domingo, 4 de junho de 2023

Aqui onde a fronteira está a um salto, a televisão "tdt" mantém o seu estado normal, a hibernar. Não fosse este pequeno aparelho e nem sabia como ia o mundo noticioso do pensamento único ocidental.

Há sempre coisas a fazer embora este velho corpo já não apresente disposição para grandes trabalhos físicos que quando executados logo aparecem umas dores a dizerem-lhe que passou o limite do sinal vermelho.

Ontem ao limpar as videiras e as ervas que as rodeiam lá vi a muda de pele de uma cobra. O que ela andou a fazer por aqui, nem imagino, a não ser que tivesse vindo ao ninho que os pardais fizeram na caleira junto à parede, não sei, nem imagino.

Vou dar o passeio matinal um pouco mais cedo. Vou olhar as oliveiras na Balasca, embora não sejam os meus olhos especialistas em ver já o pequenino fruto das mesmas, mas a "chora" nos ramos a secar não é bom prenúncio. A chuva fez muita falta para tudo.

Fui e vi que tenho lá trabalho a fazer, pois as oliveiras estão com muitos “ladrões” (rebentos na base, junto à terra). Não contava com este petisco, mas lá terei de os ir cortar.

Depois de acabar as coisas aqui no quintal, vou para lá ou deixo a limpeza para a próxima vinda já que na Horta da Corona há trabalho idêntico para fazer.

Outro alguém diria que, como aquilo não é só meu os outros que limpem também os tais ladrões, mas dos vários herdeiros só eu é que venho cá e tenho tratado delas, pelo que enquanto o corpo deixar e puder irei cuidar do chão. Tenho sempre presente que para o meu pai a oliveira era uma árvore sagrada. Qualquer daquelas oliveiras é muito mais velha que eu, resistindo aos muitos anos de seca, de calor tórrido, de frio gelado e até de quase abandono antes de me virem entregar os chões do meu tio João Capelo.

Depois do pequeno almoço, torrada com manteiga e alho esmagado, fui até à praça em Idanha-a-Nova, pagar ao João o que ontem lhe fiquei a dever das coisas que lhe comprei, passando depois pelo talho para comprar umas morcelas, umas costeletas de porco e como tinham lá fígado de vaca comprei umas três iscas, para grelhar a acompanhar com a morcela.

No regresso passei na fonte dos Tourinhos para encher uns garrafões de água para beber. A Junta de Freguesia em vez de mandar analisar a água, mandou colocar lá um aviso de "água não controlada" isentando-se desse modo a qualquer futura responsabilidade já que o medo está sempre presente no mundo noticioso deste nosso pobre país, havendo quem ache que o lavar da responsabilidade como um dia conta a história que um tal romano fez pela antiga Judeia, seja o melhor para as populações que os elegeram para cuidar dos seus interesses públicos, onde as fontes pelo papel que desempenharam no passado são um bem publico e nunca um problema.



 

12.05.23

Vim para o meu canto mais depressa do que nas viagens anteriores costumava andar. Vinha com alguma esperança. Chego a casa e levo um murro na esperança. Em vez do que esperava um outro aviso como que a dizer que o enviado foi devolvido. Porque? Não sei! Caí sentindo uma escuridão à minha volta, como que a querer tomar conta de mim, mas não vou ficar deprimido, a vida segue e com ela a força da vontade de a ir vivendo serenamente em busca da paz interior.

Há muito que vivo só. Mesmo acompanhado vivo só, ninguém quer saber dos meus sonhos de uma sociedade mais decente. Mais só ou menos só, só irei continuar, os meus sonhos, os meus desejos, são apenas e só meus, pelo que, só ou acompanhado não deixarei de desejar o bem a quem quero bem.

A vida é uma matriz de muitas batalhas, tendo agora a paga do que fiz e não deveria ter feito quando jovem; não me posso queixar. Cada um é responsável pelas suas atitudes, assumindo as consequências sejam elas imediatas ou demorem a chegar. Não vivo fugindo delas.

De qualquer modo hoje senti-a a casa mais vazia ou fui eu que fiquei mais vazio? Não sei! A vida continua à minha espera, fazendo eu por merece-la.

Os sonhos vão continuar a viver comigo. 

 

sábado, 3 de junho de 2023

11.05.23

Já li o artigo do DN sobre a guerra e os russos.

Os historiadores olham sempre os factos de acordo com a forma como veem o mundo.

Putin, goste-se ou não é o líder de um grande país em extensão, em riquezas naturais, em história mas pequeno em população, se comparado com outros países de dimensão menor.

Não é Putin flor que se cheire, muito menos que se convide para uma festa de amigos. Também não é Putin um comunista, como os da velha guarda soviética, antes um amante do capitalismo selvagem. O seu maior inimigo e maior partido de oposição interna são os comunistas.

Não creio que mesmo com todo o arsenal nuclear que dizem ter, possa desencadear uma guerra nuclear.

Eu leio gente que defendem Putin, leio e ouço gente que lhe chamam o pior que há.

Historicamente a Ucrânia como país independente, foi um pequeno pequenino país por poucos anos. A Galícia província que é quase ¼ da atual dimensão sempre foi reclamada pela Polónia. Cá em baixo junto ao mar negro o território da Moldávia (outra criação dos soviéticos após a vitória na II Guerra) é reclamada por Romenos e Húngaros. Antes a Moldávia não existia. Muita da configuração atual da Ucrânia é obra dos soviéticos que nas suas estratégias lhe foram acrescentando regiões como o Donbass, a Crimeia e terras da Transnístria incluindo Odessa.

Grande parte da população na Ucrânia era bilingue falavam as duas línguas ucraniano e russo, sendo que na região do Donbass a grande maioria só fala russo.

Antes da guerra começar havia no YouTube vídeos que retratavam a situação antes de 2014, durante e depois. Hoje a censura ocidental não os deixa ver. Havia um feito por um jornalista francês de nome Campos Moreira para o Canal Plus que não deixava dúvidas da natureza do novo regime ucraniano, nem do apoio que as milícias nazis ucranianas recebiam.

Sou pela paz! Para mim quer Putin, quer Zelinsky são iguais, não prestam. Depois, há outros fatores geoestratégicos que me ultrapassam, sabendo eu por ter aprendido à minha custa que muito antes do primeiro tiro ser disparado já a VERDADE tinha DESERTADO daquele conflito.

Leio e ouço, mas não acredito no que dizem, tendo sempre as minhas reservas ao que leio e ouço sobre o conflito que os Estados Unidos-NATO tem com a Rússia nas terras da Ucrânia.

O que vi até agora foi o avanço dos russos e quero crer que os russos, não só Putin, querem os territórios que os bolcheviques deram à Ucrânia, e quero acreditar que ficarão por aí, mesmo que a Ucrânia faça posteriormente parte da NATO.

A Finlândia que historicamente andou sempre em guerra com os russos, estabelecendo em meados do século XX um acordo de não agressão mutuo que ambos os países cumpriram, agora decidiram os governantes finlandeses entrarem para a NATO e para tal construíram um muro de fronteira. Os russos em resposta de imediato colocaram na fronteira com a Finlândia ogivas nucleares de última geração que em menos de 5' destroem a capital Helsínquia.

Sou pela Paz. A guerra só trás desgraças. 

Sempre fui um não alinhado com os antigos blocos militares e atualmente com os interesses imperialistas, sejam eles americanos, russos ou chineses. Repito, Não gosto dos imperialistas, sejam russos, americanos ou chineses, a ordem é arbitrária

 

10.05.23

 

Acordei e senti a revolta a querer instalar-se. Lutei e mandei-a embora, pois nada adianto em revoltar-me contra o estado em que vivemos. Este país não é para velhos há muito, talvez mesmo há uns quarenta anos que vejo isso. Mas não é isso que me facilita a chegada da revolta, o pior mesmo é ver que o país está dia a dia a não ser também para os mais novos.

Os militares deram-nos a Liberdade e a Democracia, entregando depois o poder à sociedade civil através da “Nova Ordem Democrática”, onde pontificavam políticos-estrangeirados e antigos barões do regime anterior, todos, uns e outros, vestidos de bons fatos democratas, reclamando-se todos eles defensores da social-democracia em moldes à portuguesa um pouco diferentes.

Nova gente constituinte de uma nova «nobreza» de chancela democrática governando em alternância, metendo na gaveta dos fundos, em arquivo esquecido, os princípios programáticos dos seus programas ideológicos quando receberam o poder por parte dos militares, decidindo o destino do país. Com discursos de boas falas mais ao centro-esquerda ou mais ao centro-direita, ambos em alternância governativa, com paleio moderno e modernista incutindo a necessidade de termos que ser pragmáticos, foram entregando o nosso destino aos liberais bruxelianos sem alma, aos credores especuladores financeiros, sejam o BCE, o FMI ou os fundos sem fundo que especulam nos mercados, passando nós a vivermos internamente um vida ilusória, sustentada por uma dívida pública que não para de aumentar, sempre de mão estendida perante os liberais bruxelianos.

Está o país entregue a uma nova classe de nobres insolventes sem princípios éticos e morais.

E quando assim acordo, vou à estante procurar poemas de quando era jovem e cujos livros os conseguia arranjar em livrarias amigas que os tinham fora da vista da bufaria reinante, livros proibidos, como tal não aconselháveis às boas famílias amantes do salazarismo e tementes à religião.

09.05.23 SNS

Na sala de espera no terceiro piso de Santa Marta espero que o meu número apareça no ecrã para consulta de cardiologia a pedido da médica de família.

De novo, como aquando da última consulta em Vila Franca de Xira, de manhã se instalou no peito um tipo de ansiedade quase medo, que nunca tinha sentido antes. Vamos ver se as notícias são como foram as de urologia, mas até entrar no gabinete do médico vou sentir este aperto ansioso. Coisas que a idade trás.

Para passar o tempo nada melhor que escrever ou ler. Como não trouxe nenhum livro, escrevo.

Logo de manhã na volta matinal pensei nos três milhões e tal de vacinas “covid” que foram para o lixo.

Aqui há uns anos atrás o Planeta foi invadido pelo medo da gripe das aves. A nossa comunicação social esfregou as mãos de contente, tinham matéria da boa para difundirem aos sete ventos o medo e ao mesmo tempo atacar o SNS na pessoa da Ministra da Saúde de um governo do PS.

Sem grande histórico e pressionados trinta e seis horas em vinte em quatro de um dia, o Governo encomendou milhões de vacinas para fazer frente à terrível gripe das aves. Felizmente a coisa não foi tão grave como se chegou a temer. Dos milhões encomendados, salvo erro, dois foram para o lixo, com a comunicação social a fazer nova novela criticando cálculos das previsões e posteriormente os gastos gerados.

Nesse tempo cada país da UE tinha que adquirir as suas vacinas e felizmente as piores previsões para a saúde pública não se comprovaram, daí as que se tiveram de inutilizar.

Em 2020 a situação é diferente. A OMS decretou a situação do vírus "sars-cov 2" como pandemia. Inicialmente não havia antídoto para o malvado vírus. O número de mortos por ação do malvado, todos os dias aumentava, os hospitais lotados, os profissionais de saúde à beira do esgotamento numa luta titânica ao serviço do SNS, enquanto a medicina privada se recusava a colaborar. Os da UE, perdidos nas medidas a tomar, decidem depois de muito discutir que as vacinas que acabavam de serem aprovadas pelo organismo competente, fossem negociadas de forma conjunta, isto é, adquiridas pela UE e não por cada um dos membros.

O pânico e o medo de braço dado dominavam na sociedade com os políticos a fecharem as populações em casa. Li que a senhora que está a frente da UE terá estabelecido com o laboratório Pfizer a intenção de compra de dez doses por cada cidadão da União Europeia. Pfizer é o laboratório onde o marido da senhora trabalha, coincidências, a que não é alheio o processo que o laboratório "AstraZeneca" interpôs contra a UE por a senhora ter unilateralmente rasgado o contrato que a UE tinha estabelecido com eles, passando a privilegiar a Pfizer.

Ainda apanhei a segunda dose, mas já não compareci para a toma da terceira dose. A senhora e os seus vassalos que se lixem, que nós cidadãos portugueses e europeus para além de andarmos a pagar os desfalques que os vigaristas do sistema financeiro fazem nos bancos privados, estamos a contribuir para o roubo (lucro) que a empresa onde o marido da senhora trabalha está a arrecadar à custa de um vírus. Empresa a que muitos apontam o dedo de estar na origem da propagação do vírus por um erro voluntário ou involuntário nunca se irá saber no seu laboratório localizado na cidade chinesa de Wuhan . Coincidências só coincidências.


Na consulta o médico especialista de cardiologia do Hospital de Santa Marta não viu nada que necessitasse de intervenção para já. Contudo prescreveu-me uma prova de esforço a realizar no hospital, informando-me que a mesma poderia demorar uns meses a sua realização. Depois de efetuar a prova seria marcada nova consulta para ele poder analisar melhor a situação. Cumprimentando-o saí do gabinete e desço ao piso um para tratar então das marcações.

Tiro nova senha e aguardo a chamada. Entrego os papeis no guiché e a senhora que me atendeu perguntou-me se o médico tinha pedido urgência para o exame, encolhi os ombros dizendo-lhe que ele me disse que poderia demorar meses. Então a senhora disse-me se eu queria fazer o exame ainda este mês, pedindo-lhe educadamente que seria melhor para o mês de Junho, porque quero ir uns dias à Beira Baixa. Já tenho a prova de esforço marcada assim como a próxima consulta, no mês de Junho porque eu pedi senão ainda poderia ter a prova de esforço feita este mês.

E andam tantos “papagaios” nos órgãos de comunicação social televisiva e escrita a dizerem mal, a falarem cobras e lagartos do SNS.

Santa Marta é um Hospital Universitário num edifício antigo, que talvez aguarde pelo sempre falado e esperado novo Hospital Oriental de Lisboa que já leva quarenta anos de promessas e projetos.

A esta situação junto o que me aconteceu com a minha médica de família aos prescrever-me vários tac’s também me disse que os mesmos poderiam demorar alguns meses a realizar. Passado cerca de 15 a 20 dias após a consulta tinha os relatórios dos tac’s efetuados na minha mão.

Daí, concluir que anda muita gente a ver televisão e a deixar-se ir na conversa dos “papagaios” e “servos” que por lá andam lançando o medo na população, inimigos convictos que são do Serviço Nacional de Saúde publico.

SNS que vai funcionando contra tantos inimigos do Estado Social, em grande parte devido aos profissionais da saúde que nele trabalham e por ele sofrem condições de trabalho que mereciam melhor atenção e condições por parte dos vários governantes.

Bem hajam, todos os profissionais que contra ventos e marés aguentam o Serviço Nacional de Saúde, onde fui sempre bem tratado. 

(fotos obtidas na net)

 

09.05.23

Goste-se ou não se goste, factos históricos são factos, embora haja seres mesquinhos e repelentes que gostam não só de plagiar como de reescrever adulterando factos históricos.

Indiferente à falta de moral e de ética desses seres, reza a verdade que:

"Em 1945, neste dia 09 de Maio o exército nazi, acurralado em Berlim e depois do suicídio de Adolf Hitler, assinou a redenção incondicional às tropas do Exército Vermelho da União Soviética, data que marcou o fim da Segunda Guerra Mundial no continente europeu"

Só é possível celebrar neste dia 09 de Maio o dia da Europa, graças aos milhões de mortos russos e à valentia heroica dos sobreviventes russos que repeliram a besta nazi de suas terras, perseguindo-a até a derrotarem no seu próprio coração, Berlim, fazendo a besta nazi assinar a redenção incondicional e desse modo terminar o maior flagelo que a Europa conheceu até aos dias de hoje.

Já muitos anos antes no tempo dos czares tinham os russos derrotado e destroçado o grande e imperial exército de Napoleão Bonaparte quando este invadiu as suas terras, demonstrando a história que nem sempre os exércitos mais avançados em engenharia de armas ganham as guerras.


(foto obtida na net)

 

08.05.23



Ano a ano as praias da costa marítima vão perdendo areia, mas que importa isso comparado com os investimentos que os projetos urbanísticos de betão tem para a orla marítima?

Ano a ano do céu cai menos chuva e a que que cai é de forma irregular e inconstante. A designada época de chuvas já não é garantia de chuva.

Ano a ano há ribeiros em cujos leitos à agua deixou de correr, há rios que eram afluentes de outros maiores que pelo pouco caudal que apresentam deixaram de ser considerados afluentes.

Ano ano a fome de água das chuvas aumenta. As terras a sul do Rio Tejo sofrem mais com a falta de chuva, mas, menos a norte do Rio Tejo a falta de chuva vai criando dificuldades quer na agricultura quer no abastecimento de água às populações

Mas que interessa a situação de seca se o Presidente vai falar ao país, depois do Ministro ter pedido a demissão e do Primeiro Ministro ter comunicado que não aceitava a demissão, como se essa zanga de compadres-políticos resolvesse o problema da falta de chuva para a diminuição da seca instalada.

Meio saturadas as teorias da conspiração contra o Governo por causa dos problemas de gestão que uma guerra de saias originou na TAP, há agora «papagaios televisivos» que descobriram que a seca existente no país há anos, poderia ser tema para nova novela na sua cruzada de difusão do medo, dando voz e tempo de antena aos que sempre dizem mal apontando novas criticas ao Governo como se o mesmo fosse o único culpado de as nuvens passarem e não deixarem a água que as forma cair por forma a minimizar a seca que vai no país.

Depois, lá aparece uma senhora que no Governo ocupa a pasta da Agricultura sem jogo de cintura-política, habituada que esta a anunciar e a vender medidas de apoios financeiros que mais beneficiam o sistema bancário e gabinetes de consultores deixando quase sempre o agricultor em pior situação, cultivando ano a ano o descontentamento das populações ligadas ao setor primário.

Mais uma vez a senhora que o ocupa a pasta da Agricultura sem jogo de cintura-política, anunciava estarmos de mão estendida em Bruxelas pedindo ajuda para fazer face à seca extrema.

Se chove de forma abundante e irregular ocorrem cheias e lá vamos de mão estendida pedir ajuda aos burocratas liberais de Bruxelas,

Se não chove de forma regular acordam tarde para a realidade nua e crua da seca e lá estamos de novo de mão estendida pedindo ajuda aos burocratas de Bruxelas.

Transformámos-nos num país pedinte, sem visão, sem força política, sem estratégica para as alterações climáticas no setor primário da nossa economia.

Se um pequeno ou médio empresário agrícola para desenvolver a sua atividade precisa de arrancar uma ou duas azinheiras ou sobreiras tem pela frente uma carga de dificuldades em trabalho burocrático. Mas, se um estrangeiro chega para investir num projeto de investimento agrícola, todos os organismos públicos ou fecham os olhos ou dão o despacho favorável para hectares e hectares com azinheiras, sobreiros e outras árvores autóctones serem arrasadas para nesses terrenos serem plantadas culturas intensivas e super intensivas seja em estufa ou ao ar livre que exigem muita água, mesmo com as novas tecnologias de irrigação aplicadas, água que se lhe vende abaixo do preço da “uva-mijona”, mas tudo a bem do investimento estrangeiro alavancado com fundos comunitários e até de um tal PRR, contribuindo alguns desses investimentos para Autarcas locais anunciarem saldo positivo na demografia, já que esses grandes investimentos se recusam a pagar salários dignos às populações locais, importando oficial e oficiosamente emigrantes a quem pagam salários de miséria.

Fico a aguardar as notícias favoráveis ao lóbi da água na defesa da dessalinização da água do mar por centrais de osmose inversa, a fim de que a mesma não falte no litoral para irrigar os campos de golfe, nem nos hotéis de cinco estrelas a fim de que o turismo possa continuar a mascarar rácios económicos.

Quanto ao interior, o problema da seca estará resolvido pois já temos um Ministério para a coesão territorial e com a sua existência facilmente a água da dessalinização chegará ao interior a preços acessíveis.

(foto obtida na net)
 

quarta-feira, 10 de maio de 2023

07.05.23

Ontem foi dia de se juntarem para de novo celebrarem o espírito de camaradagem e de amizade e respeito que o tempo vivido na Escola Industrial e Comercial de Peniche neles criou quando ainda jovens a frequentaram nos idos anos sessenta do século passado.

Uns saíram para o mundo do trabalho, que naquele tempo não havia para os jovens das escolas técnicas aquilo que hoje conhecemos como desemprego, terminada o 5° do curso industrial ou do comercial logo se encontrava colocação para o início de uma vida de especialistas na arte, na profissão que escolheram para a sua realização profissional; alguns outros tiveram a oportunidade de continuarem os estudos nos Institutos e Universidades mas sempre com a Escola Industrial e Comercial de Peniche no coração, que um dia os recebeu meninos e os preparou para ainda bem jovens os ver sair com os princípios de vida que ainda hoje comungam, jovens que ainda são nos seus setenta e alguns anos.

Foi o regresso depois do período de uma pandemia que os fez suspender os seus reencontro anuais, estando já em preparação novo encontro para o mês de Outubro em moldes mais abrangentes.

Um agradecimento particular ao Domingos Bandeira que tudo organizou com esmero e amizade, para que todos pudéssemos rever o espírito da Escola Industrial e Comercial de Peniche.

 

segunda-feira, 8 de maio de 2023

01.05.23

 

Maio, maduro Maio, quem te quebrou o encanto.

És ainda neste teu primeiro dia feriado, dia do trabalhador, mas as nuvens negras dos eunucos já sobrevoam as nossas cabeças, enquanto os vampiros afiam os dentes, batem palmas aguardando sedentos pelo reinício da festa.

Já não terei sangue para os alimentar, estou velho e cansado de ver tanto desperdício, tanta mentira andar de vento em popa como se fosse pura verdade, tanta incompetência política, tanto analfabeto ideológico promovido, tanto lambe-botas, tanto servilismo aos poderosos de Bruxelas.

Nas reuniões a que assisti aquilo que os jovens estudantes de economia colocavam em dúvida, aos políticos e militantes da adesão à então CEE, já nesse tempo a abandonar o caminho do Estado Social e a abraçar a corrente liberal que soprava do outro lado do Atlântico Norte, foi-se confirmando no tempo, vendemos a nossa independência a troco de dinheiros que apenas mascarou empobrecendo o país , hoje ainda mais dependente do exterior, alimentando os cidadãos com uma vida artificial, à beira até de a própria autonomia virmos a perder, tão submissos temos sido ao longo do tempo com aqueles seres sem alma.

Somos hoje um país que se prostituiu de mão estendida aos senhores de Bruxelas, sem que alguma vez tenhamos sido consultados para tais escolhas, nunca fomos chamados a votar não só nas transferências de soberania que políticos eleitos realizaram, como na escolha dos mandantes sem alma que por lá dizem governar.

Já não há nobres como Martim Moniz, nem como Egas Moniz, os atuais nobres políticos endinheirados já não se atravessam arriscando, nem levam cordas ao pescoço, agora só conhecem o dinheiro dolarizado das transações comerciais que tudo tem pervertido, com os arautos da governança a quererem convencer-nos que vivemos em democracia e em liberdade, ocultando essa gente tão serva como os demais mandantes da governança, que democracia e liberdade exigem que sejamos independentes nas nossas ações e vontades.

Não há democracia e liberdade sem independência económica, e nós vivemos de mão estendida aos mercadores e especuladores financeiros exteriores.

O que essa gente sem medula nos vendem já não admira, o que me admira é como é que um povo com quase novecentos anos de história, se entrega outra vez de novo, agora não a Castela mas a uns estrangeirados pouco europeus em Bruxelas, sem contrapartidas, andando sempre de mão estendida a pedir dinheiro aos outros.

Depois, ouço o velho disco de vinil com a voz do Zeca cantando “Maio maduro Maio” e nesse levitar lembro a frase do imperador romano Julius César quando voltou a Roma e sobre o povo que vivia na parte ocidental da Ibéria, terá comentado que era um povo estranho que não se governava mas também não se deixava governar.

Talvez seja esse o nosso próprio ADN ao longo dos quase novecentos anos de história.

25.04.23

Na vida tudo muda, tudo cambia como diz a velha canção sul americana, assim como um dia lá atrás no tempo dos gloriosos descobrimentos marítimos escreveu o nosso maior poeta, Luís Vaz de Camões, «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, todo o mundo é feito de mudança».

Há muitos anos neste mesmo dia 25 de Abril era um jovem sem direito a pensar no seu futuro, um jovem sem outro objetivo que não fosse o de sobreviver juntamente com os seus homens naquela guerra sem sentido nem futuro. Sobreviver era o único objetivo imediato, custasse o que custasse. Dentro do arame farpado ou fora dele, a primeira e única regra para sobreviverem era a de que tinham que matar o outro ser humano considerado como inimigo antes que este os matasse. Era o primeiro e mais importante conceito da vida que levavam para que um dia, sempre sonhado às escondidas não fossem os esbirros da PIDE ouvirem o sonho, poderem voltar para as suas terras, para as suas famílias. Nesse dia 25 de Abril de 1974 a vida correu normalmente dentro do arame farpado, cumprindo-se os procedimentos militares normais, por mera casualidade estavam todos, nenhum grupo de combate estava fora em operação.

Apenas no dia 26 de Abril, pelos homens das transmissões, tomaram conhecimento efetivo de que tinha ocorrido no “Puto” um golpe militar. Tudo o resto era uma incógnita para as suas vidas. Nada sabiam e pouco compreendiam, já que não conheciam nenhum dos militares obreiros do vitorioso dia. Costa Gomes e Spínola eram nomes conhecidos pelos cargos que ocupavam na hierarquia militar, todos os outros eram incógnitas. Há vontade de sobrevivência juntou-se a ansiedade de saber o que os novos senhores propunham para aquele território de Angola em guerra há treze anos, e, a necessidade de mais do que anteriormente manter a disciplina militar dentro e fora do arame farpado. Na sua companhia eram todos milicianos exceto dois, o primeiro e segundo sargento.

O rádio Crown com ondas curtas ia dando a conhecer a alegria que no “Puto” se vivia com o país em festa pelo fim da nova longa noite negra, mantendo-se o futuro deles numa incógnita igual ao que tinham antes do dia 25. Sentiram a mudança de opinião dos oficiais superiores que comandavam o Batalhão, a 26 de Abril deixaram a defesa imperiosa dos bons costumes e públicas virtudes do regime, e, já eram todos amantes da democracia, exceção era o Segundo Comandante Major Nolasco, que defensor da disciplina militar era já antes desse dia um crítico consciente da hipocrisia reinante no Estado Novo.

A organização fascista da PIDE mantinha em Angola todas as suas estruturas, protegida pela Junta de Salvação Nacional, entretanto nomeada no “Puto”. Também os falsos agentes daquela organização fascistas que na Catota o tinham catalogado de "comunista" se diziam defenderem a democracia em posteriores reuniões que ocorreram na sede do Batalhão e onde ele tinha sido eleito para nessas reuniões representar a sua Companhia. O tempo passava, novidades sobre o futuro das suas vidas de militares milicianos continuava no segredo dos deuses.

Lá longe nas quase terras do fim do mundo, tinham conhecimento que com a Liberdade instituída no “Puto”, havia constantes manifestações de jovens que se auto proclamavam de revolucionários marxistas leninistas maoistas, saídos da pequena e média burguesia, sob uma bandeira com a sigla MRPP, que defendiam ruidosamente "não mais um soldado para as colónias". Eram uns valentões esses burgueses revolucionários.

Que lhes reservavam os senhores que mantinham viva a guerra em Angola?

Dia a dia mais difícil se tornava manter a ordem e a disciplina militar.

A UNITA foi a primeira organização a estabelecer um acordo de paz com as autoridades militares em Luanda. Fruto desse acordo foi nomeado para não só acompanhar como transportar nas viaturas militares um grupo da UNITA comandado por um seu capitão. Percorreram todos os aldeamentos (quimbos) da área de atuação da sua companhia. Ele e os seus soldados, onde pontificava um cabo totalmente estrábico cuja família era conhecida como simpatizante militante do MPLA, puderam constatar a alegria da festa contagiante das populações ao ouvirem os discursos dos homens da UNITA. Um total contraste com que durante ano e meio de ação psicológica os recebiam quando os visitavam em operação. De tal modo foi o contraste que naqueles dias em que acompanhou os homens guerrilheiros da UNITA se viu com um rebanho de cabritos que as populações lhe ofereceram como forma de mostrar a alegria e a gratidão por acompanhar e transportar guerrilheiros das suas gentes até à pouco perseguidos pelas tropas do “Puto”.

No dia 26 de Abril guerrilheiros da UNITA tinham atacado um dos aldeamentos de ação da companhia.

Antes de receberem ordem para regressar ao “Puto” ainda foram para a fronteira Norte Angola em Maquela do Zombo, conhecendo uma outra Angola muito diferente da que tinham conhecido lá no leste.

No final de Novembro, dia 29, desembarcaram no mesmo local que quase dois anos antes os tinha visto partir numa noite fria de Dezembro, ainda a tempo de poderem saborear a festa popular em que o país vivia sem medo, sem bufos, onde o sonho era a própria fronteira e a utopia a sua companhia.

Passado um ano menos quatro dias, num outro 25, não primaveril, chegou a "Nova Ordem Democrática" e com ela o fim da festa popular, os sonhos voltaram a ser aconselhados a serem guardados, o país tinha que entrar na ordem pois assim tinham decidido as então duas potências, URSS e EUA em Vladivostok, estando já em Portugal como embaixador o ex diretor da Cia com a experiência necessária pela participação no golpe fascista de 11 de Setembro de 1973 que derrubou e matou o presidente eleito do Chile, Salvador Allende.

Hoje os civis a quem os militares apoiantes da "Nova Ordem Democrática" entregaram de mão beijada os destinos do país celebram a data gloriosa do 25 de Abril de 1974, sem festa popular, escudados e protegidos no palácio da Assembleia.

À festa popular sobrepõem-se discursos políticos fechados no palácio, cada ano que passa mais longe dos ideários que a 25 de Abril os militares revoltosos ofereceram ao país, democracia, desenvolvimento e acabar com as desigualdades.

A democracia vive numa anemia crónica, ameaçada constantemente pelos saudosos da ordem e disciplina do Estado Novo em aliança estreita com os neoliberais das políticas económicas e conservadores ortodoxos do "Deus Pátria e Família".

O desenvolvimento prometido foi trocado por políticos governantes com a subordinação da nossa independência económica ao poder em Bruxelas que não é eleito por sufrágio universal europeu mas apoiado e obediente à vontade exterior à própria Europa, e, tudo isso a troco de muito dinheiro para o mesmo se sublimar satisfazendo lobis, clientelas e amigos com obras megalómanas, em off shores e umas migalhas restantes para a manutenção da ideia de Estado Social, com os cidadãos a viverem uma vida artificial graças ao endividamento público do país.

Se o desenvolvimento económico falhou as desigualdades agravaram-se, sendo hoje muito maiores do que alguma vez o foram em democracia.

Hoje dizemos "25 de Abril Sempre! Fascismo nunca mais!!" mas, os novos agentes do fascismo já estão sentados no palácio da Assembleia, de nada servindo discutir com acusações de quem lhes facilitou a chegada aquela que alguns designam pela casa da democracia.

O mundo é composto de mudança escreveu um dia o poeta, pelo que, mudam-se os tempos mudam-se as vontades, com os novos adeptos do fascismo a terem a tarefa facilitada pela aplicação de políticas sociais economicistas desajustadas e injustas para o comum do cidadão, às quais os órgãos de comunicação social vigentes com os seus servos obedientes juntam horas a fio a “serrarem presunto” com presumíveis e casos de corrupção que cirurgicamente os "novos justiceiros" do ministério público passam para os amigos nesses mesmos órgãos de comunicação social, com o objetivo não só de desgastar a imagem dos fracos governantes, e com isso fazerem crer que todo o descontentamento existente é obra da Democracia, consequência do glorioso 25 de Abril de 1974, dos valentes capitães de Abril que arriscando a própria vida mudaram a agulha da vida deste Portugal que já foi Condado, Nação, que lutou em guerras pela sua independência, que com o saber nacional nos descobrimentos deu novos mundos ao mundo, que sofreu quase três séculos a ditadura religiosa da Inquisição, que virou República vivendo de novo uma noite negra de quarenta e oito anos para na madrugada de 25 de Abril de 1974 pacificamente ser uma Democracia de pleno direito.