando já hora e meia de acordado e, como a minha amiga vive mais em função do horário solar do que de calendários para humanos se organizarem, lá vamos mais ou menos à mesma hora dar a nossa volta habitual, dando assim início às rotinas habituais deste dia 1 de Janeiro. Rotinas que são também elas parte da nova vida de todos os dias do ano com poucas variações.

Que título irei dar aos escritos que irei escrever em 2022 que agora já começou? é o que vou procurar encontrar durante o passeio deste primeiro dia do ano de vinte vinte e dois de século vinte e um em plena mutação pandémica «sars-cov-2» que um dia viajou de avião desde a China com passaporte «covid-19» para nos atormentar a vida.

Em 21 comecei mas em 22 terminei






 (começado em 2021)

A Política e o Estado.

Os políticos e os funcionários públicos do Estado. Fui funcionário do Estado apenas e só durante trinta e nove meses que foi o tempo em que cumpri o serviço militar obrigatório.

A estratégia política implementada pelas forças políticas ao longo dos anos após 25 de Abril, ao procurarem anular o Estado corporativista de Salazar e Caetano não só não o destruíram como abriram caminho à desresponsabilização do próprio Estado.

Os partidos políticos que nos têm governado quer no poder central quer nas autarquias (pequenos poderes) criaram um máquina trituradora que em muitos casos se pode identificar como um "super aspirador de alta voltagem" dos recursos gerados pela fraca economia quer no país como um todo, quer nas regiões onde o "pequeno poder" se afirmou como máquina empregadora de familiares, militantes, simpatizantes, conhecidos amigos e afilhados. Em muitas das autarquias do país a população diminuiu mas "o pequeno poder" instalado não para de aumentar o número dos seus empregados funcionários para a manutenção da sua importância eleitoral, assim como do próprio ego presidencial que tantas vezes se julgam acima da Lei. Neste "pequeno poder" estão representadas todas as formações políticas que conhecemos com representatividade eleitoral e regional. As exceções são isso mesmo, exceções e raras.

Contudo, a maior responsabilidade no estado a que o Estado chegou tem nos políticos do poder central PS, PSD e CDS os grandes obreiros da desresponsabilidade do próprio Estado perante os anónimos cidadãos contribuintes.

Já perdi o conto aos governos que paulatinamente depois de eleitos nos apresentam planos e projetos para diminuição do número de funcionários, como se fossem os funcionários os únicos culpados do estado em que o nosso Estado se encontra. Para implementação desses planos-promessas os que nos governam arranjam processos vários para forçar a saída de funcionários do quadro, quase sempre os mais incómodos ou de mais fracos rendimentos sem olharem à importância que as suas tarefas tem no seio da sociedade, porque o que lhes interessa é a obtenção de rácios para Bruxelas aplaudir, exigindo os liberais de lá, sempre mais e mais rácios que representam mais e mais cortes na pobre estrutura do nosso pobre Estado Social. Saem da estrutura funcionários que se cansaram do desrespeito político pelo seu trabalho ao mesmo tempo que Ministros, Secretários de Estado e Diretores-Gerais de nomeação política, vão admitindo sob o designado “recibo verde” e ou através das famigeradas empresas de trabalho temporário, os seus familiares, amigos e conhecidos políticos, muitas vezes sem curriculum nem experiência com remunerações contratuais ofensivas para os outros funcionários públicos que levam anos de trabalho não só de saber fazer como de saber decidir sem que a sua situação seja revista. Diminuem os funcionários do Estado mas aumenta a despesas com o pessoal sem que os funcionários que resistem tenham a sua situação remuneratória revista. Tudo pela via dos contratados familiares, amigos e jovens das estruturas das juventudes partidárias.

A célebre "cunha" da pequena corrupção salazarista transversal ao Estado Corporativista de Salazar-Caetano como que se democratizou e qual vírus infeccioso continua a expandir-se em progressão geométrica nas estruturas do sector público e empresarial do Estado, tomando várias formas, consoante os políticos que nos têm governado, sempre com palavras redondas de novos planos de múltiplas saídas e de tristes resultados.

Felizmente, quer na Saúde pública , quer na Educação pública e em todos os Organismos do Estado, ainda há muitos excelentes funcionários que indiferentes às asneiras, às injustiças, às sacanices cometidas pelos governantes e seus nomeados agentes, continuam zelosamente a exercer a sua função de funcionários públicos para bem dos cidadãos em geral.

Paulatinamente os partidos que nos têm governado depois do vitorioso vinte e cinco invernoso, criaram a máquina infernal que hoje usufruímos, que há muito deixou de respeitar os cidadãos para agora obrigarem os mesmos cidadãos a recorrerem à frieza da tecnologia de informação quando necessitamos de esclarecer alguma dúvida, algum assunto. Se ainda há bem pouco tempo quando nos dirigíamos a uma repartição publica na esperança de resolver um problema, saíamos de lá sem o problema resolvido e com mais dois ou três problemas, agora por vezes só nos resta a solução de dar um murro no telemóvel ou no tablete ou um pontapé no computador acompanhado de um chorrilho de nomes aos filhos da outra que com paleio de puta nos convencem que defendem o Estado Social modelo Europeu e nos põem possessos a olhar para ecrãs tão frios que só criam revolta.