sábado, 25 de julho de 2020

Sr. Primeiro Ministro

Sr. Primeiro Ministro o senhor fala bem mas isso não chega. É preciso ter coragem para a nível interno tomar as medidas que nos possam defender dos nórdicos pouco solidários.

Já que o senhor e o seu governo não tiveram coragem para deixar de fora dos apoios governamentais nesta crise pandémica as empresas que actuam em Portugal com as suas sedes na Holanda, no Luxemburgo e em outros paraísos fiscais, tenha pelo menos a coragem de a nível do Ministério das Finanças criar uma equipa de inspectores suficientemente ampla para poder inspeccionar os actos de gestão dessas empresas e dos seus centros de refaturação.

Proceda à reforma do Código do Processo Tributário de forma a evitar que os grupos económicos possam andar anos e anos a fio sem pagar os milhões em falta porque vão sempre recorrendo para outras instâncias.

Com os fundos que iremos receber a fundo perdido e de empréstimo apoie essencialmente o tecido empresarial português das pequenas e médias empresas na agricultura, nas pescas e na indústria. O investimento estrangeiro é bem vindo mas a prioridade deve centrar-se no tecido empresarial português.

Aposte na reindustrialização nacional com base no que será maioritariamente português.

A ferrovia, o porto de Sines, outro de águas profundas que não no estuário do Tejo, e as energias alternativas são fundamentais para essa reindustrialização.

Não de primazia ao betão, o país já tem cogumelos tóxicos a mais.

Aposte no valor acrescentado nacional, senhor Primeiro Ministro. Se os empresários portugueses beneficiarem das ajudas dadas aos investidores estrangeiros talvez possam investir mais criando mais riqueza nacional.

Apoie projetos sérios de reformulação do Turismo. O turismo de massas para já não interessa. Há outras ofertas a fazer, planos a realizar que podem garantir as receitas necessárias.

Promova uma campanha massiva de compre e consuma português, mas para isso terá de ajudar a produção nacional.

Obrigue os vendedores a exibirem a origem dos produtos frescos como o peixe, as hortícolas e as frutas.

Atue sem dó nem piedade quando nos vendem publicidade de que ajudam a produção nacional e depois nas bancadas só nos oferecem produto importado.

Há tanta coisa para fazer e tanta coisa que quase nem precisa de ajudas da União. Só se precisa de meter mãos à obra com os senhores governantes a darem o exemplo de mais trabalho e menos conversa.


Sefarditas

Ainda não entendi o ódio que alguns destilam contra os descendentes dos Judeus sefarditas.

A lei de 2013 que concede a possibilidade da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos Judeus sefarditas do séc. XVI que cá viviam e tiveram de fugir para não serem obrigados a renunciar à sua religião, aos seus costumes, não serem queimados vivos nas fogueiras do Santo Ofício só porque perfilhavam uma outra religião outros hábitos diferentes dos oficiais decretados pela cúria romana e tomados como oficiais e salvadores do mundo pelos Reis de então em união com um Clero pouco recomendável sempre contrário ao desenvolvimento das ciências, será essa lei tão perigosa para o país como fazem crer algumas figuras da política, deputados e não só, assim como das artes e cultura. Não eram essas famílias de judeus sefarditas parte integrante da nação e como tal portugueses?

Serão os Judeus sefarditas assim tantos milhões que venham por em causa o equilíbrio, o modelo e a ordem da nossa sociedade?

A lei nada tem a ver com os famigerados vistos gold. Esses vistos gold serviram para salvar a compra de investimentos imobiliários luxuosos e pouco ou nada mais, dando guarida a alguns milionários. Quantos postos de trabalham os beneficiários dos vistos gold criaram?

A lei de 2013 para a obtenção da nacionalidade obedece a quesitos determinados. Como alguém já escreveu a pátria dos sefarditas não é Israel mas a Ibéria (Portugal e Espanha) foi aqui que os seus antepassados viveram séculos.

Já há investimentos produtivos e imobiliários de descendentes sefarditas que obtiveram a nacionalidade e estão a investir na nossa pobre e confinada economia.

Sou descendente do amor entre cristãos-novos (Judeus sefarditas convertidos à força ao cristianismo) com cristãos-velhos ou seja os cristãos tradicionais.

Não sou judeu assim como não me sinto cristão embora tivesse sido baptizado e na minha juventude um praticante católico.

Porque tanta difusão de medo e ódio?


domingo, 19 de julho de 2020

Domingo de Julho

Sento-me na varanda. É domingo. Olho a ponte que as nuvens não me deixam ver. Está mais fresco esta manhã. A Sacha respira ainda ofegante da caminhada que fizemos. Quando estiver mais calma dar-lhe-ei a refeição da manhã. A mulher da limpeza que fuma varre o chão exterior do supermercado. Não gosta de mim. Sei que não gosta pela expressão que faz ao passar por mim. Ela vem entrar ao trabalho e eu estou a começar a volta matinal de todos os dias. Poderá ter medo dos cães. Poderá não gostar de animais. Está no seu direito. Eu continuo no meu mundo. Um mundo cada vez mais fechado, mais solitário sem solidão. Só as janelas estão abertas ao exterior. Fechei as portas sem trinco nem fechadura. Quem vier por bem pode empurrar e entrar não precisa de pedir licença. Depois se verá.

Vejo as previsões que o telemóvel me fornece. Três lugares. Nesses três lugares vivo. Primeiro o telemóvel diz-me que hoje o calor chegará aos 29 graus em Alverca. Passo o dedo no ecrã e vejo que no meu canto raiano chegará aos 38 graus. Passo de novo o dedo no ecrã e vejo que na minha praia a previsão aponta para os 21 graus. Um país pequeno com diferenças significativas entre o litoral e a fronteira com os vizinhos espanhóis da Extremadura. O meu país de lés a lés.

No céu as nuvens de Sudeste vêm para se encontrarem com as nuvens de Noroeste. Talvez façam alguma festa, talvez se abracem sem medo do vírus que vai matando e lançando medo nos Humanos.

Está na hora de dar de comer à Sacha.

Ligo a televisão para ver se há novidades sérias. Parece que nada aconteceu entre o ter-me deixado dormir no sofá ontem à noite e o agora de hoje nesta manhã agradável de frescura cinzenta.

Um cinzento natural. Diferente do cinzento das nossas vidas nestes tempos de pandemias várias. Mesmo com a vida suspensa num coma induzido o país vai à banhos indiferente ao que será o dia de amanhã. Faz-me confusão como sempre me fez este modo de olhar a vida. A pressa, a ânsia como vivem o presente sem se importarem nem com o amanhã nem com o outro. Um presente ganancioso, egoísta que recuso. Nos trilhos por onde ando e navego faço de cada dia o primeiro dia do resto da minha vida. Vivo caminhando com as lembranças levando a esperança como companhia. Não quero viver o dia como se fosse o último. Não alinho nessa marcha anónima.

Quero saber o que resolvem os senhores importantes desta União desunida lá em Bruxelas. Mas o que me oferecem são imagens e mais imagens de fogos, é a coscuvilhice de milhões sobre uma tal Cristina de gritos estridentes e de um Jesus treinador que regressa ao local onde foi feliz mas onde os donos do lugar diziam que não mais voltaria. E como se essas tristes figuras não chegassem para me castigar, ainda me martelam os neurónios com a figura sinistra de um bastonário que cursou na universidade pública, que acabadinho de se licenciar logo encontrou trabalho seguro num hospital público, onde à custa do orçamento de Estado estagiou, tirou a sua especialidade para agora andar numa peregrinação cínica venenosa contra o mesmo Estado, sempre a favor dos grupos económicos privados e amigos onde também exerce. Grupos económicos que vêm nas nossas doenças a forma mais rentável de sugarem o nosso parco rendimento disponível.

O céu vai ficando azul. Vou esquecer estas figuras tristes que me entram pelas janelas.


Porque?


Ainda não entendi o ódio que alguns destilam contra os descendentes dos Judeus sefarditas.
A lei de 2013 que concede a possibilidade da nacionalidade portuguesa aos descendentes dos Judeus sefarditas do séc. XVI que cá viviam e tiveram de fugir para não serem obrigados a renunciar à sua religião, aos seus costumes, não serem queimados vivos nas fogueiras do Santo Ofício só porque perfilhavam uma outra religião outros hábitos diferentes dos oficiais decretados pela cúria romana e tomados como oficiais e salvadores do mundo pelos Reis de então em união com um Clero pouco recomendável sempre contrário ao desenvolvimento das ciências, será essa lei tão perigosa para o país como fazem crer algumas figuras da política, deputados e não só, assim como das artes e cultura. Não eram essas famílias de judeus sefarditas parte integrante da nação e como tal portugueses?
Serão os Judeus sefarditas assim tantos milhões que venham por em causa o equilíbrio, o modelo e a ordem da nossa sociedade?
A lei nada tem a ver com os famigerados vistos gold. Esses vistos gold serviram para salvar a compra de investimentos imobiliários luxuosos e pouco ou nada mais, dando guarida a alguns milionários. Quantos postos de trabalho os beneficiários dos vistos gold criaram?
A lei de 2013 para a obtenção da nacionalidade obedece a quesitos determinados. Como alguém já escreveu a pátria dos sefarditas não é Israel mas a Ibéria (Portugal e Espanha) foi aqui que os seus antepassados viveram séculos.
Já há investimentos produtivos e imobiliários de descendentes sefarditas que obtiveram a nacionalidade e estão a investir na nossa pobre e confinada economia.
Sou descendente do amor entre cristãos-novos (Judeus sefarditas convertidos à força ao cristianismo) com cristãos-velhos ou seja os cristãos tradicionais.
Não sou judeu assim como não me sinto cristão embora tivesse sido baptizado e na minha juventude um praticante católico.
Porque tanto medo e tanto ódio?

sábado, 18 de julho de 2020

E agora que iremos fazer?

Vivemos um tempo triste de difusão de valores numa sociedade que se desejava mais evoluída e decente.

O dinheiro perverteu, anulou, como que arrasou os sonhos dos que sonharam com uma sociedades mais culta no saber, mais tolerante nas diferenças, mais respeitadora dos seus idosos, mais amiga do seu amigo, mais amante do seu país.

Tudo não passou de um sonho lindo que durou muito pouco tempo. Arautos da liberdade, amigos do capital e de outras culturas estranhas às nossas, ditas mais modernas e evoluídas, impuseram e implementaram novos hábitos em nome do progresso copiado das tais ditas culturas estranhas e pretensamente evoluídas.

Paulatinamente o poder do dinheiro impôs-se terminado que foi o tempo de todos os sonhos. Terminado o tempo dos sonhos os grandes homens do capital financeiro juntaram seus interesses aos homens do betão com a conivência e anuência de políticos mansos amigos. Nova classe de jornalistas foi formada. Outros jornalistas e não só, amantes do «orgulhosamente sós» foram recuperados e promovidos a fazedores de opinião em horários nobres e editoriais jornalísticos. Tudo democrático e «a bem da nação».

A pouco e pouco martelando as consciências, instituíram nos cidadãos a ideia, o sonho, o desejo de que todos podiam pertencer a uma nova designação de classes neste tempo moderno - a classe média. O sonho de vida das famílias deveria ser e passou a ser esse. Esse grande objectivo de pertencer à classe média. Estar também na mesma classe onde os ricos endinheirados pelo novo Portugal Democrático são apresentados como cidadãos modelos, gente que conhece o êxito.

Nesse modelo a caminho do anunciado mas desconhecido paraíso tudo se facilitou. Criaram-se os instrumentos económicos e políticos para que os campos fossem trocados pelas cidades. Cidades que ofereciam melhores condições de poderem encontrar um emprego, um trabalho que lhe proporcionasse dois dias de descanso semanal, que com um pouco de sorte e oportunidade poderiam ter subsídio de férias e até subsídio de Natal. Coisas que o trabalho duro do campo nãos lhes garantia. Lá a garantia de trabalho resumia-se ao trabalho de sol a sol com o descanso dominical para os mais crentes poderem ouvir as palavras de promessas que o santo padre lhe dizia na missa dominical. Encheram-se as cidades de populações carregadas de novas esperanças.

Encontrado o trabalho o sonho foi o de poder ter uma casinha sua. O dinheiro não chegava mas os amigos do governo fizeram umas leis para que os bancos pudessem emprestar o dinheirinho para a compra da casa. Sempre era melhor pagar ao banco durante 20, 30 ou mais anos do que andar a pagar a renda ao senhorio que desde sempre foi visto como o mau da fita. A casa estava hipotecada ao banco mas podia-se dizer «a minha, a nossa casa». Hipotecada a vida futura ao banco havia que comprar um carrito, mesmo que em segunda mão, para nas férias ou nas épocas festivas poder ir à santa terrinha e mostrar o seu sucesso na cidade grande. Mais uma hipoteca a pagar suavemente que o pessoal do banco era amigo. Era tão amigo que até facultava um daqueles cartões que os ricos usavam para comprar a crédito. Assim os filhos já poderiam também ir de férias para o Algarve, comprar um computador e um telemóvel dos mais modernos etc etc. Filhos que agora podiam estudar nas escolas publicas se assim o quisessem e se não quisessem estudar para além do obrigatório não fazia mal pois eles, pais, também não estudaram e fizeram-se à vida. Para mais, muitos dos que estudam e tiram cursos superiores de muito "marranço" depois não encontram trabalho… por isso é melhor deixa-los viver a vida à vontade.

Os jovens que estudam e muitos outros que não quiseram habituam-se a uma vida de facilidades, onde os pais se endividam para que os seus meninos não sejam menos que os filhos do senhor engenheiro, do senhor doutor. Habituam-se a viver a vida sem grandes sacrifícios. Tudo lhes é facilitado. Os maus hábitos crescem como os cogumelos nos subúrbios e alastram-se aos centros das cidades. O regime e os que de tempos a tempos são eleitos para governarem deixaram-se enredar numa teia social onde todos só têm direitos cívicos, onde a própria lei foi aprisionada por conceitos de psicologia barata de que todos parecem ter medo.

A teia da aranha venenosa estava montada. Com ela os lucros usurários do capital financeiro garantidos. Tudo sempre «a bem da nação».

E assim aos altos e baixos vivia-se sempre na ilusão de que o prometido paraíso estaria mais próximo do que poderíamos imaginar. A ilusão é uma felicidade.

De repente, do nada surgiu um bichinho tão pequenino que não se vê à vista desarmada. Veio de algures na Natureza e espalhando-se entre as nossas células humanas, mudou a vida no Planeta. Do oriente ao ocidente, do Árctico à Antárctida a todos mete medo, pelo sofrimento que causa quando se instala nas nossas células. A economia do mundo capitalista parou, confinou e como só existe essa forma de economia no Planeta a vida como que esta suspensa na quase totalidade dos países.

E agora que iremos, que poderemos fazer?

Como mudar o paradigma da vida fácil para os mais jovens?

Como instruí-los de que o amanhã não será igual ao ontem?

Sem trabalho à vista como sobreviver?

Como pagar as hipotecas que não nos deixam sequer dormir?

Que futuro para os mais jovens?

Uma coisa é certa, a frase de que «Vai Tudo Ficar Bem» é uma falácia, uma porra, nesta vida de tantas e tamanhas incertezas, de choros doridos pelos que vão partindo mais cedo desta viagem.


terça-feira, 14 de julho de 2020

Só tristezas


No meio da informação e da contra informação sobre as questões da saúde, somos alertados por vários órgãos de comunicação que o sr. Prof. António Costa Silva já teria entregue a quem de direito o seu relatório preliminar de ideias com 146 páginas sobre o que devemos fazer depois de nos livrarmos da pandemia viral. Procurei vasculhar na net assim como nos jornais o que diziam em resumo das páginas entregues.
Não tenho saberes para avaliar tudo o que estará escrito, até porque cada um dos jornais que li dava a sua interpretação. Não leio o Observador.

Sentado, olhando as estrelas que não se veem por acção da iluminação pública penso devagar. E, ao pensar devagar sinto uma certa tristeza. Tristeza que nada tem a ver com o relatório apresentado e as suas ideias, que respeito. A minha tristeza tem a ver com o estado a que chegou o nosso Estado.
Que funcionalismo público suportamos?
Para que tantos ministérios, tantas secretarias de estado, tantas direcções gerais, tantos centros de estudos… sim, para que? Tenho a certeza de que em todos esses organismos publicos há gente séria, profissional, gente competente nas suas valências profissionais… e que não é aproveitada e talvez mesmo respeitada. Quantos desses profissionais ao verem-se ignorados pelos diversos políticos que nos governam não se sentem defraudados, tristes, desmotivados nas suas ilusões profissionais.
Depois como que acordo e fico ainda mais triste ao lembrar-me como os partidos políticos politizaram os organismos do funcionalismo público. Politizaram com admissões, via concursos à medida, via confiança política ou recorrendo à velha e eterna "cunha". Amigos e militantes de suas confianças políticas que sempre vão ficando quando os amigos saem do governo, transformaram a máquina do Estado num peso pesado, incompetente em muitos sectores e desumano para os cidadãos que não trabalhando no Estado precisam de recorrer aos serviços do mesmo Estado.
Este politizar não foi só dos partidos do chamado arco da governação PS, PSD-PPD e CDS-PP, começou logo após o 25 de Abril quando militantes e simpatizantes à pressa na altura do PC tentaram tomar conta da máquina administrativa do Estado. Aí foi dado o primeiro passo.

Só fui funcionário do Estado quando cumpri o serviço militar obrigatório durante quase 39 meses. Depois quando tinha a hipótese de poder entrar para a Direcção Geral de Finanças o sr. Vasco Gonçalves, Primeiro Ministro de então, parou as admissões dando prioridade ao pessoal que retornava das antigas províncias africanas, numa tentativa de diminuir a revolta e o desconforto próprio da descolonização que ocorria nesses territórios africanos. Falharam redondamente os objectivos mas ajudaram com esse lirismo a engodar a máquina administrativa do Estado tornando-a obesa desde essa altura. Agora o sr. Primeiro Ministro numa daquelas afirmações ao gosto do políticos, que é o de ouvirem a sociedade civil, chamou o sr. Prof. António Costa Silva a elaborar um relatório sobre o «Day After».

Pelo que vi nos jornais poucas novidades acrescenta ao que também pensam muitos daqueles que com os pés no chão se preocupam com o futuro de Portugal. Acredito mesmo que alguns do centros de estudos que apoiam ministros e secretários de estado poderiam ter redigido relatório semelhante. Mas assim com esta acção talvez o Governo queira dar um ar, um toque de independência às medidas apresentadas ou a apresentar.

Medidas há muitas e boas. Meios para financiar a sua execução é que cá estamos para ver.
Por agora o país continua em pré coma induzido, sem que a maioria se importe. Cantar, dançar e bronzear o corpinho na praia é o mais importante.

País mais dependente do que nunca do que irão decidir os comparsas da União Europeia, onde os políticos liberais e neoliberais dominam. Onde a tão desejada unificação fiscal é uma miragem que nem os mais utópicos acreditam já ser possível realizá-la.
Se as subvenções a fundo perdido não chegarem quantas das ideias expostas nas tais 146 páginas serão realizáveis a curto e médio prazo? O longo prazo não existe em Portugal enquanto vivermos como o pesado garrote da dívida pública ao pescoço.

Hoje vi na tv o sr. Presidente muito preocupado com o Turismo no Algarve que nem cuidou que os seus comparsas de ontem mantivessem e dessem o exemplo do tal falado e necessário distanciamento social ao assistirem às suas palavras e ao entrarem para o restaurante.
Eu, sr. Presidente estou muito mais preocupado e triste com o incêndio que ontem destruiu fábricas, postos de trabalho, riqueza a produzir e a exportar, em Castelo de Paiva do que o Turismo no Algarve.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Um Quase Zero

Sou um quase zero a inglês. Foi a única disciplina a que chumbei quando estudei no Instituto Comercial. Nunca gostei dos ingleses. Há trinta e sete anos que deixei de passar férias no Reino dos Algarves. Mas não foi por causa do turismo dos súbditos de sua majestade inglesa. Troquei a confusão, a barafunda das praias algarvias pela calma da praia onde jovem aprendi a conhecer o mar que me oferece aquelas ondas que gostava de desafiar. Praia onde não há bares nocturnos nem discotecas, ainda hoje.

Estranho o pânico que existe com a decisão das autoridades inglesas. Os ingleses que conhecem e gostam de passar as férias no Algarve vão vir porque há outros voos outros caminhos para o Algarve.

Depois com o medo que o vírus espalhou ao nível planetário, assistimos à queda abrupta das viagens aéreas. Vimos pistas de aeroportos a servirem de parque de estacionamento aos aviões em terra. Muitos dessas aeronaves arriscam não voar mais tais as falências que existem no sector, onde os Governos se dispõem a investir milhões que não possuem para tentar salvar as empresas privadas "bandeira".

Era previsível que face aos estragos que a pandemia causou na economia, as receitas do Turismo de massas caíssem para números assustadores. Só quem anda a dormir ou um pouco desorientado, cansado por ter de acudir a todos os problemas, a todos os fogos sem ter ministros à altura, é que continua a apostar na galinha dos ovos turísticos.

Talvez mesmo a decisão do louco primeiro ministro inglês em não considerar Portugal Continental como lugar seguro para os seus cidadãos, tenha sido o nosso euro-milhões na saúde da não propagação do vírus.

Face ao que se conhece da forma como o vírus se propaga, o medir a temperatura na entrada dos turistas e outros viajantes, não é garantia absoluta. Assim como o trazer para mostrar análise negativa ao vírus, se a declaração não obedecer a normas internacionais de certificação da entidade emitente da declaração / análise, de pouco vale.

Está mais que na hora de apostar em alternativas ao turismo de massa anónimo. Temos quase novecentos anos de história. Há que promover e incentivar cá dentro e lá fora, outras formas de turismo. Vender o sol algarvio é chão que pouco produz em valores de riqueza. Não nos enganemos com os números das receitas. Quantos só deixam cá o quê gastam no supermercado (quase sempre com máquina de calcular na mão), numa ou outra refeição e nas bebidas nocturnas para se embebedarem, porque a viagem e a estadia no hotel é paga na origem transitando muitas vezes para contas offshore que as cadeias de hotéis possuem para iludirem as autoridades fiscais.

Gosto de:

- Há mar e mar, Há ir e voltar!

e,

- Temos que viver com aquilo que temos!

Não nos iludamos com previsões mais ou menos optimistas ou pessimistas, a pandemia trouxe novos desafios e aumentou exponencialmente as dificuldades de vida que teremos de enfrentar já e nos anos que se seguem para todos aqueles que irão  sobrevivendo.


Aficionado


Não sou aficionado. Nunca fui ver ao vivo. Há outras pegas na vida muito mais interessantes, menos perigosas e muito mais saborosas.
Reconheço a tradição que o espectáculo das corridas e largadas de toiros tem em algumas populações. Quando jovem gostava de ver na televisão a preto e branco o toureio a pé, homem e toiro frente a frente numa luta de enganos.
Os granadeiros criadores de gado bravo nas suas terras têm à sua disposição todos os fundos e subsídios que as explorações agrícolas recebem do Estado por decisões europeias.
Continuar a conceder subsídios ao espectáculo em si, custa-me mas aceito porque temos de respeitar todos aqueles que gostam de assistir e vêm arte e cultura no mesmo, mesmo que eu ache que ali não há cultura nem arte.
Uns gostam de touradas, outros gostam de futebol, outros de ciclismo, outros de boxe, outros de corridas de automóveis, outros de teatro, outros de música clássica, outros de musica popular, outros de dança e ballet, outros gostam de tudo e outros não gostam de nada.
A vida tem leis sociais, culturais, sei lá. Na realidade não sei se são leis, tradições, costumes ou hábitos que trouxemos através dos tempos para agora podermos duvidar e até sermos contra essas tais coisas que vêm do passado e fazem a civilização do antes e do agora. Tudo no ser humano evolui. O que ontem era importante e belo ou normal, hoje pode já não ser assim para muitos, enquanto que para outros pode continuar a ser a tal arte e cultura e por fim há os que deixam ao livre arbítrio de cada um.
O Estado directa ou indirectamente a todos auxilia, mais a uns que a outros, goste-se ou não.
Discutir a atribuição de subsídios concedidos pondo em causa o espectáculo pela violência que para alguns o mesmo representa, parece-me puritanismo extremista, mas… eu não dou para esse peditório.
Devemos ter a educação cívica de respeitarmos o outro mesmo quando o outro tem gostos opostos aos nossos. Custa mas tem de ser.
Neste caminhar pela outra margem estou a cada dia mais longe de todos os pseudo sejam eles ambientalistas, defensores dos animais, anti racistas … etc. que vivem nas cidades sem conhecerem na pele o porque das coisas, a dureza e incerteza da vida seja nos campos, nos mares, seja nos bairros periféricos das cidades grandes anónimas e impessoais.
Como dizia o Padre Felicidade Alves «Deus na sua transcendência a todos quer bem».

terça-feira, 7 de julho de 2020

O Sistema e os justiceiros


O sistema que domina grande parte da sociedade é implacável, não adormece. Os seus fiéis, quaisquer que sejam os domínios, cuidam da sua segurança, não vá o diabo tecê-las. E porque todo o cuidado é pouco na defesa do sistema, os seus fiéis não se importam de errarem sem pingo de vergonha.

Este país não é para velhos, tão pouco para idosos, nem mesmo para os jovens que pugnem pela verdade na sua versão de honestidade.

O sistema domina e funciona de forma transversal, de alto a baixo, seja na Administração Pública dependente dos Governos que vão passando, seja nas estruturas da Justiça independente dos Governos, seja nas Administrações Privadas dos monopólios e oligopólios é um correpio de casos onde a suspeição e as dúvidas são rainhas.
Casos, onde alguns «justiceiros» (de saias ou aventais) fazem chegar excertos específicos dos processos em curso nas suas mãos, aos agentes do sistema colocados estrategicamente em órgãos de comunicação para que a "populaça" estabeleça o seu «auto de fé» e queime as suas vítimas no novo "Rossio-virtual".

Eles auto-proclamados «justiceiros» pouco se importam com o cumprimento das regras e das leis. Eles, «justiceiros» estão acima das leis, eles são as normas que regem as leis.

A "populaça" embriagada pelo paleio dos agentes do sistema, perde a noção do bom senso e julga em delírio na praça publica transformada em «autos de fé sec. XXI», qualquer que seja a vítima ou vítimas dos arrotos e vómitos azedos dos «justiceiros» em especial se são políticos, ex-políticos de partidos específicos, ou empresários arrogantes e outros angolanos pretensamente ricos; salvam-se deste circo os empresários ligados ao mundo do desporto, onde os tentáculos existem numa outra versão mais complexa ainda.

Os «justiceiros» pouco se importam que a Justiça seja lenta, de baixa produtividade. Eles fazem o seu trabalho, para que o objectivo de descrédito da Democracia funcione, obedientes que são às estruturas ocultas dos mandantes do sistema.

Sonhar com uma “Sociedade Mais Decente” ainda é possível… mas os mandantes do sistema são poderosos, estão em alerta constante com os seus agentes e eunucos em todos os domínios da nossa sociedade, nem precisam que as paredes voltem a ter ouvidos, modernizaram-se, adaptaram-se às novas tendências da sociedade de consumo que gerem. A defesa da privacidade para eles não existe. Eles sabem e têm acesso a tudo.

Sonhar ou continuar a sonhar exige dos sonhadores outras formas de inteligência, de expressão na linguagem simples e clara para com todos mas, em especial para os mais jovens, para os que vivem a precariedade das novas formas de trabalhar, porque são eles o garante de que o futuro é possível. 
É preciso mais do que nunca ser pragmático sem perder a ilusão do sonho.

sexta-feira, 3 de julho de 2020

EFACEC / TAP


EFACEC. Hesitaram. Procuraram alternativas que não encontraram. Criaram ansiedades desmedidas e negativas aos que nela trabalham produzindo bens. Por fim lá se decidiram tomar conta da empresa, nacionalizando. Uma boa medida que tardava. É uma empresa produtora e exportadora de bens transaccionáveis com valor acrescentado, tecnologia, saber fazer português. Só espero que não interfiram na gestão da mesma com as tristes nomeações de “amiguetes e boys partidários”. Deixem a empresa com as suas estruturas próprias trabalhar e executar o orçamento da mesma. Esse instrumento, orçamento, é que deverá ser apresentado e aprovado pelo Ministério que a vai tutelar. Não esqueçam que quem entregou a empresa à empresária angolana foram os gestores de dois grupos económicos portugueses. Primeiro os gestores do Grupo BES e por fim os gestores do Grupo Melo. Deixem as estruturas próprias da empresa executarem a gestão, cabendo ao Estado a supervisão dos actos de gestão e resultados.

TAP. Por muito que se diga e escreva enaltecendo a empresa duvido da sua real importância e valor. Duvido porque não vejo, não concordo que seja o Turismo a salvação, o motor do nosso tão necessário desenvolvimento económico e social. Depois, o vírus mudou a vida que muitos, políticos incluídos, se recusam a ver. O tal Turismo caiu para níveis não imagináveis e nunca anunciados por qualquer guru de 5 ou 7 estrelas nacional ou internacional em palestras de power point pagas a preço de ouro. Bateu no fundo do poço. O turismo como o conhecíamos antes, apenas servia para mascarar as contas públicas com as ilusórias receitas que proporcionava. A grande maioria do trabalho criado para servir o turista era e é trabalho precário de fraco valor acrescentado, sem garantias. Depois a TAP não produz bens transaccionáveis. Apenas produz serviços. Serviços que pela qualidade prestada não são capazes de rentabilizar os capitais investidos na mesma, nem tão pouco o tal bom nome que tanto apregoam. A falência da TAP não era o que apregoam. Teria custos elevados é certo mas nada que não se pudesse reverter. Depois 50% do capital da empresa não pertencia ao Estado. E nós já estamos habituados a pagar com língua de palmo os erros crassos de políticos do arco da governação com os erros no BPN-SLN, Grupo BES, BANIF, CGD, fora os negócios ruinosos da venda ao desbarato da EDP, REN, PT, CTT e ENVC para não enunciar todas.
Fui contra a privatização da TAP. Não gostei da recompra dos tais 50% que valeram apenas e só gastos para com determinados “penachos” de amigos e políticos que mandavam tanto na empresa como qualquer sem abrigo. Agora parece que querem continuar a inovar para mal das nossas contas públicas. O Estado irá ficar com 72,5% mas dizem que não nacionalizaram a empresa.
Ao ficar com a participação da empresária angolana que rondava os tais 70% nacionalizaram. Ao pagar para ficar com 72,5% da TAP não nacionalizaram. Olhares diferentes, só isso.
Mais, dizem com ar arrogante que como o empresário privado percebe é de transportes rodoviários irão procurar através de caça cabeças, os crânios gestores para a companhia. Deixem-se de merdas. Falem com o empresário privado que sabe mais de transportes que todos os políticos e amiguetes-gestores-de-colarinho-branco-com-gravata-de-seda-e-comentadores-televisivos juntos. Discutam com ele e com as estruturas dos trabalhadores, ouvindo todas com atenção para depois decidirem como a empresa será gerida respeitando a imagem de uma empresa de viação aérea que nunca será uma empresa grande no contexto europeu, mas que tem os seus próprios mercados para os rentabilizar reestruturando-se para o facto. Não tenham medo, que a reestruturação vai exigir o emagrecimento e com ele virá o desemprego de muitos dos que trabalham directa ou indirectamente com a empresa. Os prejuízos devem-se em parte às economias de escala produzidas pela vaidade de querer ser grande ao serviço de um país pequeno.

Nós e a Dinamarca somos pequenos mas somos de todos os países do Planeta os mais velhos nas suas fronteiras independentes. Qual é a empresa de viação bandeira dinamarquesa?

Se na EFACEC existe a forte probabilidade de retorno do dinheiro investido e a investir no curto, médio e longo prazo. Na TAP a probabilidade de recuperar o dinheiro investido quer como capital quer como empréstimo avalizado pelo Estado esta na vizinhança do zero, seja a médio ou a longo prazo se não se reconverter a empresa à dimensão do país adaptando-a à concorrência ultra-feroz que o mercado da viação aérea irá ter neste novo tempo de retoma.

Lembrem-se que numa empresa só fazem falta os que lá estão já, sendo que muitos desses serão dispensáveis para o futuro da empresa e das contas publicas.