domingo, 9 de junho de 2024

21.03.24

 

A Alexandra fez hoje anos. Quarenta anos de vida cheia de força, com uma capacidade de pensar sublime nunca, na agora sua cadeira de rodas, se considerando deficiente já que é apenas diferente de nós mas não incapaz.

Ela, filha de de um operário a mãe doméstica, terceira filha do casal, que com a sua licenciatura em psicologia do trabalho pelo ISCTE candidatou-se um dia a um Banco entre milhares de candidatos; os examinadores ao verem-na a andar com as suas muletas pensaram logo em eliminá-la, pondo-a a fazer de imediato a prova de matemática enquanto todos os outros faziam a prova estipulada de português. Viu, percebeu a intenção do que pretendiam, mas como é apenas diferente com a sua capacidade de análise e de saber fez não só a prova de matemática como todas as outras classificando-se em primeiro lugar. O banco admitiu-a, mas na primeira oportunidade em que houve despedimentos, não olhando ao seu desempenho no trabalho, logo a integrou na listagem dos que mandou para o desemprego.

Não há uma palavra de azedume contra os que a veem como aquilo que ela não se julga, já que é apenas diferente e não deficiente.

Trabalha por conta própria a partir de sua casa apenas com seu telemóvel, sabe diversas línguas andando agora a aprender estudando mandarim.

A Alexandra nos seus quarenta anos é um poço de energia, de saber e capacidades várias desperdiçadas por uma sociedade doente onde o ter e o parecer vale muito mais do que a essência e a capacidade do próprio ser.

Que merda de sociedade ajudei a construir.

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