quarta-feira, 8 de julho de 2020

Um Quase Zero

Sou um quase zero a inglês. Foi a única disciplina a que chumbei quando estudei no Instituto Comercial. Nunca gostei dos ingleses. Há trinta e sete anos que deixei de passar férias no Reino dos Algarves. Mas não foi por causa do turismo dos súbditos de sua majestade inglesa. Troquei a confusão, a barafunda das praias algarvias pela calma da praia onde jovem aprendi a conhecer o mar que me oferece aquelas ondas que gostava de desafiar. Praia onde não há bares nocturnos nem discotecas, ainda hoje.

Estranho o pânico que existe com a decisão das autoridades inglesas. Os ingleses que conhecem e gostam de passar as férias no Algarve vão vir porque há outros voos outros caminhos para o Algarve.

Depois com o medo que o vírus espalhou ao nível planetário, assistimos à queda abrupta das viagens aéreas. Vimos pistas de aeroportos a servirem de parque de estacionamento aos aviões em terra. Muitos dessas aeronaves arriscam não voar mais tais as falências que existem no sector, onde os Governos se dispõem a investir milhões que não possuem para tentar salvar as empresas privadas "bandeira".

Era previsível que face aos estragos que a pandemia causou na economia, as receitas do Turismo de massas caíssem para números assustadores. Só quem anda a dormir ou um pouco desorientado, cansado por ter de acudir a todos os problemas, a todos os fogos sem ter ministros à altura, é que continua a apostar na galinha dos ovos turísticos.

Talvez mesmo a decisão do louco primeiro ministro inglês em não considerar Portugal Continental como lugar seguro para os seus cidadãos, tenha sido o nosso euro-milhões na saúde da não propagação do vírus.

Face ao que se conhece da forma como o vírus se propaga, o medir a temperatura na entrada dos turistas e outros viajantes, não é garantia absoluta. Assim como o trazer para mostrar análise negativa ao vírus, se a declaração não obedecer a normas internacionais de certificação da entidade emitente da declaração / análise, de pouco vale.

Está mais que na hora de apostar em alternativas ao turismo de massa anónimo. Temos quase novecentos anos de história. Há que promover e incentivar cá dentro e lá fora, outras formas de turismo. Vender o sol algarvio é chão que pouco produz em valores de riqueza. Não nos enganemos com os números das receitas. Quantos só deixam cá o quê gastam no supermercado (quase sempre com máquina de calcular na mão), numa ou outra refeição e nas bebidas nocturnas para se embebedarem, porque a viagem e a estadia no hotel é paga na origem transitando muitas vezes para contas offshore que as cadeias de hotéis possuem para iludirem as autoridades fiscais.

Gosto de:

- Há mar e mar, Há ir e voltar!

e,

- Temos que viver com aquilo que temos!

Não nos iludamos com previsões mais ou menos optimistas ou pessimistas, a pandemia trouxe novos desafios e aumentou exponencialmente as dificuldades de vida que teremos de enfrentar já e nos anos que se seguem para todos aqueles que irão  sobrevivendo.


Aficionado


Não sou aficionado. Nunca fui ver ao vivo. Há outras pegas na vida muito mais interessantes, menos perigosas e muito mais saborosas.
Reconheço a tradição que o espectáculo das corridas e largadas de toiros tem em algumas populações. Quando jovem gostava de ver na televisão a preto e branco o toureio a pé, homem e toiro frente a frente numa luta de enganos.
Os granadeiros criadores de gado bravo nas suas terras têm à sua disposição todos os fundos e subsídios que as explorações agrícolas recebem do Estado por decisões europeias.
Continuar a conceder subsídios ao espectáculo em si, custa-me mas aceito porque temos de respeitar todos aqueles que gostam de assistir e vêm arte e cultura no mesmo, mesmo que eu ache que ali não há cultura nem arte.
Uns gostam de touradas, outros gostam de futebol, outros de ciclismo, outros de boxe, outros de corridas de automóveis, outros de teatro, outros de música clássica, outros de musica popular, outros de dança e ballet, outros gostam de tudo e outros não gostam de nada.
A vida tem leis sociais, culturais, sei lá. Na realidade não sei se são leis, tradições, costumes ou hábitos que trouxemos através dos tempos para agora podermos duvidar e até sermos contra essas tais coisas que vêm do passado e fazem a civilização do antes e do agora. Tudo no ser humano evolui. O que ontem era importante e belo ou normal, hoje pode já não ser assim para muitos, enquanto que para outros pode continuar a ser a tal arte e cultura e por fim há os que deixam ao livre arbítrio de cada um.
O Estado directa ou indirectamente a todos auxilia, mais a uns que a outros, goste-se ou não.
Discutir a atribuição de subsídios concedidos pondo em causa o espectáculo pela violência que para alguns o mesmo representa, parece-me puritanismo extremista, mas… eu não dou para esse peditório.
Devemos ter a educação cívica de respeitarmos o outro mesmo quando o outro tem gostos opostos aos nossos. Custa mas tem de ser.
Neste caminhar pela outra margem estou a cada dia mais longe de todos os pseudo sejam eles ambientalistas, defensores dos animais, anti racistas … etc. que vivem nas cidades sem conhecerem na pele o porque das coisas, a dureza e incerteza da vida seja nos campos, nos mares, seja nos bairros periféricos das cidades grandes anónimas e impessoais.
Como dizia o Padre Felicidade Alves «Deus na sua transcendência a todos quer bem».

terça-feira, 7 de julho de 2020

O Sistema e os justiceiros


O sistema que domina grande parte da sociedade é implacável, não adormece. Os seus fiéis, quaisquer que sejam os domínios, cuidam da sua segurança, não vá o diabo tecê-las. E porque todo o cuidado é pouco na defesa do sistema, os seus fiéis não se importam de errarem sem pingo de vergonha.

Este país não é para velhos, tão pouco para idosos, nem mesmo para os jovens que pugnem pela verdade na sua versão de honestidade.

O sistema domina e funciona de forma transversal, de alto a baixo, seja na Administração Pública dependente dos Governos que vão passando, seja nas estruturas da Justiça independente dos Governos, seja nas Administrações Privadas dos monopólios e oligopólios é um correpio de casos onde a suspeição e as dúvidas são rainhas.
Casos, onde alguns «justiceiros» (de saias ou aventais) fazem chegar excertos específicos dos processos em curso nas suas mãos, aos agentes do sistema colocados estrategicamente em órgãos de comunicação para que a "populaça" estabeleça o seu «auto de fé» e queime as suas vítimas no novo "Rossio-virtual".

Eles auto-proclamados «justiceiros» pouco se importam com o cumprimento das regras e das leis. Eles, «justiceiros» estão acima das leis, eles são as normas que regem as leis.

A "populaça" embriagada pelo paleio dos agentes do sistema, perde a noção do bom senso e julga em delírio na praça publica transformada em «autos de fé sec. XXI», qualquer que seja a vítima ou vítimas dos arrotos e vómitos azedos dos «justiceiros» em especial se são políticos, ex-políticos de partidos específicos, ou empresários arrogantes e outros angolanos pretensamente ricos; salvam-se deste circo os empresários ligados ao mundo do desporto, onde os tentáculos existem numa outra versão mais complexa ainda.

Os «justiceiros» pouco se importam que a Justiça seja lenta, de baixa produtividade. Eles fazem o seu trabalho, para que o objectivo de descrédito da Democracia funcione, obedientes que são às estruturas ocultas dos mandantes do sistema.

Sonhar com uma “Sociedade Mais Decente” ainda é possível… mas os mandantes do sistema são poderosos, estão em alerta constante com os seus agentes e eunucos em todos os domínios da nossa sociedade, nem precisam que as paredes voltem a ter ouvidos, modernizaram-se, adaptaram-se às novas tendências da sociedade de consumo que gerem. A defesa da privacidade para eles não existe. Eles sabem e têm acesso a tudo.

Sonhar ou continuar a sonhar exige dos sonhadores outras formas de inteligência, de expressão na linguagem simples e clara para com todos mas, em especial para os mais jovens, para os que vivem a precariedade das novas formas de trabalhar, porque são eles o garante de que o futuro é possível. 
É preciso mais do que nunca ser pragmático sem perder a ilusão do sonho.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

EFACEC / TAP


EFACEC. Hesitaram. Procuraram alternativas que não encontraram. Criaram ansiedades desmedidas e negativas aos que nela trabalham produzindo bens. Por fim lá se decidiram tomar conta da empresa, nacionalizando. Uma boa medida que tardava. É uma empresa produtora e exportadora de bens transaccionáveis com valor acrescentado, tecnologia, saber fazer português. Só espero que não interfiram na gestão da mesma com as tristes nomeações de “amiguetes e boys partidários”. Deixem a empresa com as suas estruturas próprias trabalhar e executar o orçamento da mesma. Esse instrumento, orçamento, é que deverá ser apresentado e aprovado pelo Ministério que a vai tutelar. Não esqueçam que quem entregou a empresa à empresária angolana foram os gestores de dois grupos económicos portugueses. Primeiro os gestores do Grupo BES e por fim os gestores do Grupo Melo. Deixem as estruturas próprias da empresa executarem a gestão, cabendo ao Estado a supervisão dos actos de gestão e resultados.

TAP. Por muito que se diga e escreva enaltecendo a empresa duvido da sua real importância e valor. Duvido porque não vejo, não concordo que seja o Turismo a salvação, o motor do nosso tão necessário desenvolvimento económico e social. Depois, o vírus mudou a vida que muitos, políticos incluídos, se recusam a ver. O tal Turismo caiu para níveis não imagináveis e nunca anunciados por qualquer guru de 5 ou 7 estrelas nacional ou internacional em palestras de power point pagas a preço de ouro. Bateu no fundo do poço. O turismo como o conhecíamos antes, apenas servia para mascarar as contas públicas com as ilusórias receitas que proporcionava. A grande maioria do trabalho criado para servir o turista era e é trabalho precário de fraco valor acrescentado, sem garantias. Depois a TAP não produz bens transaccionáveis. Apenas produz serviços. Serviços que pela qualidade prestada não são capazes de rentabilizar os capitais investidos na mesma, nem tão pouco o tal bom nome que tanto apregoam. A falência da TAP não era o que apregoam. Teria custos elevados é certo mas nada que não se pudesse reverter. Depois 50% do capital da empresa não pertencia ao Estado. E nós já estamos habituados a pagar com língua de palmo os erros crassos de políticos do arco da governação com os erros no BPN-SLN, Grupo BES, BANIF, CGD, fora os negócios ruinosos da venda ao desbarato da EDP, REN, PT, CTT e ENVC para não enunciar todas.
Fui contra a privatização da TAP. Não gostei da recompra dos tais 50% que valeram apenas e só gastos para com determinados “penachos” de amigos e políticos que mandavam tanto na empresa como qualquer sem abrigo. Agora parece que querem continuar a inovar para mal das nossas contas públicas. O Estado irá ficar com 72,5% mas dizem que não nacionalizaram a empresa.
Ao ficar com a participação da empresária angolana que rondava os tais 70% nacionalizaram. Ao pagar para ficar com 72,5% da TAP não nacionalizaram. Olhares diferentes, só isso.
Mais, dizem com ar arrogante que como o empresário privado percebe é de transportes rodoviários irão procurar através de caça cabeças, os crânios gestores para a companhia. Deixem-se de merdas. Falem com o empresário privado que sabe mais de transportes que todos os políticos e amiguetes-gestores-de-colarinho-branco-com-gravata-de-seda-e-comentadores-televisivos juntos. Discutam com ele e com as estruturas dos trabalhadores, ouvindo todas com atenção para depois decidirem como a empresa será gerida respeitando a imagem de uma empresa de viação aérea que nunca será uma empresa grande no contexto europeu, mas que tem os seus próprios mercados para os rentabilizar reestruturando-se para o facto. Não tenham medo, que a reestruturação vai exigir o emagrecimento e com ele virá o desemprego de muitos dos que trabalham directa ou indirectamente com a empresa. Os prejuízos devem-se em parte às economias de escala produzidas pela vaidade de querer ser grande ao serviço de um país pequeno.

Nós e a Dinamarca somos pequenos mas somos de todos os países do Planeta os mais velhos nas suas fronteiras independentes. Qual é a empresa de viação bandeira dinamarquesa?

Se na EFACEC existe a forte probabilidade de retorno do dinheiro investido e a investir no curto, médio e longo prazo. Na TAP a probabilidade de recuperar o dinheiro investido quer como capital quer como empréstimo avalizado pelo Estado esta na vizinhança do zero, seja a médio ou a longo prazo se não se reconverter a empresa à dimensão do país adaptando-a à concorrência ultra-feroz que o mercado da viação aérea irá ter neste novo tempo de retoma.

Lembrem-se que numa empresa só fazem falta os que lá estão já, sendo que muitos desses serão dispensáveis para o futuro da empresa e das contas publicas.

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Os poderes e o vírus


Os poderes, presidencial, executivo e legislativo ainda não encontraram a melhor saída da rotunda do «medo-confiança» onde entraram de cabeça sem antes pararem e pensarem três vezes. Depois de terem instituído formalmente o medo, os órgãos da comunicação social em busca de audiências sem olharem a meios instituíram o pânico na sociedade. O país entrou em quase coma induzido. Ao darem por isso, os poderes presidencial e governativo (o legislativo continua em situação de coma induzido) saltaram para fora da rotunda dando vivas e olés procurando transmitir confiança aos cidadãos. Esqueceram-se mais uma vez da falta de educação cívica que existe na sociedade. Depois aparecem os lobistas de todos ao matizes a pressionarem o Governo com o palavreado de que este e aquele sector de actividade reclama «queremos trabalhar».

Desde o mês de Março mesmo em estado de emergência que se notava o receio, o medo que os do Governo tinham com o verão e as férias que a quase totalidade da população pensa ser um direito sem discussão.

A saúde primeiro foi o mote para a emergência. Com o aproximar do desejado calor de verão entrou-se no estado de calamidade onde os mesmos que instituíram o pânico vão dando voz aos que olhando para o seu negócio sazonal esquecem a saúde primeiro e querem a vida social e mundana a todo o custo.

Está mais uma vez à vista o que pode acontecer com as festas e romarias sociais, com as visitas aos lares de idosos, porque coitadinhos dos velhinhos não poderem receber as visitas dos familiares diziam alguns e ele tomava nota da intenção que essas notícias tinham por detrás.
Os ajuntamentos de jovens pela noite. As festinhas particulares e privadas. As empresas que não cuidaram da segurança na higiene cívica dos seus colaboradores. Tudo aconteceu e acontece. Assim do país modelo no combate ao vírus estamos a um passo do poço em apenas um mês . Como ainda estamos longe da educação cívica de outros povos. Somos um país onde o Chico Esperto continua a ser uma imagem de marca tão popular como a do Zé Povinho.

Almoçava no domingo o seu guisado de borrego dando atenção à entrevista que ocorre nesse dia na Antena 1. O entrevistado era o ministro da propaganda do actual governo e do partido político que dirige os destino do país. Deu-lhe atenção porque não é figura do seu agrado. Quando o ministro da propaganda começou por enaltecer o civismo dos portugueses face ao covid-19 veio-lhe à imagem o ministro da propaganda iraquiano aquando da triste e assassina invasão do Iraque pelas forças americanas. Com os americanos às portas de Beirute ainda o tal ministro falava das pesadas derrotas que estavam a infligir ao invasor. Assim lhe pareceu o nosso actual ministro da propaganda. E só não lhe deu um treco ao ouvi-lo enaltecer as vitórias alcançadas contra a propagação do vírus, indo buscar como exemplo a realização em Lisboa dos jogos finais de futebol da UEFA deste ano. Valeu-lhe o almoço estar-lhe a saber bem, o vinho Alpedrinha da Adega do Fundão a ser boa companhia e depois de umas boas cerejas da Gardunha o café e um cálice pequenino de uma boa aguardente bagaceira, tudo produtos nacionais incluindo os ingredientes que a terra dá com que preparou o seu almoço. O ministro foi falando mas ele desligou, não é figura política do seu agrado, o pouco que ouviu sobejou-lhe.

Para ele tudo o que esta a acontecer era previsível que viesse a suceder, face à estratégia delineada no mês de Março. O medo nunca foi bom conselheiro. Ele sempre foi dizendo aos que não o ouvem, que «nem tanto ao mar nem tanto à terra». O achatar da celebre curva indiciava o prolongamento da crise com novos contágios.

Depois há políticas na gestão dos meios públicos que vêm de trás, de vários governos e que não se alteram ou emendam de um dia para o outro. Investiu-se e investe-se rios de dinheiro numa Autoridade de Proteção Civil que pouco ou nada protege e deixou-se para segundo plano o investimento nas forças de segurança, seja em meios físicos seja em meios humanos, que na presente batalha contra o inimigo invisível tanta falta fazem, já que, os existentes meios humanos não chegam para controlar e vigiar todos os locais onde os cidadãos irresponsáveis, mal criados civicamente, se reúnem em convívio, seja de dia ou pela calada da noite. E, nem quer falar, comentar a tão importante ACT – Autoridade para as Condições de Trabalho.
Já os de mais idade lhe diziam: - cá se fazem, cá se pagam. Só que por uns pagam os outros e sempre assim foi e sempre assim será.


terça-feira, 16 de junho de 2020

Sr. Primeiro Ministro


Ouvir e ver o Primeiro Ministro justificar o aumento dos casos de contágio do vírus, pelo aumento do número de testes efectuado, é muito pouco, poucochinho mesmo. Afinal quantos testes estamos a fazer por dia e por regiões? Estamos a aumentar o número de testes, mas quanto e porque?
Desde sempre que sigo mais o número de infectados que o número de mortes, embora lamente todas as mortes. Mas das mortes anunciadas quantas são hospitalares e quantas são não hospitalares? Quantos faleceram do vírus sem terem outras patologias associadas?

O Sr. P. M. não deve ter tempo para dormir uma sesta quanto mais uma noite de sono retemperador. Mas Sr. P. M. o que que têm andado a fazer os vários Ministros e Secretários de Estado que não estão na frente de combate à pandemia? Terão estado todos em quarentena? Em teletrabalho ministerial a fazer o que propriamente? Estarão à espera do novo Orçamento?

Só ao fim desta eternidade de tempo suspenso das nossas vidas é que chega às televisões um filme governamental publicitário a convidar os portugueses a passarem as suas férias e a visitarem o País. É muito pouco, poucochinho mesmo. Onde estão os conselhos práticos cívicos de como nos devemos comportar nas praias, nos parques de campismo, nos jardins públicos? Onde estão os conselhos cívicos para evitarmos ao máximo a vida social em grupos numerosos ou com pessoas desconhecidas? Não quero acreditar que estejam à espera que o vírus não goste do nosso calor… e procure outras zonas onde se multiplicar. Ele, vírus, já provou que gosta do nosso ADN.

O Sr. P. M. não sabe mas quando eu tinha doze anos cheguei à Praia da Consolação. O meu pai era Guarda Fiscal. Na praia já existiam as bandeiras símbolos de como nos devíamos comportar no que toca ao banho de mar. Havia como hoje há a sinalética de “Zona Proibida a Banhos”. A canalha irreverente da juventude cumpria, na zona proibida ninguém tomava banho, até porque se os pais soubessem ai ai. Mas nestes tempos modernos de agora a sinalética de “Zona Proibida a Banhos” não é respeitada por muitas crianças e pais. E se o jovem banheiro apita e chama a atenção de que não podem lá estar saltam os pais, tios, avós, outros familiares e amigos a questionarem o jovem banheiro dos porquês de a sua criança não poder tomar banho, argumentando de forma ameaçadora que a praia não é dele. Antigamente o banheiro tinha o Cabo de Mar a quem recorrer como autoridade. Depois, uma mente brilhante, conhecida em Coimbra por ter “conta de fiado”nas farmácias chegou a Ministro. No seu reinado ministerial acabou com a Guarda Fiscal, com ela a figura do Cabo de Mar. A nossa costa ficou mais pobre mas ele, o tal ministro, deixou de ter “conta de fiado” e vive como um marajá num bunker sem que o Ministério Publico encontre ilícitos no seu fulminante enriquecimento. Não basta pois Sr. P. M. dizer que temos de respeitar o distanciamento social, é preciso martelar a cabeça das pessoas com filmes publicitários educativos e de respeito cívico. O povo é sereno mas não vai lá com palavras bonitas, tem de haver acção.

O vírus mesmo sendo um ser não vivo é esperto, mais esperto que muitos de nós como o Sr. P. M. sabe. Todo o cuidado é pouco e a economia precisa de ir retomando a sua actividade procurando outras formas de produzir, de inovar… Parar é morrer lentamente… por mais medo que os reformados, os pensionistas e os de ordenado ou vencimento certo ao fim do mês tenham de poderem ser infectados, a economia tem de voltar a ter vida.

Os pobres e os quase pobres são muitos milhares que precisam de trabalhar, de se deslocarem de casa para o trabalho e deste para casa em transportes colectivos públicos desfasados da realidade actual pelo reduzido número de oferta apresentada. Vejo chegar os autocarros da RL à estação de Alverca cheios. Se durante o estado de emergência chegavam vazios, agora neste tempo de calamidade vêm cheios. Todos com mascara mas todos juntos, porque são trabalhadores, muitos temporários, ou precários de contrato a prazo, ou diário mesmo. Se não trabalharem não terão dinheiro para procurarem sobreviver e para poderem educar os seus filhos. Não gosto de subsídios para quem precisa de trabalhar. Só o trabalho dignifica a pessoa humana. Os subsídios existem por necessidades, mas não dignificam a pessoa humana… e há tanto para fazer neste nosso país.

Como é que o Governo do Sr. P. M. vai obrigar as transportadoras privadas a aumentarem a oferta de mais transporte nas horas de ponta? Sabe Sr. P. M. autocarros, comboios e os barcos são transportes para muitos milhares de trabalhadores portugueses que podem querer cumprir o distanciamento social, mas não têm condições para o poderem fazer e, de quem é a culpa? Deles não é certamente. Não falo na TAP porque quando viajava de avião procurava sempre outra alternativa à TAP, depressa me cansei do seu mau serviço e educação. Serei faccioso na minha opinião sobre a TAP, assim como sobre o Novo Banco e outros tristes casos da nossa economia, como os apoios a empresas com sedes em off shores fiscais.

Sabe Sr. P. M. é muito bom vermos e ouvirmos o conselho de «compre made in Portugal) mas depois vamos aos supermercados e encontramos fruta de Espanha, de Marrocos, da Argentina, do Brasil etc etc. Vi bichas de clientes nas ruas da baixa de Lisboa a aguardarem a vez de entrarem nas lojas de roupa ditas de marca onde duvido que haja por lá roupa «made in Portugal».

Para terminar esta conversa minha com o Sr. P. M. faça tudo o que seja possível e impossível para que o Prof. Mário Centeno possa passar de quadro superior do Banco de Portugal a seu Governador. Esqueça as possíveis divergências que possam ter existido entre vós e, não tenha medo da isenção que ele poderá ter ao governar a instituição Banco de Portugal, hoje muito dependente do Banco Central Europeu aonde ele um dia poderá chegar para tristeza de muitos dos seus opositores políticos e partidários.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Muito nevoeiro no cais


Triste o amanhecer deste dia. Triste pelo constatar de tanto fanatismo à solta e impune entre nós.
O fanatismo anda à solta já há algum tempo. Um andar crescente para o qual Governos, Ministério Público e Autoridades (Polícia e Guarda Republicana) veem tapando os olhos, fechando os ouvidos, sem esquecer o próprio Tribunal Constitucional.
Ao ignorarem os princípios constitucionais, ao não terem coragem de dizer "Basta" aos grupos e grupelhos fanáticos extremistas que actuam impunemente nas barbas da legalidade, dão aso a que estas acções estejam a acontecer para com elas fazerem renascer o que de mais mesquinho existe na mente humana.
Os atentados à História são actos ignorantes do mais absurdo fanatismo. Como tal deveriam ser considerados e julgados como crimes de assassinatos.
Fanatismo cuja origem também poderá ter alguma origem nos muitos e vários Ministérios da Educação que fomos e vamos conhecendo ao longo da nossa jovem democracia. Ministérios onde mentes de «meninos de coro com poder» decidem copiar modelos de ensino de outros países onde se privilegia o egoísmo individualista em detrimento do conhecimento geral sobre o humanismo, sobre a história da própria humanidade. Países bastante mais ricos materialmente que o nosso, mas onde o conhecimento geral é ignorado, não tem valor, tornando grande parte dos seus cidadãos incultos e bestas quadradas. Países sem passado. Povos sem a nossa história de quase novecentos anos. Uma História com muitos momentos de glória mas onde também existiram momentos menos bons dos quais não temos de ter vergonha, porque naquelas épocas o valor da vida humana era muito diferente daquele que felizmente com o progresso e desenvolvimento temos hoje e para o qual os nossos antepassados contribuíram. Os descobrimentos não se fizeram para levar esmolas e hambúrgueres aos povos dos novos territórios. A lei do mais forte estava na ponta das armas alimentada por um conhecimentos que os povos descobertos e colonizados não possuíam. Tudo era muito diferente, mas foi com essas acções e erros que o mundo evoluiu.
Não fazer da História uma disciplina fundamental no nosso ensino leva a que jovens e menos jovens possam ser manobrados e instrumentalizados a cometerem os crimes que vão acontecendo em nome de uma luta antirracista que os leva a serem eles mesmos racistas incultos e presumíveis assassinos nos seus actos extremistas.
Primeiro foi no desporto de massas que é o futebol que o fanatismo encontrou campo fértil para se desenvolver debaixo das barbas quer das Autoridades quer de alguma complacência governativa. Agora saltou para a nossa vida de brandos costumes e publicas virtudes democráticas, chegando aos símbolos históricos da nossa caminhada de quase novecentos anos.
Que se irá seguir se o Governo, o Ministério Publico, as Forças ditas da Ordem Publica e o próprio Tribunal Constitucional continuarem com medo a olhar para o lado?
Sim que se seguirá… voltaremos para trás na História renegando tudo incluindo a nossa língua? Ou iremos ficar só no Portugal dos «orgulhosamente sós» de que tantos salazaristas têm saudades?
A Democracia está doente e não pode ter medo de ser dura com os arruaceiros fanáticos que atentam quer contra a Democracia quer contra a nossa História.