segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

21.12.13

Caminho de olhos semicerrados e ouvidos protegidos para só ver o que me interessa e ouvir o que quero nesta minha surdez principiante e congénita.

No final de semana andou muito barulho à solta nas avenidas da outra margem. Não compreendi se era festa já que não ouvi foguetes mas sim muitos tiros de pólvora seca. Não estamos no tempo das festas dos santos populares, mas pareceu-me ver muitas fogueiras na outra margem.

O que é que se terá passado para haver tanto barulho, tanto ruído de pólvora seca no meio de tantas fogueiras? Questionava a minha sombra que calada se limitava a encolher os ombros.

Diz-me então uma gaivota voando livre na beira rio, que prenderam alguém importante outrora. Curioso liguei a TV pública que estava na hora do telejornal. Passei depois pelos outros canais a correr. Fiquei a saber que prenderam um dos vaidosos vigaristas da nossa praça. A justiça que durante anos o tratou com pezinhos de lã não fosse o senhor banqueiro ficar ofendido, evitando por vários meios colocá-lo na choldra; a mesma justiça que a muito custo o tinha condenado a prisão efetiva numa das prisões construídas para vigaristas de bem; a justiça que sabendo que o veredicto da prisão efetiva tinha transitado em julgado lhe facilitou mais uma viagem ao estrangeiro para a fuga com destino incerto. Essa mesma justiça anunciou que o antigo banqueiro condenado por várias vigarices transitadas em julgado, tinha sido localizado e estava preso sob as ordens da justiça num país distante.

Anunciando o feito em conferência de imprensa a justiça juntou-se aos amigos inquisitoriais que tomaram conta da comunicação social celebrando todos o fato, com muitos tiros de pólvora seca à volta de muitas fogueiras alimentadas pelos modernos especialistas nos julgamentos populares, que alimentam as chamas da moderna Inquisição agora em versão democrática.

O tipo em causa, preso num lugar para gente rica como vaidoso vigarista sempre foi esperto apenas para se apropriar do que não lhe pertencia mas que aforradores ansiosos de altos juros financeiros lhe entregavam somas avultadas de dinheiro à ordem e a prazo para a atividade de especulação financeira que o sistema económico potência. Ninguém como ele garantia tão altos rendimentos passeando-se e promovendo-se entre as classes abastadas da média e alta burguesia perante ministros, secretários de estado e governadores do banco central. Ele era o maior e mais bem sucedido banqueiro cá do burgo procurando fazer sombra aos outros ilustres banqueiros da pobre praça financeira.

Os avençados jornalistas dos mesmos órgãos de comunicação que agora o condenam com tiros de pólvora seca em várias fogueiras, são alguns deles os mesmos que nesse tempo do sucesso de altos rendimentos financeiros o bajulavam levando-o aos ombros num andor cheio de promessas em ouro como grande empreendedor financeiro de sucesso da democracia portuguesa.

Que puta de vida esta, em que se gastam horas e dias a falar de miudezas à volta de vigaristas banqueiros sem se procurar explicar porque é que o sistema facilita e potencia estas vigarices ou roubos de colarinho branco e gravata de seda fina.

Será que todo o barulho dos tiros de pólvora seca, todas as horas de comunicação alimentadas por especialistas bem falantes à volta das fogueiras também contribui para o crescimento económico sustentável? Fará todo este tempo gasto a falar de personalidades nada recomendáveis parte da transição energética ou da economia digital?

Que puta de vida levamos nesta nova versão do democrático 25 Invernoso numa nova versão digital do lá vamos cantando e rindo.

Tenho saudades, tenho nostalgia do 25 Primaveril.

 

domingo, 12 de dezembro de 2021

21.12.12

 

Há datas que vivem connosco. Quando o tempo do calendário se aproxima elas tornam-se memórias vivas, presentes. Nem todas correspondem a dias onde a felicidade esteve presente. São datas que são marcos na vivência percorrida.

Dezembro é um mês de algumas dessas datas que se sobrepõem ao acontecimento em si.

Se lá chegar no dia do aniversário completarei setenta e um anos de vida. De tantos dias aniversariantes, há um que invariavelmente vive na minha lembrança viva sobrepondo-se a todos os outros. O dia em que cheguei os vinte e dois anos de vida. Um dia que de todos os muitos dias já vividos permanece como recordação do que não deveria ter existido.

Também neste mês correm datas onde os momentos de felicidade atingiram momentos altos de paz numa alegria que só o nascimento, no caso, de uma filha nos pode dar. Corria o ano de mil novecentos e oitenta. Os meios tecnológicos da saúde não permitiam ainda saber como decorria o desenvolvimento do feto. Noites passadas no hospital Central de Lisboa Norte ouvindo especialistas sobre o problema que a futura mãe poderia transmitir ao feto para na incerteza do conhecimento se cair nos cinquenta por cento de probabilidade quer do sim quer do não. Foram dias, foram meses de medos surdos de angústias partilhadas. Depois chegou o dia em que a desejada paz com alegria chegou para iniciar uma outra e nova vida.

Um outro dos dias que salta para a memória consciente é outro dia que também nunca deveria ter ocorrido. Situa-se esse dia a meio do mês. Um dia em que ordeiramente olhámos em despedida as águas do Lima que se entregavam ao mar incertas do seu destino. Sobre aqueles jovens fardados, alinhados que marchavam em o silêncio pairava nas suas cabeças a certeza que ao embarcarem naquele comboio as suas vidas como que deixavam de lhes pertencer passando todos eles a serem instrumentos de guerra de uma política opressora, assassina de muitas vidas humanas, que iriam partir para longe da sua família na defesa de um Império que só na mente dos opressores senhores do poder e dos seus muitos apoiantes existia.

Dias que marcam a existência de quem os viveu consciente do seu papel na sociedade.

21.12.11

 

Tantas vezes dizemos e ouvimos dizer que os dias passam a correr.

Dizemos e ouvimos mas não é verdade.

O tempo dos dias passa a uma velocidade constante fixa à milhões de anos, desde que o Planeta se formou rodando à volta do Sol. Para ele, tempo, não há autoestradas nem limites de velocidade já que foi, é e será sempre uma constante igual a si próprio que um dia há muitos anos os Sumérios sem computadores nem outras máquinas tecnológicas dividiram como hoje o conhecemos.

Nós, humanos, é que nos deixamos levar por forças ocultas bem falantes de objetivos gananciosos ditos concorrenciais levando-nos a vivermos a vida numa correria louca, quantas vezes sem norte, olhando de soslaios para os outros que como nós correm procurando ir na frente. Vivemos sem sabermos parar e olharmos para nós próprios, sem tempo nem vontade de dialogarmos com a nossa própria sombra sobre este modo de vida que nos cansa e explora até ao tutano, que nos desgasta o pensamento e nos revolta contra o outro que vai na mesma correria desenfreada, tão culpado como nós, ignorantes que somos.

Tanta correria para no final, quer na cova do cemitério quer no forno crematório entrar o nosso corpo já só matéria fria de pés para a frente. Quando tal se dá chegou o momento em que a correria neste tempo de vida deixou de existir, já nada havendo a fazer. Contudo o tempo na sua constante continuará a passar indiferente ao que nos aconteceu.

21.12.10

Tenho que começar a anotar num caderninho todas as passwords para quando chegar ao fim desta reta onde a minha vida já entrou, os que cá ficarem e caso se interessem, possam não só entrar no computador como no telemóvel, podendo desse modo até por curiosidade conhecer o pai e o avô que nestes tempos corridos a velocidades anormais não conhecem de todo.

A vida vai a reboque do consumismo que a sociedade impõe aos filhos, aos casais, aos jovens e a uma parte crescente dos mais velhos. Um consumismo estéril onde os antigos valores familiares de respeito para com os mais idosos, da afetividade e do amor aos pais e avós estão fora de moda, desatualizados face aos objetivos que sub-repticiamente o sistema lhes impôs e impõe numa exigência sempre crescente de egocentrismo galopante. O "eu" sobrepõe-se a tudo, num individualismo doentio contagioso para o qual não há, nem sequer existem fundos públicos para se investigar e encontrar um remédio, uma vacina eficaz contra esta doença social que é o individualismo com o "eu" a assumir o papel fundamental da sociedade. Uma sociedade coletiva onde o importante, o fundamental é o "eu" individual, solitário.

Quando olho lá para trás, quando me recordo que por incapacidade minha nunca fui capaz de me despedir de quem mais amava… aqui deitado na minha cama de ferro adivinhando o frio que faz lá fora não compreendo o sentido da vida que corre nas diversas avenidas destes tempos modernos onde o consumismo estéril se transformou na maior das santas religiões do atual capitalismo dito civilizado.

Eu sei que caminho na outra margem na travessia do deserto mas mesmo sendo, não só um número tresmalhado, como também uma "ovelha ranhosa" lutando comigo mesmo para me manter lúcido, não deixo de ser mais um número do sistema asfixiante que nos controla os movimentos e tantas vezes o próprio pensamento.

Eu, cidadão criado no ameno litoral, vou para o frio da rua agasalhado olhando perplexo os aldeões habituados a este frio gélido do interior raiano todos atulhados de roupa por causa do frio. O que faz essa máquina infernal de ação psicológica que é a televisão atual. O Consumo tornou-se numa ditadura de tentáculos invisuais que nos aliena fazendo-nos crer que no consumismo estéril encontraremos o modo de sermos felizes até um dia terminarmos esta viagem ou nos despistarmos da vida por culpa do próprio "eu".

(foto da net)

 

21.12.08

O dia começou frio quanto baste. Um frio que o vento tornava mais agreste. Depois de almoço o Sol ficou encoberto e o corpo a pedir mais agasalhos. Fui visitar um amigo e quando regressei a casa já era noite. Não acendi a salamandra.

Nesta noite fria escrevo com uma manta sobre as pernas. Escrevo, onde me habituei a começar as minhas conversas com a minha sombra, no meu telemóvel.

Uso o telemóvel para falar ao telefone, tirar fotos, escrever e jogar por vezes o velho solitaire. Ah, também é nele que vejo as primeiras páginas dos jornais quando me levanto e vou para a casa de banho.

Nestes dias tenho pensado em vocês mais que o habitual. A razão prende-se com o fazer do azeite. Bem procuro na memória dados sobre a quantidade da azeitona que vocês apanhavam entre os chões da Horta, da Vinha e de Segura. Na minha cabeça bailam os trezentos quilos, mas duvido desse número embora não me recordo de quantos quilos apanhavam. Penso que num ano fizeram 30 litros. Vejo a mãe a experimentar logo a qualidade do azeite que o pai trazia do lagar, reclamando quase sempre pelo mesmo não ser das nossas azeitonas mas era a forma de trabalhar do lagar, tantos quilos de azeitona entregue após o desconto normal da "maquia" fundindo a mesma a um valor estabelecido pelo lagareiro, recolhendo quase de imediato a quantidade de azeite que estava a sair na bica. Vem-me à memória as nossas conversas pai quando te visitava no lar e tu muitas vezes demonstravas o teu receio de que a casa e o chão da Horta ficassem ao abandono. Sabias da minha situação económica, sabias que o mano tinha a sua vida bem organizada por Coimbra e não me vias capaz de ficar com estes bens porque tinha de dar tornas ao meu irmão. Tu que sempre soubeste ler os meus silêncios tinhas dúvidas e medos. Pelos teus medos de que os teus filhos pudessem deixar os bens ao abandono, depois da mãe falecer vendeste o chão da Vinha, já que o da Malhada dos Poços o vendeste ainda a mãe era viva. Nessas nossas conversas lá ia dizendo que eu não iria deixar isto ao abandono e tu tinhas as tuas dúvidas legítimas pois sempre me conheceste melhor do que eu me conheço a mim mesmo. Quando terminaste esta tua viagem o mano confiou e disse-me para eu tratar de todas as burocracias. Assim fiz. Nas finanças e na conservatória fiz-me até herdeiro dos quartos correspondentes aos teus sobrinhos sobre o chão de Segura. Fi-lo com conhecimento desinteressado dos mesmos, excepto da Olga. Depois acordei com o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Segura e fizemos a doação do terreno como era teu desejo. Mandei-lhes cópia da escritura de doação mas nenhum me perguntou quanto gastei, pois até a escritura de doação fui eu que paguei pois o Provedor dizia que a mesma não tinha fundo para pagar tal valor. Acordei com o meu irmão o pagamento mensal de uma verba até perfazer a metade do valor da casa que a avaliação bancária fez quando lhe pedi um empréstimo para fazer as obras mais urgentes. Andava eu cá e lá quando um dia me procuram por saberem que a mãe era sobrinha do tio João Capelo. O casal em causa levava os dois terrenos restantes da herança após o falecimento da tia Isabel, ou seja o Chão da Eira e o da Balasca. O da Eira sabia onde era com as paredes do palheiro a caírem por desmazelo. Balasca era um nome familiar mas não fazia ideia nenhuma onde e como era. Falando com o meu amigo Zé logo este me disse que se ficasse com aquele chão que faria todos os anos azeite para mim e para as filhas, indo logo mostrar-me onde o mesmo se encontra. Há muito que nem o terreno nem as oliveiras eram cuidadas. Dei autorização ao António de alcunha "caga cornos" de poder usar o terreno para as suas ovelhas como já fazia no Chão da Horta com a contrapartida de lavrar o mesmo e cuidar dos muros eliminando a praga das silvas. Paguei no inverno seguinte a limpeza das oliveiras e se no ano passado não houve azeitona este ano já lá colhi azeitonas para o azeite. Foi um ano de tanta azeitona que ao colher também as oliveiras da Horta da Corona do primo António Moreira nem fui ao Chão da Horta apanhar as nossas oliveiras já que no total da Horta da Corona e Balasca fiz 1.019 quilos e nem todas as oliveiras foram colhidas. Como o lagar da Zebreira não abriu ao público, o meu amigo Zé que me ajudou e ensinou na apanha, fomos fazer o azeite para Monforte da Beira onde o azeite recolhido é o produto final da azeitona que cada cliente entrega, trabalhando com duas alternativas à escolha do cliente que ou entrega a azeitona da "maquia" estipulada ou paga um valor fixo de euros por cada quilo de azeitona entregue. Optei por esta última. Os 1.019 quilos renderam 187 litros de azeite com uma acidez de 0,4 graus. Por onde vocês, pai e mãe, andarem devem estar contentes por nos terem criado e educado demonstrando que os sacrifícios que os pais fazem pelos filhos sempre podem dar frutos. Se a saúde não me faltar para o ano cá estarei para nova colheita e ir de novo a Monforte da Beira onde o azeite que trazemos é das azeitonas que colhemos, como a mãe sempre desejou reclamando. Ao chegar a casa provei-o no pão como aprendi com os espanhóis e se a cor é de ouro o sabor é divino com as azeitonas bical e cordovil a sobreporem-se às restantes.


21.12.06

 

Na escola primária da nossa aprendizagem lemos e aprendemos que "verde foi meu nascimento e de luto me vesti. Para dar luz ao mundo, mil tormentos padeci".

Com quase setenta e um anos de idade temporal, pela primeira vez e há sempre uma primeira vez, colhi azeitonas para levar ao lagar. Uma aventura que se transformou em mais uma batalha interna contra os inimigos sem rosto que populam no nosso sistema político de sociedade consumista em que o importante é consumir toda a merda, para que desse modo insustentável a economia possa crescer, que quem vier depois irá fechar a porta.

Nas longas horas de espera às portas do lagar já no concelho de Castelo Branco e não de Idanha-a-Nova, ouvi histórias, aprendi várias coisas e conheci alguém, um Carlos como eu de nome, nascido em Cascais engenheiro de profissão que ao receber a sua indemnização de trabalho se transformou em empreendedor agrícola em terras do Rosmaninhal. Um jovem de quase sessenta anos com muitos conhecimentos, mesmo no exterior, que gere e pensa a sua atividade fazendo e comparando contas de rentabilidade olhando o futuro da sua atividade agrícola como fonte criadora de riqueza. Um empreendedor que adapta a tradição ao futuro investindo em conhecimento para evoluir num mercado concorrencial onde há partida não somos ganhadores face a espanhóis e a italianos, que com a sua organização económica nos levam montanhas de avanço difíceis de ultrapassar mas não impossíveis.

Pelo muito que me custa aceitar o olival extensivo como hoje existe não tem futuro. Não está em causa a excelente qualidade que o seu fruto nos dá como produto final. Não tem futuro porque dá trabalho. Um trabalho duro que exige sacrifícios e mãos para a apanha. Mãos que com o tempo vão envelhecendo e escasseando para a atividade agrícola. Nem vou entrar na história dos subsídios. Em todos os países a atividade agrícola é subsidiada há muitos e muitos anos. O mal não estará no subsídio mas na forma errada como o mesmo é distribuído no nosso pobre e triste país por imposição dos senhores de Bruxelas. O subsídio é dado em função da posse da propriedade e não em função do binómio propriedade-produção. Como atalho de foice deixando a azeitona ser transformada no lagar, este ano os do Governo da Agricultura deram subsídio de 900€ por hectare para a produção de feijão frade. Será que alguma vez vamos saber a rentabilidade do mesmo? Isto é, quantos milhares ou milhões de euros foram concedidos e quantas toneladas foram produzidas? É que ninguém inspeciona o ciclo depois da análise e concessão do susidio com o cultivo e posterior apanha (produção). É o crescimento económico empobrecedor da nossa agricultura.

Voltando ao produto final da apanha da azeitona, o azeite. Azeite produzido com diversas qualidades de azeitona (cordovil, galega, bical, verdeal e alguma carrasquenha) que no seu ciclo de nascimento e amadurecimento nem elas nem a oliveira viram ser utilizado qualquer substância química, obtendo-se desse modo um produto natural mas não biológico porque para obter essa designação teria de obedecer a normas burocráticas estabelecidas em gabinetes de ar condicionado.

Um produto que foi condenado por um aldrabão cardiologista de renome há muitos anos, que usando já a televisão como arma de ação psicológica levou as famílias ao consumo de óleos e produtos hidrogenados em substituição do bom e saudável óleo que é o azeite.

Num ano de super produção de azeite vou olhar a evolução do preço do azeite que os supermercados oferecem ao consumidor como azeite, já que vender como azeite a 3€ o litro não pode ser só azeite.

Um Emigrante português a viver também na Alemanha comentava nas conversas que o tempo de espera no lagar dava, que levava para a Alemanha e vendia os garrafões de 5l do azeite ali produzido a 59€ e se mais tivesse mais vendia aos seus amigos e conhecidos alemães. Já o Emigrante em França vende o seu azeite à 9€ o litro e não lhe faltam amigos franceses interessados.

Nós por cá continuamos à espera que alemães, holandeses e brasileiros venham para lhes oferecer as vantagens económicas que recusamos sub-repticiamente aos portugueses interessados, com burocracias que não têm os que chegam como investimento estrangeiro. Depois a riqueza (valor acrescentado) gerada nos nossos solos com a nossa água voa para off shores e paraísos fiscais, enquanto continuamos a marcar passo discutindo décimas no tal crescimento económico.


21.12.05

 

Mais um dia que representa mais um ano. Um dia que é e será sempre relembrado não pelas mortes ocorridas na noite anterior desse ano mas, porque o casal tinha assumido a eterna responsabilidade de serem de novo pais de um novo ser humano nascendo neste dia 5 de Dezembro uma nova filha, que como a irmã nasceu na grande e enorme Maternidade Alfredo da Costa do nosso SNS.

Um dia em que uma nova vida começou a crescer e que neste ano de tantas e tantas coisas mal explicadas e entendidas que nos rodeiam a todos, completa as suas quarenta e uma primaveras como dizia a sua avó paterna, porque mesmo estando o calendário quase à porta do Inverno neste dia por momentos fez-se Primavera pelo nascimento de mais uma Flor de sua graça Joana.

Nasceu para viver momentos felizes e outros que servem de ensinamentos para podermos ser Gratos à vida, vivenciando-a no saber que a desejada felicidade é o caminho do amor, da gratidão e do respeito pelos outros. Depois, um dia ganhou asas e partiu caminhando na sua aventura de dar novas vidas à vida… e por cá andamos comigo sempre à frente no tempo de vinte e nove anos desejando-lhe sempre o melhor já que não foi ouvida no ato de amor que a gerou.


21.11.28


Amanhã faz anos que regressamos. Viemos como fomos, pelo ar, num avião da FA. O Figo Maduro nos viu partir a 15 de Dezembro e nos viu chegar a 29 de Novembro. Para trás ficou um tempo perdido onde recordamos nostalgias que a terra e as gentes angolanas nos deixaram.

Amanhã faz anos que regressamos. Ao partir deixamos a família e os amigos num país triste e pobre vergado ao sabor dos tiranos que nos governavam. Regressamos semanas antes de fazermos os dois anos, encontrando o país em festa não por ter acabado com a pobreza crónica de muitos séculos mas porque os tiranos do fascismo envergonhado e salazarento foram depostos dando lugar à festa da Liberdade.

Amanhã faz anos que regressamos. Viemos quase todos não como um dia partimos mas viemos. Quarenta e sete anos já passaram e a Amizade criada e formada naquele tempo de guerra nas terras do fim do mundo do Leste Angolano perdura até hoje entre os que vamos sobrevivendo ao fim desta viagem terrena. Uma Amizade que resiste às diferentes opções clubísticas e políticas de cada um dos antigos combatentes da 2 C Caç do Bat. Caç 5010 que em 1972 se começou a formar na terra quente transmontana de Chaves, para ainda hoje ser recordado sem saudade mas com nostalgia, relembrando os que já partiram assim como os nossos amigos e camaradas do recrutamento angolano que pertencentes ao então RI20 de Luanda por lá ficaram na altura. 

 

21.11.25


Não há vento a correr pelas ruas. Só o silêncio incomoda. Tudo parece sublimar-se à sua volta. Ouve o silêncio de gritos desconhecidos. Um buraco negro parece chamá-lo. Ele, indiferente ao que o rodeia, continua a sonhar. A utopia de uma vida decente continua viva alimentando a Esperança. 


quarta-feira, 24 de novembro de 2021

21.11.22

Era uma vez um município de baixa densidade populacional no esquecido e semi-abandonado interior raiano da Beira Baixa, onde a maioria da população é constituída por velhos e idosos que resistem ao passar do tempo na triste vida de ir vendo e sabendo que familiares, amigos e conhecidos vão eles terminando a sua viagem terrena.

Não é pois de estranhar as dificuldades que o SNS através dos seus organismos regionais e locais tinha e têm em contratar médicos e enfermeiros para dar assistência às populações resistentes das dezassete populações dispersas e constituintes do Município raiano que é salvo erro o segundo maior em extensão.

Sendo estas dificuldades conhecidas de todos, responsáveis políticos, profissionais de saúde e utentes ia a Unidade Local de Saúde com o seu Centro de Saúde funcionando com o profissionalismo e a dedicação de quem não tem meios mas faz das tripas coração para que os utentes tenham algum apoio, sendo uma das profissionais de saúde médica que voluntariamente e graciosamente continuava a trabalhar dando assistência embora estando já aposentada.

Aquando do período eleitoral autárquico a médica em causa deu o seu apoio explicito a outro movimento político em oposição ao Presidente Municipal de novo candidato a um último mandato.

No tempo de campanha pré-eleitoral o Presidente do Município promoveu através da adesão a um cartão especifico um seguro de doença privado básico com a Lusitania – Companhia de Seguros SA, afirmando na promoção e durante a campanha pré-eleitoral e eleitoral que o dito seguro de saúde escondido no tal cartão, acessível a todos os cidadãos residentes e recenseados no Município que o solicitassem, era diziam complementar do SNS. Face talvez às criticas geradas lá conseguiu quase em véspera do acto eleitoral que as estruturas do Partido funcionassem em seu apoio para noticiarem a assinatura de um tal protocolo em que a ULSCB dava o consentimento ao tal cartão sem que o responsável pela ULSCB se tivesse comprometido explicitamente segundo a leitura que fiz da noticia então divulgada.

Quando em Lisboa o candidato C. Moedas do PSD fez publicitar em campanha pré-eleitoral cartazes onde afirmava que se ganhasse as eleições os cidadãos com mais de 65 anos teriam direito a um seguro de saúde gratuito não estava a inovar. Já no esquecido e semi-abandonado interior raiano o Presidente do Município de Idanha-a-Nova tinha estabelecido um contrato de seguro anual que custa aos contribuintes quinhentos e quinze mil escudos à partida, segundo os dados do concurso publico realizado e rubricado pelas partes.

Com estas medida que os mais liberais aplaudem de pé e, outras muitas velhas promessas o candidato Presidente foi de novo escolhido pelos cidadãos do Município para o novo e último mandato.

Depois da tomada de posse nos novos órgãos autárquicos (município, freguesias e uniões de freguesia) vão-se conhecendo medidas que já se esperavam, como o que se passa com a prometida compra de um lagar de azeite já que os valores envolvidos teriam de ter o visto do Tribunal de Conta (ou estarei errado?) e o tempo foge que a azeitona está pronta; outras medidas denotam o índice de democraticidade e solidariedade existente nas pessoas que gerem a política regional e municipal à sombra da bandeira do Partido Socialista. Com a enorme dificuldade em conseguir médicos para dar assistência aos

utentes das várias populações, utilizam o argumento da idade para dispensar do serviço a médica que graciosamente trabalhava na ULS, pois que, já antes desta campanha eleitoral autárquica a senhora médica tinha os setenta anos e continuava a prestar serviço graciosamente durante todo este tempo difícil de pandemia que estamos ainda a viver. Pois não parece haver dúvidas que por detrás do argumento legal da idade, a dispensa dos serviços graciosos que a senhora médica vinham prestando se deve ao facto da sua opção política livremente tomada aquando da campanha eleitoral autárquica.

É por estas e por outras medidas revanchistas que vamos conhecendo nesta envergonhada democracia que é preciso estar atentos, dizendo sem medo “Viva o 25 de Abril!!!”