terça-feira, 25 de setembro de 2018

Porque não?


E porque não o Infarmed no Porto, ou até o próprio Ministério da Saúde, porque não?
Porque não o Ministério da Agricultura em Viseu ou em Évora ou em Castelo Branco, sim porque não?
Porque não o Ministério da Economia em Braga ou em Aveiro?
Porque não o Ministério da Educação em Coimbra porque não?, acabava-se de uma vez por todas com o enorme peso burocrático e inoperacional da 5 de Outubro.
Porque é assim tão difícil mexer com a organização administrativa do Estado?
Que lóbis, que corporações, cujos interesses impedem que o Estado e os seus funcionários se transformem numa organização mais eficiente e flexível promotora do desenvolvimento regional e nacional?
Na era da comunicação onde todos podem estar ligados por redes privadas e seguras, porque todos os ministérios e direcções gerais centralizadas em Lisboa?
Já sei, escusas de me chamar a atenção, tenho que parar de sonhar e acordar para a triste realidade dos dias que correm onde só os lóbis e as corporações mexem os cordéis com que nos atam à vida.

sábado, 22 de setembro de 2018

210918

Sais de cena com direito a uma boa aposentação. Para uns sais pela porta grande, para outros pela porta pequena, para mim que sou apenas mais um Zé Cidadão, sais pela mesma porta da política em que um dia entraste, se é grande, pequena ou de cor diferente pouco me importa.
Dizem-me que a justiça mudou no teu reinado, dizem-me mas eu não sei se foi mesmo por tua interposta acção ou se foi mais pelos desmandos que alguns dos arguidos e acusados praticaram, tendo duvidas que o mérito de alguns políticos serem investigados, como se isso não fosse normal, ou os clubes de futebol o serem, o que também me parece normal, o fossem apenas e só por mérito das tuas decisões, tu que sempre gostaste do discreto “ni” e recordo o caso da adopção/roubo de crianças praticado pela “iurd” debaixo dos teus olhos, isto para não entrar em questões políticas do porque uns serem investigados e bem, repito o “e bem” para não deixar duvidas, enquanto que outros passaram ao lado das investigações. O porque, tu lá saberás, eu fico com as minhas interrogações.
Não fosse um ex-primeiro ministro catapultar-te para a cena mediática pelas asneiras e presumíveis trafulhices que cometeu, um banqueiro a quem muitos jornalecos beijavam o cú, e que hoje bajulam a tua imagem e acção, dar cabo de forma presumivelmente dolosa do maior banco nacional e do grupo empresarial familiar, para assim te trazer de novo para a ribalta, ou de um possível hacker colocar a nu negociatas de dirigentes desportivos, não fossem estes desmandos destas personalidades pouco recomendáveis e o teu mandato seria mais conhecido pelas “fugas ao segredo de justiça” promovidas por subordinados teus, e a exemplo do teu antecessor a arquivamentos e omissões de gaveta sobre processos previsivelmente gravosos para os portugueses mas onde poderia estar gente amiga ou conhecida, pelo que a esses aplicaste o teu famosos “ni” (não fazer ondas que me possam comprometer), foi assim que chegaste ao cume e é mais ou menos assim que sais de lá.
Que agora os partidos e políticos digam todos bem da tua acção, a mim não me admira, são parte da corte, andam todos no sistema e nenhum terá telhados de vidro pelo que vamos conhecendo, há sempre algum político do partido que mete a pata na poça, pelo que há que acautelar as afirmações sobre quem poderá ter algum poder investigatório, não só por isto mas também por isto é que a nossa Democracia vai estando cada vez mais doente, cada dia mais longe dos cidadãos.
A ti como a todos desejo-te saúde e sorte que não sou invejoso. A cada dia que passa me sinto mais solitário na minha caminhada pela outra margem em busca de outra sociedade mais decente para todos e não só para alguns sortudos.


sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Dois livros


Dois livros neste tempo de verão que me transportaram para muitos anos atrás, quando ainda quase menino me levaram para bem longe, sabendo eu ao que ia e qual a finalidade daquela viagem tão longa, primeiro até às terras desconhecidas do chamado «fim do mundo» na zona militar leste de Angola, acabando depois já homenzinho nas terras de barro vermelho da fronteira norte com o Zaire de Mobotu.
Chegámos ao Mumbué no dia em que fazia os meus vinte e dois anos, era quase altura de se festejar no mundo católico o Natal, porque há outros natais, não existindo contudo Natal na guerra; dia que nunca esquecerei, que esta guardado nesta memória de um homem grisalho que teima em recordar as andanças da vida. Vinte e dois anos de menino e moço, longe do colo de minha mãe, de meu pai e do abraço de meu irmão, longe dos amigos, este alferes miliciano de uma companhia de caçadores (tropa macaca), tinha a responsabilidade de manter viva a vida de pelo menos trinta outros tantos jovens minhotos, transmontanos e angolanos do seu grupo de combate, custasse o que custasse, por opção não tinha desertado, logo contra ou contornando sempre que possível as regras ordenadas pelos superiores hierárquicos, o mais importante era podermos crescer e regressar todos juntos ao ponto de partida, os de Angola a Luanda e os do “Puto” ao colo das nossas mães, mulheres, namoradas, madrinhas, à terra que nos vi nascer e um dia partir de avião para outras terras de outros gentios. Objectivo conseguido, mas quando regressámos a guerra veio connosco e connosco vai vivendo como se fosse a irmã siamesa que um dia adotamos sem dar por isso. Numa guerra não há soldados vencedores, todos perdem.
Com o vinte e cinco de Abril, as operações de patrulhar o mato continuaram, mas tudo mudou mesmo no mato e num dia escolheram nomearam-me, para com uma equipa composta de vários soldados acompanhar as tropas da Unita que em acordos superiores realizados com os senhores da guerra, se apresentou no Mumbué para fazerem a sua acção psicológica nos diversos quimbos da nossa zona de acção militar. Se antes para um almoço um jantar especial se tinha que ir a um quimbo, apanhar um porquinho ou um cabrito à força do poder das armas, passei ao acompanhar os soldados da Unita a ser prendado com vários cabritos, tantos que já andava farto de comer ensopado ou cabrito assado no forno, e quando as altas patentes dos poderes militares nos ordenaram a mudança para o norte, lá deixei ficar no Mumbué quase vinte cabeças.
No norte, nos destacamentos de fronteira, as noites passadas a conversar com o capelão militar, o seu nome não era Juvêncio como o do livro A Rebelião, mas porque ainda hoje é pároco amigo, o seu nome e as nossas conversas ficaram guardadas nas noites de Malele. Mas quem não tinha duvidas naqueles tempos naquelas terras, onde a tal mão de Deus parece nunca ter por lá andado. Duvidas que ele terá contornado resolvido e eu adensado.
Dois livros, duas formas de escrever, mas ambos na minha ideia muito bons. Se o Nó Cego é o melhor livro sobre a guerra colonial para todos aqueles que a fizeram em operações no mato onde o sofrimento, a crueldade e a miopia das altas patentes do reino estão retratadas a preceito de forma realista, A Rebelião é um outro caminho que começa passa pela guerra não acabando nela, daqueles jovens que um dia foram sonhando com um mundo onde a justiça, o bem e o amor fossem as forças e a razão do viver; do desencanto com os sofrimentos da guerra, viram no vinte e cinco de Abril a chama que lhes reacendeu todas as utopias para hoje grisalhos e mais velhos viverem quase todos na borda do sistema, sentindo-se um estorvo para os actuais governantes, como se fossem eles próprios os culpados de um dia terem participado numa guerra que nunca foi deles; mas, como existe sempre um candeia acesa mesmo na noite mais escura, a utopia em muitos desses antigos combatentes é a flor utópica que não morre, a flor que lhes fornece o pólen com que fecundam os seus sonhos para um Mundo Melhor, mais Fraterno onde a Igualdade não seja só uma palavra mas também um conceito, uma Sociedade Decente e Digna sem “sobejos” nem rejeitados, onde os direitos, deveres e as obrigações não conheçam classes sociais nem estatutos profissionais, se apliquem a todos por igual e não este faz de conta que vivemos nos dias de hoje. Um mundo onde o Amor seja como um dia uma criança na escola primária terá escrito «Amor é não haver polícias» e outra terá escrito «Amor é um pássaro verde num campo azul no alto da madrugada» (Vitor Barroca Moreira, aos nove anos, e Maria Rosa Colaço colheu e plantou, junto com outras obras de precisão de crianças no livrinho A Criança e a Vida nos anos 60 do século passado )


Livro "A Rebelião"


170818

Hoje pela manhã , no excelente livro (na minha opinião, claro) “A Rebelião” de Afonso Valente Batista, li isto que tomo a liberdade de reproduzir, depois de ter pedido autorização ao autor, não me cansando de ler e reler esta fotografia tão nítida aos meus olhos, do que se passou desde aquela aurora redentora e florida madrugada em que a ponta das armas floriram até aos nossos dias cinzentões carregados de tristezas, incertezas e sombras sombrias:
“- Depois da Revolta, o povo foi dado como desnecessário e enxotado para as suas casas e os soldados encafuados, de novo, nas casernas. Os mestres de todas as ideologias tinham chegado com a pompa e a circunstância a reclamar, alto e bom som, que o poder era seu. Passaram a disputá-lo assanhadamente. O povo prestou vassalagem ao voto que lhes deram como se fosse uma carta de alforria. Era a sua arma, como lhe disseram , e ele acreditou. Amansou-se. Trocou a exigência de lutar pela dignidade ultrajada anos a fio, pela vida refastelada a vaguear pelo mundo do consumismo, entretanto criado para o entreter, e delegou nos profissionais da ambição o mando do seu destino. Passou a ser chamado, ciclicamente, a participar no ritual de votar e decidir, alegremente, quem iria mandar nele, de acordo com as convicções que lhe inculcaram na moleirinha em campanhas disputadas numa espécie de renhido Benfica-Sporting. Entretanto, deixou-se corromper por novos hábitos, cercado por montes de tralha inútil que compra, endividando a alma a juros usurários. Os peraltas das finanças passaram a governar-lhe a vida e a sugar-lhe o que ganhava e não ganhava. Passou a viver a crédito e a prestações. Até a casa. Até a vida. E desta forma, habilmente manejado, o povo enterrou aquilo que de melhor o homem possui: a esperança em lutar pela utopia que nasce em cada dia para a creditar que um dia será diferente”
E, um dia vai terá de ser diferente e possível! não sei se será ainda no tempo em que vou caminhando pela outra margem, mas assim como um dia as flores irão de novo florir, a utopia de uma vida diferente e decente voltará a ser possível...

Pai ausente


Fui um pai ausente
O como e o porque pouco interessa, fui ausente e pronto, afinal sempre vivi agarrado ao meu umbigo. Sempre deixei as filhas em casa dos avós e de amigos para ir divertir-me para a noite, para ir fins de semana com a mãe passear conhecer outras terras, outras gentes e hábitos. No verão o mês de férias na praia da Consolação quase nunca era vivido pois como vivi mais interessado com o meu umbigo ou não havia dinheiro ou já não tinha dias que chegassem de férias para poder dar o mês de praia às filhas. Coisas de um pai ausente.
Um pai, que nunca se importou em dar estudos às filhas, que nunca acompanhou os estudos, as notas, que nunca permitiu que as filhas tivessem explicações, que pudessem fazer férias em Inglaterra para desenvolver a língua, um pai ausente apenas interessado no seu umbigo, na sua vida profissional para que nunca faltasse nada em casa, onde nunca chegava pois gastava o mesmo sem dar nada às filhas… afinal um pai ausente é isso mesmo, ausente, que nunca se importou com a evolução da vida das filhas, que não lhes proporcionou condições para estudarem, que sempre impediu que as mesmas não participassem nos gostos que a mãe tinha para elas, ginástica, canto, etc, etc...
Um pai que passou ao lado da puberdade das filhas, que alimentou vícios de gastador compulsivo, gastando todo o dinheiro que ganhava dos avós e até o dinheiro que não era seu, mas que estava à mão… um pai que não soube ouvir as lamentações das filhas, não soube conversar e aconselhar… um pai ausente sempre.

Ausente é ausente e ponto final parágrafo, levando mais um soco no estômago.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Viagens


120918


Hoje, ao ir a Espanha abastecer o carro para voltar à cidade grande, vi junto à paragem da carreira, duas senhoras com mais uns anitos que eu, e como seguia devagar deu para olhar para os volumes, sacos de viagem, que estavam junto a elas e lembrei-me não só de te ir esperar a Santa Apolónia ao comboio da Beira Baixa, como do numero de volume que trazias comparado com o número de braços disponíveis. Depois, já em plena
auto-estrada relembrei a cena que era nos idos anos cinquenta e sessenta do século passado o regresso de férias logo a seguir à festa de Nossa Senhora da Piedade, a guerra para apanhar lugar na carreira, mas antes a guerra para colocar os volumes todos juntos em cima da carreira, porque nesse tempo tudo ia para lá para cima, tudo numa despedida corrida com o avô Chico Capelo sempre com ar de zangado a fumar o seu cigarro kentucky, tu e a avó com a lágrima ao canto do
olho, eu e o mano meio ensonados e meio perdidos naquela azafama para que não ficássemos em terra sem lugar na carreira; depois outra guerra em Castelo Branco para ir da estação da carreira para a estação do comboio, o arrumar os volumes todos na carruagem de terceira classe onde depois tentavas que um de nós passasse com menos idade do que tínhamos, para assim poderes poupar uns escudos. Comboio a vapor e depois a diesel, que parava em todas as estações e mais algumas, os bancos de madeira ergonómicos e confortáveis de suma-a-pau, as janelas abertas para funcionarem como ar condicionado por onde por vezes entravam a sujidade que a maquina largava, viagens intermináveis essas até chegarmos à estação dos Olivais que hoje já não existe e depois à de Santarém. Na estação salvo erro de Alvega - Ortiga lá estavam as mulheres a venderem as bilhas de barro com água fresquinha sem ser do frigorífico (já que, frigorífico era um bem de luxo nesse tempo de reinado dos “Botas”).
Hoje, felizmente para a maioria que utiliza os transportes públicos tudo esta de tal modo melhor que não é justo fazer comparações entre o antes e o agora.
A maioria vai e vem de carro, porque o carro é também uma imagem que se dá, às vezes de uma vida que não se têm, mas é melhor ter e parecer do que ser, uma regra desta forma de se viver hoje e que muitos e muitos seguem sem parar para pensar um pouco no porque de ser assim.
Mas se na viagem pela A23 falávamos tu e eu dos volumes que trazias para os teus dois braços, e eu ria-me, olha que ao chegar e começar a tirar as coisas do carro comecei a contar e perdi o conto sem contar com as batatas, as uvas e os figos tudo produtos biológicos que ainda ficaram no carro para agora depois de passear a Sacha os ir buscar.
Lembranças e pensamentos de conversas em que só eu falei o tempo todo da viagem, pois já lá vão quase vinte anos em que partiste sem carreira nem comboio para outra viagem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Aniversário ausente


100918
Hoje é aquele dia especial, que não pode ser vivenciado como quando todos estávamos nesta viagem terrena que é a vida.
Hoje, mais uma vez sentado à mesa de frente para a porta aberta da cozinha olho e vejo passar os carros na estrada nacional, estando só não me sinto só, comigo estais vós nas lembranças de todos os momentos que passámos na vida e em especial nesta altura e neste dia do mês de Setembro, que aprendemos ser o verdadeiro dia e não aquele que constava no bilhete de identidade.
O pai uns anos após teres partido por sua vontade entrou no lar e a pouco e pouco tudo foi mudando lentamente, e nesta casa ficaram todas as lembranças daquilo que juntos vivemos e partilhamos, tristezas, alegrias, incertezas e momentos de felicidade.
Por tudo isso, hoje é um dia especial que mesmo estando sozinho cá em casa, tenho vocês aqui comigo, só não fiz o gaspacho da ordem porque não arranjei o poejo para o fazer, o ano foi ruim, mas fui ao chão comer do figos pequeninos como tu pai gostavas de fazer e comer.
Hoje um dia especial, um dia diferente embora igual a tantos outros que vivemos juntos,  um dia vivido por mim de uma outra forma...

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Os fogos


. Sou português, europeu, cidadão ocidental, critico da actual União Europeia mas não contrário à integração na e da mesma
. Faço das lembranças do passado uma forma de exercício para os neurónios, na busca de os ter atentos aos sinais que a idade do tempo vai trazendo
. Relembro o passado sem ser saudosista, porque nasci e cresci num Portugal governado por uma organização (teve vários nomes o último, salvo erro foi União ou Acção Nacional) que fazia da pobreza material e de espírito do seu povo, o seu gáudio e felicidade. Nasci e cresci num país onde a maioria da população vivia na pobreza quase miséria. Mas nasci com sorte, por ter os pais que tive, que lutaram e sofreram para que os dois filhos tivessem uma vida melhor, acabando por ver realizado esse seu sonho de jovens
. Incêndios, fogo em movimento assassino, mais um crime ambiental e não só, que tanto serve os vendedores de banha da cobra da nossa comunicação social, como os que se movem de interesses quer a montante quer a jusante do facto. Abro a televisão, percorro os canais e em todos há gente que opina, que se diz sabedora da poda criticando sempre pela negativa
. Depois da casa roubada, ano após ano, variando nas zonas geográficas, mais de acordo com a idade da floresta do que com o tempo quente de verão e outono, a vida é sempre igual, parte do país vai a banhos e a outra parte corre atrás das imagens espectaculares que os bombeiros na sua luta desigual contra o fogo assassino lhes oferece
. Triste, muito triste, observar a ansiedade da ocorrência de mortes e feridos graves que pivôs e repórteres nos transmitem em alguns dos canais televisivos. Como não gosto de vampiros desligo, seguindo pela minha outra margem
. No tempo do país pobre e atrasado, os campos serviam como forma de subsistência a muitas famílias, que os amanhavam e tratavam de os limpar, até porque nem sempre havia Bombeiros por perto e as estradas eram ruins. Se alguma queimada fugia ao controle davam o alerta, o sino da igreja tocava a rebate, e o povo saia à rua armado com baldes, enxadas, pás etc., para combater o fogo, por forma que quando os bombeiros chegavam já o fogo conhecia a fúria dos populares
. Felizmente, graças ao 25de Abril, o país deixou a pobreza franciscana do salazarismo e modernizou-se, entramos no chamado primeiro mundo entrando pela porta principal na então C.E.E., hoje União Europeia.
. Mas como não há bela sem senão, também por força dos rácios das políticas económicas e sociais impostas por Bruxelas, aceites de mão beijada pelos nossos governantes, a desertificação dos campos foi um acentuar rápido do movimento sem retrocesso, a vida das pessoas passou a ser pautada por outros hábitos e costumes. A emigração sempre, a industria principalmente da construção ofereciam aos jovens do interior aquilo que seus antepassados não conheciam, salário mensal, direito a fins de semana, férias e subsídios que por pouco que fosse, sempre era melhor que o incerto no campo… o resto as televisões fizeram…
. Os campos pobres e não pobres ficaram abandonados, onde antes se produzia algo, onde pastava o gado, cresceu mato e eucaliptos. A agricultura parente mais pobre da nossa economia conhece a falta de mão de obra disponível, e, viu entrar a noção de que o sucesso é rentabilizar algo da forma mais rápida, pelo que, qual maioria silenciosa, não há zona do País onde não haja eucaliptais
. O eucalipto só por si não arde, mas serve o interesse de muitos vampiros que por cá existem disfarçados
. A Suécia tem floresta com ordenamento, mas bastaram três ou quatro meses sem chover, para a grande maioria dos suecos conhecer o calor na sua terra, e, para a floresta ordenada arder sem controle. Quem comandou o ataque ao fogo assassino? As Forças Armadas. No Japão chuvas diluviais inundaram campos, vilas e cidades, devastando tudo à sua passagem. Quem comandou os socorros às vitimas da tragédia? As Forças Armadas. No nosso caso de tragédia na Serra de Monchique chegaram reforços de Espanha, ou seja, elementos de uma força especial do Exercito Espanhol. Mas, nós por cá vamos andar mais um ano a discutir e a alimentar uma estrutura pesada, de elevados custos e pouco operacional

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Sacha 060818



Quantos sonhos eu tive desde o dia em que ficou assente a tua adopção, quantos sonhos…
Imaginava eu, nós os dois a passearmos, a fazermos os nossos quilómetros nas calmas pelos trilhos à beira Tejo, tirando eu uma fotografia ao rio, outra a ti, outra a uma das aves que por ali vivem, imaginava...
Sonhava eu, contigo a meu lado, sentada ou deitada quando encontrássemos um banco público onde batesse a sombra nos dias de maior calor, sonhava…
Mas tu não tens culpa de eu te escolher entre os teus irmãos, nem eu sequer tenho culpa… talvez se tivesses adivinhado como eu sou, te terias recusado a vir comigo, aguardando um outro ser humano mais dócil para te fazer companhia...
Tens um génio próprio, esperta, sempre atenta a poderes liderar toda e qualquer situação, seja ela visível ou invisível ao meu olhar… não és fácil de lidar, tens a boca sempre pronta a mostrar os teus dentes brancos de cadela pastor alemã, não mordes mas… metes respeito...
Na rua continuo a perder a paciência contigo, quando encontras outros animais de quatro patas, puxas a trela, elevas no ar as patas dianteiras, rodas na tentativa de te livrares do meu controle, fazendo-me sentir um carcereiro da tua liberdade, quando não o sou, e sinto que ficas triste comigo por não te deixar brincar com o outro, não te deixar correr atrás dos outros animais baixinhos como os cá de casa, contrariada não atendes, não respeitas as minhas ordens para “sentar” antes de, nas passadeiras atravessarmos a estrada, não sem primeiro nos certificarmos da civilidade dos condutores, bem quando te chamo pelo teu nome para olhares para mim e usufruíres do biscoito compensatório, pois tu és pastor alemã dona e senhora do teu nariz…
Como sou um sonhador, não imagino como vai ser quando formos para a Consolação passar uns dias. A casa é pequena, com gente estranha a passar dia e noite ao pé de casa… será que vais ladrar sempre que alguém passar à porta, ou à janela do quarto?
E, quando formos passear no areal pela maré baixa, será que vou sentir confiança em ti para te deixar andar à solta na beira mar… como irás reagir às ondas, serás afoita como foi o Onix, ou medrosa como era o Master? Como irás reagir às gaivotas, voarás atrás delas na ânsia de lhes mostrares quem és? Mas se te deixo em Liberdade e vês outras pessoas a passear mesmo que a mais de cem metros, correrás para elas para as cumprimentares colocando as patas dianteiras no corpo e procurando mostrar-lhes como os teus dentes são bonitos e preciosos?
Tantas duvidas, tantos sonhos, incertezas e medos, mas cheguei de novo à estação dos comboios no regresso a casa há que guardar o telemóvel que a bateria já deu sinal.
Tudo isto porque me esqueci de que tu és uma cadela e não um ser humano pelo que terei de ter aquela paciência que às vezes me falta.

domingo, 5 de agosto de 2018

SMO


Ponto 1. Sou um defensor do Serviço Militar Obrigatório (SMO)
Ponto 2. Considero que o Ministro da Defesa foi e é um dos erros de casting existente neste Governo do PS com apoio parlamentar dos ditos radicais PCP e BE
Ponto 3. Não conheço Ivan Gonçalves, não sei quem é. Vi que é Deputado e dirigente líder de um clube privado onde se inscrevem determinados jovens na busca de fazerem carreira política no partido político a que o tal clube privado pertence. São ensinados e amestrados em concordarem com o pensamento do chefe, seja ele o A, o B ou o C ( a ordem dos factores é arbitrária).
Ponto 4. A Democracia podendo não ser perfeita é o melhor regime de todos os outros regimes conhecidos
Ponto 5. A existência de Partidos Políticos de ideias divergentes é fundamental para a Democracia. Sem Partidos Políticos a Liberdade é posta em causa e a Democracia desaparece
Ponto 6. Dou a minha opinião

Afirmar que o serviço militar obrigatório “não contribui para resolver nenhum dos actuais ou futuros problemas das Forças Armadas, da sua atractividade aos olhos da juventude, nem para que a condição militar saia valorizada”, revela quão restrita e diminuta é a sua noção do que é servir Portugal, o seu modo pequenino e interesseiro de mais um político apenas e só interessado no seu umbigo, perfilando-se como mais um “boy carreirista” saído dessas ditas universidades políticas partidárias.
Olhar o Serviço Militar Obrigatório para todos os jovens de ambos os sexos e orientações sexuais, não é implantar o antigo serviço militar obrigatário para transformar jovens em máquinas para uma guerra de guerrilha desconhecida. Não poderá nunca ser isso, nem tem a ver em nada com o facto de hoje as nossas forças armadas terem quase tantos generais como de militares abaixo do posto de capitão (capitães, tenentes, alferes, sargentos, cabos e soldados). Foram exatamente os dirigentes partidários governantes que, com medo do poder dos militares estão na origem do que é hoje a situação das Forças Armadas.
O convívio dos militares de carreira com os milicianos no mato, no teatro de operações, ajudou à abertura da mente dos militares de carreira nas três frentes em África (Angola, Guiné, Moçambique).
É triste para o futuro do meu país que os tais clubes privados que se designam por Juventudes Partidárias, produzam políticos que desconhecem a nossa história recente, que não vejam o SMO como uma nova escola de aprendizagem, de camaradagem, de oportunidades de novos conhecimentos, até de profissões não militares par muitos jovens que não têm na vida quem lhes dê princípios de educação cívica…
Triste ver jovens deputados demagogos que vêm logo no SMO apenas e só como um empecilho nas suas carreiras políticas e profissionais de meninos bem.
A não existência de um SMO dará origem à profissionalização dos militares, daí a poderem amanhã ser substituídos por empresas que vejam nisso um grande negócio, e já as há….(é um salto de anão)… as privatizações deixam o país mal mas políticos e seus familiares e amigos, bem instalados na vida.
Nós os grisalhos e os mais velhos sabemos bem o que eram as Forças Militares e para-militares do salazarismo e hoje temos de ler e ouvir estes «betinhos em S. Bento», Porra!!