terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

21.02.06

 

A rotina acumula-se com o correr dos dias. Rotina cansativa a que se vive nestes dias de agora. Dias sombrios onde nem o Sol aparece. Dias tristes os deste tempo de medos. Um medo que prende os cidadãos em casa. Um medo que quer proibir o sonhar. Um medo com grades nas janelas do sonho. Ele na sua outra margem por onde vai caminhando, com o sentimento de não alinhado pensa o contrário. É preciso dizer não ao medo. É preciso continuar a sonhar. É preciso acreditar que há vida para lá do medo. Sonhar é abrir os sentidos de olhos abertos à Natureza. Natureza onde tudo renasce no seu tempo. Natureza onde tudo cumpre o seu ciclo de vida sem queixumes. Só o Homem não quer ouvir, não respeita os silêncios da Natureza. Prefere na sua ânsia de riqueza tudo destruir em nome dos deuses do mercado que dão com uma mão aquilo que depois retiram com as duas ou mesmo três mãos que os deuses do mercado têm muitas mãos. Andando sem medo, grisalho que é de vida vivida, continua a sonhar e a lutar contra o envelhecimento que nos impõem como medida sanitária para combater o inimigo invisível sob a forma de vírus.



21.02.04

 

O atentado à história deste país em que uns figurões vestidos de roupagem política democrática querem levar a cabo substituindo os símbolos coloniais na Praça do Império em Belém é demonstrativo não só da sua ignorância cultural, como da sua pequenez técnica e política. Gente que não se enxerga no seu triste tamanho político quando se olha ao espelho.

Como é que um político verdadeiramente democrático tem ou pode ter vergonha da história do seu país e como é que tendo vergonha exerce cargos de poder?

Se a destruição da nossa história vira moda vamos ter de deitar abaixo a estátua do Marquês de Pombal por ter expulso os coitadinhos dos jesuítas, devolver o Convento de Mafra ao Brasil e talvez os figurões vestidos em fatinhos mascarados de democratas voltem a instituir o tribunal do Santo Ofício.

Como se não bastasse ao Estado Social os ataques que o frentismo de direita faz nas televisões e jornais diariamente a toda e qualquer hora que ainda temos de levar com ideias de gente que não se enxerga politicamente e como tal na sua triste ignorância cultural e política lança adubo para o crescimento do descontentamento popular a favor dos inimigos quer do Estado Social quer da Democracia.



Muito mal tem sido ao longo da Democracia o ensino da História, da Filosofia e da Cidadania para termos de aturar esta ideia peregrina de políticos que não se enxergam na sua triste dimensão de portugueses.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

21.02.03

 

Há gente na política que não se enxerga. Outros há que por a+b sem necessidade de prova dos nove demonstram em actos e factos que são inaptos para o exercício do cargo. À mulher de César não basta ser séria…

Como se não nos bastasse a grave situação que o país vive por causa de um vírus para o qual ainda não se encontrou forma eficaz de o anular sem termos de recorrer às vacinas sem sabermos por quanto tempo teremos imunidade ao bichinho que vai brincando connosco criando novas mutações, eis que, a arrogância e a soberba política de político que não se enxerga cria mais uma caso totalmente evitável pois por a+b sem necessidade de prova dos nove a senhora de novo nomeada revelou anteriormente toda a sua incompetência para qualquer cargo na função publica ou será que também terá elaborado um curriculum adulterado como lapso que ninguém notou?

Depois queixamos-nos das abstenções nos actos eleitorais.

De certeza que não foi para isto que jovens militares arriscaram suas vidas lá atrás no tempo para realizarem o 25 de Abril e instituírem no país um regime democrático transparente e respeitador do valor absoluto de todos os cidadãos, porque este compadrio não cheira nada bem e de nada me serve antes pelo contrário lembrar-me de outros compadrios anteriores com outros intervenientes, pois todos cheiram mal, todos são tóxicos para a nossa pobre democracia.

Pouca televisão vejo. Rádio só a Antena2 de vez em quando. Vou ver se apanho boleia para as Berlenga pois nem a pneumónica lá chegou na outra pandemia.




O "falsete" e o "acólito"

 

Na passada noite de domingo, o «falsete» armado em super especialista de tudo quanto seja vírus e vacinas não poderia terminar o destilar das suas convicções populares ultra liberais sem enaltecer a vacina da J&J que ainda não existe na U. E. Mas, que no seu papel de lobista encartado lá a vai publicitando como a melhor. O «falsete» está bem acompanhado por um jornalista que perdeu o verniz.

Em outro canal dito concorrente o pequeno «acólito» gosta de parecer maior e melhor do que na verdade é. Homem de boas fontes segundo o próprio se afirma. Antes do Natal quase que se punha em pé na cadeira clamando pelo horror que seria não deixar os idosos saírem dos lares para passarem o Natal com os seu familiares. Agora na sua falsa inocência culpa o Governo e os partidos por terem facilitado o confinamento e desse modo ter dado origem à situação dramática que o país atravessa.

E assim vamos de carrinho para parte incerta que com aquela gente até o próprio diabo se acha um santo quando se olha ao espelho.

21.02.02

 

- Mensagem para uma prima,

Minha mãe terminou a sua viagem terrena há mais de 20 anos. Em dias separados no tempo criei estes quadros, porque acredito que o espírito continua a sua caminhada depois de terminada a viagem terrena. Quadros que tenho sempre comigo.

Meu pai terminou a viagem há poucos anos. Foi um ser especial a quem prometi não abandonar a casa e o chão de oliveiras. Oliveiras que para ele eram árvores sagradas.

Às vezes ainda choro lágrimas que não caem mas sinto-as dentro do peito. Como agora neste momento em que escrevo numa madrugada onde a luz do dia está a romper.

O término da viagem terrena dos pais representa o corte das nossas raízes. Um sofrer diferente de todos os outros sofrimentos, que só cada um de nós conhece quando ficamos sem eles. Um sofrer mais difícil quando se é filha única, penso eu. Mas são etapas da vida que temos de vivenciar para podermos honrar o amor que nos deram e nos ensinaram. Assim e pela memória de tudo quanto eles nos deram, com o tempo não deixando de sofrer, temos de transformar o sofrimento em força para que eles possam descansar em paz em outra dimensão desconhecida aos nossos sentidos. Força essa que está dentro de nós próprios como eles nos ensinaram quando nas partidas da vida ficaram sozinhos. Abraço de boas energias para que as forças nunca nos faltem.



21.02.01

Quem é o cidadão português que não tem alguma coisa de chico esperto? Eu também já fui chico esperto. Talvez por isso não me sinta tão zangado com as notícias que os costumeiros televisivos difundem 48 horas em 24 horas de emissão. São os casos difundidos de vacinação a pessoas não previstas numa lista de prioridades condenáveis? Alguns serão e outros talvez não, pois continuo sem saber quantas doses de vacinas contém um frasco.

Depois, a conversar com a minha sombra lembrei-me que não sou um fã das vacinas. No ano passado e este ano não tomei a vacina da gripe. O Centro de Saúde andou atrás de mim para tomar a vacina do tétano e só quando me apanharam lá a tirar os pontos da cirurgia é que levei logo dose dupla, a parte final do tétano e da gripe. No serviço militar

quando nos ministraram as vacinas da cólera e da febre amarela a seguir bebemos umas garrafas de vinho do Porto, diziam que cortava o efeito. No mato em Angola não tomava os comprimidos para o paludismo, nem colocava os outros comprimidos na água do cantil antes de a beber. Se apanhasse paludismo teria pelo menos umas três semanas no arame farpado sem fazer operações no mato. Quando estudava à noite, para me matricular usava o chico espertismo e falsificava o certificado de vacinas trocando as folhas interiores com um amigo que cumpria zelosamente as vacinas. Quando trabalhava e a medicina do trabalho obrigava a tirar o Rx aos pulmões sempre tinha uma reunião num banco ou nas finanças quando a carrinha ia à empresa até ao ano em que o departamento de pessoal não transferiu a remuneração sem o Rx realizado e lá fui fazer o mesmo à Praça do Chile.

Não tenho pressa em apanhar a presente vacina contra o covid-19, quando me chamarem irei tomá-la. Talvez quando se lembrarem de mim já se saiba quanto tempo de imunidade a mesma produz. Até lá o melhor remédio é saber viver este tempo de vida quase suspensa o melhor que puder, pois não irei andar em locais muito frequentados, basta-me ir ao supermercado, à farmácia, à padaria quando estou na Zebreira e à praça em Idanha a Nova. Todos os dias saio para dar a minha volta com a minha amiga. De manhã uma volta maior embora mais pequena do que anteriormente, os normais 6 km de antigamente estão reduzidos a pouco mais de 2 km. Há hora em que vou para a rua só encontro as mesmas pessoas que chegam para trabalhar nos centros logísticos que por cá existem, a quase totalidade dos habitantes ainda estarão a dormir já que raras são as luzes que vejo acesas. Ao final da tarde princípio da noite voltamos à rua para o passeio higiénico. Os polícias quando passam por mim sabem que sou respeitador mesmo andando na rua com a minha amiga a horas de recolher obrigatório. Aqui nos arrabaldes da cidade grande faz-me falta o meu quintal, faz-me falta ouvir as conversas do vento com as copas das árvores, faz-me falta a liberdade do colorido do campo, agora mais do que ouvir a rebentação das ondas na areia ou nas rochas da minha praia.


21.01.31

 

Imagino-te sem te conhecer. Faço do passado a imagem. Com ela vou criando um mundo que não existe. Solitário nesse meu mundo resisto. Viagem imaginária onde me refugio. Viagem de sonhos imaginários. Viagem simples, humilde onde o carinho é lei. Nada de sonhos eróticos, apenas cumplicidades não vividas sem mágoas. Para um resto de viagem de braço dado. Na ausência, nesta vida suspensa resisto imaginando sem te conhecer.

21.01.30

 

Que dia será hoje? Nestes dias todos iguais. Nestas manhãs silenciosas. Neste tempo de ausências. Com a vida suspensa. Que dia será hoje?

Olho o dia que começa. Não se ouve o barulho de carros a passar. O céu cinzento igual aos dias que já passaram. À noite não se viam as estrelas. De manhã não se vê o sol. Que dia será hoje?

21.01.28

 

Eu que aos vinte e um anos quando estava de serviço no Forte de Santiago da Barra em Viana do Castelo e via os angariadores de seguros virem e depois se afastarem quando me viam ou sabiam que era eu que estava de serviço e que mais tarde soube que eles ao saberem que era eu que estava de serviço diziam: - vamos embora que este gajo é um filho de puta que não nos deixa entrar. Claro que não deixava e se soubesse que algum dos meus homens estivesse a ir na cantiga daqueles angariadores de seguros que vendiam seguros de vida a jovens que iam para a guerra, logo tentava demove-lo de subscrever tal seguro que iria vencer automaticamente se ele morresse e a morte era palavra proibida naquele tempo naquele grupo.

Eu que na década de oitenta do século passado com trinta e poucos anos trabalhando numa empresa farmacêutica na Venda Nova não deixei os jornalistas do Diário, nossos vizinhos, entrarem nas instalações da empresa quando um dia pouco tempo depois do pessoal fabril ter saído, rebentou no edifício da fábrica uma estufa que secava drageias, num estrondo enorme que pós toda a vizinhança em sobressalto ocorrendo às janelas e às instalações.

Eu não entendo, não compreendo como neste tempo de agora, com toda a sobrecarga e degaste que a pandemia tem causado a todos os trabalhadores hospitalares implicados directa ou indirectamente na prestação de serviços e auxilio aos doentes, os gestores sejam administradores ou directores permitam que equipas de reportagens entrem em hospitais e possam por lá andar a filmar e a emitir imagens de doentes a serem assistidos. Há uma falta de senso, uma falta de respeito e de humanismo nesta gente que me dá raiva que pensava não existir em mim. Já nem falo no palavreado que posteriormente outros emitem com base nessas filmagens e imagens. Ou será que estarei enganado e afinal está tudo a funcionar sem stresse? Que afinal tudo corre normalmente e eu é que no meu radicalismo vejo o que os outros na outra margem não veem.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

21.01.27

 

Mais uma madrugada em que a noite domina e já estou acordado, preparado para começar este novo dia. Ainda não são as seis horas. Não tenho dificuldade em dormir. Amante da sesta durmo em qualquer sitio em qualquer lugar. Se me deixo dormir mais cedo à noite, acordo ainda madrugada. As cinco ou seis horas de sono são suficientes. À noite se me sento no sofá a ver televisão com uma manta sobre as pernas é quase certo que dentro de momentos as pálpebras se fecham e desço ao meu inconsciente. Minha mãe dizia que tinha sono de gato. São seis horas. Ando a ler dois livros mas ficam para depois de tomar o pequeno almoço, que esta vida de confinado em casa tem acentuado a minha alergia aos canais televisivos ditos generalistas e ou informativos. Basta-me ver os diretos que jovens estagiários precários fazem para agradar aos chefes, que logo desligo ou deixo-me dormir. Que os morgados, avençados e precários dos canais privados digam e publiquem constantemente mentiras e meias verdades, cumprem a sua função de ataque às instituições do Estado Social. Os capitalistas não investem em órgãos de comunicação para formar, para educar ou mesmo orientar positivamente os seus ouvintes. Eles, detentores do dinheiro, pagantes de boas mordomias aos «chefões» querem resultados, querem audiências para com esses números obterem mais crédito junto dos amigos financeiros. Se mais tarde a instituição financeira entrar em dificuldades pelo crédito concedido, o inculto, o tótó do Zé Contribuinte pagará mais uma vez com os seus sacrifícios os buracos financeiros criados para alimentar os amigos da comunicação social televisiva. Recordemos a guerra em nome do “dever de informação” que o jornal do Conde de Bilderger iniciou ao então convencido DDT-Ricardo Salgado por causa de o tal falso e manhoso DDT-RS ter negado financiamento ao grupo do senhor Conde. É na verdade o senhor Conde de Bilderger o verdadeiro DDT (dono disto tudo). Um camaleão que apoiado pelos outros condes, duques e marqueses do tal clube privado que domina os destinos da economia política global, tem no nosso pobre país ditado a escolhas de governantes. Contudo quando o país elegeu uma aliança parlamentar à esquerda para poder ser governado por um Governo de minoria (a tal mal designada “geringonça”) o senhor Conde reuniu as suas tropas sempre fiéis de morgados, de avençados e outras ilustres figuras do seu tempo de ANP para desencadear uma guerra de guerrilha ao Governo que ousou sair do centro para se posicionar na margem esquerda, provando que aumentando o rendimento disponível das famílias é possível fazer a economia crescer para se poder ter algum controle sobre os esmagadores custos da dívida pública externa, ao mesmo tempo que acabou com os fantasmas de que extrema esquerda não existe efetivamente no Parlamento. Com a chegada de um vírus de comportamento desconhecido e global, as economias entraram num colapso de recessão cuja retoma não se sabe quando irá ocorrer a não ser os morgados, os avençados e outros cogumelos venenosos que destilam o seu ódio ao Estado Social nos canais televisivos quer do senhor Conde DDT como dos empresários concorrentes. Para piorar a situação os morgados, quais cogumelos venenosos, da televisão publica não se diferenciam de todos os outros e assim em todas as frentes televisivas vamos assistindo aos ataques constantes às duas maiores conquistas que o 25 de Abril e a Constituição proporcionaram ao nosso Estado Social- um Serviço Nacional de Saúde Publico para todos e um Ensino Público igualmente para todos os cidadãos deste país.

Bateram as sete. Está na hora de me preparar para a minha volta matinal com a Sacha. Depois voltarei aqui.

Os livros que vou lendo «A Chegada das Trevas» e «Por Ladrar Noutra Coisa», muito diferentes nos assuntos que tratam e abordam, são duas leituras tão diferentes mas necessárias para com elas procurar algum equilíbrio sentimental, já que hoje é um dia triste para mim.