domingo, 10 de novembro de 2019

Falo sem falar


Falo sem falar
Falo sim, porque me escuto
Não duvides que falo sem falar
Ouço as minhas falas sem falar
Falas que são minhas
Não. Não é loucura, eu falo sem falar.

Não queiras saber o que falo sem falar
Não irias entender as minhas falas sem falar

Escuta o vento
Quando entenderes o que ele diz
Quando compreenderes as conversas do vento com as árvores
As falas das árvores umas com as outras
Quando ouvires e entenderes…
Esses murmúrios
Esses gritos silenciosos
Então, poderás ouvir as falas que falo sem falar
Irás entender o que é andar «Na outra margem da vida»
Ser solitário sem solidão
Triste por vezes sem deixar de ser feliz
Irás compreender que tristeza e felicidade são companheiras de jornada
Não são nem inimigas nem sequer contraditórias
Irás compreender então o que eu falo sem falar

Depois, sem falarmos olhamos-nos nos olhos
E, seguiremos de mãos dadas rumo ao futuro.
É lá que mora a Esperança.

sábado, 9 de novembro de 2019

A noite


A noite já passou de um sono só. Pela janela virada a nascente vejo o abraço que o dia e a noite estão partilhando numa cerimónia que repetem à milhões de anos sem se cansarem desta rotina. O frio, aquele frio de barba rija, já se faz anunciar. No seu passo certo o outono vai-se despedindo anunciando o tempo de inverno. Só a chuva tão desejada não se faz visita destas pobres terras povoadas ainda de gentes que se recusam a desistir, vivendo a esperança ansiosa de que os deuses se lembrem da sua existência e a façam cair em abundância dos céus de forma serena sem sobressaltos.
Na capital do Reino a exemplo da falta de chuva continua a seca de ideias próprias para o amanhã deste torrão que já foi jardim à beira mar.
Os governantes vivem cercados de lobis, emparedados por uma comunicação social agressiva destruidora sem princípios éticos onde a qualidade é uma regra que pertence ao passado. Governantes que vivem submissos ao capital financeiro que nos domina a todos porque sem ovos não se fazem omeletes parecem ter perdido a capacidade de sonharem e de lutarem por uma sociedade mais decente embarcando neste rumo sem motor e sem velas que é a actual U.E. restando os remos para alguns poucos mais audaciosos procurarem remar contra a maré
Assim vamos. Uns cantando e sorrindo, outros chorando suas raivas e impotência com muitos dos restantes a levarem as mãos aos céus nos direcção de Fátima acreditando nos tais poderes milagrosos que a mente prodigiosa dos humanos é fértil em acontecimentos.

Sócrates, o português


Não sou um apreciador e muito menos um seguidor do senhor Sócrates, o português entenda-se. E , não o sou antes, não depois de se ouvirem todas as coisas que a justiça fez passar cá para fora através de canais amigos de possíveis justiceiros.
Nesta casa onde escrevo esteve o senhor Sócrates, o português entenda-se, quando ainda fazia a sua caminhada rumo ao poder. Soube-o por um amigo do meu pai e amigo dele também. Enquanto fazia o percurso de subida quase todas as semanas telefonava ao meu velho, não se esquecia. Conheci-o pessoalmente num jantar do partido ali em Idanha a Nova em que acompanhei o meu pai. Sempre sorridente e afável era para o meu velho um político em que ele confiava, mesmo quando os filhos lhe diziam para ter cuidado que a coisa não era como ele a via.
Contudo o senhor Sócrates, o português entenda-se, assim que chegou lá ao cimo e se sentou no poder rápido esqueceu o velho Senhor João, nunca mais teve tempo para o costumeiro telefonema. Foi essa atitude para com o meu velho que me levou a distanciar-me ainda mais de tal personagem política, que eu a única organização de que fui filiado por livre vontade foi o Os Belenenses, o verdadeiro e não esta aberração político-clubista de “belenenses sad”. Fui mas também saí de livre vontade quando achei que era a altura de sair.
Mas voltando à figura do político senhor Sócrates, o português entenda-se, assim como sempre coloquei água fria no entusiasmo do meu velho, também não o condeno na praça pública. O avô materno foi um homem rico com o negócio do volfrâmio era o que sabia de seus bens materiais, se ele herdou muito ou pouco não me interessa nem tão pouco as notícias que circulam na comunicação e redes ditas sociais me chamam a atenção. A justiça nas mãos dos justiceiros de ambos os quadrantes que dominam o exercício da mesma justiça que se entendam, que eu não fui eleito para juri de tal e tais coisas que pelo ar circulam.
A corrupção é inerente ao ser humano. Uns deixam-se levar pela ambição desmedida e tornam-se corruptos, passivos ou activos tanto faz. E , assim como passo entre os pingos das notícias sobre o senhor Sócrates, o português entenda-se, também não simpatizo nem nutro confiança nos saberes dos senhores juízes Carlos Alexandre e Ivo Rosa porque vejo neles muita ambição de notoriedade e vaidade. Sendo a ambição ela própria o motor que leva à corrupção o melhor é seguir pela outra margem, deixando eles esgrimirem os seus dados de justiça e justiceiros, que estou mais preocupado com a chuva que não cai dos céus… será que nesta coincidência infeliz da falta de água a cair dos céus, para alguns jornalecos e justiceiros de meia leca também haverá mãozinha de Sócrates, o português entenda-se?
Quer o político quer o juiz em democracia são funções de responsabilidade para servirem a sociedade e não servirem-se dela por vaidades e ambições. É por isso e por isto que gosto de ler e recordar o exemplo de vida de Pepe Mujica.

Futebois


Mais uma semana que se passou onde o futebol ocupou largo espaço informativo. As provas europeias são o “tac”, a ressonância magnética que comprovam a pobreza, a quase miséria do futebol português das suas estruturas e organização desportiva.
Podem os paladinos costumeiros, artilheiros oficiais, oficiosos e outros falsos mensageiros enaltecerem as qualidades dos jogadores, o saber matreiro dos treinadores portugueses que chegada a hora do apito por outros árbitros que não os cá do reino, com raras excepções as ditas grandes equipas (algumas quase sem jogadores portugueses) não apresentam nem estratégia nem velocidade para defrontaram boas equipas da chamada segunda linha do futebol europeu.
Vivemos uma farsa gigantesca no futebol. O rei há muito que vai nu, mas iludidos pelos paladinos do poder, pelos artilheiros oficiais e oficiosos e outros falsos profetas continuamos a discutir lances e apitos, a cultivar o fanatismo das claques, deixando que as estruturas do mesmo futebol continuem a lenta mas proveitosa destruição do desporto enquanto espectáculo.

Tristes acontecimentos


Há notícias e acontecimentos que mexem connosco reagindo cada um de nós de acordo com a sua forma de ver e sentir a vida.
Depois do triste caso do bebé de Setúbal onde para lá da atitude indigna do profissional de saúde se descobre como é fácil sacar dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde, ao Estado que somos todos nós. Uma tristeza em cima da outra inicial.
Agora, fala-se e diz-se muita coisa sobre a moça sem abrigo que pariu no meio da rua e de imediato colocou o bebé num ecoponto. Toda esta cena é demasiado triste. Talvez o nevoeiro que há pouco havia por aqui me fez vir à memória uns versos do poeta Bertolt Brecht,
Da Violência
Do rio que tudo arrasta se diz que é violento
Mas ninguém diz violentas
As margens que o comprimem
Depois, bem depois é … não sei, faltam-me as palavras certas para escrever toda a hipocrisia à volta do outro “sem abrigo”, salvador da criança que logo à nascença foi abandonada.
Parece até que os homens que exercem o poder político olham com atenção caridosa para os muitos e variados seres humanos que vão engrossando este novo exército de excluídos pelo sistema moderno que nos vem governando há muito. O Presidente na sua fobia de aparecer, ser notícia, dar um ar de cristão católico caridoso a espreitar para dentro do ecoponto, gosta de aparecer em actos de caridade junto dos “sem abrigo”. O Presidente é por inerência constitucional o Comandante Supremo das Forças Armadas, mas nunca teve um acto efectivo de solidariedade para com os muitos antigos combatentes das guerras da Índia, Angola, Guiné e Moçambique que vagueiam como “sem abrigo” pelas ruas das cidades deste país. Porque será? Que medos o impedem de tomar a iniciativa para que o Governo (este ou outro tanto faz) reveja a situação desses homens que um dia ainda jovens o Estado Português lhe roubou parte da sua juventude mandando-os para uma guerra que nunca foi deles. Não espero nada do barulho que muitos fazem à volta dos antigos combatentes, porque nunca me irão dar o que me roubaram da minha juventude, dos meus sonhos de vida.
Contudo ficava-lhe bem o Senhor Presidente tomar a iniciativa de dar um passo em frente para que a situação dos antigos combatentes “sem abrigo” assim como os doentes psiquiátricos causados pelo stress pós traumático provocado pelas situações vividas nas frentes de batalha dessas guerra inglórias,fosse efectivamente tratada como há muito o deveriam ter feito.
Ficava-lhe bem Senhor Presidente e não o veríamos nessa triste figura a olhar para um ecoponto porque mesmo velhos ainda sabemos respeitar e receber o Comandante Supremo das Forças Armadas sejamos bem instalados na vida, instalados sobrevivendo ou “sem abrigo”.


sábado, 2 de novembro de 2019

Hestórias


Era uma vez um pedaço de jardim à beira do Atlântico que de um casamento de gente nobre se fez Nação e entre guerras, pelejas, navegando sem se importar com a fúria dos mares, já leva quase novecentos anos entalado entre o Atlântico e os vizinhos galegos, leoneses, castelhanos, extremenhos e andaluzes que com outros povos constituem a Espanha moderna.
Vivendo um tempo de Democracia parlamentar integrado numa União Europeia que se queria solidária e fraterna vai conhecendo tempos de evolução positiva entre avanços e recuos porque nem sempre os políticos que nos governam o fazem com a seriedade necessária à própria evolução da Democracia. É triste mas é verdade.
Ainda não passou um mês em que políticos activos organizados em partidos políticos nos prometiam uns o céu, outros o céu passando pelo purgatório e outros o inferno. Nestas coisas da política há sempre um que consegue os votos necessários para sozinho ou em coligação governar.
O partido político que já nos governava voltou para nos continuar a governar com tudo limpo e direitinho que nem o penálti que o árbitro viu mas não quis marcar. Tudo isto a propósito de em plena campanha os políticos ganhadores afirmarem a plenos pulmões que uma das grandes preocupações seriam as alterações climatéricas. Mal começam a tomar de novo decisões e temos:
- Exploração do lítio numa trapalhada de interesses pouco amigos quer da transparência quer do ambiente
- Aeroporto do Montijo outra trapalhada de interesses pouco claros e amigos do ambiente

Eu sei que em política é normal dizer-se «olha para o que eu digo e não para o que eu faço» por isso é que aprendi a ouvir e a ver o que não nos dizem nem nos mostram.

Pergunta-me a minha sombra, se o famoso lítio em vez de se concentrar em terras do interior transmontano ou beirão, existisse nas terras da beira mar que atitude seria a dos políticos governantes? Não sei mas tenho pena de hoje a sociedade civil não ter a capacidade que em 1975 impediu a construção da central nuclear em Ferrel (Peniche). Os tempos são outros e todos nós vivemos mais aburguesados dando mais tempo de antena à aculturação do halloween do que aos problemas que vão afectar a vida dos netos e bisnetos.
Quanto a aeroportos deixem-se de histórias, de gastar dinheiro que não temos para obedecer a interesses de entidade privada que não se preocupa com o país porque o seu objectivo é o lucro e só o lucro para nos continuar a subjugar.
Nem Montijo! Nem Alverca! Olhem para o que fizemos em Beja!
Comecem a construir Alcochete por fases a pensar no ambiente e no futuro de um Portugal mais próspero e solidário com os seus cidadãos e deixem de nos dar telenovelas poluídas.


quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Mar



No silêncio das ondas se espraiando
No silêncio do grito das gaivotas
No silêncio de estar só
Ali frente ao mar
Ao universo
À fonte de vida de onde um dia talvez tenha submergido
Para num outro dia mais tarde
Quem sabe se para lá voltará

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Somos da 2ªC. Caç



Dia em que os do norte e os do sul rumaram à cidade de Coimbra para confraternizarem a Amizade que há quarenta e sete anos entre disciplina militar e muitos sacrifícios souberam criar nos matos das terras angolanas. Sempre se recordam historias passadas e sofridas sem graduações pois hoje temos todos o mesmo grau hierárquico, somos todos antigos combatentes da muy digna 2 Companhia de Caçadores 5010 originária do antigo BC10 na bonita cidade de Chaves.
Angola faz parte do nosso passado. Em todos existe a nostalgia de podermos lá voltar se para tal tivéssemos condições monetárias para podermos dar de novo um abraço amigo e irmão às gentes do Mumbué. Sonhos de realização quase impossível mas que nos une num sentimento que não nos podem roubar.
Fomos carne para canhão quando tão jovens nos mandaram para a frente de combate na defesa de um Império que nunca existiu na verdade. Hoje na fase de grisalhos para velhos somos ignorados pelos novos ocupantes dos palácios do poder democrático. Mas felizmente nada queremos de quem não sabe respeitar os antigos combatentes, de quem sempre se recusou a dar uma mão às famílias onde persiste o pós trauma de guerra. Há verbas no SNS para ajudar a deixarem de fumar, a financiar operações estéticas, mas nunca souberam olhar para os antigos combatentes, nunca existiu folga para acudir às doenças psiquiátricas daqueles que ainda hoje passados tantos anos sofrem com a malvada guerra para onde o país os mandou.
Hoje em Coimbra soubemos celebrar a Amizade, recordar os que já se foram desta viagem e dizer aos novos donos dos mesmos palácios de então que soubemos honrar as palavras de ordem do batalhão a que pertencemos "Nós Somos Capazes" ontem, como hoje, como amanhã...

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Conversas íntimas


No caminho entre a casa e o comboio os seus dois “eu” vão dialogando ora em harmonia ora em diálogo mais ríspido. Pudesse e soubesse ele armazenar os dados processados entre os dois enquanto caminha e escreveria um livro, soubesse ele...
A “Sombra” é sempre mais crítica no falar e nas acções do “Eu”, funcionando como a voz da consciência em auto-critica.
Os dois (estará bem dito?) coabitam, nasceram no mesmo momento, no final de uma noite longa de inverno quando o dia receberia os primeiros raios de luz. Cresceram e desenvolveram-se em sintonia. Quando tomaram consciência das coisas da astrologia viveram de mãos dadas pensando enquadrarem-se no signo Capricórnio, não dando muita importância ao facto assumiam-se como tal. No inicio da curva descendente da vida ficaram a saber que tal não era assim, afinal eram do signo de Sagitário, zangaram-se. Agora vivem os dois, quando o “Eu” é Sagitário a “Sombra” é Capricórnio, quando o “Eu” está Capricórnio a “Sombra” procura estar em Sagitário. Imagem dos conflitos internos que protagonizam entre o viver no correr dos dias e, nos momentos de reflexão ou de meditação quando vagueia pelas ruas e campos sem destino.
Ambos têm consciência dos conflitos que vivem, ambos têm consciência que são inseparáveis enquanto durar esta viagem. O passado os moldou, o presente é dos dois, o futuro por enquanto não existe. Às vezes a “Sombra” vai na frente, noutras ocasiões deixa-se ficar para trás mas entram juntos no comboio. 
Se o “Eu” é o emocional a “Sombra” é o racional e vice-versa. Se o “Eu” é o intuitivo a “Sombra” é o factual e vice-versa. Pelo modelo ocidental ou são um ou são o outro e quase nunca os dois. Se o “Eu” é o positivo a “Sombra será o negativo ou o neutro. Os dois “Eu” e “Sombra” são o orgânico.
Quem comanda a escrita, o “Eu” ou a “Sombra”? Não sabe! Mas os dois estão de acordo com o rascunho que ele vai escrevendo no papel.
Um dia ao passar em trabalho na zona de Cascais-Sintra queria lembrar-se do nome do director financeiro daquela empresa de telecomunicações, que um dia em Mafra ajudou a passar aos serviços auxiliares quando estavam no serviço militar e o "Sistema" de então queria todos os jovens aptos para a defesa da soberania em África, mesmo quando tais jovens eram doentes de asma como era o caso. Era difícil sair de Mafra para a consulta externa no Hospital Militar Principal ali para os lados da Estrela em Lisboa, mas ele conseguiu que o amigo saísse embora nunca mais se tivessem visto enquanto militares; ajudou-o e o outro nunca mais o procurou para pelo menos lhe dar um abraço de agradecimento. Agora sentado ao lado do condutor procurava na memória armazenada o nome dele e não o encontrava nos arquivos. Quanto mais se esforçava mais vazia sentia a memória, olhava o azul do mar na estrada do Guincho e enervava-se. Na manhã seguinte ainda era noite quando debaixo do chuveiro o nome que tanto buscava no dia anterior como que saiu das moléculas de água quente que lhe batiam na pele do rosto e se postou ali em frente com todas as letras J R (João Ribeiro). De novo outra questão se lhe colocou. Quem encontrou o J R no arquivo morto da memória, o “Eu” ou a “Sombra”?

Sombra: - Repara,... Já antes de te casares sofrias a acusação de não seres nem fazeres nenhum esforço para seres romântico
Eu: - O meu universo era a luta pela igualdade, pela fraternidade e solidariedade, na minha dialética homem e mulher eram seres iguais que viviam...
Sombra: - Pois... então porque te casaste?
Eu: - Pois... sei lá. Karma, caminho a percorrer? Nada acontece por acaso? Pois... Só sei que não sei. Gostava dela a meu modo amava-a...
Sombra: - O amor é sempre subjectivo
Eu: - Tenho fotos desse tempo que se as publicasse, diriam hoje serem um exemplo do meu ser romantico, mas...
Sombra: - eu sei o que vais dizer, esqueces que estava lá quando a olhavas e guardavas num clik o momento e o sentimento?
Eu: - é... coisas do passado que não constituem saudades, apenas memórias

Seguiam naquela manhã  com este conversar quando chegaram à estação. Gostava de chegar em cima do horário para não ter que esperar muito tempo pelo comboio.

domingo, 6 de outubro de 2019

Eleições


Levantei-me aos primeiros raios da aurora. Votei manhã cedo. Depois vivi o dia normalmente sem dar atenção aos órgãos de comunicação. Ganhe quem ganhar, amanhã o sol irá aparecer a leste, terá o seu ocaso la para o final da tarde a oeste. Nos tempos mais próximos os ventos e as chuvas continuarão a ser influenciados pela localização do nosso conhecido anticiclone dos Açores.
Nesta noite ao serem conhecidos os resultados eleitorais uns cantarão vitória, os outros tentarão a todo o custo justificar a não vitória da sua mensagem. É a política felizmente.
Os cobardes abstencionistas irão justificar a sua opção egoísta dizendo que os políticos são todos farinha do mesmo saco, acusando-os de corruptos e ladrões. Fazem-no desconhecendo que isso é a própria imagem do seu carácter. Coitados. Recusam-se a olharem-se ao espelho, daí o culparem os políticos sem outras provas que não seja o bate boca de alguns jornalistas especializados em sensacionalismos justiceiros, antes da própria justiça se pronunciar de facto em sentença transitada em julgado.
Depois de arrumados os deputados eleitos, de escolhido o líder para o próximo Governo iremos saber das medidas concretas que irão influenciar a nossa vida quer privada quer colectiva. Mantendo-se de antemão o peso da dívida pública continuaremos a ter em cima das nossas cabeças o machado pesado e cortante da mesma; que o novo "var" do BCE estará atento à menor falta para demonstrar que o caminho para melhorar as condições de vida dos portugueses é altamente perigoso e lesivo dos interesses da elite neoliberal que controla pelo poder financeiro a nossa economia.
O novo arranjo de poder nos órgãos de comunicação social a concretizar-se irá contribuir para o afundar ainda mais da qualidade televisiva, levando a alienação a níveis de profunda depressão para todos aqueles que têm na televisão a sua companhia de todas as horas.
O ambiente irá continuar negro. As meias mentiras irão sobrepor-se às meias verdades. Tentarão convencer-nos a mudarmos hábitos de consumo dentro de parâmetros bem definidos pelos tais poderosos da finança de modo a continuarmos a viver felizes e contentes com a desgraça dos outros. O que se passa no Ártico e na Antártida continuará a ser servido como imagens espectaculares só possíveis pelo avanço tecnológico, nada como sendo consequência da exploração desenfreada e gananciosa da Natureza.
Os lobbies maçónicos, religiosos e gays continuarão a sua luta de poder fora dos nossos olhos. Eu que não sou gay, visto calças e não uso nem saias nem aventais continuarei pela outra margem atento aquilo que não nos contam mas está nas entrelinhas.
Por fim:
- Que os vencedores saibam honrar a oportunidade que os cidadãos votantes e interessados lhes proporcionaram para bem servirem o país.