quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

22.06.18

 

Nesta onda do pensamento único ocidental,

neste país laico de gente católica conservadora,

neste país de antigos brandos costumes e públicas virtudes,

neste país triste sem rumo,

neste país até as palavras do Papa Francisco são ignoradas pela nova censura em liberdade do pensamento único.

Neste país os ressuscitados inquisidores, disfarçados vestem bem e falam palavras redondas viciantes.

Neste país voltou a vigorar o pensamento fascista dos salazaristas em que "todos os opositores eram comunistas, mesmo os que não o eram".

Neste país voltamos a cantar silenciosamente "cá vamos cantando e rindo" não estendendo o braço porque ainda não está na moda.

Neste país os que não alinham no pensamento único oficiosamente divulgado, que se cuidem.


Já não sabe por anda a alegria. Até os foguetes lhe parecem bombas de tristeza a rebentarem. Esta vida pouco ou nada lhe diz, lhe transmite. Que fazer, se até já a utopia o vai abandonando. Vai perdendo a esperança de ainda poder viver o tempo do "Homem novo", a sociedade decente com que sonhou e foi lutando com as suas armas pacíficas de pouco saber. Um tempo de paz onde os ricos sejam menos ricos para que o povo possa ser menos pobre,é um sonho a cada dia mais longe no distante horizonte.

Entre antigas lembranças, palavras ausentes são sua companhia, o seu silêncio pendente que precisa de resolver, o único arrependimento, que carrega dos muitos erros que cometeu na sua caminhada. Se o conseguir ultrapassar, partirá para o seu canto para lá viver enquanto tiver saúde e força, porque viver sem qualidade de vida não é desígnio de nenhum dos deuses que povoam o universo da mente humana, quanto mais do Deus único dos cristãos. Só os fanáticos do sofrimento acreditam que o seu Deus é castigador.

O rei Sol já acordou e ilumina. Vai começar com as suas rotinas, num sábado em que a diferença está no almoço com antigos estudantes do ICL.

Durante a caminhada, entre as conversas com o além sagrado, foi recordando aventuras e desventuras, veredas e trilhos por onde caminhou em busca do nada, de uma paz que ainda não encontrou plenamente desde que se fez homem.

Nasceram os dois num quarto onde seus pais viviam. O irmão nasceu no início de Janeiro, vindo ele a nascer em Dezembro dias antes do Natal. Chegam a ter a mesma idade sem serem gémeos. Depois dele nascer os pais mudaram-se para uma casa no número 94 da mesma Rua da Centieira. Entrou o irmão na escola primaria um ano à sua frente. Quando ele entrou na primeira classe, hoje primeiro ano, ao ter de aprender a escrever num caderno de duas linhas, por um problema desconhecido, começava a escrever mas logo continuava fora das duas linhas. A professora castigava-o com tantas reguadas nas mãos que quando a escola acabava era o irmão que lhe levava a mala. Ele com as mãos inchadas não consegui segurar a mala.

19.02.22

Quando o pai foi promovido a Segundo Cabo a família mudou-se. Saíram da Rua da Centieira e foram para Ferrel, onde o irmão fez a quarta classe e o exame de admissão à Escola Industrial e Comercial, hoje conhecida como Escola Secundária, em Peniche. Ele como mais novo fez a terceira e a quarta classe em Ferrel, fazendo igualmente o exame de admissão à Escola em Peniche. Naquele tempo não havia meio de transporte de Ferrel para Peniche. Uns iam a pé pela praia do Baleal e outros iam de bicicleta. O pai comprou-lhes uma bicicleta para cada um. Ele, mais novo já era um pouco mais alto. A bicicleta do irmão, mais velho, era roda 26, enquanto que a sua era roda 28. Começou a pedalar os 8km até à escola, e, da escola para casa ainda tinha 9 anos. Um sábado em que ia para as atividades da Mocidade Portuguesa, na descida do Viso, convenceu-se que era capaz de passar por cima de um pedra sem as mãos no guiador. Resultado deu um enorme trambolhão. Tiveram de lhe acudir pessoas que trabalhavam perto. Levaram-no para o médico. Muito sangue pisado lhe tiraram do joelho esquerdo. Durante cerca de quatro anos coxeava quando fazia esforço adicional.

Ia fazer 12 anos quando o pai saiu do Baleal para a Consolação. Deixaram Ferrel e passaram a viver no Lugar da Estrada. Os 8 km passaram a 6 km, sem subidas e descidas.

O seu irmão chumbou um ano e passaram os dois manos a frequentar o mesmo ano. Depois de chumbar o ano o irmão começou a ser um aluno aplicado que ano a ano melhorava de rendimento. Foi assim que ao fazerem o 3° ano do Curso Geral do Comércio, equivalente ao 5° ano ou atual 9° ano, enquanto o seu irmão passou as férias a preparar-se para fazer exame de admissão ao Instituto Comercial em Lisboa. Ele, como tinha chumbado na prova oral da disciplina Noções de Comércio, Direito Comercial e Economia Política, teve que ir a exame em Outubro para ser aprovado e continuar a estudar já em Lisboa, para no ano seguinte ir fazer o exame de admissão ao Instituto Comercial. Voltaram a andar em anos separados.

20.06.22

Quando viviam no Lugar da Estrada, ele sempre foi magro, mais alto mas mais fraco que o irmão. A mãe para eles terem força ao irem de bicicleta para a Escola em Peniche, batia-lhes num copo de água grande, um ovo com açúcar a que depois juntava vinho ou mesmo água pé, cujo barril estava debaixo das escadas que davam para o primeiro andar. Para ele, mais do que para o irmão, os seus avós que viviam na Zebreira, quando mandavam uma encomenda lá vinha um ou dois frascos de "xarope de sangue de cavalo", que os avós encomendavam aos contrabandistas que traziam aquele xarope de Espanha. A sua mãe tinha medo que o filho não tivesse forças para pedalar contra a nortada que sempre soprava de frente quando ia para a Escola logo pela manhã.

Ao estudarem na Escola o Curso Geral do Comércio, nos três anos do curso, sempre tinham exames para fazer ano a ano. Ele porque o seu nome se inicia com a letra C, era dos primeiros a fazer a prova oral quando não dispensava da mesma. O seu irmão como o nome se inicia com J tinha a prova oral sempre depois da dele.

Sabiam os irmãos que só quando terminassem os exames é que poderiam ir para a praia, brincar, tomar banho, assim como, nas marés grandes, poderem, na maré baixa ou apanhar limo agar-agar ou procurarem apanhar povos com negaça. Para facilitar a apanha do polvo, eles tinham receio de meter a mão nos buracos, colocavam na ponta da cana junto ao rabo de bacalhau uns anzóis grandes para quando o polvo procurasse comer o rabo do bacalhau, eles puxavam-no para fora de água e viravam-lhe a mocha e o desgraçado morria.

Assim, entre a praia, as rochas atrás do Forte e o Porto Batel passavam os quase três meses de férias. O pai deixava-os andarem ao banho, até ao último domingo antes de começarem as aulas do novo ano lectivo. Tinham assim férias até ao fim do mês de Setembro, já que as aulas começavam normalmente a 7 de Outubro.

Foram bons tempos aqueles em que estudaram na agora Escola Secundária de Peniche e viverem quer em Ferrel - Baleal, quer no Lugar da Estrada - Consolação.

Para continuarem a estudar, pediram aos pais que em vez de irem estudar no Magistério Primário para serem professores e dar aulas até à então quarta classe (hoje quarto ano), que os deixassem ir estudar no Instituto Comercial de Lisboa. Os pais que não conheciam aquela Instituição, escreveram um postal a perguntarem ao primo António o que era aquilo que os filhos lhes pediam. Por sorte a prima Irene, mulher do primo António, também tinha feito o Curso Comercial assim como o Instituto Comercial antes de se ter licenciado em Económicas e Financeiras (hoje gestão de empresas). Foi assim que os manos voltaram para Lisboa, acompanhados pela mãe. O pai continuou a prestar serviço no Posto da Guarda Fiscal em Peniche, aguardando por uma vaga num dos postos existentes na cidade de Lisboa. O que aconteceu, cerca de dois anos após a vinda deles com a mãe para a Rua da Centieira que no ano de 1950 os viu nascer naquele quarto do número 25.

sábado, 29 de outubro de 2022

22.06.14

Pela quarta vez foi levantar o cartão de cidadão. A tempo e horas pagou o custo da renovação. Por desencontro de um dia quando o carteiro bateu à porta já estava a caminho do seu canto. Como na carta de aviso da renovação lhe diziam que o mesmo, caso não fosse entregue ao próximo, seria enviado para levantamento na delegação da Conservatória em Alverca, não se preocupou.

A primeira vez que se dirigiu à delegação da Conservatória, estavam duas pessoas a ser atendidas e uma à espera. Ao procurar tirar uma senha foi informado que teria de proceder ao agendamento, só assim seria atendido. Antes de sair olhou mais uma vez para a sala onde secretárias com ecrãs de computadores são mais do triplo dos funcionários que as ocupam, mas o que mais lhe chamou a atenção foi um relógio pendurado no teto por cima do balcão de atendimento. Ligado, indicava: «22:24 MAN 28 Dec»

Coisa estranha pensou. Ninguém se dá ao trabalho de desligar aquela inutilidade.

Das vezes seguintes, ou porque não levava a carta da renovação, ou porque a carta com o cartão ainda andava em viagem, sempre foi atendido por uma funcionária que lhe falava alto. Uma funcionária autoritária e com muita falta de paciência. Calado, já não respondia à senhora, apenas a olhava até que se levantava e se vinha embora.

À quarta vez, terceira com agendamento, tirou a senha na máquina à entrada e aguardou. Foi atendido pela outra funcionária do serviço "Cartão de cidadão". Uma jovem com ar cansado. Eram 09H40 quando chegou e antes das 10H00 ao ver a jovem olhar para ele com ar de o questionar, aproximou-se do guiché, colocou a senha e a carta de renovação do cartão de cidadão. A funcionária olhou, levantou-se e com o seu ar de cansada foi buscar o cartão. Quando começou a preencher algo no seu computador, percebi de onde poderia vir o seu ar de cansaço, o programa informático que a obrigava aos procedimentos que ia fazendo estava mais lento do que um caracol em marcha atrás. Por fim assinei um documento, rubriquei outro e lá me deu o novo cartão de cidadão válido até 2031. Será que irei lá chegar?

22.06.12

 

Domingo. O calor aperta. A manhã já se levantou. O sol brilha no azul de céu nublado. O silêncio domina. Só o zumbido dos seus ouvidos lhe diz que já se levantou. Sente-se cansado de estar fechado em casa. Não sente nada de anormal. Não tosse. Não tem febre. Não lhe dói o corpo. Perdeu algum olfato, mas não todo. Vai à rua de fugida com a Sacha. Mas, o cansaço psicológico começa a pesar. Fez novo auto teste que confirmou a presença do bicho. Os ombros baixaram. O desânimo bateu à porta.

25 de Abril de 1991 - Gazeta do Interior

Numa entrevista efetuada por dois jornalista a Salgueiro Maia e Otelo Saraiva de Carvalho, pode-se ler:

"Maia: Quem fez o 25 de Abril foram os homens da Guiné, onde nós próprios nos conhecemos. Depois das negociações do Spínola com o Sengor e o Marcelo Caetano ter respondido com «vitória ou morte, até ao último homem», a guerra para nós perdera qualquer sentido. E a ditadura cai porque acima de nós só havia Deus. O regime pega em nós, jovens com vinte e tal anos, e dá-nos responsabilidades que hoje os generais não assumem. Por isso é que nos era indiferente mais Marcelo, ou menos Marcelo. A segunda razão do sucesso é que tivemos a comunicação social connosco. "

Noutro momento da entrevista Salgueiro Maia diz:

" Cada vez que me pediam para falar nesta altura das comemorações, a Instituição Militar dizia que tinha de fazer um requerimento. Até que, já farto, me decidi a fazer um requerimento para saber em que termos legais tinha que fazer um requerimento a pedir para falar. Até hoje. Claro que a partir daí limito-me a dizer, por consideração, que dei uma entrevista ao jornal tal e tal. A primeira entrevista que dei a sério foi ao Assis Pacheco, e aí fui mesmo chamado ao comando militar da região, porque alguns generais tinham reclamado que aquilo era uma provocação. É que eu dizia que quando tinha partido para a guerra, convencido de que ia defender a fé e o império, afinal concluiria que a fé era pouca, e o Império não existia, aquilo era de meia dúzia, por outro lado, o inimigo que eu tinha que combater eram indivíduos conscientes, em luta pela sua liberdade e independência, como nós já o fizemos em 1144 e 1640. Depois conto dois casos de quando comandei uma companhia de Comandos. De uma vez fizemos dois prisioneiros, e um é morto com uma facada à frente do outro, que é ameaçado de lhe acontecer o mesmo se não falar, e é ele que diz para o matarmos. De uma outra vez atingimos um gajo com um tiro nas costas e seguimo-lo, convencido que nos levava para o acampamento e ele foge em sentido contrário com as tripas nas mãos. Aqueles homens não podiam estar errados. Claro que guardo comigo as ordens e os relatórios de operações onde se dizem coisas comprometedoras. Por isso, como esclareci na altura, não disse praticamente nada na entrevista"

E algumas outras coisas disseram os dois militares de Abril, naquele entrevista em 1991, cujas folhas do jornal Gazeta do Interior encontrei entre os papéis do meu pai.

Hoje já há várias obras que relatam os fatos ocorridos logo após a confirmação da vitória no 25 de Abril até à chamada normalização da vida democrática imposta pelo 25 de Novembro, onde o embaixador Carlucci tem sempre lugar pelas ligações estabelecidas com vista à implementação de um modelo de sociedade que agradasse aos E.U.A..

A pouco e pouco vão-se conhecendo fatos e nem todos serão abonatórios para algumas personagens da nossa política.

Para terminar e voltando às afirmações de Salgueiro Maia na referida entrevista, diz o mesmo: "Eu próprio, só não fui preso porque nunca me candidatei à Presidência da República. Porque se de alguma maneira me tivesse perfilado no horizonte como alternativa, arranjavam-me uma logo implicação qualquer para me levarem dentro" .

A vida é uma moeda muito mais complicada que aquilo com que nos enchem os ouvidos ou nos contam os vencedores, há sempre outras histórias na outra face da moeda.

(Foto da net)

 

22.06.11

Ri. Chora. Sorri. Grita. Não dança. Não canta. Vive em busca da Paz. Amores teve. Amor ainda tem. Sorri. Ri e chora mas não dança. A vida nunca foi um salão de festas, nunca foi convidado para a festa. Nunca pagou bilhete. Viveu sempre na beira da margem. Ali aprendeu a rir, a chorar, a sorrir, a jogar os jogos da vida e a gritar, ainda chegou a cantar mas nunca dançou. Caminhando, pedalando pela margem, estudou, aprendeu ciências com professores em livros. Aprendeu a amar. Amou. Olhou a vida e revoltou-se. Deixou o amor e foi à luta. Ganhou filhas. Perdeu o resto.

Sem revolta caminha na outra margem. Na vida não há perguntas, apenas respostas. Olha as águas do rio que correm para montante quando o mar entra nele, enchendo-o de esperanças renovadas mas sempre adiadas. Caminha serenamente para a foz, nas águas do rio que é a sua vida.

É no silêncio do seu canto, ouvindo os cânticos das aves, que levita e, flutuando deixa-se ir pelas veredas da sua paz inconformada. O definitivo é uma miragem que não existe em si. Sabe, que nunca é o mesmo, ao longo dos seus próprios instantes. Tudo está sempre em perfeita mutação, transformando continuamente o próprio ser. No seu canto, quase fora do mundo, deixa-se ir no flutuar da voz silenciosa das árvores, para que possa ouvir a sinfonia do cântico das aves a cada manhã. Ali, longe de quase tudo, sente-se ele mesmo. Aquela pequena casa, o seu canto, guarda silêncios de gente, de antepassados, de tempos que passaram, mesmo antes dela ser erguida, onde se sente a presença do passado simbolizado nas suas oliveiras de muitos anos. Tantos, que nem ele sabe o tempo que elas ali estão, guardando o futuro. 

 

22.06.08

 

Era quarta-feira véspera de uma "ponte" de feriados na cidade de Lisboa. Por uma conjugação de feriados, com o 9 de Junho Corpo de Deus, o 10 de Junho Dia de Portugal, a antecederem o fim de semana, e, o 13 de Junho Santo António feriado em Lisboa a proceder o mesmo.

Os funcionários do Estado, incluindo médicos obstetras, enfermeiros e muitos trabalhadores, só voltariam ao trabalho na próxima terça-feira, dia 14 de Junho. Foi por isso, aquela quarta-feira, 8 de Junho de 1977, o dia "D" para o jovem casal.

Naquele tempo, a tecnologia ao serviço da saúde, não permitia saber o desenvolvimento do feto, apenas, recorrendo ao milenar saber da classe médica, calculavam o momento previsível do nascimento.

No dia anterior, o jovem casal foi à Maternidade Alfredo da Costa, onde a futura jovem mãe ficou internada. Segundo o parecer médico que acompanhou a gravidez, o tempo para o bebé nascer tinha terminado e iam forçar o seu nascimento.

Naquele tempo, nos hospitais públicos, não era normal o pai assistir ao nascimento. Embora o pudesse ter feito, pois havia a tia Umilta que lá trabalhava. Ele não quis assistir ao parto.

Depois de ter deixado a sua companheira internada foi trabalhar.

Voltou cedo para casa, aguardando que o telefone fixo tocasse para informar do nascimento, e, se era menina ou menino. Não existia ainda a tecnologia dos telefones de bolso ou telemóveis.

Sem notícias da Maternidade, no final da tarde, foi com o amigo Necas festejar o dia de aniversário deste, jantando os dois na Cervejaria Trindade em Lisboa. Já a noite ia alta quando regressaram a casa. Se bem comidos, melhor bebidos, mas conscientes. O amigo dormiu na sua casa. Logo de manhã, ele, levantou-se, tomou banho, deu à ignição do seu "Fiat 127" e foi para a Maternidade em busca de notícias. Não havia notícias. A jovem mãe não fazia dilatação aguardando o parecer da visita do médico da manhã. Por lá ficou aguardando com ansiedade. O tempo andava no seu modo constante, porém, a ausência de notícias era também uma constante. Por volta do meio-dia chamaram-no ao corredor. Lá vinha a tia como uma enfermeira que muito felizes lhe mostravam que era pai de uma menina. Bem quis olhar a carinha do seu bebé, mas elas só lhe mostravam o sexo dizendo que era menina e que a mãe estava a recuperar no recobro pois tinha sido um parto por cesariana.

Quando a levaram para dentro, ele antes de se meter no carro, telefonou de uma cabine pública, aos pais para os informar do nascimento de mais uma neta Catarina. Pouco tempo antes, a 29 de Abril, o seu irmão em Coimbra, também tinha sido pai de uma menina, a Inês.

Meteu-se no carro e foi almoçar a casa dos pais aos Olivais. Os pais todos felizes logo se prepararam para ir ver a nova neta na visita da tarde. Ele ficou a descansar. Só voltaria lá, na visita das sete da tarde, para estando só, poder olhar a sua linda menina e procurar saber do estado de saúde da sua companheira e mãe daquela preciosidade.

Sabia que os seus pais desejavam ter netas pois só lhes nasceram rapazes. Ele sendo o mais novo dos dois rapazes foi desejado menina, mas nasceu menino.

Descansando sozinho na tarde daquele dia, recordou a segunda vez em que veio da guerra em gozo das merecidas férias. Estando em trânsito da guerra do Leste de Angola para a casa de seus pais nos Olivais em Lisboa, ao sair do Hotel Kate Kero, no Largo Serpa Pinto em Luanda, olhou o céu azul e disse para a sua sombra, - se um dia vier a ter uma filha, o nome dela será Catarina.

Ainda nem namorava, mas aquela data sempre o tocou pela simbologia que tinha na luta pela Liberdade, contra o sistema de ditadura fascisante, a que os portugueses tinham estado submetidos. Foi no dia 19 de Maio de 1974 que gravou na sua memória o seu desejo. A 8 de Junho de 1977 pode concretizá-lo já em Liberdade.

Tinha o jovem casal decidido, que se fosse menino era a mãe que escolhia o nome, se fosse menina era ele que escolhia o nome. Nome que ele guardava desde aquela tarde na cidade de Luanda. Ainda tentaram que não fosse apenas e só Catarina, mas a todas as solicitações, fez ouvidos moucos. A sua menina iria chamar-se Catarina Pernes Andrade.

Uma história de vida que hoje celebra os seus quarenta e cinco anos, com foto de uns anos bem atrás.

22.06.07

 

Acordou ainda o dia era anunciava a claridade, a manhã estava para chegar. Tomou consciência de ter dormido de um sono só. Será que tossiu durante o sono? O corpo deu sinal. Ao sentar-se na beira da cama sentiu-se fresco, como se os dias anteriores não tivessem existido.

Por precaução decidiu sair mais cedo a passear a Sacha. Não utiliza o elevador. Em vez de uma leva duas máscaras postas. Usa luvas. Abre a luz e a porta da rua com o chaveiro metálico que desinfetou com gel antes de fechar a porta do seu apartamento. Os outros não têm culpa.

Passava das 06H30 quando saiu a porta do prédio. Não viu vivalma na rua. Pensou em passar para o outro lado da linha férrea. Com sorte podia soltar a Sacha, para ela exercitar os músculos e o corpo. Assim fez. Só que no trilho chamado da Estação já havia gente a caminhar e a correr. Lá encontrou o espaço tempo para a soltar. Sente que ela não fará mal a nenhum dos, como ele, caminhantes madrugadores, mas lá diz o ditado que, o seguro morreu de velho ou vale mais precaver do que se arrepender. Solta-a quando sente em si a confiança de que os outros não o criticam com os seus olhares, quantos deles parametrizadas pelo pensamento dominante. É a Sacha, uma pastora alemã, recusando-se, ele, a usar açaime nela. Nenhum dos seus cães precisou de açaime. Defende a teoria de que os cães são de certo modo a imagem do dono. Ele, dono, considera-se um pacifista que ao participar como operacional, quando jovem, na guerra em Angola se tornou no pós-guerra ainda muito mais pacifista. Hoje, em pleno século XXI, qualquer guerra é o expoente máximo da crueldade humana. Na guerra só há uma moral, ou seja, há que matar o outro para que o outro não o mate. É essa a moral ética e única da crueldade da guerra qualquer que ela seja nos dias deste século. O ser Homo Sapiens é tão inteligente e ao mesmo tempo tão estúpido, tão burro, sem querer ofender os animais.

Deixando-se de pensamentos, regressaram a casa. Subiram as escadas até ao terceiro andar. A Sacha ao entrar logo se sentou aguardando que ele se despache e lhe limpe as suas patas. Um ritual de todas as manhãs. Ele, depois de limpar as patas da Sacha, sentou-se a descansar, mediu o oxigénio no sangue, olhou o batimento cardíaco e foi escrevendo as suas coisas.

Depois, do pequeno almoço com a respetiva medicação tomada, foi até à pequena varanda conversar com as suas plantas, flores, aromáticas e tomateiros cherry. Gosta de conversar com as suas plantas, de atender aos seus pedidos de ajuda face às pragas de cochonilha-branca e piolho preto. Tudo na Natureza gosta e precisa de carinho. Como alguém escreveu, ele leu e tomou nota, «para ter de comer, é preciso, antes, que se dê de comer. E dar de comer nem sempre é fácil».

Cumprido mais esse ritual, sentou-se, revendo o que tinha escrito e feito desde que acordou. Pelo meio enviou mensagens de "Bom dia" às filhas e a uma desconhecida amiga que desde que se cruzaram nestas redes sociais de feixes eletrónicos, assim fazem dia a dia, exceto quando a desconhecida amiga por alguma razão tem as suas birras ausentando-se.

O dia de hoje é dia de aniversário de um amigo. Amigo que há quarenta e cinco anos regressou na sua “Diane” do norte do país, indo depois os dois jantar à Cervejaria Trindade. Se melhor comeram, melhor beberam e já bem aviados remataram o jantar de aniversário a fumarem Gauloise sem filtro. Chegaram a sua casa e dormiram que ele logo de manhã tinha de ir para a Maternidade Alfredo da Costa onde estava a sua companheira internada aguardando o nascimento do seu primeiro ser.

22-06.06

Dias diferentes os últimos. Na passada sexta-feira, ao regressar da Consolação sentiu um leve arranhar de garganta. Chegado a casa, depois de jantar uns caracóis, recorreu à gaveta onde guarda os medicamentos ditos «sos». Chupou umas pastilhas de mebocaína e ao deitar fez gargarejo com Tamtun verde, que noutras alturas o tem livrado do incómodo de acordar com a dor de garganta assanhada.

Levantou-se quando a manhã ainda não era manhã, tão só claridade. À hora mais ou menos certa saiu para a rua com a sua amiga Sacha para o rotineiro passear de todas as manhãs. Ao pequeno almoço, tomou os habituais comprimidos para a pressão arterial e no final uma Aspirina efervescente. Gosta mais da Aspirina do que do Ben-u-ron ou do Brufen. Saiu para ir levantar uns livros à Bertrand em Vila Franca de Xira, aproveitando para olhar os supermercados ALDI e Lidl. Em todo e qualquer lugar onde entra, coloca sempre a máscara. E, a garganta continuava a arranhar, mesmo com o chupar das pastilhas de Mebocaína a coisa não melhorava, embora não se sentisse mal. Só aquele incómodo na garganta, pois não havia qualquer sintoma de rinite.

A tarde passou-se normalmente com mais ou menos pastilha. Ao chegar da noite sentiu o corpo como se tivesse febre, embora as suas mãos não estivessem frias. Recorreu aos dois termómetros que tem em casa. Quer um quer o outro, por métodos diferentes, não passavam dos 36 e décimas.

Na manhã de domingo o passeio com a Sacha foi até mais curto do que normalmente costuma ser. Não a escovou e cruzou-se apenas com duas senhoras, também elas habituais caminhantes de fim de semana daquele circuito.

Ao pequeno almoço em vez de tomar a normal Aspirina optou pelo Brufen. A manhã passou serena, só a sensação da febre que os termómetros recusaram e algum cansaço físico, coisa leve. A meio da tarde sentiu-se pior. Depois de ver o jogo da seleção portuguesa contra a seleção suíça, voltou a ler, para fazer tempo de tomar novo comprimido. Cerca da meia noite resolveu fazer um auto teste ao malvado covid. Foi fácil e não havia que enganar, deu positivo. O bicho apanhou-o, mesmo com todo o cuidado que vinha tendo. Aí começou a cabeça numa roda viva refazendo todos os itinerários e as pessoas amigas com quem se tinha cruzado e falado. Que fazer? Ligar para a linha do SNS ou ficar quietinho em casa, tratando-se e reservando-se? E a Sacha? Tem de ir à rua com ela. Tem de escolher horário e itinerários onde não se cruze com ninguém. As soluções exigem paciência.

Ao final da tarde chegou a certeza da febre. O corpo aqueceu e as mãos esfriaram. 37,5 indicaram os termómetros. Após o jantar tomou um Ben-u-ron. Sentou no sofá para ver o Croácia-França e de seguida entre cabeçadas de sono o Áustria-Dinamarca. Sentia o corpo a suar. Era perto da uma da manhã quando acordou no sofá para se deitar na cama. A roupa húmida do suor. Dormiu de um sono só. 

(foto da net)

 

sexta-feira, 28 de outubro de 2022

22.06.03

 

Continua longe da política caseira e da guerra por terras eslavas. Situação essa a que junta as reportagens televisivas sobre as festas que os ingleses promovem à sua velha rainha e que por cá os patrões que controlam a comunicação social promovem ininterruptamente de modo que até parece que a malvada da guerra passou para segundo plano na divulgação das mentiras difundidas pelo pensamento único oficial.

Como Republicano não dá um minuto de atenção a tanto desperdício. Nunca gostou da velha. Nunca se saberá a verdade sobre muitos factos da sua vida. Que papel teve na morte de Diana? É um desses factos. Como Republicano não perde tempo com desperdícios monárquicos. Conheceu pessoalmente o príncipe e futuro rei Carlos III e a princesa Diana na festa de inauguração da então filial do Banco Lloyds na Avenida da Liberdade em Lisboa. Foi convidado pela direção do banco, acompanhando o Diretor Geral da empresa farmacêutica francesa onde desempenhava as funções de diretor administrativo e financeiro.

É na leitura e na musica que encontra o seu refúgio. Quando era novo raramente ia ao cinema ver um filme pela publicidade que o mesmo tinha. Ia porque o título do cartaz lhe despertava curiosidade. O mesmo se passou e continua com os livros ou mesmo com os cd’s de musica embora agora use mais o YouTube.

Recorda-se de no dia do seu vigésimo aniversário depois de almoçar em casa o almoço melhorado que sua mãe lhes fez, apanhou o comboio no Apeadeiro de Cabo Ruivo e foi com um amigo até à Baixa Lisboeta. Era a altura do Natal. Não havia Centros Comerciais. O país vivia sob a ditadura chefiada por Marcelo Caetano e seus ortodoxos defensores do “Deus, Pátria e Família”. Nesse tempo de escuridão era a Baixa de Lisboa o maior centro comercial para as tradicionais compras natalícias. As ruas apinhadas de pessoas que entravam e saiam das lojas, também elas cheias de potenciais clientes. Andaram por várias dessas ruas espreitando as lojas. Quando desciam a Rua do Carmo entraram os dois na Livraria Portugal que estava apinhada de potenciais clientes que viam, liam e remexiam nos livros expostos nas várias bancadas existentes em busca da melhor oferta para a noite de Natal presentearem algum familiar ou amigo. Estavam no rés do chão da livraria quando viram um senhor de bom aspeto com alguma idade a escolher livros, a colocá-los dentro de uma pasta que ao estar cheia fechou-a e calmamente saiu para a rua sem passar pelo caixa a pagar. Os dois olharam-se incrédulos para de imediato cada um colocar um pequeno livro debaixo do braço por dentro do casaco e saírem sem o pagar. O seu primeiro grande roubo foi consumado. O livro, "A História Me Absolverá", o autor "Fidel Castro" custava 20 escudos. Ainda hoje tem esse pequeno livro consigo embora nunca o tenha lido integralmente. Nunca se sentiu «castrista». Solidário com o povo cubano no cerco imposto pelo imperialismo americano à Ilha mas sempre com um pé atrás no que toca ao modo como o poder foi exercido. Nunca sentiu interesse em visitar a Ilha como turista.

Neste tempo de agora a sua caminhada está dia a dia mais solitária. As posições fanáticas sobre a guerra, a cegueira do pensamento único ocidental fizeram-no fechar-se ainda mais sobre si próprio. Pouco se importa com o que os outros possam dizer de si. Procura a sua paz, só essa lhe interessa e o motiva. Não está fácil, mas não poderá desistir se quer realmente viver o resto do seu tempo de vida de bem consigo próprio. Reconhece que ao longo da sua caminhada cometeu erros. O bem que fez e terá feito, não o incomoda, fez o que tinha de fazer. Contudo dos erros cometidos e do mal que causou sabe que não há solução nem remédio, mas há um que com o passar dos anos não só se mantém presente como se vai tornando mais pesado. Um erro que cometeu mas que depois de ter vivido o que viveu, se vem tornando mais pesado na sua consciência, incomodando-o silenciosamente, como que a mostrar-lhe o que não deveria ter feito mas agora é tarde porque o passado ao não voltar não lhe permite emendar o mal que fez.


sexta-feira, 21 de outubro de 2022

22.06.01

 

Novo mês num tempo em que a novidade é o contínuo aumento do custo de vida, principalmente para os mais desfavorecidos da sorte. Tudo o resto se mantém nas rotinas rotineiras normais de todos os dias, quando a Esperança vai viajando para o reino da utopia.

A Esperança de um mundo melhor foi guardada num cofre e perderam a chave do segredo.

Como dispensaram o trabalhador que fazia a manutenção, sabendo pela sua vivência com vários governos, como recuperar a chave do segredo, já que, sempre depois das eleições, os governantes esquecem a chave do segredo do cofre onde se guarda a Esperança que prometeram. Sem o pobre do trabalhador que tinha ali o sustento da sua família, com a mulher desempregada e dois filhos a estudarem, os que governam contrataram para sua substituição, em prestação de serviço por quatro anos, uma empresa de consultoria de renome internacional no mercado das ideias liberais parametrizantes, para que estudem o momento adequado de mandarem abrir o cofre onde a Esperança vai envelhecendo de tristeza face à indiferença com que ao longo dos anos a têm tratado governos eleitos democraticamente. Só se lembram dela quando necessitam de a venderem como uma medida estruturante para o futuro dos desgraçados cidadãos deste país que um dia lá pelo século XII se formou à beira-mar na ponta sudoeste do designado continente europeu.

Lê num dos livros que vai lendo e estudando que, «o valor e o poder de um homem mede-se não pelo fardo da gratidão e do servilismo que coloca sobre os ombros dos outros homens, mas, pelo contrário, pela sua capacidade de tornar dignas e livres todas as pessoas» (Fazedor de Cercas, de Floro Freitas de Andrade)


Vive e sobrevive na outra margem da vida, com a sua teimosia, alimentando-se com a pequena flor da Esperança que teima em manter viva dentro do seu jardim imaterial. Com o passar do tempo está sendo cada vez mais difícil manter a flor viçosa. Só a sua teimosia, não a deixa morrer no seu jardim.

Já não é só o caminho que se faz caminhando, também a luta pela manutenção viva da Esperança, se faz caminhando passo a passo, sem pressa, que as minas e as armadilhas que colocaram nos caminhos, trilhos e veredas são muitas. Há até quem diga que já são mais que as mães.

Não se imagina, ele que caminha na outra margem da vida, a viver sem a pequena flor da Esperança.

A Esperança é a força invisível que brota mantendo vivo o sonho da utopia, que o acompanha desde os seus dezoito, dezanove anos. O sonho de um mundo melhor, uma sociedade mais decente, onde os ricos possam ser ricos e os pobres cada vez menos pobres. Exatamente o contrário do caminho que os que mandam no mundo estão a fazer, obrigando o rebanho a seguir no sentido do pensamento único, imposto e aceite sem discussão como o modelo ideal de democracia onde os grandes ricos não param de enriquecer e todos os outros, pequenos ricos, remediados e pobres, vão sentindo mais e mais dificuldades em viverem e em sobreviverem. Daí a sua opção de ser um tresmalhado, andando na outra margem da vida na travessia do deserto consciente do seu lugar. O mundo não está conspirando contra ele. É ele que se recusa a seguir o considerado normal modo de vida imposto pelos mandantes sem rosto que comandam, com cordelinhos tóxicos, os governantes de falas redondas, quantas vezes inúteis.

As notícias da guerra não param, repetem dia após dia, noticiário após noticiário, as mesmas imagens, as mesmas notícias acusatórias. Eles estão no lado certo da história, como tal, eles são dos bons. Os outros, os que não pensam assim, mesmo que estejam em oposição ao lado invasor, como não pensam como eles, então estão do lado errado da história, e, como tal, eles são dos maus. Que merda de pensamento este que vai dominando a sociedade em fanatismo crescente. 


Vive e sobrevive na outra margem da vida, com a sua teimosia, alimentando-se com a pequena flor da Esperança que teima em manter viva dentro do seu jardim imaterial. Com o passar do tempo está sendo cada vez mais difícil manter a flor viçosa. Só a sua teimosia, não a deixa morrer no seu jardim.

Já não é só o caminho que se faz caminhando, também a luta pela manutenção viva da Esperança, se faz caminhando passo a passo, sem pressa, que as minas e as armadilhas que colocaram nos caminhos, trilhos e veredas são muitas. Há até quem diga que já são mais que as mães.

Não se imagina, ele que caminha na outra margem da vida, a viver sem a pequena flor da Esperança.

A Esperança é a força invisível que brota mantendo vivo o sonho da utopia, que o acompanha desde os seus dezoito, dezanove anos. O sonho de um mundo melhor, uma sociedade mais decente, onde os ricos possam ser ricos e os pobres cada vez menos pobres. Exatamente o contrário do caminho que os que mandam no mundo estão a fazer, obrigando o rebanho a seguir no sentido do pensamento único, imposto e aceite sem discussão como o modelo ideal de democracia onde os grandes ricos não param de enriquecer e todos os outros, pequenos ricos, remediados e pobres, vão sentindo mais e mais dificuldades em viverem e em sobreviverem. Daí a sua opção de ser um tresmalhado, andando na outra margem da vida na travessia do deserto consciente do seu lugar. O mundo não está conspirando contra ele. É ele que se recusa a seguir o considerado normal modo de vida imposto pelos mandantes sem rosto que comandam, com cordelinhos tóxicos, os governantes de falas redondas, quantas vezes inúteis.


As notícias da guerra não param, repetem dia após dia, noticiário após noticiário, as mesmas imagens, as mesmas notícias acusatórias. Eles estão no lado certo da história, como tal, eles são dos bons. Os outros, os que não pensam assim, mesmo que estejam em oposição ao lado invasor, como não pensam como eles, então estão do lado errado da história, e, como tal, eles são dos maus. Que merda de pensamento este que vai dominando a sociedade em fanatismo crescente.