domingo, 4 de junho de 2023

17.05.23

 

Pela primeira vez vejo andar no quintal um melro e uma popa. Não me lembro de alguma vez ter visto estas aves procurando alimento na terra do quintal.

O ano vai mau para tudo. A falta de chuva a todos e tudo afeta, exceto, os “papagaios-televisivos” que ao segundo pingo de chuva falam logo em mau tempo, quando a chuva caindo de forma compassada é uma alegria para todos aqueles que sentem a Natureza na sua forma mais pura.

Eu gosto de chuva. A chuva a bater nos vidros ou no telhado é uma música única original sem pauta nem metrónomo.

Todos os dias vejo as previsões do tempo na esperança que possa estar prevista a sua chegada, adiando sempre a esperança. Enquanto isso vou vivendo e olhando como a Natureza produz coisas que fixo num clik de telemóvel com a minha amiga sempre irrequieta a querer cheirar tudo

17.05.23

Pela quarta vez lê as folhas escritas que lhe enviou. Depois, deixa-as em ordem no sofá como as imprimiu. Olha-as antes de se deitar ainda pensou em arrumá-las em outro local, mas deixou-as ficar, talvez volte a lê-las de novo, ou não.

Arrumou a tonelada de lenha de azinho que comprou há dois anos. Quando acabou era hora de preparar o almoço. O cansaço pedia qualquer coisa fresca, tirou umas cascas finas a um limão, colocou-as num copo grande que comprou, onde despejou um pouco de gin, adicionando-lhe uns cubos de gelo e água tónica. Enquanto almoçava o bacalhau com grão que lhe tinha sobrado de outra refeição ligou o aparelho de televisão. Os vizinhos espanhóis continuavam a noticiar os diálogos que viu de manhã entre a oposição e o governo, principalmente entre os populares, os falangistas e os socialistas, com a porta-voz do partido basco a intervir também. Problemas que lhe fizeram vir à memória o grande livro Pátria de Fernando Aramburu que leu no final do verão passado. Como tinha visto o debate enquanto tomava o pequeno almoço passou de imediato para a RTP3 que noticiava a visita dos inspetores da Autoridade Fiscal aos três clubes designados grandes, Sporting, Benfica e Porto, não se admirou mas estranhou pois não tem sido hábito da AT passar para os órgãos de comunicação as visitas que faz na sua atividade de fiscalização seja a clubes de futebol seja a grandes empresas, mas ao aparecer no ecrã o comunicado logo viu o porquê, “DCIAP”. Aquilo metia os costumeiros justiceiros que gostam de dar matéria aos amigos da comunicação, como se uma visita de inspeção fosse alguma condenação judicial. Quando viu o advogado que se prestava a comentar o caso de imediato carregou no botão off e desligou. Um advogado que pertence a uma sociedade que é das mais importantes especialistas à fuga de impostos e à transferência para off shores de dinheiros, a comentar a visita dos inspetores da AT num canal da televisão publica referente ao que parece a um processo que corre no ministério público e que já tem barbas mais brancas que as suas, não é para a sua paciência.

Já ontem lhe aconteceu situação idêntica ao ligar o aparelho de televisão, onde uma senhora que dizem ser ministra da agricultura sobre o problema de seca que o país atravessa, lá debitava o terço de rever subsídios aos agricultores, incluindo o do gasóleo, assim como pedir, sempre de mão estendida, aos burocratas liberais sem alma em Bruxelas, desligando de imediato pois fica com os nervos à solta com o que a senhora que dizem ser ministra da agricultura, debita quando fala.

Pouco ou nada sabe de agricultura. Sabe que a célebre PAC defende sobremaneira os interesses das grandes empresas agrícolas de França, Alemanha e Norte de Itália. Sabe que sem água não há vida, não há agricultura, não há aves, não há animais nem florestas, não existira biodiversidade tudo irá secar, morrer como hoje não conhecemos.

Os campos precisam de água para produzirem os bens alimentares que comemos, mais do que encher barragens para fornecer às cidades. Sabe que não pertence a nenhuma organização política ou corporativa agrícola, mas sabe de certeza que subsídio ao gasóleo não cria palha para os pequenos e médios agricultores darem de comer ao gado bovino, caprino (cabras e ovelhas). A senhora a exemplo de anteriores políticos que se intitulam ministros da agricultura, só sabem prometer pedir a Bruxelas autorização para subsídios, muitos deles complexos e burocráticos.

Os agricultores que têm gado, sabem que a senhora não pode fazer chover para as ervas renascerem e o gado as comer, mas sabem que o feno não cresceu, e a palha é um bem raríssimo não existindo no mercado português e espanhol. Precisa-se urgentemente que se encontre quem possa fornecer o mercado de palha a preços não especulativos.

Será que esta necessidade é sentida pelos políticos da agricultura? 

 

Cheguei há três dias. As televisões raramente as ligo. Uma delas ainda nem a liguei à corrente elétrica. A da cozinha ligo-a ao pequeno almoço e ao jantar alguns minutos. Nesse pouco tempo prestei atenção à TV E na sua reportagem sobre o mau ano que os vizinhos anteveem para o olival e consequente produção de azeite para o próximo ano. Tudo pela ausência da chuva que teimou em não cair a preceito moderado na sua época.

Por cá não sei o que dizem os responsáveis, sejam políticos ou representantes de associações corporativas, preocupados que andam os políticos em só agora saberem da seca que já leva anos a falta de chuva agravando a situação ano após ano.

Aqui, o sistema TDT chega-me, até porque com a idade vou ficando mais conservador e teimoso, pelo que não sinto necessidade de ter muitos canais informativos de pensamento único, onde o que varia é a forma como os “servos-papagaios” articulam as palavras. Não sou grande cliente de canais privados. Como sou obrigado a pagar uma taxa para a RTP, essa empresa chega-me ou chegar-me-ia se os seus dirigentes políticos e gestores me merecessem respeito; como os gestores são de qualidade duvidosa alinham pelo mesmo nível da fraca qualidade dos canais privados, por isso não nutro por tais individualidades qualquer respeito, não lhes dando mais tempo de antena do que o estritamente necessário para ouvir notícias e algum outro raro programa. Alguma rádio é suficiente para ir vivendo.

Pela Internet vou sabendo do que vai acontecendo no país assim como no mundo designado por ocidental com o futebol, a guerra lá pela Ucrânia, a luta de baixa política entre governantes e opositores internos, depois aconteceu a coroação de um novo rei, mas como sou republicano essas cenas monárquicas pouco me dizem, respeito-os e sigo o meu caminho.

Agora neste dias foram as peregrinações, religiosa a maior, mas a do futebol é mais duradoura. Já fui religioso, hoje tento compreender o fanatismo da fé qualquer que seja o credo religioso, relembrando a frase de um antigo padre católico "Deus na sua transcendência a todos quer bem", e sigo o meu caminho.

Quanto ao futebol, o capitalismo que sempre busca novas formas de negócio viu no mundo do futebol uma máquina poderosa de "lavar dinheiro sujo" fazendo dos artistas da bola novos escravos, onde alguns são escravos-ricos, outros escravos-milionários e a grande maioria dos artistas da bola simples escravos-iludidos no sonho da vida fácil que o dinheiro que corre nessa mal designada industria lhes pode proporcionar. Depois há os oficiais e oficiosos cartilheiros a acompanharem “papagaios” na difusão do boato, da dúvida que potência o fanatismo-clubite transformando-o numa nova doença social, que divide e cria inimizades entre amigos e mesmo entre familiares, mostrando como a sociedade que ajudámos a criar se encontra anémica e doente, nas mãos de gente sem rosto nem alma.

Sou um ramo de uma árvore que um dia o amor entre cristão-velho e cristã-nova gerou, graças ao Marques de Pombal que acabou com mais essa ignóbil lei criada pelo fanatismo religioso apostólico romano, a Inquisição. Educado no modelo tradicional do Estado Novo, não tenho medo nem vergonha de dizer que não gosto dos princípios muçulmanos, respeito-os em sentido lato mas não gosto. Como tal nunca simpatizei com Ergodan. Não sei se ganhará à primeira, à segunda ou não. Chamou-me a atenção a publicidade ocidental ao líder da oposição a Ergodan. Perguntei à minha sombra o porque, que a sorrir me disse, ser agora Ergodan pessoa não grata no seio da NATO pela posições e medidas que tem tomado no conflito que a NATO tem com a Rússia na Ucrânia. Talvez seja isso. Talvez as notícias que chegam fora do pensamento único vigente, noticias que retratam uma aproximação entre a Turquia e a Síria, assim como o Irão com a Arábia Saudita, tenham feito soar o alarme no seio dos estrategas geopolíticos que mandam e querem decidir sobre o futuro agressivo da NATO na Ásia Menor.

Na guerra em curso mantenho que ainda estava longe a madrugada de 22 de Fevereiro 2022, já a Verdade tinha desertado para bem longe dalí. Hoje a ilusória democracia ocidental censurou vídeos que estavam na net que retratavam não só o que se passou no golpe de estado de 2014 em Kiev, como os desenvolvimentos seguintes de apoio às milícias nazis patrocinadas e ou consentidas pelos que a mando dos americanos estam no poder na Ucrânia. Ao publicar umas fotos dessas milícias nazis logo o algoritmo censor do Facebook me silenciou por vinte nove dias. Não gosto de milícias privadas, sejam elas Azov, Setor Direita ou Wagner, todas integram mercenários nazis amantes da pureza da raça. Sou contra esses pequenos exércitos privados, os quais representam para a minha opinião um retrocesso civilizacional, fazendo lembrar tempos da Idade Média em que nobres e bispos tinham exércitos mais poderosos que o próprio rei. Mesmo sendo eu um quase nada, sou um defensor do Serviço Militar Obrigatório, adaptado à realidade do tempo em que se vive. Um país para ser Livre e Independente não deve, não pode estar sujeito a caprichos de milícias privadas.

Aqui onde a fronteira está a um salto, a televisão "tdt" mantém o seu estado normal, a hibernar. Não fosse este pequeno aparelho e nem sabia como ia o mundo noticioso do pensamento único ocidental.

Há sempre coisas a fazer embora este velho corpo já não apresente disposição para grandes trabalhos físicos que quando executados logo aparecem umas dores a dizerem-lhe que passou o limite do sinal vermelho.

Ontem ao limpar as videiras e as ervas que as rodeiam lá vi a muda de pele de uma cobra. O que ela andou a fazer por aqui, nem imagino, a não ser que tivesse vindo ao ninho que os pardais fizeram na caleira junto à parede, não sei, nem imagino.

Vou dar o passeio matinal um pouco mais cedo. Vou olhar as oliveiras na Balasca, embora não sejam os meus olhos especialistas em ver já o pequenino fruto das mesmas, mas a "chora" nos ramos a secar não é bom prenúncio. A chuva fez muita falta para tudo.

Fui e vi que tenho lá trabalho a fazer, pois as oliveiras estão com muitos “ladrões” (rebentos na base, junto à terra). Não contava com este petisco, mas lá terei de os ir cortar.

Depois de acabar as coisas aqui no quintal, vou para lá ou deixo a limpeza para a próxima vinda já que na Horta da Corona há trabalho idêntico para fazer.

Outro alguém diria que, como aquilo não é só meu os outros que limpem também os tais ladrões, mas dos vários herdeiros só eu é que venho cá e tenho tratado delas, pelo que enquanto o corpo deixar e puder irei cuidar do chão. Tenho sempre presente que para o meu pai a oliveira era uma árvore sagrada. Qualquer daquelas oliveiras é muito mais velha que eu, resistindo aos muitos anos de seca, de calor tórrido, de frio gelado e até de quase abandono antes de me virem entregar os chões do meu tio João Capelo.

Depois do pequeno almoço, torrada com manteiga e alho esmagado, fui até à praça em Idanha-a-Nova, pagar ao João o que ontem lhe fiquei a dever das coisas que lhe comprei, passando depois pelo talho para comprar umas morcelas, umas costeletas de porco e como tinham lá fígado de vaca comprei umas três iscas, para grelhar a acompanhar com a morcela.

No regresso passei na fonte dos Tourinhos para encher uns garrafões de água para beber. A Junta de Freguesia em vez de mandar analisar a água, mandou colocar lá um aviso de "água não controlada" isentando-se desse modo a qualquer futura responsabilidade já que o medo está sempre presente no mundo noticioso deste nosso pobre país, havendo quem ache que o lavar da responsabilidade como um dia conta a história que um tal romano fez pela antiga Judeia, seja o melhor para as populações que os elegeram para cuidar dos seus interesses públicos, onde as fontes pelo papel que desempenharam no passado são um bem publico e nunca um problema.



 

12.05.23

Vim para o meu canto mais depressa do que nas viagens anteriores costumava andar. Vinha com alguma esperança. Chego a casa e levo um murro na esperança. Em vez do que esperava um outro aviso como que a dizer que o enviado foi devolvido. Porque? Não sei! Caí sentindo uma escuridão à minha volta, como que a querer tomar conta de mim, mas não vou ficar deprimido, a vida segue e com ela a força da vontade de a ir vivendo serenamente em busca da paz interior.

Há muito que vivo só. Mesmo acompanhado vivo só, ninguém quer saber dos meus sonhos de uma sociedade mais decente. Mais só ou menos só, só irei continuar, os meus sonhos, os meus desejos, são apenas e só meus, pelo que, só ou acompanhado não deixarei de desejar o bem a quem quero bem.

A vida é uma matriz de muitas batalhas, tendo agora a paga do que fiz e não deveria ter feito quando jovem; não me posso queixar. Cada um é responsável pelas suas atitudes, assumindo as consequências sejam elas imediatas ou demorem a chegar. Não vivo fugindo delas.

De qualquer modo hoje senti-a a casa mais vazia ou fui eu que fiquei mais vazio? Não sei! A vida continua à minha espera, fazendo eu por merece-la.

Os sonhos vão continuar a viver comigo. 

 

sábado, 3 de junho de 2023

11.05.23

Já li o artigo do DN sobre a guerra e os russos.

Os historiadores olham sempre os factos de acordo com a forma como veem o mundo.

Putin, goste-se ou não é o líder de um grande país em extensão, em riquezas naturais, em história mas pequeno em população, se comparado com outros países de dimensão menor.

Não é Putin flor que se cheire, muito menos que se convide para uma festa de amigos. Também não é Putin um comunista, como os da velha guarda soviética, antes um amante do capitalismo selvagem. O seu maior inimigo e maior partido de oposição interna são os comunistas.

Não creio que mesmo com todo o arsenal nuclear que dizem ter, possa desencadear uma guerra nuclear.

Eu leio gente que defendem Putin, leio e ouço gente que lhe chamam o pior que há.

Historicamente a Ucrânia como país independente, foi um pequeno pequenino país por poucos anos. A Galícia província que é quase ¼ da atual dimensão sempre foi reclamada pela Polónia. Cá em baixo junto ao mar negro o território da Moldávia (outra criação dos soviéticos após a vitória na II Guerra) é reclamada por Romenos e Húngaros. Antes a Moldávia não existia. Muita da configuração atual da Ucrânia é obra dos soviéticos que nas suas estratégias lhe foram acrescentando regiões como o Donbass, a Crimeia e terras da Transnístria incluindo Odessa.

Grande parte da população na Ucrânia era bilingue falavam as duas línguas ucraniano e russo, sendo que na região do Donbass a grande maioria só fala russo.

Antes da guerra começar havia no YouTube vídeos que retratavam a situação antes de 2014, durante e depois. Hoje a censura ocidental não os deixa ver. Havia um feito por um jornalista francês de nome Campos Moreira para o Canal Plus que não deixava dúvidas da natureza do novo regime ucraniano, nem do apoio que as milícias nazis ucranianas recebiam.

Sou pela paz! Para mim quer Putin, quer Zelinsky são iguais, não prestam. Depois, há outros fatores geoestratégicos que me ultrapassam, sabendo eu por ter aprendido à minha custa que muito antes do primeiro tiro ser disparado já a VERDADE tinha DESERTADO daquele conflito.

Leio e ouço, mas não acredito no que dizem, tendo sempre as minhas reservas ao que leio e ouço sobre o conflito que os Estados Unidos-NATO tem com a Rússia nas terras da Ucrânia.

O que vi até agora foi o avanço dos russos e quero crer que os russos, não só Putin, querem os territórios que os bolcheviques deram à Ucrânia, e quero acreditar que ficarão por aí, mesmo que a Ucrânia faça posteriormente parte da NATO.

A Finlândia que historicamente andou sempre em guerra com os russos, estabelecendo em meados do século XX um acordo de não agressão mutuo que ambos os países cumpriram, agora decidiram os governantes finlandeses entrarem para a NATO e para tal construíram um muro de fronteira. Os russos em resposta de imediato colocaram na fronteira com a Finlândia ogivas nucleares de última geração que em menos de 5' destroem a capital Helsínquia.

Sou pela Paz. A guerra só trás desgraças. 

Sempre fui um não alinhado com os antigos blocos militares e atualmente com os interesses imperialistas, sejam eles americanos, russos ou chineses. Repito, Não gosto dos imperialistas, sejam russos, americanos ou chineses, a ordem é arbitrária

 

10.05.23

 

Acordei e senti a revolta a querer instalar-se. Lutei e mandei-a embora, pois nada adianto em revoltar-me contra o estado em que vivemos. Este país não é para velhos há muito, talvez mesmo há uns quarenta anos que vejo isso. Mas não é isso que me facilita a chegada da revolta, o pior mesmo é ver que o país está dia a dia a não ser também para os mais novos.

Os militares deram-nos a Liberdade e a Democracia, entregando depois o poder à sociedade civil através da “Nova Ordem Democrática”, onde pontificavam políticos-estrangeirados e antigos barões do regime anterior, todos, uns e outros, vestidos de bons fatos democratas, reclamando-se todos eles defensores da social-democracia em moldes à portuguesa um pouco diferentes.

Nova gente constituinte de uma nova «nobreza» de chancela democrática governando em alternância, metendo na gaveta dos fundos, em arquivo esquecido, os princípios programáticos dos seus programas ideológicos quando receberam o poder por parte dos militares, decidindo o destino do país. Com discursos de boas falas mais ao centro-esquerda ou mais ao centro-direita, ambos em alternância governativa, com paleio moderno e modernista incutindo a necessidade de termos que ser pragmáticos, foram entregando o nosso destino aos liberais bruxelianos sem alma, aos credores especuladores financeiros, sejam o BCE, o FMI ou os fundos sem fundo que especulam nos mercados, passando nós a vivermos internamente um vida ilusória, sustentada por uma dívida pública que não para de aumentar, sempre de mão estendida perante os liberais bruxelianos.

Está o país entregue a uma nova classe de nobres insolventes sem princípios éticos e morais.

E quando assim acordo, vou à estante procurar poemas de quando era jovem e cujos livros os conseguia arranjar em livrarias amigas que os tinham fora da vista da bufaria reinante, livros proibidos, como tal não aconselháveis às boas famílias amantes do salazarismo e tementes à religião.

09.05.23 SNS

Na sala de espera no terceiro piso de Santa Marta espero que o meu número apareça no ecrã para consulta de cardiologia a pedido da médica de família.

De novo, como aquando da última consulta em Vila Franca de Xira, de manhã se instalou no peito um tipo de ansiedade quase medo, que nunca tinha sentido antes. Vamos ver se as notícias são como foram as de urologia, mas até entrar no gabinete do médico vou sentir este aperto ansioso. Coisas que a idade trás.

Para passar o tempo nada melhor que escrever ou ler. Como não trouxe nenhum livro, escrevo.

Logo de manhã na volta matinal pensei nos três milhões e tal de vacinas “covid” que foram para o lixo.

Aqui há uns anos atrás o Planeta foi invadido pelo medo da gripe das aves. A nossa comunicação social esfregou as mãos de contente, tinham matéria da boa para difundirem aos sete ventos o medo e ao mesmo tempo atacar o SNS na pessoa da Ministra da Saúde de um governo do PS.

Sem grande histórico e pressionados trinta e seis horas em vinte em quatro de um dia, o Governo encomendou milhões de vacinas para fazer frente à terrível gripe das aves. Felizmente a coisa não foi tão grave como se chegou a temer. Dos milhões encomendados, salvo erro, dois foram para o lixo, com a comunicação social a fazer nova novela criticando cálculos das previsões e posteriormente os gastos gerados.

Nesse tempo cada país da UE tinha que adquirir as suas vacinas e felizmente as piores previsões para a saúde pública não se comprovaram, daí as que se tiveram de inutilizar.

Em 2020 a situação é diferente. A OMS decretou a situação do vírus "sars-cov 2" como pandemia. Inicialmente não havia antídoto para o malvado vírus. O número de mortos por ação do malvado, todos os dias aumentava, os hospitais lotados, os profissionais de saúde à beira do esgotamento numa luta titânica ao serviço do SNS, enquanto a medicina privada se recusava a colaborar. Os da UE, perdidos nas medidas a tomar, decidem depois de muito discutir que as vacinas que acabavam de serem aprovadas pelo organismo competente, fossem negociadas de forma conjunta, isto é, adquiridas pela UE e não por cada um dos membros.

O pânico e o medo de braço dado dominavam na sociedade com os políticos a fecharem as populações em casa. Li que a senhora que está a frente da UE terá estabelecido com o laboratório Pfizer a intenção de compra de dez doses por cada cidadão da União Europeia. Pfizer é o laboratório onde o marido da senhora trabalha, coincidências, a que não é alheio o processo que o laboratório "AstraZeneca" interpôs contra a UE por a senhora ter unilateralmente rasgado o contrato que a UE tinha estabelecido com eles, passando a privilegiar a Pfizer.

Ainda apanhei a segunda dose, mas já não compareci para a toma da terceira dose. A senhora e os seus vassalos que se lixem, que nós cidadãos portugueses e europeus para além de andarmos a pagar os desfalques que os vigaristas do sistema financeiro fazem nos bancos privados, estamos a contribuir para o roubo (lucro) que a empresa onde o marido da senhora trabalha está a arrecadar à custa de um vírus. Empresa a que muitos apontam o dedo de estar na origem da propagação do vírus por um erro voluntário ou involuntário nunca se irá saber no seu laboratório localizado na cidade chinesa de Wuhan . Coincidências só coincidências.


Na consulta o médico especialista de cardiologia do Hospital de Santa Marta não viu nada que necessitasse de intervenção para já. Contudo prescreveu-me uma prova de esforço a realizar no hospital, informando-me que a mesma poderia demorar uns meses a sua realização. Depois de efetuar a prova seria marcada nova consulta para ele poder analisar melhor a situação. Cumprimentando-o saí do gabinete e desço ao piso um para tratar então das marcações.

Tiro nova senha e aguardo a chamada. Entrego os papeis no guiché e a senhora que me atendeu perguntou-me se o médico tinha pedido urgência para o exame, encolhi os ombros dizendo-lhe que ele me disse que poderia demorar meses. Então a senhora disse-me se eu queria fazer o exame ainda este mês, pedindo-lhe educadamente que seria melhor para o mês de Junho, porque quero ir uns dias à Beira Baixa. Já tenho a prova de esforço marcada assim como a próxima consulta, no mês de Junho porque eu pedi senão ainda poderia ter a prova de esforço feita este mês.

E andam tantos “papagaios” nos órgãos de comunicação social televisiva e escrita a dizerem mal, a falarem cobras e lagartos do SNS.

Santa Marta é um Hospital Universitário num edifício antigo, que talvez aguarde pelo sempre falado e esperado novo Hospital Oriental de Lisboa que já leva quarenta anos de promessas e projetos.

A esta situação junto o que me aconteceu com a minha médica de família aos prescrever-me vários tac’s também me disse que os mesmos poderiam demorar alguns meses a realizar. Passado cerca de 15 a 20 dias após a consulta tinha os relatórios dos tac’s efetuados na minha mão.

Daí, concluir que anda muita gente a ver televisão e a deixar-se ir na conversa dos “papagaios” e “servos” que por lá andam lançando o medo na população, inimigos convictos que são do Serviço Nacional de Saúde publico.

SNS que vai funcionando contra tantos inimigos do Estado Social, em grande parte devido aos profissionais da saúde que nele trabalham e por ele sofrem condições de trabalho que mereciam melhor atenção e condições por parte dos vários governantes.

Bem hajam, todos os profissionais que contra ventos e marés aguentam o Serviço Nacional de Saúde, onde fui sempre bem tratado. 

(fotos obtidas na net)

 

09.05.23

Goste-se ou não se goste, factos históricos são factos, embora haja seres mesquinhos e repelentes que gostam não só de plagiar como de reescrever adulterando factos históricos.

Indiferente à falta de moral e de ética desses seres, reza a verdade que:

"Em 1945, neste dia 09 de Maio o exército nazi, acurralado em Berlim e depois do suicídio de Adolf Hitler, assinou a redenção incondicional às tropas do Exército Vermelho da União Soviética, data que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial no continente europeu"

Só é possível celebrar neste dia 09 de Maio o dia da Europa, graças aos milhões de mortos russos e à valentia heroica dos sobreviventes russos que repeliram a besta nazi de suas terras, perseguindo-a até a derrotarem no seu próprio coração, Berlim, fazendo a besta nazi assinar a redenção incondicional e desse modo terminar o maior flagelo que a Europa conheceu até aos dias de hoje.

Já muitos anos antes no tempo dos czares tinham os russos derrotado e destroçado o grande e imperial exército de Napoleão Bonaparte quando este invadiu as suas terras, demonstrando a história que nem sempre os exércitos mais avançados em engenharia de armas ganham as guerras.


(foto obtida na net)

 

08.05.23



Ano a ano as praias da costa marítima vão perdendo areia, mas que importa isso comparado com os investimentos que os projetos urbanísticos de betão tem para a orla marítima?

Ano a ano do céu cai menos chuva e a que que cai é de forma irregular e inconstante. A designada época de chuvas já não é garantia de chuva.

Ano a ano há ribeiros em cujos leitos à agua deixou de correr, há rios que eram afluentes de outros maiores que pelo pouco caudal que apresentam deixaram de ser considerados afluentes.

Ano ano a fome de água das chuvas aumenta. As terras a sul do Rio Tejo sofrem mais com a falta de chuva, mas, menos a norte do Rio Tejo a falta de chuva vai criando dificuldades quer na agricultura quer no abastecimento de água às populações

Mas que interessa a situação de seca se o Presidente vai falar ao país, depois do Ministro ter pedido a demissão e do Primeiro Ministro ter comunicado que não aceitava a demissão, como se essa zanga de compadres-políticos resolvesse o problema da falta de chuva para a diminuição da seca instalada.

Meio saturadas as teorias da conspiração contra o Governo por causa dos problemas de gestão que uma guerra de saias originou na TAP, há agora «papagaios televisivos» que descobriram que a seca existente no país há anos, poderia ser tema para nova novela na sua cruzada de difusão do medo, dando voz e tempo de antena aos que sempre dizem mal apontando novas criticas ao Governo como se o mesmo fosse o único culpado de as nuvens passarem e não deixarem a água que as forma cair por forma a minimizar a seca que vai no país.

Depois, lá aparece uma senhora que no Governo ocupa a pasta da Agricultura sem jogo de cintura-política, habituada que esta a anunciar e a vender medidas de apoios financeiros que mais beneficiam o sistema bancário e gabinetes de consultores deixando quase sempre o agricultor em pior situação, cultivando ano a ano o descontentamento das populações ligadas ao setor primário.

Mais uma vez a senhora que o ocupa a pasta da Agricultura sem jogo de cintura-política, anunciava estarmos de mão estendida em Bruxelas pedindo ajuda para fazer face à seca extrema.

Se chove de forma abundante e irregular ocorrem cheias e lá vamos de mão estendida pedir ajuda aos burocratas liberais de Bruxelas,

Se não chove de forma regular acordam tarde para a realidade nua e crua da seca e lá estamos de novo de mão estendida pedindo ajuda aos burocratas de Bruxelas.

Transformámos-nos num país pedinte, sem visão, sem força política, sem estratégica para as alterações climáticas no setor primário da nossa economia.

Se um pequeno ou médio empresário agrícola para desenvolver a sua atividade precisa de arrancar uma ou duas azinheiras ou sobreiras tem pela frente uma carga de dificuldades em trabalho burocrático. Mas, se um estrangeiro chega para investir num projeto de investimento agrícola, todos os organismos públicos ou fecham os olhos ou dão o despacho favorável para hectares e hectares com azinheiras, sobreiros e outras árvores autóctones serem arrasadas para nesses terrenos serem plantadas culturas intensivas e super intensivas seja em estufa ou ao ar livre que exigem muita água, mesmo com as novas tecnologias de irrigação aplicadas, água que se lhe vende abaixo do preço da “uva-mijona”, mas tudo a bem do investimento estrangeiro alavancado com fundos comunitários e até de um tal PRR, contribuindo alguns desses investimentos para Autarcas locais anunciarem saldo positivo na demografia, já que esses grandes investimentos se recusam a pagar salários dignos às populações locais, importando oficial e oficiosamente emigrantes a quem pagam salários de miséria.

Fico a aguardar as notícias favoráveis ao lóbi da água na defesa da dessalinização da água do mar por centrais de osmose inversa, a fim de que a mesma não falte no litoral para irrigar os campos de golfe, nem nos hotéis de cinco estrelas a fim de que o turismo possa continuar a mascarar rácios económicos.

Quanto ao interior, o problema da seca estará resolvido pois já temos um Ministério para a coesão territorial e com a sua existência facilmente a água da dessalinização chegará ao interior a preços acessíveis.

(foto obtida na net)