segunda-feira, 23 de março de 2020

Quinto dia dos resto das nossas vidas


Estamos no quinto dia. Já não posso ouvir falar do vírus, dos infectados mais dos que infelizmente não resistem. Só mesmo em tempo de guerra se morre e ninguém da família e amigos se despede na hora de descer à cova ou ao entrar no crematório. Não tenho o culto da morte e nem imagino o sofrimento de quem vê os seus acabarem esta viagem desta forma. Não gosto de ver as estatísticas dos que já faleceram por intervalos de idade. Sei que estou nos intervalos críticos. Os 69 não deixam grande margem. Procuro ter sorte e continuar a minha fuga quer ao vírus quer à morte. Agora nem desço ou subo pelo elevador, vamos pelas escadas. É só um terceiro andar e o subir até faz bem à saúde embora seja mais fácil desce-las.
Hoje na rua pelas sete da manhã com um pouco mais de movimento quer de viaturas, quer de possíveis trabalhadores a caminho dos seus trabalhos. Continuo muito apreensivo ao que se se irá passar com a economia. Não sou daqueles que pensam que à economia o que é da economia e à política o que é da política. Não, para mim todas as medidas que se tomam em termos económicos refletem uma imagem um pensamento político. Economia e Política são dois gémeos siameses que vivem sempre unidos, não se podem separar.
Depois do pequeno almoço tomado a ouvir as tristes e esperadas notícias sobre a situação quer no país quer na Europa e Mundo comecei a mexer nas plantas a limpa-las,algumas a mudar de vaso e por fim a limpar as folhas e caules combatendo a porcaria da cochonilha que é uma praga em algumas das plantas.
Apreensivo mas não em pânico nem borrado de medo.

domingo, 22 de março de 2020

Quarto dia do resto das nossas vidas


E ao quarto dia chegamos a domingo. Um dia normalmente mais calmo mesmo nos tempos de paz. Neste tempo de guerra ao invisível vírus a rua apresentava-se ainda mais deserta do que nos dias anteriores. Há mesma hora de todos os dias, tirando um autocarro de onde desceram duas trabalhadoras do lar de idosos que existe aqui na rua, nem um carro circulava na estrada nacional número dez. O silêncio que reina começa a cansar. Seguimos sem passar a ponte para o outro lado já que vi várias pessoas vestidos a preceito a atravessá-la para irem caminhar e ou correr pelos trilhos. Pensei que chegando ao parque de estacionamento que existe entre a estação do comboio, as paragens dos autocarros e as duas escolas de ensino a podia libertar. Enganei-me. Andava por lá um velho conhecido dos trilhos que gosta de fazer corrida de manutenção para a sua forma física. Regressamos a casa no nosso passo de pastora alemã.
Observo nas redes sociais gente nova falar mal dos mais velhos como eu que andam na rua a passear os seus animais ou simplesmente vão dar o seu passeio higiénico diário. Não os entendo. Saio para a rua pela manhã quando muitos ainda dormem. Ando com umas luvas daquelas usadas nos trabalhos domésticos de limpezas. Fora de casa apenas toco na porta do prédio dos dois lados porque a tenho de abrir quando saio e quando entro. Não uso máscara porque não as tenho e nunca gostei de mascarados, não sendo obrigado não as uso. Quando abro a porta de casa tenho o frasco do álcool à entrada que vai dando para desinfectar as luvas, às vezes até as lavo com sabão antes de passar o álcool. Aqueles que tão mal falam dos velhos que andam a passear os seus animais não sabem, não imaginam o que eles pensam e sentem em relação ao medo da morte, do sofrimento, do mal fadado vírus, que veio por em causa todo o modelo de sociedade onde uma minoria vivia como nababos enquanto a grande maioria iludida-se num viver de faz de conta, muitos deles vegetando para alimentar a esperança de poderem dar e ter um outro modo de vida. Gente que da vida pouco sabem, pouco conhecem pelas facilidades que os mais velhos com suor sangue e lágrimas foram construindo ao longo da história. Gente que na sua possível maioria os mais velhos progenitores lhes facultaram felizmente um crescimento de muitas facilidades pelo que agora quanto ao respeito pelos outros só conhecem "os seus direitos". 
Os mais velhos morrem mais nesta guerra biológica porque pela idade vão-se perdendo as forças da imunidade, pelo próprio passar dos dias vão ficando mais sedentários, mais imobilizados, mais fracos para poderem resistir ao ataque traiçoeiro que o vírus lhes prega.
Eu não tenho medo do vírus, não tenho medo da morte, tenho medo é dos humanos, desses eu tenho medo um medo crescente face à geração de papagaios jornaleiros necrófagos que invadiram os órgãos de comunicação social televisiva. Desses mabecos, dessas hienas falantes vou ficando com medo e, como já não tenho a minha ex-companheira G3 para lhes dar um tiro entre as pernas, irrito-me, chamo-lhes todos os nomes feios do meu íntimo vocabulário de seguida chateado corto-lhes o pio ou levanto-me e vou para outra divisão da casa onde eles não entram. Sim, corto-lhes o pio. Eles não falam, eles e elas piam como os corvos e os grifos, guicham como as hienas quando se babam para degustar um outro animal moribundo.
Mas, voltando ao meu andar pelas ruas desertas ia eu pensando mais uma vez na educação, na vida futura das minhas netas e do meu neto. Como irá ser o futuro deles. Como estará o aprender da minha neta mais velha no sétimo ano e em casa forçada pelo vírus fdp. Não duvido que ela estará estudando e fazendo os seus exercícios. O que me preocupa mais são todos os alunos, bons, médios, sofríveis e maus, em causa sem aulas e muitos deles sem computador ou internet que lhes permita poder estar em contacto com os professores. Pior me sinto quando ouço que há professores que em casa não usam o computador. Depois mal ou bem penso no que ao longo destes anos todos desde Abril74 se fez de errado na educação dos jovens. Desde o se ter acabado com as Escolas Técnicas da Industria e do Comércio porque num devaneio libertador acreditamos que éramos todos iguais e deveriam andar todos a estudar sob a mesma designação de ensino. Que as designações de Liceus e Escolas eram segregações de classe do fascismo-salazarento. Um erro o acabar com as Escolas Técnicas que nenhum político quis assumir. Acabaram com as Escolas ou seja acabaram com a formação de operários especializados para a industria e para os serviços. Mudaram diversas vezes os nomes aos estabelecimentos de ensino, mas isso não deixou de produzir saberes mais teórico do que prático num facilitismo sempre crescente. Durante anos o Estado desenvolveu um método de ensino à distancia porque nem todas as vilas tinham estabelecimentos de ensino oficial de ensino secundário. Durante anos jovens de aldeias e lugares mais isolados aprenderam através da Telescola ou seja um método de ensino onde a televisão funcionava como fonte de explicação. Contudo os partidos que nos têm governado ao longo de todos estes anos e que tantas reformas já fizeram para a Educação, sem grande êxito diga-se, acabaram com a Telescola como forma de ensinar à distancia. Hoje face à situação de guerra contra o vírus professores e alunos vivem uma indefinição do que irá ser o futuro próximo. Se houvesse ainda Telescola todos os alunos iriam continuar a ter a sua matéria para estudar sem esta questão de uns terem acesso à professora por computador e outros não. É que televisão em casa todos têm quase de certeza.
Fico-me por aqui. Amanhã será uma novo dia para ser vivido com esperanças redobradas.

sábado, 21 de março de 2020

Terceiro dia do resto das nossas vidas



Acordei a pensar. Se aquando do aparecimento e conhecimento do desgraçado vírus do HIV "Sida" existissem estes papagaios televisivos que tudo sabem sobre tudo, que hoje nos massacram 24h por dia com as desgraças que o fdp do codiv-19 vai produzindo, será que ainda hoje estaríamos vivos e a combater mais um desgraçado vírus do qual nunca saberemos a verdade sobre a sua origem? Pela vontade dos seus mandantes ocultos talvez já não tivesse direito à vida, tão entusiasmados falam das mortes que o fdp do codiv-19 provoca.
Tenho que sair para a rua que me está a faltar o ar ao pensar nestas coisas que nem eu nem ninguém imaginou que um dia estaríamos a viver. Há que ter paciência e deixá-lo pousar, a fim de que os especialistas sérios que trabalham em stress na rectaguarda do actual combate, possam encontrar a combinação química que lhe possa fazer frente de modo a parar a mortandade que está causando e, o medo que está a paralisar os neurónios a milhões de seres humanos. A sorte deles, papagaios televisivos, é só os ouvir quando estou às refeições. Se fosse obrigado a ouvi-los os aparelhos onde nos massacram já tinham voado.
Vou-me é despachar que tenho mais que fazer. O Lorde já lá deve estar a aguardar o seu pequeno almoço de hoje.
A rua não está totalmente deserta porque está cheia de carros estacionados. Nem viva alma se vê a não ser a minha e a da Sacha. O céu nublado a prometer a chuva que não cai. Terá a chuva medo do vírus? Ou está respeitando o estado de emergência? Grito-lhe para que caia mas não me liga nenhuma. Agora é mais seguro atravessar as estradas nas passadeiras para os peões quer pela quase ausência de trânsito, quer até porque quem circula para e me faz sinal para passarmos. Coisas.
Chegados ao sítio onde ou seguimos pelas ruas da urbe ou atravessamos a ponte para o outro lado da via férrea, hoje ao olhar-me nos olhos logo saltou o separador para podermos fazer a ponte e entrarmos no Trilho da Estação para andarmos. Havia algumas pessoas a andar por lá. Andando para a frente e para trás aguardei que quer os que correm quer os que caminham se afastassem de nós para dar a liberdade total à minha amiga. Correu, saltou, ladrou de satisfação e assim hoje fizemos a primeira ida até aos designados trilhos da beira rio.
Ontem ao ouvir o Primeiro Ministro não desgostei. É o político mais esperto da actual geração de políticos. Goste-se ou não se goste dele, o homem sabe conduzir a sua ambição. Viu-se quando perdeu as eleições e ao ouvir a abertura de outro líder à sua esquerda para uma possível maioria parlamentar, logo mandou o passado histórico do seu partido às urtigas e num golpe político de grande esperteza conquistou o poder que tinha perdido nas urnas, governando os anos do mandato em minoria mas com maioria parlamentar com os outros partidos à sua esquerda. Foi de novo a votos nas urnas e agora ganhou mas sem maioria. Na sua estratégia e ambição não necessita de novos acordos parlamentares. A tal "geringonça" é passado. Governando com minoria parlamentar em forma de concertina viu o novo primeiro orçamento aprovado prometendo alcançar pela primeira vez em democracia um excedente, isto é, as receitas superiores às despesas do Estado. A euforia positiva sempre necessária aos que têm a estrelinha da sorte seguia em pleno com resultados económicos mensais positivos. Mas, como não há bem que sempre dure um desgraçado vírus que começou no oriente está invadindo o Planeta e não só provocando a morte aos mais idosos como paralisou a economia de todos os países. Lá se foi a esperança de podermos alcançar o tal recorde económico nacional. Ontem sobressaiu a vitória do jogo de cintura que terá tido com o Presidente da República e o desejado estado de emergência para muitos dos seus opositores políticos que esperavam ver o país ser gerido a partir de Belém. Equivocaram-se. O Presidente decretou o estado de emergência cedendo em carta branca todos os poderes ao Primeiro Ministro que assim vai gerindo a crise com a música da sua concertina afinada a preceito ontem mais do agrado à esquerda deixando os seus adversários e inimigos políticos a falarem e a uivarem enquanto ele vai gerindo prudentemente as expectativas e a crise sem se comprometer com resultados. Estes só no final.
A Saúde dos cidadãos é fundamental ser defendida. Mas sem economia como se poderá alimentar o Estado Social para se poder defender a Saúde dos cidadãos?

sexta-feira, 20 de março de 2020

Segundo dia do resto de nossas vidas


Vou sair daqui a pouco para cumprir a rotina diária do passeio matinal com a minha amiga, sem esquecer de levar o pequeno almoço ao gato Lorde que já deve lá estar em baixo. De madrugada ao acordar fiquei atento ao silêncio não dando conta do barulho que os veículos fazem ao passarem na estrada nacional. O silêncio parece assustador.
Vou levar luvas e papel das mãos para abrir as portas do elevador e do prédio com a minha mão esquerda. Tenho que disciplinar-me a usar mais esta mão.
Está difícil habituar-me a usar luvas. Não gosto mas…
Tudo fechado. Poucas pessoas nos transportes, alguns emigrantes a caminho do trabalho que não querem perder custe o que custar. Caminham de cabeça baixa, mãos nos bolsos e máscaras de vários formas e tecidos. Enquanto caminhamos pelas ruas quase desertas de vida dou comigo a pensar que União Europeia é esta que na sequência talvez da crise financeira de 2008 e embora com erros próprios dos países do Sul, nos apertou os gasganetes fazendo-nos viver com falta de ar contínua e, quase estrangulou os gregos, para agora perante a ameaça grave do vírus fdp não ter ainda apresentado uma ideia para combate conjunto, colectivo de todos os países ao mesmo codiv-19 fdp, deixando cada país entregues às suas próprias políticas e capacidades. Ignoram fechando os olhos ao que se passa com Itália e os italianos, mais interessados em preocuparem-se ou batendo palmas aos orgasmos neuróticos da velha-trafulha que escolheram para dirigir o Banco Central Europeu. A U.E. qual lacrau preparando-se para o golpe final quando se vê cercado pelo fogo?

Sigo pensando que com tanto medo do vírus codiv-19 vai-se dar cabo do fraco tecido empresarial das médias, pequenas e micro empresas, para no final os promotores do estado de emergência esfregando as mãos nos virem convencer da necessidade de termos um novo-velho professor de finanças públicas para meter os cofres do país na ordem. Os eunucos não desistem e não é por se trem enganado com o anterior professor de finanças que vão desistir de «chupar o sangue fresco da manada» .

Chego a casa e vejo na televisão os porcos sujos e maus jornalistas da televisão anunciarem o começo da Primavera com mau tempo porque poderá chegar a abençoada água da chuva que tanta falta está a fazer aos campos, rios e nascentes. São maus porcos e sujos. 

Quero fugir mas estou confinado às paredes de casa. Encontro no ler os livros o caminho para fugir daquela gente tão venenosa.


Primeiro dia do resto das nossas vidas


Ontem decretaram o estado de emergência e deixaram para hoje a definição de quais os direitos e garantias que vamos poder usufruir. Assim:
1. À hora do costume o meu organismo deu o sinal habitual. Acordei. Levantado olhei no telemóvel as primeiras páginas dos jornais. Talvez o DN esteja certo pensei. A minha amiga ao ver-me logo se pôs em posição para lhe fazer as festas habituais na barriga. Lavei-me e vesti-me. Fui ao frigorífico buscar a comida do gato Lorde e saímos procurando habituar-me a abrir a porta do elevador e da rua com a mão esquerda. Não está fácil mas… Na rua o gato Lorde esperava pelo seu pequeno almoço para depois ir à sua vida de gato de rua. Nós seguimos pelo caminho habitual das manhãs. A estrada nacional e as ruas da urbe ainda mais desertas de movimento que nos dias anteriores. O povo é sereno como um dia disse um tal almirante. Junto ao nó rodoviário de comboios e autocarros alguns trabalhadores de cabeça baixa seguiam para o trabalho. Emigrantes na sua maioria.
2. Depois do pequeno almoço em casa ouvi de novo as tristes palavras de um presidente que mostrou aquilo que na verdade sempre foi. Menino bonito e inteligente muito admirado nos corredores do poder pelas tias do Movimento Nacional Feminino e outras; todas tias de missa dominical e mão no peito por todos os pecados que os inimigos do velho “botas” e do seu santificado regime, queriam impor ao país, uns verdadeiros desordeiros, malfeitores que queriam destruir a santa trilogia de «Deus, Pátria e Família». E, assim o menino inteligente e tão belo para as santas tias do regime não teve necessidade de cumprir o serviço militar, que isso era coisa para os filhos dos pobres e remediados. A ele estavam predestinados outros voos muito mais nobres do que ter de andar a rastejar na lama, a sujar-se, a cheirar mal, a comer os enlatados das famosas rações de combate… a possivelmente ter de ouvir o barulho das espingardas, que elas só gostavam de filmes românticos nem viam esses filmes de guerra com aquelas cenas horríveis dos tiros. Por tudo isso e mais o resto, ontem pareceu nos ecrãs televisivos depois de se ter ausentado do seu posto de comando sem um ai nem um ui. Apareceu parecendo querer ressuscitar as «conversas em família» de um seu amigo de família embora bastante mais velho. Conversas coloridas a preto e branco de um cinzento mais escuro que o escuro sem futuro. Falou, falou mas aos costumes disse pouco mais que nada.
3. Cabe-me aqui recordar que no que diz respeito a eleições presidenciais. Não fui votar numa delas, em outra votei útil e nas restantes só estive com o vencedor em duas para eleger Jorge Sampaio, em todas as outras restantes eleições estive sempre com os perdedores; nas que elegeram o senhor de agora estive com o candidato Henrique Neto que ficou em último ou penúltimo. Porque entre um político e um empresário sempre escolherei para presidente o lado que mais contribuiu para a criação de valor acrescentado da riqueza do meu país. Sou por tudo e mais alguma coisa, um desalinhado consciente e sem possibilidade de reconversão, que prefere um Estado forte e exemplar na prestação dos serviços públicos à sua população. Não falo em povo porque não gosto dessa palavra. Depois de o ouvir de novo senhor presidente, voltei a ficar irritado, consigo e com o rebanho ou a manda de políticos que lhe fazem a corte para usufruírem de mais umas mordomias.
4. Estava programado ir ao supermercado comprarmos umas bananas e se por lá houvesse luvas descartáveis comprávamos algumas. Chegámos ao supermercado ALDI por volta das nove e quinze. Só deixavam entrar pessoas que fossem técnicos de saúde, das forças de segurança ou bombeiros. Achei uma medida acertada. Para o publico em geral só às dez da manhã. Como era cedo decidimos ir ao outro lado da urbe ver como estava o Pingo Doce. Passámos pelo LIDL, pelo Continente e pelo Jumbo e quer num quer noutro vimos pessoas aguardando na rua. Chegados ao Pingo Doce o mesmo cenário, a bicha ordenada prolongava-se pelo passeio pois a loja só abre às dez. Enquanto aguardava na bicha que chegasse a vez de entrarmos fui escrevendo o que acima ficou dito. As pessoas iam chegando e a bicha alongando-se. Tudo ordeiramente sem atropelos ou “xicos espertos”. Três carro de patrulha da polícia passaram por lá devagar. Ninguém comentou nada. Eles olhavam para nós e nós olhávamos para eles. Tudo calmo que o povo é sereno e ordeiro. Fiquei na dúvida se a passagem das patrulhas era por nossa causa ou se por causa da loja do AKI estar aberta, pois não sei se a mesma se enquadra no conceito de imprescindível, embora para quem trabalha na construção civil o possa ser. Feitas as compras voltámos. Nas bombas do Jumbo lá estavam os carros a abastecer, passámos devagar e observei que a quase totalidade eram pessoas com idade de não trabalharem. Abasteciam talvez com medo que o combustível lhes falte por não poderem utilizar a viatura que nestes dias de emergência decretada a circulação fica condicionada, mas para quem vive obcecado pelo medo tudo faz sem lógica.
5. Continuo à espera de saber quais são os limites que irão vigorar neste triste estado de emergência que o senhor presidente teve necessidade de declarar para agradar a alguns dos seus correligionários. As coisas estavam a andar serenamente a pouco e pouco todos os dias menos gente na rua encontrava quando dou a volta com a minha amiga pastora alemã que ainda não entendeu o porque de não fazermos as nossas caminhadas de quilómetros para ela poder correr e dar largas à sua enorme energia. Não observei nunca pessoas juntas umas com as outras. Talvez o que mais estranhava era ver cafés e pastelarias abertas, mas por outro lado compreendo que mesmo com poucas pessoas a irem apanhar o comboio sempre poderiam fazer algum negócio para fazer frente aos elevados custos da energia que têm de suportar, para não falar no custo e encargos com o pessoal se o negócio não for familiar. Por mais que queira entender a razão desta declaração de estado de emergência há sempre curto-circuito nos meus neurónios que não me deixam ver o porque.
6. Como afirmei lá atrás sou defensor de um Estado forte mas democrático que para mim bastaram os vinte e três anos e uns meses que vivi sob uma ditadura asfixiante e perversa criada pelo velho “botas” sendo depois mantida pelo velho “professor”. Para termos um Estado forte e democrático temos de ter a economia a funcionar de modo a que se crie riqueza para com ela alimentarmos as funções sociais do Estado Social que defendo e que o senhor presidente sabe tão bem quanto eu, que o actual Estado Social é devido ao abençoado golpe militar anticonstitucional do 25 de Abril de 1974. Um golpe de mão certeiro que logo teve o apoio da população deste país farta de viver na pobreza material e das ideias . Ambos sabemos senhor presidente que há quem não concorde com o que acabo de escrever, e muito menos com as liberdades e direitos democráticos existentes sufragados por uma Constituição que na data da sua aprovação era das mais modernas do dito mundo ocidental onde mos inserimos.
7. Vivemos os últimos tempos ameaçados por um ainda não conhecido cientificamente vírus denominado Covid-19. Um vírus diferente de todos os outros que ao longo dos anos fomos enfrentando. E ele é diferente porque está a afectar a economia de todos os países do Planeta como nenhum outro o fez, nem a crise financeira de 2008 provocou tanto mal às pessoas e à economia dos países. Nessa tal crise de 2008 as instituições financeiras que pautavam a sua actividade numa especulação vigarista, não ocasionaram que o mundo das empresas na sua globalidade parasse a sua actividade, como este pequeno vírus está a causar. Não é difícil afirmar, nem é preciso ser bruxo para dizermos que o futuro que sempre foi incerto o é hoje mais incerto que nunca, ou que nada voltará a ser como dantes nas nossas relações humanas e empresariais. O Senhor Presidente depois de se ausentar do seu posto de comando voltou indeciso dando uma imagem do porque da sua ausência desse mesmo posto. Entre a declaração do estado de emergência pedidas por políticos e comentadores mais à direita politicamente horas a fio nos canais televisivos costumeiros e a posição do líder do Governo que parecia ter duvidas se era esse o melhor caminho para fazer frente a pandemia causada pelo vírus, o Senhor Presidente homem inteligente resolveu a crise decretando esse tal estado de emergência mas cedendo ao Governo a definição dos limites desse mesmo estado de emergência, numa carta branca que aguardamos conhecer.
8. A saúde é o maior bem que cada um de nós tem individualmente. Não se discute este tema. O nosso SNS que tão bons serviços tem prestado aos cidadãos deste país, tem por medidas de política económica neoliberal sofrido muitos golpes traiçoeiros por forma a ter de sobreviver continuamente sub orçamentado. Este viver continuamente sub financiado por via orçamental obedece a pensamentos políticos que preferem o exercício da medicina privada alimentada por seguros ao serviço universal. O codiv-19 veio mostrar à evidência os benefícios e as vantagens de termos o SNS a funcionar mesmo com muitos dos problemas que são de todos conhecidos.

Emergência


Enquanto cozinhava os meus espargos selvagens com ovo mexido ouvi atentamente o discurso do senhor presidente da República. No final quando já degustava o meu jantareco assaltou-me a seguinte dúvida:
- Será que D. João VI se tivesse televisão naquele tempo quando “deu de frosques” e se foi com a sua corte para o Brasil faria ou teria feito um discurso muito diferente do seu, senhor presidente?

segunda-feira, 16 de março de 2020

A dança da vida


O tempo entre a Vida e a Morte é uma dança que para uns é longa e para outros demasiado curta.

Nasci lá longe corria ainda o ano de cinquenta do século passado quando numa manhã ao renascer do dia, cerca do Natal, dei o meu primeiro grito chorando para satisfação da parteira que assistiu ao parto e felicidade entre as dores de minha mãe.
Tinha eu cinco anos quando adoeci a tal ponto de me prepararem a mortalha. Salvei-me porque um tal Dr. Rui de Moscavide em desespero de causa me prescreveu a milagrosa, na altura, penicilina.
Entre asneiras e tropelias fui crescendo já nas terras diferentes da península de Peniche onde o mar era rei e a terra desempenhava o lugar de rainha.
Voltei para a minha cidade, para a rua que me viu nascer, a fim de poder continuar a crescer com os estudos. Amei e fiz sofrer.

Tinha eu ainda 10 anos quando as possessões de Goa, Damão e Diu foram ocupadas pelo exército indiano de Neru, já o velho tirano do "botas" ordenava aos seus súbditos «Para Angola e em Força». O país mobilizou-se, era preciso salvar a coroa do império que só os esbirros do sistema enxergavam. Mobilizado o país, mães mais que os pais, esposas e namoradas choravam os seus filhos, esposos, pais e namorados que aprumados nas fardas militares partiam para o desconhecido ultramar. Cresci a ouvir o velho “botas” depois o velho “professor” mais estes que a figura sinistra de um presidente "gaga", em discursos inflamados de um patriotismo fascista-salazarento que a maldita guerra que a ditosa pátria portuguesa travava nas diferentes frentes africanas na salvaguarda dos bons costumes e públicas virtudes do sistema estava ganha. Sim tinha onze anos quando comecei a ouvir que, a guerra estava ganha. Mas as mães mais que os pais, as esposas e namoradas sem esquecer as irmãs mais que os irmãos, continuavam a chorar a partida dos jovens militares à força para uma guerra ganha nas desconhecidas terras ultramarinas em África. Quis a minha história desta dança entre a vida e a morte que ao fazer a bonita idade de 22 anos no dia 22 tivesse chegado a uma frente de combate no então designado Leste de Angola. Longe de tudo numa terra estranha tinha como companhia o medo e os outros camaradas militares à força como eu. Medo de sofrer mais do que morrer embora achasse uma injustiça tremenda morrer tão jovem. Mas, o medo maior era o de ver algum dos meus homens morrer naquela guerra que estava ganha mas que continuava, sem solução militar à vista. Se algum morresse como iria eu reagir? , era o medo que mais me acompanhava silencioso e surdo quer de dia quer de noite, quer no arame farpado ou no mato. Um medo até de ter medo.
Nesse tempo que me roubaram à minha dança de vida, olhei a morte, escura como breu com uns olhos piores que os de lince. Olhamos-nos eu e ela silenciosos, o dedo no gatilho da minha companheira G3 de pouco me serviria se ela saltasse para cima de mim. Foram segundos que demoraram uma eternidade. O gelo na coluna logo se transformou em suores quentes ferventes, quando silenciosa, traiçoeira se afastou, deixando-me as pernas trementes sem poder dar parte de fraco aos que em mim confiavam.
Não mais a vi ou a olhei até hoje, mas sei, pressinto que ela me anda a rondar nesta minha dança de vida. Eu fugindo dela. Ela sempre traiçoeira me perseguindo. Já me montou uma emboscada silenciosa dentro do meu próprio organismo e, não fosse este meu viver alerta talvez já não pudesse, não conseguisse escrever estas palavras.
Vivo Alerta sem medo dela. Um dia ela irá ganhar a corrida. Quando chegar essa hora espero que tenha compaixão de mim e me de um golpe curto e certeiro de modo a que a água possa secar no meu corpo sem dor ou sofrimento.
Medo tenho, de sofrer ou de fazer outros sofrerem por minha causa. Por isso neste tempo de luta desigual contra o fdp do vírus invisível aos nossos sentidos, que por respeito e solidariedade para com os outros seres humanos de todas as cores, de todas as raças, de todos os credos religiosos e até de todos os pensamentos de política ideológica, temos o tempo que o tempo nos dá para pararmos e podermos pensar, meditar, lembrar todos os passos de dança dados, vividos, sonhados e imaginados. Entre tudo isso no tempo que o tempo me tem facultado, com as minhas dúvidas ou reservas, gostava que a lei da não proibição da eutanásia fosse promulgada por forma a ter essa nova arma comigo, podendo evitar o riso negro de gozo como breu da morte. Ser eu o maestro da sinfonia final da minha dança entre a vida e a morte se o sofrimento não tiver outra alternativa, outra solução.

Espero que neste novo tipo de guerra globalizada contra um inimigo invisível em forma de vírus fdp que estamos a atravessar possamos ter a consciência, o discernimento de que a mesma vai ser longa e dura, alterando a nossa maneira de vivermos a dança entre a vida e a morte. Esta guerra é mais biológica que militar ou química exigindo que os especialistas que os há, ou havia, sejam chamados pelos políticos governantes a ocuparem os seus lugares na frente de combate para que junto com os saldados que somos todos nós, velhos, velhotes, grisalhos, quarentões e mais novos, a possamos não só vencer sem grandes baixas por agora como também garantir condições a todos do técnicos de saúde que lutam para nos salvarem desta guerra que ela vai ser longa e dura a fazer prever outras desgraças.

Por onde andarão os militares e outro pessoal especialista em doenças infecto-contagiosas que trabalhavam no Hospital Militar da Ajuda e sabiam como combater na guerra biológica? O Hospital Militar foi desactivado por políticos obedientes a forças estrangeiras e com pouco sentido de Estado… por onde andarão esses especialistas em guerras biológicas?

Não demos tanta atenção aos especialistas especializados em tudo que ocupam os canais televisivos. Há tanta outra coisa para se fazer neste tempo de recolha caseira. Pensemos em nós, nos outros conhecidos e desconhecidos, temos outros meios de comunicar, falemos com os amigos e familiares sem medos pois todos merecemos viver este milagre que é esta dança entre a vida e a morte.

segunda-feira, 2 de março de 2020

Gente de bem(?)


Uma empresa que é banco novo ou velho pouco importa, empresta dinheiro a gente do mundo de futebol que precisam urgentemente de meter “o guito” no clube do seu coração para o salvar de males maiores. A essa gente de bem(?) o banco novo ou velho pouco importa, aceita como garantia dos empréstimos as próprias acções do clube valorizando-as por um preço muito superior ao seu valor real. Essa gente amiga e de bem(?) não paga os empréstimos porque apenas serviram de testas de ferro ao clube do seu coração, que altas cabeças pensantes concederam e elaboraram com tantas perspectivas de um futuro risonho não só para os amigos gente de bem(?) como para o clube do coração dos amigos gente de bem(?) com um futuro tão glorioso à sua frente.
Como os amigos gente de bem(?) não pagaram mas não figuram como caloteiros na praça, o banco novo ou velho pouco importa, chama a si as acções que tinha recebido como garantia do dinheiro emprestado aos amigos gente de bem(?) e tão bem valorizadas foram nos assentos.

A empresa banco novo ou velho pouco importa, navega em águas turbulentas afundando-se com negócios que nos tinham sido garantidos como excelentes activos por ministros e governadores vestidos a preceito com cuecas e gravatas de seda fina, gente de bem(?) claro esta como manda a democracia dos «xicos espertos» que num dia invernoso voltaram aos corredores do poder para… nos salvarem, disseram eles.
Para a empresa banco novo ou velho pouco importa, não ir ao fundo sozinha com os seus bens(?) e amigos gente de bem(?) e de tão bom nome na praça, os homens do leme deste antigo jardim sacam directa e indirectamente dos impostos dos seus concidadãos as verbas astronómicas que lá metem nas contas para procurarem manter a empresa banco novo ou velho pouco importa à tona de água.

Um dia acordamos e ainda meio dorminhocos somos alertados para o perdão de dívida que a empresa banco novo ou velho pouco importa, concede a um clube de futebol onde todos ralham e ninguém se entendem tantas são as facções que por lá andam em guerra civil doméstica permanente. Adversários do clube onde todos ralham e ninguém se entende, gritam a plenos pulmões contra o favorecimento dado ao tal clube que para as altas cabeças pensantes da empresa banco novo ou velho pouco importa, tinham sido gente amiga e de bem(?) onde parece figurarem ainda alguns aristocratas de um tempo que já passou há muito. Que assim tal e coiso não pode ser, gritavam e berravam os outros com razão contra o perdão concedido pela empresa banco novo ou velho pouco importa. O perdão de milhões vai somar aos prejuízos da gestão com o bonito nome de imparidades nas contas da empresa banco novo ou velho pouco importa.

As altas cabeças pensantes da empresa banco novo ou velho pouco importa, olham para outros excelentes(?) activos herdados num dia de tristeza tamanha da gestão governativa, assim como para outros activos da sua própria gestão. Olhando coçando a cabeça e as partes decidem que para nos sacarem mais impostos directa ou indirectamnte por forma a manterem activas as suas mordomias de altas cabeças pensantes têm que transformar passar do estado de registo ao estado gasoso alguns dos excelentes e brilhantes negócios herdados ou executados. Vai daí ós depois, combinam e acertam a venda do activo registado que eram as acções de um futuro glorioso a um amigo gente de bem(?) habituado e com excelente curriculum em negócios pouco claros já numa outra empresa banco privado onde muitos calotes e vigarices ocorreram. Como não podia deixar de ser as altas cabeças pensantes vislumbrando o futuro para algum dos seus enteados que o amigo comprador gente de bem(?) sempre poderá facilitar no seu vasto império empresarial, concedem depois de muito coçarem a cabeça e as partes em altos estudos, as ditas acções registadas com um futuro glorioso ao preço pouco mais que da uva mijona, registando com pompa e circunstancia, não vá o diabo tece-las, as imparidades do negócio de futuro glorioso nos seus prejuízos de gestão somando esta nova imparidade há imparidade do outro clube onde todos ralham e ninguém se entende.

Assim de imparidades em imparidades a gente de bem(?) e honrada(?) não só do mundo do futebol como de outros grandes empreendedores do mundo dos negócios, vão as altas cabeças pensantes da empresa banco novo ou velho pouco importa, coçando a cabeça e as partes, por forma a que os figurantes eleitos e bem vestidinhos e perfumados dos corredores do poder com palavras redondas e promessas de futuro glorioso saquem directa e indirectamente aos impostos dos seus concidadãos mais uns milhões, para que eles, altas cabeças pensantes da empresa banco novo ou velho pouco importa, continuem a navegar à tona de água coçando a cabeça e as partes sem vislumbrar porto seguro mas sempre prontos a ajudar pessoas amigas e de bem(?)

E, assim vamos cantando e rindo porque chorar faz mal à Esperança de uma “Sociedade mais Decente” neste jardim à beira mar que a Natureza criou e o Homem tão mal trata.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Eutanásia 2


Ao longo da história da humanidade "Homo Sapiens" existiram muitas guerras, muitas lutas de poder. As guerras foram e são um mal terrível mas contribuíram para o avanço da ciência. O livro "O Físico" de Noah Gordon, é apenas um dos muitos livros que relatam guerras sanguinárias mas também da guerra que ocorreu sempre ao longo da história com os religiosos perseguindo, sem apelo nem agravo, todos aqueles que procuravam o evoluir do saber, dos conhecimentos, no fundo da ciência.
Foi, é e será uma luta de pólos quase sempre divergentes. Uns porque pensam através da ciência mostrar a inexistência de um ser divino que designamos por Deus. Os outros, os das religiões, quase sempre com medo de que o seu poder possa ser questionável, as suas verdades absolutas postas em causa, procuram fechar as mentes dos seus seguidores, servindo-se para tal do maior produto imaterial que ao longo da história lhes deu o poder, ou seja, "o medo do pecado" .
Mesmo assim chegamos aqui depois de Nicolau Copérnico, de Galileu Galilei, de Charles. Darwin e de tantos outros cientistas, filósofos e livres pensadores serem perseguidos e condenados só porque cometiam o «pecado» de verem, estudarem e concluírem saberes, que os religiosos no seu poder quase absoluto de então, negavam apavorados, escondendo o medo que eles próprios sentiam por esses avanços do conhecimento lhes poder tirar status e poder.
No passado da nossa história o clímax do fanatismo medroso da Igreja foi a Inquisição com o famigerado tribunal de assassinos designado por Santo Ofício. Os Autos de Fé o maior exemplo da piedade que os ditos religiosos tinham sobre o conceito do sofrimento e da vida humana, foi exercido, levado a cabo em nome do seu piedoso deus.

Tenho as minhas dúvidas e a minha ideia sobre a eutanásia, não vou criticar uns e aplaudir outros nem sequer tecer armas sobre as minhas dúvidas e a minha certeza de estar em perfeito juízo para poder decidir. Ao referendo digo não. Não! porque irá dar largas aos fanáticos, ao ódio que cega as mentes, aos oportunistas retrógrado, aos "beatos" que nem sequer frequentam a missa dominical das religiões mas que agora batem com a mão no peito num «ai Deus que nos acuda e nos livre das garras de satanás» que nos querem matar.
A eutanásia não é o fim da picada e muito menos o fim do mundo. A eutanásia não é matar os velhos. A eutanásia não só é fraturante na sociedade como no íntimo de muitos, dos que estão a favor e dos que estão contra a sua promulgação. É porventura uma das decisões mais difíceis, senão mesmo a mais difícil, que o ser humano poderá ter após o nascimento.
Para terminar. A ciência e a medicina desenvolveram-se graças à luta de muitos homens do saber contra os preceitos, as verdades absolutas das Igrejas. Dizer que a ciências médicas se desenvolveram para defender a vida é apenas meia mentira escondendo o Sol com uma peneira, porque lhe falta o elemento fundamental, o ser humano, o tal "Homo Sapiens" de que todos fazemos parte. Todo o desenvolvimento do conhecimento científico ao longo dos séculos na área da saúde tem como objectivo o bem estar do ser humano, porque é este o seu principal elemento. Por mais que os defensores do "não" possam gritar e propagar por todos os meios ao seu dispor, de que é a "vida" no seu conceito mais conservador-religioso e abstrato, não é verdade. A ciência que hoje chamamos de Medicina desenvolveu-se e desenvolve-se na procura de melhorar o bem estar do ser humano.
Em última análise será o ser humano consciente, na posse de todas as suas valências psíquicas que caberá a dificílima decisão sobre o que fazer à sua vida ao seu sofrer sem solução, caso a lei que autoriza a eutanásia venha a ser promulgada. Ao técnico de saúde restará a obrigação de exercer a sua profissão de acordo com a legislação em vigor porque na eutanásia não se mata ninguém, acaba-se com o sofrimento de alguém que teve capacidade de escolha.

A eutanásia é como o "aborto" sempre existiram na sociedade, de forma clandestina mas existiram. Torná-la não clandestina será o fim da picada? Duvido. Eu e as minhas dúvidas.

Lembro o slogan que um dia encontrei nas ruas da cidade de Luanda depois de Abril 74, " A minha Liberdade acaba onde começa a Liberdade do outro".

Parafraseando o padre Felicidade Alves "Deus na sua transcendência a todos os Homens quer bem".

Acabo, esperando não voltar a falar deste assunto que só ao ser humano na sua intima unidade diz respeito desde que tenha Liberdade de escolha.

Os papagaios


Os papagaios televisivos do Reino a mando dos seus chefes na sombra, andam loucos para que apareça um caso positivo do filha da puta do vírus chinês baptizado de "coronavírus". Correm desenfreados atrás das suspeitas todos reclamando exclusividade, esfregam as mãos para que os técnicos de saúde do IRJ comuniquem o resultado de alguma das análises à DGS seja positivo. Murchos, desiludidos até hoje felizmente, aguardam qual alcateia esfomeada que surja nova suspeita de que o filho da puta do vírus se possa ter alojado num humano habitante deste reino ou que esteja em transito por cá.
Emboscados que estão nesta ansiedade ansiosa, eis que surge a triste notícia de um cidadão português infectado ao largo do Japão, trabalhador que é duma dessas cidades-flutuantes-poluentes que tantos sonhos criam em tantos cidadãos da tal nomeada classe média, onde tantos gostam de pertencer.
- E agora?
- Como é que podem utilizar este caso do cidadão português infectado lá longe no oriente, para continuarem a atacar dissimuladamente o nosso Serviço Nacional de Saúde público?
- Que notícias fabricar para atacar o Governo do Estado pelo que deveria ter feito e não fez?
- Quantos dos papagaios televisivos já correram, voaram e nadaram para chegarem perto do tal navio cidade-flutuante-poluente a fim de obterem em exclusividade uma imagem, uma fotografia do cidadão português infectado e, ao que parece meio abandonado no seu cubículo pela estrutura empresarial dona ou gestora da tal cidade-flutuante-poluidora?
- Como não podem atacar os SNS nem os amigos empreendedores privados da cidade-flutuante-poluidora viraram-se para a Embaixada de Portugal no Japão criando cenários nas mentes dos seus fieis seguidores, alguns dos quais esperam já ansiosos pela investigação a levar a cabo pelas jornaleiras da praxe que a tudo tem acesso e sobre tudo sabem de sua justiça.
Entretanto a ave agoirenta que comanda os destinos da sua ordem profissional continua a sua cruzada por um Serviço Nacional de Saúde nas mãos de privados e companhias de seguro bem mais suas amigas ao seu jeito.
Tudo “A Bem da Nação ou do Reino”, já nem sei.