É a
TAP é uma empresa que voa, anda no ar, de crise em crise voando.
Desde que nasceu sempre foi de milhões, atravessando as crises
constantes consumindo milhões
É a
TAP é uma empresa que voa e com ela voam milhões de impostos dos
cofres públicos
É a
TAP uma fonte de discussão sobre a sua existência, a necessidade do
país de ter uma empresa de viação bandeira, etc.
É a
TAP uma necessidade para políticos e gestores vaidosos, para os
quais milhões são como trocos de tostões
É a
TAP uma empresa geradora de postos de trabalho, diretos e indiretos.
Uma empresa criadora de desigualdades salariais gritantes entre os
postos de trabalho que cria e dela estão dependentes muitos
trabalhadores
É a
TAP uma empresa de serviços que gera números de receitas e
exportações para mascarar contas públicas e rácios que os
liberais de Bruxelas impõem, aos servos governantes de alguns países
É a
TAP uma empresa de vaidades, geradora de conflitos pessoais e
políticos, que nos mostra como podem voar milhões sem qualquer
contrapartida para o erário público, só vaidades de roupa mal
cheirosa nos vem dando ao longo do tempo, não só agora infelizmente
É a
TAP uma empresa que voa mas não cria bens transacionáveis geradores
de riqueza pelo valor acrescentado neles incorporados. Até parte da
manutenção já é subcontratada a outras empresas privadas (tais
postos de trabalho indiretos)
É a
TAP uma empresa que voa transacionando milhões, que vão voando uns
para outros continentes e muitos outros do erário público
sublimam-se voando produzindo poluição atmosférica e guerras
políticas de alecrim e manjerona
É a
TAP é uma empresa que voa e com ela voam milhões de impostos dos
cofres públicos.
Neste
mundo globalizado de capitalismo muito mais selvagem do que
humanista, onde já vale tudo, incluindo tirar os olhos, a não
existência da TAP iria causar algum sismo nas nossas contas
públicas?
Não
seria o espaço económico e comercial, possivelmente ocupado por
outras empresas de viação? que por sua vez iriam manter ou criar
postos de trabalho complementar, como hoje já acontece?
Quantos
funcionários, por categoria profissional da TAP, que foram
despedidos ou saíram por mútuo acordo estão no Fundo de
Desemprego?
No fim
iremos sempre chegar à especialização do trabalhador, do
funcionário. Os mais competentes sempre encontram trabalho, deixando
para trás o grande exército dos menos competentes.
Competência
não se dá por qualquer diploma, de escola, instituto ou
universidade. A escola, os institutos e as universidades formam, dão
competência do saber de sebenta (livros) ajudando por isso os
estudantes para na vida pratica poderem ser competentes.
A TAP
que para além dos milhões que consome para se manter em terra e no
ar, é dia a dia tema para telenovela de milhões de minutos
cozinhados nos canais televisivos, onde todos os servos-papagaios e
todos os vaidosos falam, num jogo do gato e do rato que começou por
um problema interno de saias, saltando para a praça publica onde se
cometem julgamentos populares a torto e a direito, numa triste imagem
de como desavenças internas de um governo fraco e sem bússola tem
tantas toupeiras no seu interior.
No
final a TAP irá de novo para a gestão do capital privado, porque os
acólitos neoliberais de Bruxelas mandam e os servos governantes
liberais cá do burgo obedecem sem levantar ondas procurando tapar o
buraco com uma peneira velha e gasta.
Exemplos
de competência temos na nossa história recente. Egas Moniz, prémio
Nobel de medicina à época, licenciou-se com média de 10 valores;
Saramago, prémio Nobel da literatura não tinha formação
universitária; Camacho Vieira durante muitos anos médico da seleção
nacional e do Belenenses, eminente ortopedista, quando terminou a
especialização na U. Coimbra com 11 valores, teve que vir para
Lisboa trabalhar porque não o aceitavam em Coimbra; Salvador Caetano
tinha apenas a terceira classe; Américo Amorim ficou-se pelo sétimo
ano do liceu; Rui Nabeiro a escola primária, começando a ajudar os
pais aos 12 anos.
Claro
que há muita gente competente na vida profissional que também foi
competente e de excelência nos estudos, mas nem sempre os que
estudam são competentes na vida pratica e real. Aqui não nos faltam
exemplos de tantos políticos e seus amigos que dão mostras da sua
incompetência e lá continuam a mandar e a decidirem sem
competência.
A
designada quarta revolução industrial do capitalismo apresenta
necessidades no saber e saber fazer para o futuro amanhã, que só um
bom sistema educativo pode amortizar as dificuldades que a mesma está
a colocar hoje e se vão agravar amanhã. O país infelizmente não
possui esse sistema educativo de excelência. Vendem-nos a ideia
falaciosa de que temos a geração mais bem preparada (tretas da
classe burguesa dominante) o que na pratica se verifica que não é
verdade, apenas só mais um slogan do marketing político de quem nos
vem governando.
Não é
preciso ser licenciado, mestre ou doutorado, intelectual ou outra
coisa, para olharmos os livros de ensino primário dos netos e
ficarmos qual jumento a olhar o vazio, procurando encontrar a lógica
de tais manuais.
Volta à
ideia que logo após o 25 de Abril criou e sempre como agora afirma:
«foi um erro primário e crasso o acabar com as Escolas Industriais
e Comerciais, que tantos jovens trabalhadores especializados
forneceram à economia do país. Não somos, nem temos de ser todos
iguais para aprendermos todos por uma única cartilha de ensino». A
cartilha única de ensino com as suas nuances, não é hoje melhor
que o antigo “livro único” do regime do Estado Novo.
Das
Escolas Técnicas saiam “Trabalhadores Especializados” que tanta
falta fazem à economia do país.
Vou
acabar com este azedume, em que comecei na TAP e acabo na qualidade
de ensino, embora «isto anda tudo ligado». A vida económica do
país é também ela uma matriz de vasos comunicantes complexos de
muitas variáveis e dúvidas.